Central de Varejo –

As vendas em shopping centers totalizaram R$ 6 bilhões entre 19 e 25 de dezembro de 2025, período do Natal, segundo dados do Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA), elaborado em parceria com a Associação Brasileira de Shopping Centers (ABRASCE).

De acordo com o levantamento, o resultado acompanha o desempenho do varejo brasileiro no período, que registrou alta de 2,6% nas vendas totais e crescimento de 1,8% no varejo físico. Nos shoppings, o ticket médio foi de R$ 221,01, aumento de 3,3% em relação ao mesmo período de 2024, quando o valor foi de R$ 213,83.

Entre os segmentos com maior variação positiva no período, destacaram-se Cosméticos, com crescimento de 11,9%, e Drogarias e Farmácias, com alta de 4,0%.

O balanço também apresentou dados sobre o perfil do consumo no Natal de 2025. Os homens responderam por 53,6% das transações realizadas no período, com maior participação no varejo físico.

Todas as regiões do país registraram crescimento nas vendas em shopping centers. O Sudeste apresentou a maior variação, com alta de 2,2%. Na sequência aparecem o Sul, com crescimento de 1,6%, o Norte, com 1,2%, o Nordeste, com 1,1%, e o Centro-Oeste, com 0,4%.

Para o presidente da ABRASCE, Glauco Humai, os números refletem o desempenho do setor no período. “Os resultados do Natal de 2025 mostram a força do setor de shopping centers em um cenário de transformação constante. Mesmo diante de um mercado dinâmico, a força do varejo físico reafirma que o setor continua relevante, resiliente e competitivo. O shopping se mantém como o destino preferencial para o lazer e as compras de fim de ano, em que a experiência centrada no consumidor garante a sustentabilidade do negócio”, afirmou.

O Natal é a principal data do varejo e tradicionalmente concentra volumes elevados de vendas, o que estabelece uma base de comparação alta para os resultados do setor. O desempenho registrado em 2025 ocorre sobre esse patamar.

Imagem: Freepik

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Pagamento  injetOU R$ 131,8 bilhões na economia em dezembro, com crescimento real, mas maior parte dos recursos seguirá destinada ao equilíbrio das finanças das famílias

A segunda parcela do 13º salário, que FOI paga aos trabalhadores até 20 de dezembro,  injetOU R$ 131,8 bilhões na economia brasileira neste mês, segundo estudo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O montante representa aumento nominal de 5,7% em relação a dezembro do ano passado e crescimento real de 0,7%, já descontada a inflação do período.

Apesar da expansão dos recursos, o destino do dinheiro segue concentrado no ajuste do orçamento doméstico. Pelo quinto ano consecutivo, o abatimento e a quitação de dívidas deverão ser o principal uso do 13º salário. Em 2025, 35% da segunda parcela — o equivalente a R$ 45,8 bilhões — devem ser direcionados ao pagamento de dívidas, superando os gastos no comércio (R$ 36,5 bilhões) e em serviços (R$ 33,8 bilhões). A poupança deve absorver R$ 15,7 bilhões.

Para o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, o comportamento reflete a pressão financeira enfrentada pelas famílias. “O 13º salário continua cumprindo um papel essencial no reequilíbrio do orçamento doméstico. Em um cenário de juros elevados e alto comprometimento da renda, as famílias priorizam o pagamento de dívidas, o que é positivo do ponto de vista financeiro, mas limita um impulso maior ao consumo”, afirma.

Endividamento elevado reduz espaço para consumo

A predominância do uso do 13º para quitar dívidas está diretamente associada ao elevado nível de comprometimento da renda no País. A CNC estima que, ao fim de 2025, 30,9% da renda média das famílias estará comprometida com dívidas, patamar historicamente alto e em trajetória de elevação.

Dados do Banco Central indicam que essa relação avançou 0,7 ponto percentual nos últimos 12 meses e deve seguir pressionada pelo menos até o início de 2026. Segundo cálculos da entidade, cada aumento de um ponto percentual no comprometimento da renda reduz em 1,1% a propensão marginal ao consumo.

