Marcos Cardoso   • 2ºPremium • 2ºGerente de transportes na Monfredini Transportes | Gestão da Cadeia de SuprimentosGerente de transportes na Monfredini Transportes | Gestão da Cadeia de Suprimentos

O mapa do varejo brasileiro está sendo redesenhado e os números não deixam dúvida.
Duas pesquisas recentes (BTG Pactual/Sensor Tower e DHL) mostram um movimento claro:

Shein cresceu 29% em usuários ativos no Brasil: de 87,7 milhões para 113,1 milhões em um ano.
AliExpress avançou 28% e ultrapassou o Magalu: 42,3 milhões de usuários.

Magalu caiu 9% (38,8 milhões), Casas Bahia recuou 27% (14,4 milhões) e Americanas perdeu 33% (5,5 milhões).

E tem mais: o Brasil já é o 3º maior comprador de produtos chineses no e-commerce mundial 82% de quem compra em sites estrangeiros compra da China. Os motivos? Preço (62%) e produtos que não encontram aqui (42%).

O consumidor votou: 96% priorizam conveniência e 94% buscam desconto.

A pergunta que fica: como o varejo nacional reage a isso? Competir só em preço parece batalha perdida. O caminho pode estar em serviço, entrega e experiência.

E você, o que acha? Dá pra virar esse jogo?

Marco Antônio Lara

  1. EUA e China seguem na liderança.
    – EUA: $18,3 tri → $32,38 tri. Ainda em 1º lugar, crescimento de +76,94%
    – China: $11,3 tri → $20,85 tri. Continua em 2º, com +84,51% de crescimento
    A diferença continua grande, mas a China está encostando mais rápido.

2. Índia é a que mais cresce
– Índia: $2,1 tri → $4,15 tri. Foi para 6º lugar e teve +97,62% — o maior crescimento da lista
Praticamente dobrou em 11 anos.

3. Rússia também disparou:
– Rússia: $1,4 tri → $2,66 tri, +90,00%
Segundo maior crescimento, só perde pra Índia.

4. Japão é o único que encolheu
– Japão: $4,4 tri → $4,38 tri, -0,45%
Continua em 4º, mas ficou praticamente estagnado.

5. Brasil
– Brasil: $1,8 tri → $2,64 tri, +46,67%
Se mantém na 10ª posição nos dois períodos.

* Outros destaques:
– Alemanha, Reino Unido, França, Itália, Canadá, México, Austrália, Espanha e Coreia do Sul cresceram entre 28% e 76%.
– Todos os valores são PIB nominal em trilhões de dólares.

* A grande mensagem aqui é a força da Ásia. Índia e China puxando o crescimento, enquanto Japão e alguns países europeus cresceram bem menos.

Marco Antônio Lara .•.  • SeguindoUsuário verificado • SeguindoExtensão em Gestão no Varejo | FIA – Fundação Instituto de AdministraçãoExtensão em Gestão no Varejo | FIA – Fundação Instituto de Administração – Linkedin

Ações Institucionais,CNC

Documento elaborado pelo Sistema CNC-Sesc-Senac reúne propostas para fortalecer o comércio de bens, serviços e turismo e amplia o diálogo com os pré-candidatos à Presidência da República sobre políticas públicas voltadas ao crescimento econômico, à geração de empregos e à competitividade

O Sistema CNC-Sesc-Senac realizou, nesta quarta-feira (8), no Centro Empresarial CNC, em Brasília, a entrega da Agenda dos Presidenciáveis 2026, documento que reúne as principais propostas do setor terciário para orientar o debate sobre o desenvolvimento econômico brasileiro. A iniciativa destaca o papel institucional da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) como interlocutora técnica do setor produtivo com os futuros candidatos à Presidência da República.

O encontro reuniu lideranças empresariais, presidentes de Federações e Sindicatos, autoridades e representantes da imprensa para apresentar um conjunto de recomendações voltadas ao fortalecimento do comércio de bens, serviços e turismo, responsável por parcela expressiva do Produto Interno Bruto (PIB) e da geração de empregos no País.

A programação foi aberta pelo 2º vice-presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac e presidente da Fecomércio-RS, Luiz Carlos Bohn, que representou o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros.

Leia a íntegra do documento aqui.

