Taxa sobe 7 pontos percentuais
28% dizem ter contas em dia
Menos da metade trabalha fora

IGHOR NOBREGA
21.set.2020 (segunda-feira) – 19h20
atualizado: 21.set.2020 (segunda-feira) – 19h27
Pesquisa do PoderData mostra praticamente 7 a cada 10 brasileiros deixaram de pagar alguma conta no último mês por causa da pandemia de covid-19. A inadimplência cresceu 7 pontos percentuais em relação ao último levantamento, realizado de 31 de agosto a 2 de setembro.
Esta é a 2ª vez nos últimos 30 dias que a taxa de inadimplentes cresce. O número esteve em queda ou estável desde o início dessa série de pesquisas, no final de abril. A proporção de pessoas que estão com os boletos em dia caiu 8 pontos percentuais – passaram de 36% para 28%.

A pesquisa foi realizada pelo PoderData, divisão de estudos estatísticos do Poder360. A divulgação do levantamento é feita em parceria editorial com o Grupo Bandeirantes.
Os dados foram coletados de 14 a 16 de setembro, por meio de ligações para celulares e telefones fixos. Foram 2.500 entrevistas em 459 municípios, nas 27 unidades da Federação. A margem de erro é de 2 pontos percentuais. Saiba mais sobre a metodologia lendo este texto.
Quem é mais inadimplente:
• mulheres (71%);
• pessoas de 16 a 24 anos (77%);
• moradores da região Nordeste (81%);
• quem tem só o ensino fundamental (82%);
• os que não têm renda fixa (83%).

ISOLAMENTO SOCIAL
Em meio à crise global de saúde, o teletrabalho –ou home office– foi adotado para evitar aglomerações e frear a disseminação do coronavírus. O levantamento do PoderData aponta que 52% não saíram para trabalhar nas últimas semanas.
Por outro lado, 46% disseram ter saído de casa para trabalhar. Ambos os percentuais se mantiveram iguais em relação aos da rodada anterior.

Fonte: https://www.poder360.com.br/poderdata/68-deixaram-de-pagar-alguma-conta-por-causa-da-pandemia/

 

Para 28%, houve efeito positivo -Impactou mais a construção – Efeito foi positivo no Nordeste – Poder 18.9.20

A diminuição das vendas foi mais percebida por empresas do Sudeste (40,7%), do Centro-Oeste (39,8%) e do Norte (38,3%)Stevepb/Pixabay
GABRIELLY PIMENTEL, RAFAEL BARBOSA e VALQUIRIA HOMERO
19.set.2020 (sábado) – Poder
A pandemia afetou negativamente 39% das empresas em funcionamento no Brasil na 1ª quinzena de agosto. Teve impacto pequeno ou inexistente para 34%. Já para 28%, houve efeito positivo. Os dados são da pesquisa Pulso Empresa, divulgada quinzenalmente pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Eis a íntegra (997 KB).

Na pesquisa anterior, realizada na 2ª quinzena de julho, o percentual de empreendimentos com impacto negativo era de 62%. O efeito tinha sido pequeno ou inexistente para 22%. Enquanto para 15%, era positivo.
PERCEPÇÃO POR SETOR
Os efeitos negativos da pandemia foram mais recorrentes nas empresas dos setores da construção e do varejo (48% em cada). O setor com menor percentual de empresas negativamente impactadas pela crise de saúde foram os serviços (32% se disseram prejudicadas).

EFEITOS POR REGIÃO
O efeito negativo foi mais percebido por empresas do Sudeste (44%), do Norte (42%) e do Centro-Oeste (40%). Na região Sul, 41% das empresas sinalizaram impactos pequenos ou inexistentes. Já no Nordeste, 52% reportaram percepção de efeito positivo.

Os dados para a pesquisa Pulso Empresa foram coletados com 2.267 empresas, de 17 a 31 de agosto, por meio de entrevista telefônica assistida por computador.