Além disso, o custo do crédito permanece como fator restritivo. A taxa média de juros das operações com recursos livres para pessoas físicas alcançou 58,7% ao ano, o maior nível para este período dos últimos oito anos. A inadimplência nessas operações chegou a 5,6% da carteira, o maior patamar em 13 anos.

Segundo o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, o cenário impõe limites claros à expansão do consumo. “Mesmo com um mercado de trabalho mais favorável, o nível elevado de endividamento e o custo do crédito reduzem a capacidade das famílias de transformar o 13º salário em consumo. O recurso ajuda a organizar as finanças, mas o impacto nas vendas tende a ser mais contido”, avalia.

De acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da CNC, 79,2% das famílias brasileiras estão endividadas, o maior nível da série histórica iniciada em 2010, enquanto 30,0% possuem dívidas em atraso, o segundo maior percentual já registrado para esta época do ano.

Comércio sente efeito positivo, mas com intensidade limitada

Embora a maior parte dos recursos do 13º salário seja direcionada ao pagamento de dívidas, o comércio ainda se beneficia do reforço de renda típico do mês de dezembro. Historicamente, o último mês do ano registra avanço médio de 25% no volume de vendas em relação a novembro, com impacto mais forte em segmentos como vestuário e calçados, livrarias e papelarias e lojas de utilidades domésticas.

Para este ano, a CNC estima que as vendas de Natal devem crescer 2,1% em volume, já descontada a inflação, indicando um desempenho positivo, porém moderado, diante das restrições financeiras das famílias.

Entre uma lista de 14 objetivos, levantamento mostrou que 44% da população deseja guardar dinheiro nesse  próximo ano

Gisele Farias, colaboração para a CNN Brasil, São Paulo

Economizar é a principal meta dos brasileiros para o próximo ano. Entre uma lista de 14 objetivos, 44% da população prioriza conseguir guardar dinheiro em 2026. O maior desejo dos brasileiros foi apontado por uma pesquisa do Datafolha.

O desejo de economizar se dá em meio à um cenário de fragilidade financeira das famílias, apesar de uma aparente melhora, com inflação em desaceleração e números de endividamento dando sinais de recuo nas estatísticas mais recentes.

Um levantamento da Serasa, divulgada em julho deste ano, mostrou que, na primeira metade de 2025, os brasileiros gastaram mais em comparação ao seis primeiros meses do ano anterior – ainda que tenham definido como metas controlar o orçamento e economizar uma parcela do salário todos os meses.

Segunda outro estudo da Serasa, mais de 80 milhões de brasileiros estão endividados, com 321 milhões de dívidas ativas que somam R$ 509 bilhões no país.

Conforme o Datafolha, na lista de metas para o próximo ano também estão: passar mais tempo com familiares e amigos, além de investir em atividade física, melhorar a alimentação, dentre outros.

Para 23% dos brasileiros, uma meta para o próximo ano é trabalhar por conta própria ou abrir um negócio, mostrou ainda o levantamento.

A pesquisa do Datafolha entrevistou 2.002 pessoas em 113 municípios, com idade a partir de 16 anos, e foi realizada de 2 a 4 de dezembro. A margem de erro é de 2 p.p (pontos percentuais), para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

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O fechamento das análises de 2025 mostra que o varejo físico brasileiro segue resiliente, porém cada vez mais dependente de sazonalidade, localização e segmento. O crescimento anual do fluxo de pessoas foi sustentado principalmente pelo bom desempenho do primeiro semestre e pela forte concentração de visitas no último bimestre do ano, enquanto o início de 2026 tende a manter o padrão histórico de retração. As lojas em shopping centers seguem como principal motor de crescimento do fluxo, superando os resultados de 2023 e 2024. Em contrapartida, as lojas de rua mantêm uma trajetória estrutural de perda, observada desde a reabertura do varejo no pós-pandemia. Entre os segmentos, destaque para a retomada de Home Center e Material de Construção, algo que não ocorria desde 2021, e para a evolução contínua de Perfumaria e Cosméticos. Regionalmente, o Sudeste foi determinante para a desaceleração do crescimento nacional do indicador. O cenário reforça a importância de estratégias mais granulares, baseadas em dados, para capturar oportunidades e mitigar perdas ao longo do ano. ABRAS – Associação Brasileira de Supermercados IBGE FecomercioSP Sebrae ABVTEX – Associação Brasileira do Varejo Têxtil IDV – Instituto para Desenvolvimento do Varejo #varejo #varejobrasileiro #varejofisico #fluxodeclientes #inteligenciadedados #indicadores #shoppingcenter #lojaderua #homecenter #cosmeticos #economiabrasileira