Construção coletiva

Em seu pronunciamento, Luiz Carlos Bohn afirmou que a Agenda dos Presidenciáveis 2026 é resultado de um amplo processo de diálogo com Federações, Sindicatos e empresários de todas as regiões brasileiras, refletindo as demandas de quem empreende, investe e gera empregos.

Segundo ele, o documento representa um compromisso institucional com o fortalecimento do ambiente de negócios e com a construção de políticas públicas capazes de impulsionar o desenvolvimento nacional.

“Entregamos aos presidenciáveis um verdadeiro tratado para o avanço e a prosperidade do Brasil.”

Bohn ressaltou que o Sistema Comércio compreende sua responsabilidade como principal representante do setor terciário e defendeu um ambiente econômico mais simples, seguro e eficiente.

“O Brasil precisa avançar com uma agenda que inclua modernização do Estado, simplificação regulatória, segurança jurídica, qualificação profissional e acesso ao crédito. Esses desafios são do País; não pertencem a um governo, pertencem ao Brasil”, afirmou.

Sete eixos estratégicos

Durante a abertura, Bohn explicou que a Agenda dos Presidenciáveis está estruturada em sete eixos estratégicos, elaborados para subsidiar a formulação de políticas públicas mais eficazes e alinhadas à realidade do setor produtivo.

Na base das propostas, destacou três princípios considerados permanentes pelo Sistema CNC-Sesc-Senac que são segurança jurídica, democracia e livre mercado.

Ele salientou que esses pilares são indispensáveis para criar um ambiente favorável aos investimentos, ao fortalecimento das empresas e à geração sustentável de empregos e renda.

Reformas estruturantes e competitividade

Outro ponto enfatizado pelo 2º vice-presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac foi a necessidade de avançar em reformas estruturantes. Bohn defendeu uma reforma tributária que resulte em um sistema mais simples, justo e transparente, estimulando investimentos, produtividade e formalização das empresas.

Também ressaltou a importância da reforma administrativa, do equilíbrio fiscal, da redução dos juros e da diminuição da carga tributária como medidas essenciais para ampliar a competitividade da economia brasileira.

No cenário internacional, afirmou que o Brasil deve ampliar sua presença em mercados estratégicos e valorizar seus diferenciais competitivos, como a diversidade energética, os recursos naturais, o mercado consumidor e o potencial turístico.

“O desafio é transformar esse potencial em produtividade, renda e oportunidades concretas para a população”, observou.

Documento fortalece participação do setor produtivo

A Agenda dos Presidenciáveis 2026 tem como objetivo oferecer subsídios para a construção de políticas públicas voltadas ao crescimento sustentável da economia brasileira. O documento reúne propostas e recomendações elaboradas pelo Sistema Comércio para estimular investimentos, geração de empregos, inovação e desenvolvimento em todas as regiões do País.

“Não apresentamos uma agenda de governo; apresentamos uma agenda de País, comprometida com a democracia, com a livre iniciativa e com a prosperidade dos brasileiros. O Sistema Comércio está à disposição para contribuir com diálogo, propostas e experiência institucional”, enfatizou

Bohn.https://flic.kr/s/aHBqjCYFoh

Flávia Märtino / Linkedin

A relação Dívida Líquida/EBITDA é um dos principais indicadores para avaliar a estrutura de capital de uma companhia. Ela compara a dívida financeira líquida, dívida bruta menos caixa e aplicações com o EBITDA gerado nos últimos 12 meses. Uma empresa com caixa líquido possui mais caixa do que dívida financeira. Já uma companhia com relação de 1,5x possui dívida líquida equivalente a uma vez e meia o EBITDA anual.

Quanto menor o indicador, maior tende a ser a flexibilidade para:
Financiar estoques e coleções
Investir em lojas e canais digitais
Absorver períodos de menor demanda
Administrar remarcações e liquidações
Financiar expansão com menor risco

Mas o múltiplo não deve ser interpretado como prazo literal de pagamento. A geração efetiva de caixa também depende de juros, impostos, Capex, estoques, fornecedores e recebíveis.