 

 

‘Operamos um transatlântico, mas às vezes testamos novidades em jet-skis’, diz Helisson Lemos, chief digital officer (CDO) da empresa


Ricardo Grinbaum e Ana Carolina Sacoman / 14 de setembro de 2020 | 06h00 / Estadao
Dona de Casas Bahia e Pontofrio, a Via Varejo fechou o segundo trimestre deste ano com volume bruto de vendas (GMV) online de R$ 5,1 bilhões, ou 70% do volume bruto total, alta de 280% na comparação com o mesmo período do ano passado. A resposta rápida à pandemia ajuda a explicar os números: segundo Helisson Lemos, chief digital officer (CDO) da companhia, uma das plataformas de maior sucesso nesse período, o Me Chama no Zap, nasceu em apenas três dias.
Lemos falou ao Revoluções Digitais sobre os desafios do momento, como as ideias são testadas e o que deve ser mantido no “novo normal”. Veja os principais trechos da entrevista:
Como a pandemia influenciou no seu processo de transformação digital?
Nossa jornada pela transformação digital da companhia foi iniciada no ano passado, com a nova gestão e o compromisso assumido na direção de um turnaround com uma cultura digital forte. Com a pandemia, esse processo, que já vinha intenso, foi acelerado e diversas ações que estavam planejadas ao longo do ano foram antecipadas. Apesar do cenário adverso, investimos ainda mais na criação de novas soluções digitais e na evolução das já existentes, com o intuito de proporcionar uma melhor experiência para nossos consumidores e total suporte para os nossos colaboradores. Nosso time de tecnologia, composto atualmente por mais de 1,4 mil pessoas, desenvolveu várias soluções.
A primeira foi uma integração das Casas Bahia ao super app banQi, dando acesso para milhões de clientes pagarem seus carnês online. Os carnês, aliás, antes da pandemia eram oferecidos apenas nas lojas e agora passaram a ser uma opção a mais de crédito em nossos canais online. O Retira Rápido, formato de venda que nasce nos canais online e que o cliente retira nas nossas lojas, virou rapidamente o nosso “drive-thru”.
Outra frente digital que surpreendeu a todos nasceu em três dias, a plataforma “Me Chama no Zap” – para que os vendedores das lojas físicas continuassem suas vendas de forma remota durante o período de pandemia. Essa iniciativa marcou o processo de digitalização dos nossos vendedores, que se transformaram em consultores de venda online para os clientes, principalmente os que nunca tinham feito compras por esse meio anteriormente.
Com o crescimento da demanda no e-commerce neste período, reforçamos nossa malha logística com a aquisição da startup curitibana ASAP Log, especializada em entrega para e-commerce. Com a integração da tecnologia desta startup, reduzimos ainda mais o tempo de entrega dos produtos adquiridos por meio de nossos canais online das marcas Casas Bahia e Pontofrio e avançamos na criação de mini hubs dentro de lojas para maior alcance logístico com custo de frete e prazos menores. Nos adaptamos rapidamente aos novos modelos e hábitos de consumo e enxergamos a oportunidade de turbinar ainda mais a integração entre varejo físico e online.

Quais mudanças feitas ou pensadas agora permanecerão no pós-pandemia?
Atualmente, temos como objetivo ir além do varejo por meio da integração de todas as plataformas de venda para oferecer mais conveniência, melhorando a jornada do cliente no online, na loja, ou em ambos. O cliente vai escolher e temos de estar preparados. Sendo assim, todas as inovações, produtos e serviços que desenvolvemos após o início da pandemia permanecerão em atividade e melhoria constante. Acreditamos que o caminho de integração entre as lojas físicas e o mundo online é sem volta.

Como investir em transformação digital enquanto, para muitas empresas, os recursos evaporaram de um dia para o outro?
É comum pensarmos que para inovar ou para iniciar um processo de transformação digital precisamos de um alto investimento. No caso da Via Varejo, praticamente não houve gasto extra. A mudança foi de mentalidade, de ter a coragem de abraçar o novo, de adotar os meios digitais para melhorar nossos processos de venda e processos internos, incluindo as relações de trabalho. O que fizemos até agora foi dar direção e autonomia às nossas equipes para aproveitar os ativos que já estavam aqui dentro para alavancar novos negócios. Nosso processo passou por etapas de análise do cenário da companhia logo após a chegada da nova diretoria e adequações. Agora, com a capitalização realizada no segundo trimestre do ano, vamos avançar com os investimentos em tecnologia e sistemas. Muita coisa foi realizada de forma operacional e usando muita gente. A ideia agora é evoluir mais e mais os sistemas por trás, aumentando a eficiência e a agilidade.