Central do Varejo / Por

Redação

O início de 2026 confirma um cenário mais desafiador para o comércio varejista, marcado pela desaceleração da economia brasileira, juros elevados e maior cautela por parte do consumidor. Altamente dependente do consumo das famílias, responsável por cerca de dois terços do PIB nacional, o varejo sente de forma imediata os efeitos do enfraquecimento da renda disponível, do alto nível de endividamento e do encarecimento do crédito, fatores que influenciam o comportamento de compra neste começo de ano.

De acordo com análise do Sindilojas-SP, o consumidor inicia 2026 priorizando gastos essenciais, adiando compras de maior valor e demonstrando maior sensibilidade a preços, promoções e condições de pagamento. Esse movimento limita o crescimento do faturamento do setor e pressiona as margens, especialmente em segmentos que dependem de volume e ticket médio mais elevado.

“Estamos observando um consumidor mais seletivo, cauteloso e atento ao orçamento doméstico. Mesmo com a inflação sob controle, os juros elevados e o endividamento ainda alto reduzem a disposição para compras parceladas e bens não essenciais”, afirma Aldo Nuñez Macri, presidente do Sindilojas-SP.

Os juros permanecem como um dos principais entraves ao consumo no início do ano. Além de desestimular o parcelamento, fundamental para diversos segmentos do varejo, o custo financeiro também afeta diretamente a operação das empresas, encarecendo o capital de giro e reduzindo o acesso ao crédito. Soma-se a isso o aumento de custos operacionais, como logística, energia e mão de obra, em um contexto no qual o repasse de preços ao consumidor se torna mais difícil.

Nesse ambiente, alguns segmentos tendem a apresentar desempenho relativamente mais resiliente. Setores ligados a bens essenciais, como supermercados, atacarejos e farmácias, seguem sustentando o volume de vendas, ainda que com crescimento moderado e mudanças no mix de produtos, com maior procura por marcas mais econômicas. Já áreas como bens duráveis, eletrodomésticos, móveis e materiais de construção enfrentam maior retração da demanda.

O Sindilojas-SP projeta que, após um crescimento estimado de cerca de 5% no faturamento bruto do varejo paulistano em 2025, o avanço em 2026 deve ser mais contido, podendo ficar em torno da metade desse percentual, refletindo o menor dinamismo do consumo das famílias ao longo do ano.

Para enfrentar esse cenário, a entidade destaca que a eficiência na gestão será decisiva. Controle de estoques, ajuste do sortimento ao novo perfil de consumo, negociação com fornecedores e uso de tecnologia e inteligência de dados ganham relevância para preservar margens e reduzir riscos. Estratégias promocionais direcionadas, programas de fidelização e ações de relacionamento também são apontados como instrumentos para sustentar o faturamento.

“Em um contexto de consumo mais contido, a diferença entre atravessar 2026 com dificuldades ou sair mais fortalecido estará na qualidade da gestão, na eficiência operacional e na capacidade de adaptação ao novo comportamento do consumidor”, conclui Aldo Nuñez Macri.

Jussara Maturo  / GBLjeans Report toda terça

Companhia revisa metas para o período de 5 anos e aprova novo programa bilionário de recompra de ações

Maior companhia de varejo de moda do Brasil, a Lojas Renner S.A. anunciou um conjunto de projeções que colocam a expansão física no centro de sua estratégia para os próximos 5 anos, entre 2026 e 2030. Atingidas as metas divulgadas, a companhia reforçará a rede de varejo com 316 novas lojas até 2030, somente entre as marcas Renner e Youcom. A rede Renner, que encerrou o terceiro trimestre com 432 lojas, pode alcançar de 570 a 600 unidades. Já a Youcom que conta, atualmente, com 142 lojas, poderá adicionar de 260 a 290 operações, o que significaria praticamente dobrar de tamanho em cinco anos.

