Ezequiel Basilio   • Gestão de Negócios e Pessoas – Linkedin

O Brasil está vivendo uma profunda transformação no comportamento do consumidor.

E essa mudança está separando, de forma muito clara, as empresas que entenderam o novo cenário daquelas que continuam operando com a lógica do passado.

Nos últimos anos, o país conviveu com inflação elevada, juros altos, endividamento das famílias e perda de poder de compra.

Naturalmente, muitos interpretaram esse cenário como retração definitiva do consumo.

Mas os números e os movimentos das grandes empresas mostram outra realidade.

O consumidor brasileiro não parou de comprar.

Ele apenas se tornou mais seletivo, mais racional e muito mais sensível a preço, conveniência e percepção de valor.

É exatamente por isso que empresas como Assaí, Atacadão e Grupo Mateus continuam expandindo.

Essas organizações entenderam rapidamente que o consumidor mudou e ajustaram seus modelos para atender essa nova lógica.

Ao mesmo tempo, outras empresas revisaram estratégias, fecharam unidades, reduziram investimentos ou redirecionaram o foco do negócio.

Não porque o mercado acabou.

Mas porque o jogo mudou.

O consumidor de hoje:

• Pesquisa antes de comprar;
• Compara preços em tempo real;
• Substitui marcas sem hesitação;
• Migra entre canais;
• Usa crédito com mais cautela;
• Prioriza custo-benefício.

A fidelidade à marca diminuiu.

A exigência aumentou.

E a decisão de compra está cada vez mais racional.

O consumo continua sendo sustentado por fatores relevantes:

• Queda em alguns preços de alimentos básicos;
• Mercado de trabalho aquecido;
• Programas de transferência de renda;
• Retomada gradual do crédito.

Ou seja: a demanda continua existindo.

Mas agora ela premia empresas mais eficientes.

O shopping foi substituído pelo smartphone.

O crédito voltou a influenciar decisões.

Novas categorias, como bebidas sem álcool, crescem rapidamente.

O consumidor está mais consciente do que nunca.

A grande pergunta para empresários e executivos é:

Sua empresa está reagindo a uma suposta crise…

ou está se adaptando ao novo comportamento do consumidor?

Nos próximos 12 meses, o mercado continuará premiando empresas que:

• Entendem profundamente seus clientes;
• Ajustam preços e sortimento com agilidade;
• Operam com eficiência;
• Reduzem desperdícios;
• Tomam decisões baseadas em dados.

Conclusão

O varejo brasileiro não está encolhendo.

Ele está se reorganizando.

Algumas empresas vão acelerar.

Outras vão perder relevância.

E essa diferença não será determinada pelo tamanho da operação, mas pela capacidade de interpretar corretamente o novo consumidor brasileiro.

No passado, vencia quem tinha mais lojas.

Hoje, vence quem entende melhor o cliente.

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Grupo Bandeirantes – 09/02/26

Eduardo Oinegue (Reprodução: Band TV)

Na noite desta terça-feira (9), o jornalista Eduardo Oinegue, que é âncora do Jornal da Band, leu no informativo um editorial do Grupo Bandeirantes de Comunicação no qual a emissora televisiva se manifesta contra o fim da escala 6×1.

“Uma grande armadilha está sendo preparada contra o trabalhador por uma união de forças que junta posições contraditórias e até adversários, todas alimentadas por um ponto comum: enganar o eleitor com uma promessa falsa, traiçoeira e demagógica”, iniciou o texto lido por Eduardo.

O apresentador prossegue o comunicado da emissora: “Ao patrocinarem a redução da jornada de trabalho, ou ao aderirem à essa ideia, sabem – porque é impossível não saber – que o resultado deste ataque às empresas se voltará contra o trabalhador e contra toda a sociedade. E logo ali na frente. Não há como escapar disso, como mostram os especialistas responsáveis e sérios, bem ao contrário de políticos pusilânimes e oportunistas, que formam agora uma quase unanimidade covarde e destituída de qualquer resquício de vergonha ao desempenhar esse papel desonroso”. 