É o momento de testar novas ideias?
Sem dúvida. Sempre é hora de propor e testar novas ideias, também de antecipar projetos e desengavetar tantos outros. Em um setor tão disputado e, em um primeiro momento, que sofreu forte impacto com a pandemia, a busca por novas soluções é mandatória. Falamos aqui que operamos um transatlântico, mas que temos de pilotar também uns jet-skis, e com eles testamos novidades. Se erramos, ajustamos rápido e depois escalamos.

Qual conselho o senhor dá para quem está passando pelo dilema de ter de fazer a transformação digital no meio da pandemia?
Coragem! O mundo é totalmente tecnológico e a pandemia foi um dos fatores que fizeram com que as pessoas mais tradicionais passassem a utilizar o online para suas atividades diárias. Com isso, companhias que se reinventam digitalmente têm mais possibilidade de interagir com seus consumidores, de forma a sanar suas necessidades e se diferenciar no mercado. Outro conselho é que não existe regra, experimentar faz parte do processo, as relações off e online serão mescladas cada vez mais e esse, sim, é o novo normal.

Após quedas no começo da pandemia, as vendas no varejo tiveram nova alta, segundo os dados do IBGE. O desafio é ir além do auxílio emergencial
Por Carolina Riveira
Publicado em: 10/09/2020 às 09h09 Alterado em: 10/09/2020 às 11h05 access_timeTempo de leitura: 3 min

Varejo: desafio de seguir recuperação apesar da redução do auxílio emergencial (Paulo Whitaker/Reuters)
As vendas no varejo subiram 5,2% em julho na comparação com o mês anterior, ficando novamente acima das expectativas. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira, 10, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Na comparação com o mesmo período de 2019, a alta foi de 5,5%.
A expectativa em pesquisa da Reuters era de alta de 1,20% no varejo na comparação com o mês anterior e de 2,2% na comparação anual.
No comércio varejista ampliado, que inclui veículos, motos, partes e peças e de material de construção, a alta foi de 7,2% em julho em relação a julho. Na comparação anual, o varejo ampliado subiu 1,6% e conseguiu interromper uma sequência de quatro meses em queda.
Os resultados, assim como nos últimos dois meses divulgados, vieram positivos e acima das projeções dos analistas, o que indica que o pior pode ter ficado para trás em meio à crise do novo coronavírus, que teve no segundo trimestre seu pior momento no mundo.
“O comércio varejista é o primeiro setor, reflexo do auxílio emergencial, que praticamente retornou ao seu nível pré-crise”, escreveu o economista Arthur Mota em relatório da Exame Research, braço de análise de investimentos da EXAME, que afirma que há até agora no comércio uma “recuperação em V”.
Outras medidas citadas como benéficas são o programa de manutenção do emprego, como cortes de horas e folha de pagamento, além do começo da flexibilização da quarentena após fechamentos mais restritos no começo da pandemia.
Maio e junho já haviam sido meses de recuperação após quedas bruscas em março e abril. Em junho, as vendas subiram 8,5%; em maio, tiveram alta recorde de 13,3% na comparação com o mês anterior (segundo os números já revisados posteriormente pelo IBGE).
Apesar das altas, no ano, o varejo ainda está no negativo e acumula baixa de 1,8% no volume de vendas em 2020. Em 12 meses, o acumulado é de alta quase nula, de 0,2%.
O desafio é fazer as vendas continuarem subindo. Podem afetar o varejo a partir deste mês de setembro fatores como a redução do auxílio emergencial de 600 para 300 reais e uma recuperação pouco forte da criação de empregos (que, vale lembrar, já era um desafio do Brasil antes da pandemia).
Para agosto, a tendência é que a alta continue, afirma a Exame Research, com base em números positivos divulgados nas últimas semanas como aumento da venda de veículos. Mas a queda do auxílio pode ter impacto na continuidade do crescimento do comércio. “Será importante entender se esse movimento irá tirar fôlego da recuperação, ou se a retomada da confiança irá sobrepujar o efeito”, diz o relatório da Exame Research (cadastre-se gratuitamente aqui para ler a análise na íntegra)
Começo da recuperação
Sete entre as oito atividades que aparecem na Pesquisa Mensal do Comércio do IBGE tiveram alta, com alguma recuperação após as baixas no começo da pandemia.
O único setor que não cresceu foi justamente o de supermercados e produtos alimentícios (que inclui ainda bebidas e fumo). O setor vinha crescendo mais do que os anteriores por ter sido menos impacto pelo distanciamento social e ficou em 0% de variação em julho na comparação com junho.
Ainda assim, os supermercados estão entre os poucos com crescimento em 2020. No ano, os únicos com acumulado positivo são justamente alimentos/supermercados, artigos farmacêuticos/perfumaria, móveis/eletrodomésticos e material de construção.
Os mais impactados negativamente são vestuário (38% de queda no ano), livros/jornais/papelaria (28%) e veículos/peças (22%)