Apresentadas a analistas de mercado, as novas estimativas da Lojas Renner preveem expansão anual da receita operacional líquida do varejo entre 9% e 13% ao longo do período de 2026 a 2030. Com as projeções atingidas, a companhia estima incremento de R$2 bilhões sobre a receita líquida do varejo.

O nível de investimento anual permanecerá entre 6% e 7,5% da receita de varejo no período. A companhia ressaltou ainda que tem caixa suficiente para sustentar a expansão planejada, sem necessidade de contrair nova dívida.

NOVO PROGRAMA DE RECOMPRA

Por fato relevante, a empresa informou ao mercado o lançamento de programa de recompra novo, que permitirá a aquisição de até 75 milhões de ações, a preços de mercado, equivalentes a 7,6% das ações atualmente em circulação, totalizando cerca de R$1,2 bilhão.

Conforme o documento, o novo programa terá duração de um ano e meio, com início em 8 de dezembro de 2025 e conclusão em 08 de junho de 2027. Ao longo desse período, caberá à diretoria determinar o melhor momento para as aquisições, dependendo da disponibilidade de recursos.

 

Estudo global da Ipsos mostra preocupação com juros e impostos no Brasil, mas percepção da inflação é menor que a média global
REDAÇÃO

O”Monitor do Custo de Vida 2025″, lançado pela Ipsos na semana passada, analisa como as pessoas em 30 países percebem sua situação financeira em meio a um cenário de múltiplas crises – econômicas, sociais e climáticas. Esta é a 7ª edição da pesquisa global. A pesquisa mostra que mesmo diante de um contexto global desafiador, os brasileiros possuem uma das visões mais otimistas sobre o futuro financeiro, mas seguem atentos à inflação, aos juros e à carga tributária que pesam no orçamento familiar. “Essa combinação acontece porque, embora o presente ainda seja percebido como apertado, a população identifica sinais, ainda que modestos, de melhora estrutural e acredita na própria capacidade de recuperação. O resultado é um país que reconhece a pressão do agora, mas enxerga espaço para avançar no médio prazo”, analisa explica Marcos Calliari, CEO da Ipsos Brasil.

O custo de vida segue como questão sensível: 79% dos brasileiros apontam as taxas de juros como o principal fator que encarece o dia a dia, seguido pelo estado da economia global (73%) e pelas políticas do governo (72%). Em relação às despesas familiares, embora o Brasil apresente níveis de preocupação inferiores à média global em todos os quesitos analisados, a percepção de alta ainda é significativa: 64% acreditam que os custos com alimentação vão subir, e 61% esperam aumento nas contas de energia e gás. No Brasil, a inflação segue no radar: 65% dos brasileiros acreditam que ela vai aumentar, percentual um pouco abaixo da média global de 68%, indicando que, embora o tema ainda preocupe, a percepção de aceleração dos preços é ligeiramente menor por aqui do que no restante do mundo.

REDAÇÃO

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), indicador utilizado no cálculo do reajuste anual do salário mínimo, registrou alta de 0,03% em novembro e acumula variação positiva de 4,18% em 12 meses. O salário mínimo 2025 é de R$ 1.518. Para 2026, a regra de reajuste determina que o valor sofra duas correções. Uma é pelo INPC de 12 meses acumulado até novembro do ano anterior, 2025. Ou seja, os 4,18% anunciados hoje. A segunda correção é o crescimento da economia de dois anos antes, no caso, 2024. No último dia 4, o IBGE revisou os dados do PIB confirmando a expansão em 3,4%.

No entanto, o arcabouço fiscal [mecanismo que controla a evolução dos gastos públicos] determina que o ganho acima da inflação seja limitado a um intervalo de 0,6% a 2,5%. Por essa regra, o salário mínimo de 2026 pode ser de R$ 1.620,99. Com o arredondamento previsto em lei, R$ 1.621. Reajuste total de R$ 103 (6,8%). O resultado anunciado nesta quarta-feira fará o governo revisar cálculos para as contas públicas no ano que vem, pois o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2026, aprovado no Congresso, estima o salário mínimo em R$ 1.627, que representaria reajuste de 7,2%. O valor do salário mínimo tem reflexos nas contas públicas, além do próprio efeito em si, pois serve como base para outros gastos como o Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago a idosos e pessoa com deficiência em situação de vulnerabilidade.

