Crescimento em 2020 terá crédito como protagonista, segundo economista-chefe da CNC
Expectativa é de ter emprego melhor – Avaliação de Carlos Thadeu de Freitas
O economista-chefe da CNC (Confederação Nacional do Comércio), Carlos Thadeu de Freitas Gomes, deu entrevista ao Poder360 em 6 de fevereiro de 2020
PAULO SILVA PINTO 08.fev.2020 (sábado) – 5h50 / PODER
O economista-chefe da CNC (Confederação Nacional do Comércio), Carlos Thadeu de Freitas Gomes, afirmou que mesmo com a lenta recuperação do emprego e da renda, o PIB crescerá com mais força neste ano graças ao crédito.
“As pesssoas contraem dívida com a expectativa de conseguir emprego melhor lá na frente”, disse entrevista ao Poder360, em 6 de fevereiro.
Ex-diretor do BC e do BNDES, ele presidiu o Conselho de Administração do banco de fomento até dezembro e seguirá conselheiro do colegiado até abril.
Qual a previsão de crescimento do PIB para este ano?
Na faixa de 2,2% a 2,6%. Pode chegar a 3%. A crise brasileira dos últimos anos, a maior da história do Brasil, já está indo embora devagar
O coronavírus pode alterar isso?
O Brasil exporta muito para a China. Pode ser que exporte menos. Muitas empresas daqui também dependem de bens intermediários chineses. Podem ter dificuldades. Mas essa crise já indo embora devagar. O Brasil teve a maior crise de sua história. A dívida só caiu no ano passado, depois de 4 anos subindo. Desde 1973, o Brasil sempre cresceu rápido por causa exportações. Agora não dá mais. Tem que ser via consumo interno. A situação agora está melhorando via crédito. Pesquisa mostra que as pessoas contraem dívida com a expectativa de que achar emprego lá na frente. A inadimplência praticamente não cresce.
A inadimplência poderá crescer?
Só se houver aumento de desemprego poderemos ter 1 problema daqui a 2 ou 3 anos. As pessoas estão tomando empréstimos a longo prazo. O juro vai subir, mas não tão cedo, porque a expectativa de inflação é baixa. O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) pode até cair abaixo de 3% no próximo ano. Se continuar caindo, haverá novo corte da Selic no fim do ano. O BC falou que poderá interromper os cortes. Não disse que iria parar, o que seria outra coisa. Acho mais fácil baixar de novo do que parar. A Selic poderia estar em 4%. Não está por prudência do BC. A situação internacional [com o coronavírus] é de 1 choque deflacionário, porque deve haver queda no preço do petróleo. Pode ter, lá na frente, aversão ao risco, como teve em 2008.
A produção industrial ter vindo abaixo do esperado é preocupante?
A situação está boa para o comércio. As vendas estão subindo e a expectativa é de que o crescimento neste ano seja de 5,5% em relação ao ano passado. A indústria não é competitiva e tem alta ociosidade. Só sairá dessa situação com a reforma tributária.
O BC acertou ao reduzir a Selic a 4,25%?
Fez tudo certo menos uma coisa: não deveria ter falado nada. Deveria ter dito simplesmente que a conjuntura permite fazer a redução. Se as coisas mudarem lá fora, aí sobe-se os juros. Mas vai cair mais ainda. O problema de dizer [que os cortes podem ser interrompidos] é que isso coloca uma espécie de freio para as pessoas que querem consumir mais.
Qual será o comportamento da dívida pública?
No ano assado, diminuiu graças aos R$ 123 bilhões que o BNDES pagou ao Tesouro. Neste ano, deverá pagar R$ 70 bilhões. Isso deverá permitir nova redução. Guedes acertou ao dizer que não se pode elevar o teto de gastos. Só haverá aumento da dívida se os juros subirem.
Por que o investidor estrangeiro saiu da bolsa brasileira?
De fato, o que segura a Bolsa são os investidores internos devido à queda dos juros. Comprar imóvel, por exemplo, pode ser 1 problema na hora de tentar vender. Ações têm liquidez. Por isso a Bolsa vai continuar subindo. O investidor externo vem, mas vai esperar. Por muitos anos, alguns tiveram só prejuízo no Brasil. Mas volatarão se for mantida a mesma equipe econômica. Bolsonaro fez o mais importante, ao trazer de volta a confiança. O risco-Brasil caiu muito, abaixo de 100 pontos (estava em 99 ponto em 6.mar.2020).
A reforma tributária sairá?
Infelizmente os Estados estão todos quebrados. Ninguém tem certeza de que a reforma vai dar certo. E não dá tempo de fazê-la neste ano, porque teremos as eleições municipais. A saída é fazer mini-reformas, com a fusão do PIS e da Cofins em 1 imposto sobre valor agregado federal.
Como resolver o aumento da carga criado por essa modificação?
Tem que haver uma compensação para o setor de serviçoz pelo Imposto de Renda ou algo parecido.
Quando o crescimento do PIB será maior?
O Brasil depende do mercado interno hoje. Nos últimos 40 anos, o país fez muitas besteiras, incluindo até confisco. O Plano Real foi 1 acerto, mas só na política monetária. A fiscal ficou para depois. E o Lula errou muito. Mas estamos melhorando. Neste ano, o investimento externo deverá ser melhor do que no ano passado.
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fonte: PAULO SILVA PINTO EDITOR SÊNIOR enviar e-mail para Paulo Silva Pinto paulosilvapinto

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