Ruy Magalhães   •  Founder @ Café com Comprador – O Maior Ecossistema de Conteúdo de Compras do Brasil

Esse dado não é apenas um problema social.

É um dos maiores indicadores econômicos do país.

Porque renda define o tamanho do mercado, a capacidade de consumo, a inovação e o potencial de crescimento de uma economia.

E aqui está o paradoxo:

 

O Brasil quer crescer como potência, mas ainda depende de uma base econômica fragilizada.

Temos recursos, agro forte, indústria relevante e posição estratégica.

Mas também convivemos com baixa renda, crédito caro e dificuldade para financiar crescimento.

 

E existe um ponto que pouca gente conecta:

Nenhuma economia escala sem capital.

Enquanto muitas empresas adiam investimentos e operam para sobreviver, outras acessam capital internacional, alongam prazos, reduzem o custo financeiro e aceleram sua expansão.

O resultado vai muito além do balanço financeiro.

 

Empresas mais capitalizadas:
 investem mais;
 contratam mais;
 aumentam a produtividade;
 fortalecem toda a cadeia econômica.

 

O Brasil não precisa apenas de mais crédito.

Precisa de crédito inteligente, funding de longo prazo e acesso ao capital global.

Porque uma economia forte não se constrói apenas com recursos naturais.

Ela se constrói com empresas fortes, pessoas produtivas e visão de longo prazo.

Quem entender isso primeiro estará construindo a vantagem competitiva da próxima década.

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Se era notícia encantadora e repleta de orgulho que você precisava ler hoje, nós temos! Somos a única varejista de moda brasileira entre as 750 empresas mais sustentáveis do mundo, segundo a revista Time. ❤️

Em parceria com a alemã Statista, o ranking avalia empresas de diversos setores e estar na 16ª posição em meio às grandes líderes globais reforça o nosso compromisso com a sustentabilidade.

Com práticas e ações que já fazem parte da cultura da Lojas Renner S.A., seguimos gerando impacto positivo e transformando o futuro da moda em um lugar mais consciente. 🚀

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Para pesquisador da USP, sem mudanças na renda e sem investimento em saúde mental, profissionais podem trocar a exaustão do emprego pela exaustão dos “bicos”

Entre os profissionais que trabalham na escala 6×1, 100% relataram algum nível de esgotamento, sem nenhum caso de baixo desgaste emocional (Malte Mueller/Getty Images)

Layane Serrano / Repórter  EXAME

A discussão sobre o fim da escala 6×1 ganhou força no Congresso com a proposta de reduzir a jornada de trabalho e ampliar o tempo de descanso dos brasileiros. A proposta segue em análise no Senado, mas um novo estudo indica que essa mudança, sozinha, pode não ser suficiente para melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores.

A pesquisa “Saúde Mental, Modelos de Jornada Laboral e o Paradoxo da Renda Complementar”, desenvolvida dentro do Centro de Inovação da USP, mostra que 33% dos profissionais pretendem usar o tempo livre conquistado com uma eventual redução da jornada para buscar uma renda complementar nos próximos cinco anos.

Em vez de descansar, parte dos trabalhadores afirma que pretende ocupar esse período com atividades da chamada gig economy (como trabalhos por aplicativo, prestação de serviços ou pequenos negócios).

O levantamento, realizado com mais de 200 profissionais em cargos de liderança, foi liderada por Sergio AmadCEO da Fiter, pesquisador do Centro de Inovação da USP e diretor de inovação da ABRH-SP. Segundo o pesquisador, o país corre o risco de substituir um problema por outro.

“Se a redução da jornada servir apenas para abrir espaço para que o trabalhador monetize suas horas livres, o benefício fisiológico dessa mudança será anulado. Em vez de sair da exaustão institucional, ele entrará em uma exaustão autônoma”, afirma.

Segundo ele, esse fenômeno foi batizado pela equipe de pesquisa como “incongruência da falsa flexibilidade”.

“Você cria uma jornada menor, mas não cria condições para que as pessoas realmente descansem. O tempo livre acaba sendo convertido em mais trabalho por necessidade financeira”, diz.

Sergio Amad, CEO da Fiter e pesquisador do Centro de Inovação da USP: “Estamos diante de uma fuga de talentos” (Arquivo pessoal/Divulgação)

Como a pesquisa foi feita

O estudo foi desenvolvido pela deep tech Fiter dentro do Centro de Inovação da USP e ouviu 211 profissionais em cargos de liderança de setores como varejo, indústria e saúde. A maior parte das respostas foi coletada de forma online, com uma parcela aplicada presencialmente no laboratório da universidade.

Segundo Sergio Amad, a pesquisa foi construída a partir da metodologia Problem Solution Fit (PSF).

“Existe um instrumento técnico que a gente utiliza chamado Problem Solution Fit. A gente analisa um problema real e observa quais métricas causam impacto nele e como elas se comportam em curvas de tendência,” diz.

Para elaborar o questionário, os pesquisadores recorreram a referências nacionais e internacionais sobre saúde mental e bem-estar, como a Felicidade Interna Bruta (FIB), criada pelo Butão, o guia da NR-1 sobre riscos psicossociais, o Manual de Saúde Mental no Trabalho e estudos de neurociência e psicometria.