O comunicador prossegue a leitura do texto da empresa: “Agem os de má-fé e os oportunistas de ocasião juntos nessa manobra que quer arrancar votos, baseada numa mistificação grosseira. A promessa de melhorar a vida do trabalhador quando a realidade econômica das empresas escancara uma inevitável sequela. Engessar e encarecer a contratação de trabalho, com a imposição deste novo regime, vai impactar a economia e a conta virá, em pouco tempo, para todos – e virá forte”.

“Estão vendendo agora uma falsa vantagem para entregar, depois, uma vida cara e bem mais difícil. Este voto que querem conquistar com mentiras, pode eleger uma tragédia na vida real do eleitor. É uma armadilha mal disfarçada e perigosa que atinge todo o país. Esta é a opinião do Grupo Bandeirantes de Comunicação”, finalizou empresa.

Linkedin – Carlos Alberto Tavares Ferreira

A chamada hashtag#RotaBioceânica, conectando Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, vai muito além de uma simples estrada internacional.

Trata-se de um novo hashtag#eixogeoeconômico capaz de aproximar o Atlântico do Pacífico e reposicionar o continente no hashtag#comércioglobal.

Para o Brasil, os impactos podem ser profundos.

Hoje, grande parte das exportações brasileiras destinadas à Ásia depende de longas rotas marítimas via Atlântico, Canal do Panamá ou Estreito de Magalhães.

Com a consolidação da Rota Bioceânica, parte dessa logística poderá ganhar um corredor terrestre estratégico até os portos chilenos no Pacífico, reduzindo tempo, custos operacionais e aumentando hashtag#competitividade internacional.

O benefício não é apenas logístico.

É econômico, industrial, energético e geopolítico.

Estados do Centro Oeste e do Sul do Brasil podem ganhar enorme protagonismo, especialmente regiões ligadas ao agronegócio, proteína animal, celulose, mineração, biocombustíveis e indústria de transformação.

Cidades hoje consideradas periféricas podem se transformar em hubs logísticos continentais.

O projeto também pode estimular:

• novos centros de armazenagem e distribuição
• investimentos ferroviários e portuários
• integração energética regional
• expansão de zonas industriais
• crescimento do comércio exterior
• fortalecimento das cadeias produtivas sul-americanas
• maior integração entre Mercosul e Ásia.

infraestrutura gera influência.

Quem controla corredores logísticos estratégicos controla fluxo econômico, competitividade e capacidade de integração regional.

No século XXI, logística deixou de ser apenas transporte.

Passou a ser instrumento de soberania econômica.

Mas os desafios são enormes.

A obra exige coordenação diplomática entre países com diferentes interesses políticos e econômicos, segurança jurídica para investidores, financiamento robusto, harmonização alfandegária, estabilidade regulatória e forte atenção aos impactos ambientais e sociais.

Sem governança integrada, grandes corredores podem virar gargalos caros.

Ainda assim, o potencial estratégico é gigantesco.

A Rota Bioceânica pode reduzir a dependência de rotas tradicionais, ampliar a presença sul-americana no Pacífico e transformar o interior do continente em uma nova fronteira de desenvolvimento, conectividade e influência global.

Talvez estejamos vendo o nascimento de um novo mapa econômico da América do Sul.

Carlos Alberto Tavares Ferreira

Paulo Roberto Solimeo   • CEO, Conselheiro e Palestrante / Linkedin

 

A alta proporção da população dependente de auxílios é um sinal de alerta econômico e social. Embora a assistência seja vital, uma dependência abrangente evidencia falhas estruturais, exigindo que o governo priorize o desenvolvimento de políticas públicas voltadas à autonomia, à qualificação profissional e à geração de empregos de qualidade.

O mapa ajuda a visualizar algo importante sobre a economia brasileira: Regiões com menor renda média, menor formalização do mercado de trabalho e menor dinamismo econômico tendem a apresentar maior dependência de programas sociais.

Ao mesmo tempo, os números também mostram como o Brasil continua sendo um país extremamente desigual regionalmente.

Vale lembrar que o dado inclui Bolsa Família, BPC-LOAS e outros programas municipais, estaduais e federais de transferência de renda.

Mais do que um debate político, o mapa revela diferenças profundas de desenvolvimento econômico, produtividade e mercado de trabalho entre os estados brasileiros.