Assim como o salário mínimo leva em conta o acumulado até novembro, o seguro-desemprego, o teto do INSS e o benefício de quem recebe acima do salário mínimo são reajustados com base no resultado do INPC acumulado até dezembro. O INPC tem divulgação sempre paralela a outro índice do IBGE, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), conhecido como inflação oficial, que fechou novembro em 0,18% e acumula 4,46% em 12 meses. A diferença entre ambos é que o INPC apura a variação do custo de vida para as famílias com renda de até cinco salários mínimos e o IPCA até 40 salários mínimos.

Com ABR

OPINIÃO / GUSTAVO HENRIQUE ELLERBR ock  / CONJUR

A trajetória dos shopping centers no Brasil revela um modelo de sucesso econômico e urbano que, durante décadas, concentrou o consumo, articulou diferentes perfis de negócios e transformou a paisagem das cidades.

Contudo, a última década marcou uma virada estrutural nesse modelo, e a Covid-19 foi o ponto de inflexão. As restrições sanitárias, a súbita queda de fluxo e a escalada de litígios entre lojistas e empreendedores expuseram a fragilidade das estruturas contratuais e de governança, impondo o desafio de repensar o papel jurídico, econômico e estratégico desses empreendimentos.

O que se viu foi uma corrida por soluções jurídicas mais adaptáveis, capazes de equilibrar interesses e garantir a continuidade dos shopping centers em um cenário de profunda transformação. De repente, a sobrevivência e o sucesso desses empreendimentos passaram a depender menos da rigidez contratual e mais da capacidade de diálogo, adaptação e reconstrução institucional.

Organismo jurídico complexo

O shopping center é, em essência, um organismo jurídico complexo. Não se trata apenas de um condomínio edilício ou de uma sociedade empresária, mas de um ecossistema regulado por uma densa rede de contratos atípicos, que conectam empreendedor, lojistas, prestadores de serviços e consumidores.

O empreendedor ocupa posição central nesse sistema, pois seu objetivo não é simplesmente auferir renda locatícia, mas estabelecer “relação direta entre a rentabilidade do empreendimento e a rentabilidade das atividades comerciais que se exercerão no prédio” [1]. Como tal, assume a função de curador do espaço coletivo, gestor de riscos e articulador das soluções jurídicas e econômicas que garantem o equilíbrio do conjunto.

Em virtude disso, os contratos de shopping center extrapolam o regime típico da Lei do Inquilinato e assumem natureza organizacional, sendo instrumentos de coordenação e de gestão coletiva. O artigo 54 da Lei nº 8.245/1991 reconhece a singularidade dessa relação, ao admitir a prevalência das condições livremente pactuadas entre as partes.

A liberdade negocial, contudo, não é absoluta: ela impõe ao empreendedor o dever de agir com transparência e proporcionalidade, garantindo que a governança privada do empreendimento seja legítima, eficaz e exercida dentro dos limites da boa-fé e da função social do contrato.

Acordo entre empreendedor e lojista

Nos contratos atípicos celebrados entre empreendedores e lojistas, é comum, por exemplo, que o aluguel fixo seja combinado com um percentual sobre o faturamento da loja, o chamado “aluguel percentual”, que alinha os resultados econômicos das partes. Além disso, os instrumentos costumam prever a participação dos lojistas em fundos comuns, o respeito a padrões arquitetônicos, a adesão a campanhas institucionais e a observância de horários padronizados.

Essas cláusulas refletem uma lógica de governança cooperativa, em que o desempenho individual do lojista afeta o sucesso coletivo. Por isso, esses contratos devem ser redigidos de forma clara e equilibrada, contemplando cláusulas de exclusividade, controle de tenant mix e mecanismos de renegociação e soluções eficientes de resolução de conflitos, como mediação e arbitragem.