Ranking do 1T26 — menor para maior alavancagem

 1. Lojas Renner — caixa líquido de R$ 1,5 bilhão
A Renner apresenta uma das estruturas financeiras mais sólidas do setor, combinando liquidez elevada, geração de caixa e capacidade de financiar sua agenda de crescimento.

2. Track&Field — caixa líquido de R$ 63,6 milhões
A posição de caixa líquido oferece flexibilidade para expansão da rede, fortalecimento do canal digital e desenvolvimento do ecossistema de wellness.

 3. C&A Brasil — 0,1x
Dívida líquida de R$ 142,6 milhões. A C&A mantém uma estrutura de capital leve, mesmo com investimentos em lojas, reformas, tecnologia, digital e no plano Energia C&A.

 4. Riachuelo — 0,4x
Dívida líquida pro forma de aproximadamente R$ 747,3 milhões.
A alavancagem permanece baixa e é sustentada pela melhora operacional, evolução da categoria de vestuário e maior disciplina na alocação de capital.

5. Veste — 0,6x
Dívida líquida de R$ 124,2 milhões. A companhia apresenta baixa alavancagem, acompanhada por crescimento de receita, expansão de margem e recuperação da rentabilidade.

 7. Azzas 2154 — 1,40x
Dívida líquida de R$ 2,17 bilhões. O valor absoluto da dívida é elevado, mas precisa ser analisado em relação à escala e ao portfólio da companhia. Integração, redução de estoques, captura de sinergias e geração de caixa serão determinantes para a evolução do indicador.

 8. Grupo SBF — 1,59x
Dívida líquida de R$ 1,12 bilhão. O Grupo SBF apresenta a maior alavancagem da amostra de moda. O aumento está relacionado à maior necessidade de capital de giro, formação de estoques e aceleração dos investimentos.

No varejo de moda, a estrutura financeira está diretamente ligada à qualidade da operação. Estoques de baixo giro, excesso de sortimento, remarcações tardias, previsões inadequadas e ciclos longos de compra podem consumir caixa rapidamente, mesmo quando a receita cresce.

O diferencial competitivo será transformar dados, estoque e experiência do cliente em margem, giro, caixa e retorno sobre o capital investido.

Flávia Märtino  •  Linkedin 2ºPremium • 2ºEnterprise Solution Architect – Retail @ Oracle I Business Transformation | Innovation I Growth Strategy | Retail Tech | AI & Data-Driven Leadership | Former Mercado Livre, Riachuelo, C&A, Havaianas I AdvisorEnterprise Solution Architect – Retail @ Oracle I Business Transformation | Innovation I Growth Strategy | Retail Tech | AI & Data-Driven Leadership | Former Mercado Livre, Riachuelo, C&A, Havaianas I Advisor

Cássio Pacheco   •  20 anos ajudando empresas a crescer através de branding, marketing, conteúdo, mídia e conexões. Linkedin

Quando falamos em estratégia de vendas, expansão ou marketing, muita gente olha apenas para o tamanho da população.

Mas existe uma variável ainda mais importante: o poder de compra.

Os dados da PNAD Contínua (IBGE) mostram diferenças expressivas na renda média entre os estados brasileiros.

O Distrito Federal lidera com cerca de R$ 6.845 por mês, enquanto diversos estados do Norte e Nordeste apresentam rendimentos médios inferiores a R$ 3.200.

Essa diferença muda completamente a forma como uma empresa deveria pensar:

* preço;
* mix de produtos;
* canais de venda;
* comunicação;
* experiência do cliente.

O erro de muitas empresas é acreditar que uma estratégia nacional funciona da mesma forma em todo o país.

Não funciona.

Uma campanha que performa em São Paulo pode fracassar no Maranhão.

Um ticket médio viável no Distrito Federal pode ser inviável em outras regiões.

As empresas que mais crescem entendem que dados são uma vantagem competitiva.

Elas adaptam suas estratégias ao perfil econômico de cada mercado, em vez de tratar o Brasil como um único consumidor.

No fim das contas, vender mais não depende apenas de ter um bom produto.

Depende de entender quem pode comprar, quanto pode pagar e como cada região toma suas decisões de consumo.

E a sua empresa?

Ela vende para o Brasil… ou entende as diferenças entre os mercados que existem dentro dele?