Paulo Roberto Solimeo   •  SeguindoCEO, Conselheiro e Palestrante.CEO, Conselheiro e Palestrante. • Linkedin

A cidade de São Paulo (SP) é a mais rica do Brasil, concentrando a maior fatia do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, seguida pelo Rio de Janeiro (RJ) e por Brasília (DF).A riqueza de um município pode ser medida de duas formas principais: pelo PIB Total (tamanho geral da economia) ou pelo PIB per capita (a divisão de toda a riqueza produzida pelo número de habitantes).

Vendas nas mesmas lojas teve crescimento de 10% no período

Erick Souza Infomoney

A Riachuelo (RIAA3) reportou lucro líquido de R$ 5 milhões no primeiro trimestre de 2026, revertendo o prejuízo registrado nos primeiros trimestres dos últimos seis anos.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) consolidado cresceu 14,1% na comparação com o mesmo período em 2025, alcançando R$ 268 milhões. A margem Ebitda consolidada também teve alta de 11,5%, um crescimento de 0,7 ponto percentual (p.p.) na comparação com o ano anterior.

 


Reginaldo Nogueira – Linkedin    •Diretor Executivo do Ibmec | Ph.D. em Economia (University of Kent, (University of Kent, Reino Unido) | Líder em Educação e Gestão | Professor e Palestrante em Economia

Mas o dado que mais chama atenção não é só o número nacional. É perceber que, em vários estados, a inadimplência já atinge algo próximo de 6 em cada 10 adultos.

Em 1990, a inadimplência era de 26%, enquanto agora está em 50,5%. Praticamente dobrou.

Quando metade dos adultos está devendo, o problema deixa de ser individual, e passa a ser um sinal de renda pressionada, crédito caro e orçamento doméstico no limite.

A pergunta que fica é se o Brasil está vivendo apenas uma crise de endividamento ou um desgaste mais profundo da capacidade de consumo da classe média?

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O indicador avançou 1,8% nos últimos doze meses

Redação amanha

A indústria retraiu 0,2% em março

O IBC-Br recuou 0,7% em março de 2026 em relação a fevereiro de 2026, na série com ajuste sazonal, com variações negativas de 0,2% na agropecuária, de 0,2% na indústria e de 0,8% em serviços. O IBC-Br excluindo a agropecuária teve uma retração de 0,9% no mês. No trimestre encerrado em março de 2026 ante o trimestre terminado em dezembro de 2025, o IBC-Br apresentou alta de 1,3%. Nos últimos 12 meses, o indicador avançou 1,8%.

O IBC-Br é um indicador criado para acompanhar o desempenho da economia brasileira de forma mais rápida e frequente. Ele funciona como um termômetro da atividade econômica, reunindo dados da indústria, comércio, serviços e agropecuária. É divulgado mensalmente, permitindo uma leitura mais ágil da evolução econômica do país. Embora utilize um conjunto mais restrito de informações do que o PIB medido pelo IBGE, o IBC-Br se destaca por sua frequência mensal e divulgação mais rápida, cerca de 45 dias após o mês de referência. O IBC-Br é, portanto, um indicador complementar ao PIB. Enquanto o PIB oferece uma visão consolidada da economia, o IBC-Br ajuda a entender o “agora” da atividade econômica.

 A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) realizou, no dia 21 de maio, sua quarta Reunião Ordinária de Diretoria de 2026, em um encontro presencial com os presidentes das Federações Estaduais, Nacionais e demais diretores para discutir temas decisivos para o futuro do comércio brasileiro. Na pauta, assuntos como tributação, jornada de trabalho e a mobilização nacional promovida pela Semana S. Conduzida pelo presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, a agenda reforçou o papel da Confederação como espaço de formulação técnica, articulação política e defesa do ambiente de negócios, em um cenário de crescentes desafios regulatórios e econômicos.

 Isonomia concorrencial

O economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, expôs os resultados de estudos técnicos sobre os efeitos da chamada “taxa das blusinhas”, instituída pela Lei nº 14.902/2024. Em sua análise, Bentes destacou que a medida representou uma redução parcial da assimetria tributária entre o comércio nacional e plataformas estrangeiras de venda direta ao consumidor.