.https://exame.com/economia/varejo-no-brasil-sobe-52-em-julho-e-fica-acima-das-expectativas/

Falou sobre alta dos preços Teve reunião com Bolsonaro site PODER

MAURÍCIO FERRO 09.set.2020
O presidente da Abras (Associação Brasileira de Supermercados), João Sanzovo Neto, declarou na tarde desta 4ª feira (9.set.2020) que os supermercados não podem ser considerados “vilões” pela alta do preço dos alimentos que compõem a cesta básica brasileira.
“Nós não vamos ser vilões de uma coisa que não somos os responsáveis”, declarou Sanzovo em entrevista a jornalistas no Palácio do Planalto, sede do Poder Executivo, depois de reunião com o presidente Jair Bolsonaro.
O presidente da Abras disse que houve redução da produção de arroz, 1 dos itens que teve maior elevação no preço. O presidente Jair Bolsonaro, no entanto, teria orientado a ministra Tereza Cristina (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) a retirar a tarifa de importação desse produto. Essa retirada foi confirmada pela Camex (Câmara de Comércio Exterior), segundo Sanzovo, viabilizou a importação de 400 mil toneladas de arroz até dezembro.
“Isso já é uma sinalização do lado da oferta do produto porque vai ajudar a regular o preço. Do nosso lado, vamos continuar fazendo a nossa parte. Nós sempre defendemos os consumidores. Nós somos muito competitivos. Nós dependemos de ter preço barato para continuar vendendo e atraindo clientes”, afirmou.
Sanzovo também disse que os supermercados continuarão a negociar com os fornecedores. Ainda haverá, de acordo com ele, uma campanha “promovendo o consumo de massa, macarrão, que é o substituto do arroz”. Ele acrescentou: “E vamos orientar o consumidor que não estoque”.

01/09/2020 – Money times

1 – Lojas Renner é a empresa mais eficiente em seu segmento, mesmo após trimestre fraco

As vendas online da Lojas Renner saltaram 122% no segundo trimestre do ano (Imagem: YouTube/EstiloRenner)
A Lojas Renner (LREN3) apresentou resultados fracos do segundo trimestre de 2020, de acordo com o BB Investimentos. Impactada pelo fechamento das lojas devido à propagação da pandemia de covid-19, a companhia teve uma queda expressiva nas vendas do período, o que levou a uma receita líquida 73,3% menor no comparativo anual, para R$ 539,6 milhões.
O desempenho da varejista nos canais digitais minimizou os efeitos negativos. As vendas online saltaram 122% e, mesmo com a reabertura das unidades físicas, o e-commerce seguiu a trajetória crescente em julho, avançando 239% na comparação ano a ano.
Para o BB Investimentos, o principal aspecto positivo do balanço foi o reconhecimento de créditos fiscais de uma ação envolvendo a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins, o que garantiu um lucro líquido de R$ 818,1 milhões à Lojas Renner no trimestre.
A recomendação neutra da ação foi reiterada, bem como o preço-alvo de R$ 37,10 para o fim de 2020. Segundo a analista Georgia Jorge, a indicação tem como base a ideia de que “a Lojas Renner é a companhia mais eficiente no seu segmento e, apesar dos percalços de curto prazo, deve retomar rapidamente o desempenho operacional pré-crise”.