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📊 Fonte: PNAD Contínua – IBGE (2024)

 

O resultado reflete os desafios enfrentados pela cadeia produtiva, em um cenário marcado pelo avanço das importações, juros elevados e restrições ao crédito.

🔗 Leia mais no site da Abit: https://lnkd.in/dar3JeNb

Ruy Magalhães   •  Founder @ Café com Comprador – O Maior Ecossistema de Conteúdo de Compras do Brasil

Esse dado não é apenas um problema social.

É um dos maiores indicadores econômicos do país.

Porque renda define o tamanho do mercado, a capacidade de consumo, a inovação e o potencial de crescimento de uma economia.

E aqui está o paradoxo:

 

O Brasil quer crescer como potência, mas ainda depende de uma base econômica fragilizada.

Temos recursos, agro forte, indústria relevante e posição estratégica.

Mas também convivemos com baixa renda, crédito caro e dificuldade para financiar crescimento.

 

E existe um ponto que pouca gente conecta:

Nenhuma economia escala sem capital.

Enquanto muitas empresas adiam investimentos e operam para sobreviver, outras acessam capital internacional, alongam prazos, reduzem o custo financeiro e aceleram sua expansão.

O resultado vai muito além do balanço financeiro.

 

Empresas mais capitalizadas:
 investem mais;
 contratam mais;
 aumentam a produtividade;
 fortalecem toda a cadeia econômica.

 

O Brasil não precisa apenas de mais crédito.

Precisa de crédito inteligente, funding de longo prazo e acesso ao capital global.

Porque uma economia forte não se constrói apenas com recursos naturais.

Ela se constrói com empresas fortes, pessoas produtivas e visão de longo prazo.

Quem entender isso primeiro estará construindo a vantagem competitiva da próxima década.

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Se era notícia encantadora e repleta de orgulho que você precisava ler hoje, nós temos! Somos a única varejista de moda brasileira entre as 750 empresas mais sustentáveis do mundo, segundo a revista Time. ❤️

Em parceria com a alemã Statista, o ranking avalia empresas de diversos setores e estar na 16ª posição em meio às grandes líderes globais reforça o nosso compromisso com a sustentabilidade.

Com práticas e ações que já fazem parte da cultura da Lojas Renner S.A., seguimos gerando impacto positivo e transformando o futuro da moda em um lugar mais consciente. 🚀

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Para pesquisador da USP, sem mudanças na renda e sem investimento em saúde mental, profissionais podem trocar a exaustão do emprego pela exaustão dos “bicos”

Entre os profissionais que trabalham na escala 6×1, 100% relataram algum nível de esgotamento, sem nenhum caso de baixo desgaste emocional (Malte Mueller/Getty Images)

Layane Serrano / Repórter  EXAME

A discussão sobre o fim da escala 6×1 ganhou força no Congresso com a proposta de reduzir a jornada de trabalho e ampliar o tempo de descanso dos brasileiros. A proposta segue em análise no Senado, mas um novo estudo indica que essa mudança, sozinha, pode não ser suficiente para melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores.

A pesquisa “Saúde Mental, Modelos de Jornada Laboral e o Paradoxo da Renda Complementar”, desenvolvida dentro do Centro de Inovação da USP, mostra que 33% dos profissionais pretendem usar o tempo livre conquistado com uma eventual redução da jornada para buscar uma renda complementar nos próximos cinco anos.

Em vez de descansar, parte dos trabalhadores afirma que pretende ocupar esse período com atividades da chamada gig economy (como trabalhos por aplicativo, prestação de serviços ou pequenos negócios).

O levantamento, realizado com mais de 200 profissionais em cargos de liderança, foi liderada por Sergio Amad, CEO da Fiter, pesquisador do Centro de Inovação da USP e diretor de inovação da ABRH-SP. Segundo o pesquisador, o país corre o risco de substituir um problema por outro.

“Se a redução da jornada servir apenas para abrir espaço para que o trabalhador monetize suas horas livres, o benefício fisiológico dessa mudança será anulado. Em vez de sair da exaustão institucional, ele entrará em uma exaustão autônoma”, afirma.

Segundo ele, esse fenômeno foi batizado pela equipe de pesquisa como “incongruência da falsa flexibilidade”.