Segundo os dados apresentados, durante o período de vigência da tributação, o varejo brasileiro registrou aumento significativo no faturamento, sem que houvesse repasse relevante de preços ao consumidor final. “Segmentos como vestuário, artigos de uso pessoal, eletrodomésticos e informática apresentaram crescimento consistente nas vendas, evidenciando um ambiente de concorrência mais equilibrado”, afirmou Bentes.

O economista-chefe da CNC também ressaltou o impacto positivo sobre o emprego formal. De acordo com o estudo, a menor discrepância tributária contribuiu para a preservação de quase 100 mil postos de trabalho ao longo do período analisado. Para Bentes, o debate não se resume à defesa de um imposto específico, mas à necessidade de enfrentar o gap tributário estrutural que penaliza o empresário brasileiro frente a competidores internacionais que operam com cargas significativamente menores.

Durante o debate, dirigentes reforçaram ainda a preocupação com a ausência de isonomia regulatória, lembrando que produtos importados vendidos diretamente ao consumidor não estão sujeitos às mesmas exigências sanitárias, técnicas e fiscais impostas ao comércio formal brasileiro.

Mobilização nacional foi sucesso

Na área de comunicação e mobilização institucional, o destaque da reunião foi o balanço apresentado pelo chefe de Gabinete da Presidência e coordenador de Comunicação Integrada do Sistema CNC-Sesc-Senac, Elienai Câmara, sobre os resultados da Semana S 2026. A iniciativa, que envolveu CNC, Sesc, Senac, federações e sindicatos empresariais em todo o País, consolidou-se como a maior ação integrada do Sistema Comércio.

De acordo com os dados apresentados, a Semana S alcançou mais de 3 milhões de atendimentos presenciais, somando ações do Sesc e do Senac, além de registrar crescimento expressivo no engajamento digital e na presença na imprensa. O número de inscritos nas plataformas digitais praticamente dobrou em relação à edição anterior, ampliando o banco de relacionamento com empresários e trabalhadores do setor.

Na imprensa, a ação gerou mais de 1.100 matérias, com equivalência comercial superior a R$ 8 milhões. Já nas redes sociais, o alcance ultrapassou dezenas de milhões de visualizações, com destaque para o crescimento orgânico do perfil institucional da Semana S. “Os resultados refletem a capacidade do Sistema Comércio de atuar de forma integrada, fortalecendo sua imagem pública e ampliando o diálogo com a sociedade”, afirmou Elienai Câmara.

Ao apresentar os números, o gerente destacou que a Semana S deixou de ser apenas um evento para se tornar uma plataforma permanente de relacionamento institucional, com potencial de mobilização crescente nos próximos anos. As Federações que mais se destacaram no cumprimento das metas do evento receberam uma placa para marcar suas participações.

Participação do deputado Leo Prates

A reunião contou também com a participação virtual do deputado federal Leo Prates (Republicanos-BA), relator da Proposta de Emenda à Constituição que trata da revisão da jornada de trabalho, associada ao debate sobre o fim da escala 6×1.

Em sua fala, o parlamentar afirmou que o relatório em elaboração busca reduzir impactos sobre o setor produtivo, preservando a negociação coletiva como instrumento central das relações de trabalho. Segundo Prates, a proposta em análise não pretende engessar modelos operacionais nem interferir em especificidades setoriais, limitando-se à revisão do teto constitucional da jornada máxima de trabalho.

O deputado destacou ainda que pretende manter os parâmetros constitucionais como referência geral, remetendo as particularidades de cada setor à legislação infraconstitucional e às convenções coletivas. “O objetivo é construir um texto equilibrado, que leve em consideração tanto as transformações no mundo do trabalho quanto a realidade econômica das empresas, especialmente micro e pequenas.”

O presidente José Roberto Tadros e os diretores da CNC reforçaram a posição da Confederação em defesa da negociação coletiva, alertando para os riscos de aumento de custos, fechamento de postos de trabalho e aceleração da automação, caso sejam feitas as mudanças contidas na proposta. O deputado Léo Prates pediu que as propostas da Confederação sejam encaminhas para sua apreciação.

Tadros reafirmou que a CNC seguirá trabalhando para garantir competitividade ao setor, preservar empregos e fortalecer o papel do comércio como motor do desenvolvimento nacional.