Renato Pezzotti / uol marketing 28.8.20

Menos discurso, mais ação. A pandemia fez com que as marcas entrassem na era do “pós-propósito” —uma evolução do conceito de propósito. Agora, o desafio das empresas é assumir uma postura social mais ativa, com projetos que tenham impacto real, e não somente criados para comunicação.
Esta é uma das tendências apontadas pelo estudo Creative Insights 2020, encomendado pelo UOL e produzido pela GoAd Media. O relatório destaca os temas que moldam a relação entre marcas e pessoas e os principais assuntos apresentados nos festivais de criatividade D&AD e Lions Live, realizados de forma online este ano.
“É o momento de as empresas conectarem seu propósito conceitual a projetos que melhorem as condições humanas. Iniciativas sólidas, que toquem em temas urgentes, como combate ao racismo, desemprego, acesso a moradia e a serviços de saúde, diversidade e meio ambiente, por exemplo”, afirma José Saad Neto, publisher da GoAd.
Relações autênticas e honestas
Para Saad, o marketing ganha relevância ao liderar o desenvolvimento desses projetos, para irem além da publicidade e promoverem a inovação com foco na transformação social.
“É essencial que as empresas desenvolvam relações autênticas e honestas, principalmente com as gerações mais jovens, acostumadas a monitorar as práticas das grandes organizações. No ano da maior crise sanitária da nossa geração, a atuação responsável das marcas pode minimizar dores humanas”, diz.
Transformação digital é o assunto de 2020
Transformação digital e conteúdo são outros temas fundamentais de discussão para as marcas que almejam sucesso no mundo pós-pandêmico, segundo o estudo.
Para Saad, muitas empresas já trabalhavam com o conceito de transformação digital, mas se viram forçadas a acelerá-lo em 2020 por questão de sobrevivência. O tema vai além da digitalização da experiência do consumidor, do atendimento ao pós-venda.
“É a reinvenção de modelos de negócios, com produtos, serviços e soluções que se conectam a uma jornada do consumidor, que passou a ser mais híbrida e multitela. A transformação digital não é só investimento em tecnologia. É mudança de cultura organizacional”, declara.
Storytelling e experiências imersivas
A pandemia fez crescer a necessidade de as marcas estabelecerem relações mais próximas com as pessoas. A conexão emocional das histórias nunca foi tão importante e o storytelling (a “arte de contar histórias”) tem um papel crucial nesse sentido.
“A atenção das pessoas é um ativo hiperdisputado. Com o crescimento comprovado do consumo de mídia digital, conteúdo é o que amarra a experiência das pessoas com as marcas em diferentes formatos, como anúncios, notícias, podcasts, streamings e e-commerce, entre outros”, diz Saad.
O uso de tecnologias imersivas, como realidade virtual (VR, ou “virtual reality”) e realidade aumentada (AR, ou “augmented reality”) tem promovido uma disrupção no modo de contar histórias —e isto tem grande impacto para as marcas.
Segundo estudo da desenvolvedora Unity Technologies, empresas que abraçarem experiências imersivas nos próximos cinco anos estarão entre as 25% companhias com melhores resultados financeiros em suas categorias. A Unity ainda aponta que, até 2030, as lojas físicas deixarão de ser espaços de venda e se tornarão showrooms, com um extenso inventário 3D em exposição.
“O conteúdo que funciona é aquele que fala sobre o que as pessoas precisam e querem ouvir – e não aquele que destaca somente o que a marca quer falar”, afirma Saad.