A experiência da pandemia evidenciou o valor dos mecanismos de resiliência contratual. Cláusulas de hardship, gatilhos de reequilíbrio econômico e parâmetros objetivos de revisão tornaram-se essenciais para reduzir a litigiosidade e preservar a continuidade das relações comerciais. Em vez de previsões genéricas, tais cláusulas começaram a adotar parâmetros objetivos, como variações de faturamento, restrições administrativas ou crises setoriais, permitindo ajustes negociados sem necessidade de judicialização.

Ao mesmo tempo, a jurisprudência reconheceu a necessidade de equilíbrio e boa-fé, admitindo revisões apenas quando demonstrado o desequilíbrio real e a tentativa prévia de negociação. Essa postura consolidou a ideia de que o empreendedor não é apenas parte contratante, mas também agente de estabilidade institucional.

Trabalho de administração dos shoppings

A governança dos shopping centers, por sua vez, ultrapassa o âmbito condominial tradicional. Ela envolve a administração das áreas comuns, a gestão dos fundos de manutenção e de promoção institucional, a prestação de contas e a coordenação das políticas comerciais e operacionais.

O exercício desse poder diretivo exige transparência e técnica, pois a legitimidade do empreendedor decorre não apenas da propriedade ou do investimento, mas da capacidade de gerir interesses coletivos de forma ética e previsível. A criação de comitês consultivos e a adoção de práticas de participação dos lojistas, mesmo em caráter não deliberativo, reforçam a coesão institucional e reduzem o potencial de conflito. Em um ambiente multipolar, a autoridade do gestor deve ser equilibrada pela legitimidade da gestão compartilhada.

Nesse contexto, a função social do contrato assume relevo especial. Nos shoppings, ela não se resume à proteção do lojista, mas abrange a preservação do empreendimento como unidade econômica e social. Manter o funcionamento do centro comercial é, em si, um ato de interesse coletivo e, por isso, a função social deve ser compreendida como vetor de estabilidade e solidariedade contratual.

A transformação digital, por sua vez, impôs um novo ciclo de desafios. O crescimento do comércio eletrônico, dos marketplaces e dos modelos omnichannel alterou radicalmente a lógica do varejo físico, pois o consumidor contemporâneo transita entre o ambiente digital e o presencial de forma contínua e espera conveniência, agilidade e experiência integrada.

Hub de convivência

Cada vez mais, o shopping center deixa de ser apenas um ponto de venda para se tornar um hub de convivência, logística e dados. Muitos empreendimentos já desenvolvem seus próprios marketplaces, integram sistemas de entrega rápida (click and collect), e compartilham infraestrutura tecnológica com os lojistas.

Nesse novo paradigma mercadológico, Claudia Elly Larizzatti Maia e Marcelo Barbaresco ponderam que a combinação de plataformas offline com as online “pode constituir fator significativo para o aumento das vendas e, quando não, sua manutenção ou, até mesmo, a criação de uma fonte adicional e alternativa de receitas” [2].

Essas transformações, porém, exigem uma atualização jurídica profunda. Os contratos precisam incluir cláusulas sobre o uso e proteção de dados, em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (Lei nº 13.709/2018), prever regras de monetização digital e redefinir a base de cálculo dos aluguéis percentuais, incorporando as vendas realizadas por canais virtuais.

Nesse cenário, o empreendedor passa a atuar também como integrador tecnológico e curador de informação, papel que demanda governança orientada por dados, clareza contratual e novos mecanismos de cooperação entre as partes.

Strip malls

Paralelamente, nos grandes centros urbanos se observa o crescimento dos strip malls — empreendimentos menores, horizontais, de implantação rápida e operação simplificada — que respondem à demanda por conveniência e proximidade. Essa diversificação de formatos confirma que o futuro do varejo será híbrido e descentralizado, e que a força do shopping center dependerá da sua capacidade de se adaptar a diferentes contextos urbanos e perfis de consumo.

Em síntese, a evolução mercadológica traduz a passagem de um modelo físico para um modelo jurídico-institucional mais sofisticado. A sustentabilidade desses empreendimentos não se apoia mais apenas na arquitetura ou no marketing, mas na construção de um arcabouço jurídico sólido, flexível e baseado na cooperação, equilibrando liberdade com responsabilidade, autoridade com legitimidade e tecnologia com função social.