Após a coleta das respostas, os dados passaram por análises de ciência de dados e inteligência artificial para identificar padrões e correlações entre jornada de trabalho, saúde mental e perspectivas de carreira.

“As evidências entram em uma base de dados e, com apoio da inteligência artificial, fazemos análises de correlação e de causa e efeito. Depois, um comitê técnico analisa os resultados e elabora o relatório final.”

O custo oculto da escala 6×1

Embora o debate político esteja concentrado nos impactos econômicos da mudança para empresas, o estudo procurou avaliar seus efeitos sobre indicadores de saúde mental.

Os resultados mostram um cenário preocupante:

  • 43% dos entrevistados afirmam sentir-se esgotados sempre ou na maior parte do tempo;
  • 45% dizem que raramente conseguem dormir bem;
  • Entre os profissionais que trabalham na escala 6×1100% relataram algum nível de esgotamento, sem nenhum caso de baixo desgaste emocional.

Para Amad, a escala rígida interfere diretamente na recuperação física e mental.

“Do ponto de vista biológico, existe um consenso científico de que modelos como o 5×2 oferecem melhores indicadores de bem-estar, qualidade do sono, convivência familiar e redução do estresse”, afirma.

Ao mesmo tempo, ele pondera que a transição precisa considerar a realidade de setores como varejo, saúde e supermercados, que já enfrentam escassez de mão de obra.

“O ideal seria uma implementação gradual, acompanhada de incentivos que permitam às empresas contratar mais profissionais sem ampliar excessivamente seus custos”, diz.

O empreendedorismo virou uma rota de fuga

Um dos dados que mais chamou a atenção dos pesquisadores foi o desejo de abandonar o emprego tradicional para migrar para o empreendedorismo como alternativa para conquistar mais autonomia, qualidade de vida e preservar a saúde mental.

Dos entrevistados:

  • 59% pretendem empreender nos próximos cinco anos;
  • Apenas 8% imaginam permanecer exclusivamente no modelo CLT no longo prazo.

Para Amad, o dado não representa apenas uma busca por independência financeira.

“Quando olhamos os cruzamentos estatísticos, percebemos que o empreendedorismo aparece muito mais como uma tentativa de recuperar autonomia sobre a própria vida do que apenas ganhar mais dinheiro”, afirma. “Estamos diante de uma nova fuga de talentos”.

Segundo ele, fatores como perda do poder de compra, endividamento e falta de tempo para a família ajudam a explicar esse movimento.

“A pesquisa mostra um alerta para as empresas. Não estamos discutindo apenas o formato da jornada. Estamos diante de uma possível fuga de talentos do mercado formal.”

Veja também: Será o fim da escala 6×1 no Brasil? Varejistas, hotéis e até mineradoras já se movimentam

Mulheres querem usar o tempo livre para cuidar da família – e de si mesmas

A pesquisa também identificou diferenças importantes entre homens e mulheres.

Como 58% da amostra é composta pelo público feminino, o estudo aponta uma forte tendência de utilizar o tempo livre para convivência familiar e autocuidado.

Segundo Amad, esse resultado evidencia o peso da dupla jornada.

“As mulheres demonstram um desejo muito maior de investir esse tempo em convivência familiar e autocuidado. Isso mostra que elas ainda carregam boa parte das responsabilidades invisíveis dentro de casa”, afirma.

Além disso, 32% dos entrevistados afirmaram que gostariam de praticar atividades físicas regularmente, mas não conseguem manter essa rotina.

Burnout pode continuar crescendo

Na avaliação do pesquisador, a simples redução da jornada não resolverá o problema do burnout caso as condições econômicas permaneçam as mesmas.

“O trabalhador pode deixar um emprego de 6 dias para trabalhar em dois aplicativos, vender produtos ou abrir um pequeno negócio. O cérebro continua sob pressão constante”, afirma.

Ele relaciona esse comportamento ao aumento dos transtornos mentais observado no país nos últimos anos.

“O Brasil vive uma combinação de fatores: endividamento, excesso de tempo em telas, ansiedade, jornadas extensas e insegurança financeira. Tudo isso cria uma rota muito favorável ao adoecimento psicológico”, diz.

Veja também: Copacabana Palace adota escala 5×2 para cerca de 600 funcionários

O debate precisa ir além da jornada

Para Amad, o país precisa ampliar a discussão sobre o fim da escala 6×1.

Em vez de tratar o tema apenas como uma disputa entre custos para as empresas e benefícios sociais, ele defende que a saúde biológica do trabalhador entre definitivamente na equação.

“O debate precisa incorporar a viabilidade biológica. Não basta reduzir horas de trabalho. É preciso criar condições para que as pessoas realmente consigam descansar, praticar atividade física, conviver com a família e recuperar seus recursos físicos e emocionais.”