Os dados encorajadores de venda e lucratividade de julho (Imagem: LinkedIn/Arezzo&Co)
As companhias do varejo de vestuário apresentaram diferentes resultados no segundo trimestre de 2020, considerado pelo mercado o período mais incomum do ano devido ao fechamento das lojas para conter a disseminação do coronavírus.
Na avaliação do Credit Suisse, a Arezzo (ARZZ3) foi o destaque positivo do trimestre, tendo em vista os dados encorajadores de venda e lucratividade de julho, que sugerem que o próximo balanço será promissor.
“A pandemia de covid-19 atingiu o segmento de moda, mas encontrou a Arezzo relativamente preparada para navegar as águas turbulentas. As vendas no e-commerce cresceram 200% na comparação ano a ano, ajudando a minimizar a perda de receita líquida e dando suporte a margens brutas melhores”, comentaram Victor Saragiotto e Pedro Pinto, autores do relatório divulgado pelo banco e obtido pelo Money Times.
Além disso, a empresa também deu a entender que mira novas oportunidades de fusões e aquisições para se consolidar no setor.
No caso da Centauro (CNTO3), …o Credit Suisse destacou o bom trabalho feito pela administração da empresa, o que resultou em uma geração de caixa de R$ 50,7 milhões em meio a um cenário desafiador.
Para as ações da Arezzo e da Centauro, o banco defendeu a recomendação de outperform (desempenho esperado acima da média do mercado).

Companhia antecipou desempenho das vendas em julho, com aumento de 82% na comparação anual

Por Graziella Valenti
Publicado em: 17/08/2020 exame

O Magazine Luiza teve um trimestre com recorde em vendas. O total movimentado pela empresa em lojas e no comércio online próprio e para terceiros — o tal GMV, que o mercado tanto olha — foi de 8,6 bilhões de reais, o que representa um crescimento de 49% sobre igual período do ano passado. Desse total, 78%, ou seja, 6,7 bilhões de reais, vieram do comércio eletrônico, após uma expansão anual de 182%.
Se o Mercado Livre não existisse, esse desempenho equivaleria a alcançar, ao mesmo tempo e pela primeira vez, a liderança em vendas de bens duráveis, em e-commerce e ainda em varejo esportivo. Trocando em miúdos: ultrapassar de uma só vez a Via Varejo, a B2W e a Centauro. “A gente nunca foi líder em nada. Não é um objetivo isolado, mas é um feito. Liderança importa no varejo”, afirmou Frederico Trajano, presidente da companhia, em entrevista ao EXAME In. “Essa é uma fotografia. Não é um filme. Precisamos nos esforçar para manter isso.”
O segundo trimestre, na opinião de Trajano, foi “o mais difícil da história para qualquer CEO.” Mas, ele enfatiza, que é uma história com três capítulos bem diferentes e lembra que em março a receita caiu pela metade abruptamente com o fechamento das lojas. Em abril, as vendas totais da companhia já tiveram crescimento, mas de 7%, com queda de 84% nas lojas físicas e aumento de 138% nas vendas digitais. Em maio, a receita subiu 46%, puxada pela alta de 203% no faturamento do e-commerce, enquanto as lojas físicas ainda tinham queda de 53%. Em junho, a expansão alcançou 85%, pois o online manteve expansão de 206% na comparação anual, mas a redução da receita nas lojas físicas caiu para 6%, mesmo com o percentual de lojas abertas ainda em 64%.