“Você cria uma jornada menor, mas não cria condições para que as pessoas realmente descansem. O tempo livre acaba sendo convertido em mais trabalho por necessidade financeira”, diz.

Sergio Amad, CEO da Fiter e pesquisador do Centro de Inovação da USP: “Estamos diante de uma fuga de talentos” (Arquivo pessoal/Divulgação)

Como a pesquisa foi feita

O estudo foi desenvolvido pela deep tech Fiter dentro do Centro de Inovação da USP e ouviu 211 profissionais em cargos de liderança de setores como varejo, indústria e saúde. A maior parte das respostas foi coletada de forma online, com uma parcela aplicada presencialmente no laboratório da universidade.

Segundo Sergio Amad, a pesquisa foi construída a partir da metodologia Problem Solution Fit (PSF).

“Existe um instrumento técnico que a gente utiliza chamado Problem Solution Fit. A gente analisa um problema real e observa quais métricas causam impacto nele e como elas se comportam em curvas de tendência,” diz.

Para elaborar o questionário, os pesquisadores recorreram a referências nacionais e internacionais sobre saúde mental e bem-estar, como a Felicidade Interna Bruta (FIB), criada pelo Butão, o guia da NR-1 sobre riscos psicossociais, o Manual de Saúde Mental no Trabalho e estudos de neurociência e psicometria.

Após a coleta das respostas, os dados passaram por análises de ciência de dados e inteligência artificial para identificar padrões e correlações entre jornada de trabalho, saúde mental e perspectivas de carreira.

“As evidências entram em uma base de dados e, com apoio da inteligência artificial, fazemos análises de correlação e de causa e efeito. Depois, um comitê técnico analisa os resultados e elabora o relatório final.”

O custo oculto da escala 6×1

Embora o debate político esteja concentrado nos impactos econômicos da mudança para empresas, o estudo procurou avaliar seus efeitos sobre indicadores de saúde mental.

Os resultados mostram um cenário preocupante:

  • 43% dos entrevistados afirmam sentir-se esgotados sempre ou na maior parte do tempo;
  • 45% dizem que raramente conseguem dormir bem;
  • Entre os profissionais que trabalham na escala 6×1, 100% relataram algum nível de esgotamento, sem nenhum caso de baixo desgaste emocional.

Para Amad, a escala rígida interfere diretamente na recuperação física e mental.

“Do ponto de vista biológico, existe um consenso científico de que modelos como o 5×2 oferecem melhores indicadores de bem-estar, qualidade do sono, convivência familiar e redução do estresse”, afirma.

Ao mesmo tempo, ele pondera que a transição precisa considerar a realidade de setores como varejo, saúde e supermercados, que já enfrentam escassez de mão de obra.

“O ideal seria uma implementação gradual, acompanhada de incentivos que permitam às empresas contratar mais profissionais sem ampliar excessivamente seus custos”, diz.

O empreendedorismo virou uma rota de fuga

Um dos dados que mais chamou a atenção dos pesquisadores foi o desejo de abandonar o emprego tradicional para migrar para o empreendedorismo como alternativa para conquistar mais autonomia, qualidade de vida e preservar a saúde mental.

Dos entrevistados:

  • 59% pretendem empreender nos próximos cinco anos;
  • Apenas 8% imaginam permanecer exclusivamente no modelo CLT no longo prazo.

Para Amad, o dado não representa apenas uma busca por independência financeira.

“Quando olhamos os cruzamentos estatísticos, percebemos que o empreendedorismo aparece muito mais como uma tentativa de recuperar autonomia sobre a própria vida do que apenas ganhar mais dinheiro”, afirma. “Estamos diante de uma nova fuga de talentos”.

Segundo ele, fatores como perda do poder de compra, endividamento e falta de tempo para a família ajudam a explicar esse movimento.

“A pesquisa mostra um alerta para as empresas. Não estamos discutindo apenas o formato da jornada. Estamos diante de uma possível fuga de talentos do mercado formal.”

Veja também: Será o fim da escala 6×1 no Brasil? Varejistas, hotéis e até mineradoras já se movimentam

Mulheres querem usar o tempo livre para cuidar da família – e de si mesmas

A pesquisa também identificou diferenças importantes entre homens e mulheres.