Por Karla Gamba / CONJUR

A Confederação Nacional da Indústria ajuizou no Supremo Tribunal Federal uma ação direta de inconstitucionalidade contra a medida provisória que zerou a alíquota do imposto de importação para compras internacionais de até US$ 50, conhecido como “taxa das blusinhas”. Na ADI, a entidade pede que o STF suspenda os efeitos da MP 1.357/2026 e, por consequência, da portaria do Ministério da Fazenda que regulamentou a mudança.

Confederação pede que o STF anule a MP que acabou com a taxa de importação

Segundo a CNI, a norma recriou um regime tributário favorável a plataformas estrangeiras de comércio eletrônico e produziu concorrência desleal com empresas brasileiras, especialmente micro e pequenos negócios do varejo e da indústria nacional. A entidade afirma que a desoneração afronta os princípios constitucionais da isonomia tributária, da livre concorrência e da proteção do mercado interno como patrimônio nacional.

A ação também sustenta que o governo utilizou indevidamente o instrumento da medida provisória, sem demonstrar urgência ou relevância constitucional que justificassem a edição da norma. De acordo com a CNI, o tema já vinha sendo discutido regularmente no Congresso Nacional por meio de projetos de lei em tramitação, o que afasta a excepcionalidade exigida pelo artigo 62 da Constituição para a adoção de MPs.

Na petição protocolada no Supremo, a entidade argumenta que a tributação das remessas internacionais de até US$ 50 havia sido instituída por meio da Lei 14.902/2024, aprovada pelo Congresso no âmbito do Programa Mover. A norma criou uma alíquota de 20% para compras internacionais de pequeno valor e levou à perda de objeto de uma ação anterior ajuizada pela própria CNI sobre o tema.

Para a confederação, não houve qualquer mudança estrutural no cenário econômico desde então que justificasse a revogação da cobrança por medida provisória. A peça afirma que o comércio eletrônico internacional manteve a configuração, a arrecadação federal vinha crescendo e o Parlamento continuava debatendo o assunto por vias ordinárias.

A entidade também sustenta que a verdadeira motivação da MP é política e eleitoral. No texto, a CNI afirma que “não se trata de urgência constitucional, mas de urgência eleitoral”, acusando o Executivo de utilizar um instrumento excepcional para mudar unilateralmente uma política pública aprovada pelo Congresso.

A confederação afirma ainda que a edição da medida provisória durante a tramitação de projetos de lei sobre o mesmo tema representa afronta à separação dos poderes e ao devido processo legislativo. Segundo a ação, o Executivo “capturou” um espaço decisório já ocupado pelo Legislativo.

Concorrência desigual

Um dos principais fundamentos da ação é a violação ao tratamento favorecido que a Constituição garante às micro e pequenas empresas brasileiras. A CNI afirma que a MP restabelece uma assimetria tributária que prejudica diretamente empresas nacionais que competem com plataformas estrangeiras em segmentos como vestuário, calçados, cosméticos e eletrônicos.

Segundo a entidade, enquanto empresas brasileiras precisam arcar com imposto de importação, tributos internos, contribuições previdenciárias e obrigações regulatórias, plataformas estrangeiras passarão a operar novamente sob alíquota zero para remessas de pequeno valor. Isso, de acordo com a ação, criará uma vantagem artificial para produtos importados.

Para a CNI, o problema não se limita ao imposto de importação, pois haverá o “efeito cascata” sobre outros tributos. Como o imposto integra a base de cálculo de contribuições e impostos internos, empresas brasileiras acabariam suportando uma carga tributária significativamente maior ao longo da cadeia econômica.

Defesa do mercado interno e da arrecadação

Por fim, a entidade afirma que os números obtidos após a criação da taxa, em 2024, demonstram os efeitos positivos da medida. Segundo dados citados na ação, a arrecadação com o imposto sobre remessas internacionais chegou a R$ 3,5 bilhões em 2025, frente a R$ 1,4 bilhão no ano anterior. Nos primeiros quatro meses de 2026, porém, o recolhimento já teria alcançado R$ 1,78 bilhão.

A CNI estima ainda que a tributação das compras internacionais de pequeno valor preservou cerca de 135 mil empregos e gerou impacto de R$ 19,7 bilhões na economia brasileira.