A companhia teve, no acumulado dos três meses, prejuízo de 62,2 milhões de reais, comparado a um lucro líquido superior a 85 milhões de reais, em relação a igual período de 2019. Os três capítulos se repetem na análise da última linha do balanço. Enquanto em abril houve um prejuízo de 148 milhões de reais, o resultado passou a um lucro líquido de 93 milhões de reais no mês de junho.
O Ebitda, como não poderia deixar de ser, seguiu a mesma trajetória: a margem saiu de 8,8% para 2,6% na comparação anual. Mas, do começo ao fim do trimestre, variou de -10% para 7,8%.
E a companhia já quis antecipar o que aconteceu em julho: as vendas totais subiram 82% na comparação anual, com aumento de 10% na receita de lojas físicas e 162% no e-commerce — isso com 70% das lojas abertas.
O executivo destacou que houve dois grandes efeitos além da digitalização que impulsionaram o trimestre: o fato de as pessoas terem ficado mais em casa e investido mais nela nesse período e o voucher de 600 reais mensais do governo. “Foi uma medida muito poderosa, talvez a de maior resultado no mundo. E o Brasil tinha uma plataforma muito sólida para fazer essa distribuição.” Trajano defendeu a manutenção do benefício, pelo impacto social eficaz que vem promovendo. “Espero que se o governo tiver de cortar que seja fazendo a reforma administrativa e com privatizações.”
A companhia reforçou a posição de marketplace e tem hoje 32.000 vendedores — os sellers (outros varejos não digitalizados), no jargão do mercado — plugados em sua plataforma. “Costumo dizer que eu quero ser o sistema operacional do varejo brasileiro.” Há um ano, esse total era de 8.000. O número de itens vendidos de terceiros saltou de 538.000 para 1,83 milhão, na comparação anual dos trimestres.
O desempenho de margem do trimestre contou com impacto positivo, pela primeira vez, da Netshoes. Sem revelar valor, Trajano contou que a unidade teve resultado positivo pela primeira vez em julho. “Essa companhia queimava 250 milhões de reais por ano quando a compramos, um ano atrás.”
Com essa combinação, o Magazine Luiza registrou uma geração de caixa de 2,2 bilhões entre abril e junho. “Costumo dizer que receita é necessidade, lucro é opinião e caixa é realidade.” Ao fim de junho, em razão disso, a empresa tinha 7,5 bilhões em caixa. O dinheiro disponível, considerados recebíveis do cartão, excedia os compromissos financeiros em 5,8 bilhões de reais — ante 800 milhões de reais um ano antes.
Trajano está otimista com o terceiro e quarto trimestre. “Eu não sou de fazer previsões, mas espero que o varejo responda bem até o fim deste ano, pelo menos.” Apesar disso, ele já vem destacando que os investidores não devem tomar as margens de junho como base para o próximo trimestre.
“Não houve custo de aquisição de cliente na pandemia. Mas vai subir daqui para a frente.” Ele destacou que a empresa lançou a iniciativa de cash back em julho e vai acelerar isso nos próximos meses. “Um dos meus maiores gaps em relação a grandes companhias do mundo é melhorar minha frequência e fazer o cliente comprar mais. E acho que o cash back vai ser uma ferramenta importante para isso. É um ponto muito importante para nossa estratégia de superapp.” Além disso, ele destacou que a empresa não demitiu mas também não contratou e que agora vai ampliar o total de funcionários em 2,5 mil, principalmente em atendimento e logística.