O shopping center do século 21 é mais do que um centro de compras: é uma instituição urbana, cuja vitalidade dependerá da inteligência de seus contratos e da maturidade de sua governança. O direito deixa, assim, de ser um elemento meramente reativo e passa a ser vetor de inovação, cabendo ao operador, ao lado do empreendedor, desenhar as estruturas normativas que garantirão a relevância e a perenidade desses espaços na economia digital.

 


[1] GOMES, Orlando. Traços do perfil jurídico de um shopping center. In Doutrinas Essenciais de Direito Empresarial, São Paulo: Revista dos Tribunais/Thomson Reuters, v. 4, p. 765–793, dez. 2010.

[2] MAIA, Claudia Elly Larizzatti; BARBARESCO, Marcelo. Do shopping center offline ao online e os elementos da imaterialidade. Revista dos Tribunais, São Paulo, v. 1020, p. 195–216, out. 2020.

Com base nos números divulgados em 11 de dezembro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) referentes à Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) de outubro, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) projeta que o varejo restrito deve crescer 1,81% em 2025 e avançar 3,66% em 2026, indicando uma trajetória de expansão mais consistente para o setor. As estimativas refletem um ambiente de consumo ainda moderado, mas com sinais claros de fortalecimento, à medida que a inflação segue controlada e a atividade econômica avança de forma gradual.

Segundo o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, as previsões incorporam o comportamento mais favorável do varejo em outubro. “Os resultados reforçam a capacidade de resiliência do comércio. A recuperação tende a ganhar tração em 2025 e 2026, à medida que se dissipam os efeitos de choques recentes e o ambiente de consumo se torna mais previsível”, explica.

Desempenho de outubro surpreende e sustenta projeções

O varejo restrito cresceu 0,5% em outubro frente ao mês anterior, superando a expectativa de queda de 0,1% projetada pelo mercado e confirmando a estimativa da CNC. Apesar disso, o acumulado em 12 meses perdeu fôlego, passando de 2,1% em setembro para 1,7% em outubro.

O fim do tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre parte das exportações brasileiras reduz potenciais efeitos adversos na atividade doméstica, uma vez que as tarifas atingiam bens industriais com baixa transmissão ao varejo interno. Para o economista da CNC João Marcelo Costa, os fundamentos atuais explicam o dinamismo moderado do varejo. “A demanda por bens duráveis segue limitada pelo encarecimento do crédito, mas os segmentos menos dependentes de financiamento continuam sustentando o ritmo do varejo. A projeção para 2025 reflete essa dinâmica, enquanto 2026 deve registrar aceleração com a normalização progressiva das condições monetárias”, avalia.

Varejo ampliado segue pressionado pelos juros

O varejo ampliado registrou alta de 1,1% em outubro, mas não apresentou crescimento no acumulado em 12 meses. A estagnação reflete o impacto da taxa de juros de 15% ao ano, vigente desde o início do ciclo de aperto monetário em setembro de 2024. Setores sensíveis a financiamento, como veículos e materiais de construção, permanecem limitados pelo custo elevado do crédito ao consumidor.

Ainda assim, o setor automotivo avançou 3% em outubro, estimulando o varejo ampliado. A recomposição da demanda, somada à proximidade do período de fim de ano e às estratégias mais agressivas de concessionárias, contribuiu para o desempenho positivo.

Estabilidade alimentar e avanço de combustíveis

O principal grupo do varejo restrito, formado por hiper e supermercados, permaneceu estável no mês, refletindo a desaceleração da inflação de alimentos e bebidas, que registrou variação de apenas 0,01%, com quedas no arroz (–2,49%) e no leite longa vida (–1,88%).

O volume de combustíveis e lubrificantes cresceu 1,4%, revertendo dois meses de queda. A recomposição da demanda, combinada à maior atividade logística típica do período, explica o avanço. Embora o diesel tenha recuado 0,46% no IPCA, gasolina, etanol e gás veicular registraram aumentos, contribuindo para maior estabilidade média de preços.

Outro avanço de destaque ocorreu no segmento de equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (+3,2%), bem como no de veículos, motocicletas, partes e peças (3%). O único recuo do varejo restrito foi observado em tecidos, vestuário e calçados (–1,2%).