Como 58% da amostra é composta pelo público feminino, o estudo aponta uma forte tendência de utilizar o tempo livre para convivência familiar e autocuidado.

Segundo Amad, esse resultado evidencia o peso da dupla jornada.

“As mulheres demonstram um desejo muito maior de investir esse tempo em convivência familiar e autocuidado. Isso mostra que elas ainda carregam boa parte das responsabilidades invisíveis dentro de casa”, afirma.

Além disso, 32% dos entrevistados afirmaram que gostariam de praticar atividades físicas regularmente, mas não conseguem manter essa rotina.

Burnout pode continuar crescendo

Na avaliação do pesquisador, a simples redução da jornada não resolverá o problema do burnout caso as condições econômicas permaneçam as mesmas.

“O trabalhador pode deixar um emprego de 6 dias para trabalhar em dois aplicativos, vender produtos ou abrir um pequeno negócio. O cérebro continua sob pressão constante”, afirma.

Ele relaciona esse comportamento ao aumento dos transtornos mentais observado no país nos últimos anos.

“O Brasil vive uma combinação de fatores: endividamento, excesso de tempo em telas, ansiedade, jornadas extensas e insegurança financeira. Tudo isso cria uma rota muito favorável ao adoecimento psicológico”, diz.

Veja também: Copacabana Palace adota escala 5×2 para cerca de 600 funcionários

O debate precisa ir além da jornada

Para Amad, o país precisa ampliar a discussão sobre o fim da escala 6×1.

Em vez de tratar o tema apenas como uma disputa entre custos para as empresas e benefícios sociais, ele defende que a saúde biológica do trabalhador entre definitivamente na equação.

“O debate precisa incorporar a viabilidade biológica. Não basta reduzir horas de trabalho. É preciso criar condições para que as pessoas realmente consigam descansar, praticar atividade física, conviver com a família e recuperar seus recursos físicos e emocionais.”

A discussão sobre o fim da escala 6×1, segundo Amad, também precisa considerar os impactos econômicos da mudança. Para ele, uma transição para jornadas menores deveria ser acompanhada por medidas do governo, como redução da carga tributária sobre a folha de pagamento e incentivos para contratação de novos profissionais. Para o pesquisador, isso permitiria ampliar o descanso dos trabalhadores sem aumentar os custos das empresas e nem agravar a falta de mão de obra em setores como varejo e saúde.

Caso contrário, o país corre o risco de resolver um problema e criar outro, segundo Amad.

“Se o trabalhador continuar usando o tempo livre para sobreviver financeiramente, continuaremos alimentando o mesmo ciclo de burnout, apenas com outra configuração.”

Ester Morgan

Estamos vivendo uma das maiores transformações demográficas da história do Brasil, mas muita gente ainda insiste em agir como se ela não existisse.
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Atualmente, entre 55 e 62 milhões de brasileiros têm mais de 50 anos. Estamos falando de aproximadamente um em cada quatro habitantes do país e caminhando rapidamente para representar quase um terço da população.
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A pergunta é: como ainda existem empresas, marcas e recrutadores que tratam esse público como invisível?
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A geração prateada não está diminuindo, ela está crescendo, vive mais, trabalha por mais tempo, empreende, movimenta bilhões na economia, influencia decisões de compra e sustenta boa parte das famílias brasileiras.
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Ignorar essa realidade não é apenas um erro social, é um grande erro estratégico.
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O etarismo faz com que profissionais altamente qualificados sejam descartados antes mesmo de uma entrevista, enquanto empresas reclamam da falta de mão de obra, de liderança e de experiência.
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O mundo mudou, a longevidade mudou, as carreiras mudaram, e somente o preconceito continua preso ao passado.
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O futuro pertence às organizações que entenderem que idade não limita talento, competência, inovação ou produtividade.
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A pergunta que deixo é simples: Você está se preparando para um país que envelhece ou ainda está tomando decisões baseadas em um Brasil que já não existe?
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Porque a população está mudando, o mercado consumidor está mudando e o mercado de trabalho também vai mudar.
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A única dúvida é quem terá coragem de enxergar essa transformação antes dos outros.
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Será que a escassez de mão de obra no Brasil todo poderá ajudar as empresas a enxergarem o potencial dos 50+ e a vantagem da diversidade etária para potencializar a produtividade??