Entre as mil siglas que os especialistas de varejo acompanham aparece: GMV quase estável, de R$ 7,26 bilhões no segundo trimestre
Por Graziella Valenti
Publicado em: 13/08/2020 às 00h06Alterado em: 13/08/2020 às 02h09access_timeTempo de leitura: 5 min

O resultado que a Via Varejo estava “louca para mostrar”, conforme o presidente Roberto Fulcherbeguer afirmou à Exame em entrevista no mês passado, traz um marco para a empresa: lucro líquido de 65 milhões de reais, ante prejuízo de 162 milhões em igual período do ano passado. Nos três primeiros meses do ano, o lucro líquido foi de 13 milhões de reais. A empresa reúne as marcas Casas Bahia, Via Varejo e Extra.com.
Mesmo com 80% de suas lojas fechadas, em média, durante o segundo trimestre, a companhia conseguiu registrar uma receita líquida 12,4% menor na comparação anual, de 5,3 bilhões de reais. O Ebitda (o indicador que significa lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortizações, para tentar simular a geração de caixa) foi 71,7% maior, de 532 milhões de reais. Na prática, significa que a margem Ebitda da companhia dobrou, na comparação anual, alcançando 10,1% — ficou maior, inclusive, do que os 8,9% dos três primeiros meses do ano.
A receita bruta foi de 6,5 bilhões de reais, 7,8% menor do que a comparação anual. Até aqui são os números que o mercado gosta de saber para ver o status de desempenho do negócio. Mas os dados que representam a trajetória da companhia — que concluiu em junho o primeiro ano de um processo de reestruturação operacional com uma pandemia e uma fraude contábil da gestão anterior revelada no meio — começam a partir da decomposição da receita.
Do total faturado, 2,18 bilhões de reais vieram das lojas físicas, com redução acima de 63% nessa linha. Isso significa dizer que 4,3 bilhões de reais vieram das vendas online — um aumento de 300%. A companhia começou o trimestre com 86 lojas abertas e terminou com 790, de um total superior a 1.000.
Daqui em diante, prepare-se, caro leitor: começa uma chuva de dados e números no balanço. Um dado que o mercado passou a adorar é um tal de GMV (Gross Merchandise Volume) — algo como volume bruto de mercadorias vendidas. Nesse indicador, houve um micro crescimento anual: 7,26 bilhões de reais antes 7,23 bilhões de reais. Esse total inclui o que a Via Varejo vendeu de suas marcas (chamado de 1P) e o que foi vendido em sua plataforma, de outras empresas, mas no seu espaço virtual (conhecido pela sigla 3P) — o chamado “market place”. Sim, é muita coisa: GMV, 1P, 3P. De forma simples: o total movimento pela Via Varejo, próprio e de terceiros, ficou estável porque as vendas físicas caíram, mas as digitais cresceram muito.
As vendas online desse tal GMV eram 18,5% há um ano e 27% no primeiro trimestre e totalizaram 70% na média do segundo trimestre. Dentro dessa conta, as vendas online do que é Via Varejo apenas subiram 311% na comparação anual e o que é de terceiros teve aumento de 180%. A companhia processou mais vendas diárias do que na média do trimestre com Black Friday e Natal: 50 mil ao dia em abril e com picos de 70 mil diários ao longo do trimestre.
A Via Varejo fez questão de contar que há um ano tinha 1,5 milhão de clientes ativos em sua base de cadastro e esse total subiu para 15 milhões no segundo trimestre da pandemia. As vendas por meio dos apps (ou seja, móveis, nos celulares e tabletes) foram 32% do GMV (o dado veio sem comparativo). O percentual de visitas ao aplicativo subiu de 14% para 30% na comparação anual.
Futuro
A Via Varejo fez questão de contar — a companhia gosta de dar as boas novas — que, nas lojas que abriram na pandemia e continuaram abertas, o crescimento nas vendas tem sido de 15% na comparação com os níveis pré-pandemia. “Essa análise considera 18 lojas reabertas no início de abril, 203 lojas reabertas no início de maio e mais 343 lojas reabertas no início de junho, totalizando 564 lojas que representam 53% do total de lojas”, explica a empresa em seu relatório.
Caixa
A Via Varejo realizou uma oferta de ações no segundo trimestre que trouxe 4,4 bilhões de reais em dinheiro novo à empresa. Com isso, a empresa terminou junho com 7,4 bilhões de reais em caixa, ante 238 milhões de reais em junho de 2019. O patrimônio líquido encerrou o segundo trimestre em 5 bilhões de reais, comparado a 1,8 bilhão de reais, um ano antes. A companhia tinha 2,9 bilhões de reais a mais em dinheiro — considerando recebíveis do cartão e do crediário — do que os compromissos.
O caminho
A Via Varejo está em busca da percepção, pelos investidores, de que tem feito o dever de casa. Mais do que isso: de que tem avançado e muito em seus canais digitais. Embora as vendas da companhia não sejam tão diferentes da rival Magazine Luiza, a diferença de valor de mercado entre elas é de nada menos do que 100 bilhões de reais. A Magalu fechou o dia ontem avaliada em 130 bilhões de reais, enquanto a Via Varejo estava em pouco mais de 29 bilhões de reais.
Ambas viram seus valores se multiplicarem na pandemia. Mas a empresa tocada por Frederico Trajano, filho da Luiza Helena Trajano (a dona Lu), conquistou na pandemia o tal do selo tech. Passou a ser percebida com uma empresa altamente relacionada à tecnologia. O balanço para comparação sai no dia 17, a próxima segunda-feira. A Via Varejo, por sua vez, mostrou que a nova gestão colocou tudo na direção certa — mas ainda falta a estrelinha tecnológica para os múltiplos se multiplicarem também. Um trimestre pandêmico bom está longe de resolver essa equação.