A discussão sobre o fim da escala 6×1, segundo Amad, também precisa considerar os impactos econômicos da mudança. Para ele, uma transição para jornadas menores deveria ser acompanhada por medidas do governo, como redução da carga tributária sobre a folha de pagamento e incentivos para contratação de novos profissionais. Para o pesquisador, isso permitiria ampliar o descanso dos trabalhadores sem aumentar os custos das empresas e nem agravar a falta de mão de obra em setores como varejo e saúde.

Caso contrário, o país corre o risco de resolver um problema e criar outro, segundo Amad.

“Se o trabalhador continuar usando o tempo livre para sobreviver financeiramente, continuaremos alimentando o mesmo ciclo de burnout, apenas com outra configuração.”

Ester Morgan

Estamos vivendo uma das maiores transformações demográficas da história do Brasil, mas muita gente ainda insiste em agir como se ela não existisse.

Atualmente, entre 55 e 62 milhões de brasileiros têm mais de 50 anos. Estamos falando de aproximadamente um em cada quatro habitantes do país e caminhando rapidamente para representar quase um terço da população.

A pergunta é: como ainda existem empresas, marcas e recrutadores que tratam esse público como invisível?

A geração prateada não está diminuindo, ela está crescendo, vive mais, trabalha por mais tempo, empreende, movimenta bilhões na economia, influencia decisões de compra e sustenta boa parte das famílias brasileiras.

Ignorar essa realidade não é apenas um erro social, é um grande erro estratégico.

O etarismo faz com que profissionais altamente qualificados sejam descartados antes mesmo de uma entrevista, enquanto empresas reclamam da falta de mão de obra, de liderança e de experiência.

O mundo mudou, a longevidade mudou, as carreiras mudaram, e somente o preconceito continua preso ao passado.

O futuro pertence às organizações que entenderem que idade não limita talento, competência, inovação ou produtividade.

A pergunta que deixo é simples: Você está se preparando para um país que envelhece ou ainda está tomando decisões baseadas em um Brasil que já não existe?

Porque a população está mudando, o mercado consumidor está mudando e o mercado de trabalho também vai mudar.

A única dúvida é quem terá coragem de enxergar essa transformação antes dos outros.

Será que a escassez de mão de obra no Brasil todo poderá ajudar as empresas a enxergarem o potencial dos 50+ e a vantagem da diversidade etária para potencializar a produtividade??

Publicação do IPEAD, fruto da cooperação técnica com o Cofecon e o Corecon-MG, reúne análises sobre inflação, crescimento, mercado de trabalho, agricultura e desenvolvimento produtivo 

Já está disponível a edição de junho de 2026 do Boletim de Conjuntura Econômica, publicação elaborada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (IPEAD) em parceria com o Conselho Federal de Economia (Cofecon) e o Conselho Regional de Economia de Minas Gerais (Corecon-MG), no âmbito do Acordo de Cooperação Técnica firmado entre as instituições. 

A nova edição reúne análises sobre os principais indicadores da economia brasileira e internacional, oferecendo aos economistas, gestores públicos, pesquisadores e demais interessados uma visão qualificada dos desafios e das perspectivas econômicas. Entre os destaques estão o desempenho da atividade econômica, inflação, mercado de trabalho, contas públicas e os efeitos das mudanças no cenário internacional sobre a economia brasileira.  

No cenário internacional, o boletim aponta que o núcleo da inflação americana acumula alta de 3,0%, acima da meta de 2%, enquanto a Justiça dos EUA bloqueia parte das tarifas de Trump; a Zona do Euro vê a inflação subir a 2,8%. 

Em relação ao Brasil, a publicação destaca o crescimento de 1,1% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre de 2026, impulsionado principalmente pelo setor de serviços. Em Minas Gerais, entretanto, a atividade econômica registrou retração de 0,5%, influenciada pela forte queda da produção agropecuária.  

Economia setorial e desafios estruturais 

Além da análise conjuntural, esta edição traz um estudo especial sobre os possíveis impactos de um super El Niño na produção agropecuária brasileira. O material avalia como alterações no regime de chuvas podem afetar culturas como arroz, milho, feijão, café e frutas, pressionando os preços dos alimentos e elevando os riscos para a inflação, especialmente entre as famílias de menor renda.  

Outro destaque é o artigo de opinião do economista Stefan Wilson D’Amato, intitulado “Crescimento sem transformação produtiva? Os desafios estruturais da economia brasileira”. O autor propõe uma reflexão sobre a necessidade de combinar estabilidade macroeconômica com investimentos produtivos, inovação, aumento da produtividade e maior complexidade econômica para que o crescimento observado atualmente se converta em desenvolvimento sustentável no longo prazo.  

Produzido mensalmente, o Boletim de Conjuntura Econômica integra as ações de cooperação técnica entre o IPEAD, o Cofecon e o Corecon-MG e tem como objetivo disponibilizar análises econômicas qualificadas, contribuindo para o debate público e subsidiando a tomada de decisões de gestores, pesquisadores e profissionais da Economia.

Em um mercado cada vez mais competitivo, o ponto de venda deixou de ser apenas um espaço de transação. Redes de varejo e franquias estão transformando lojas em plataformas de experiência, relacionamento e influência — e isso pode definir quem continuará relevante nos próximos anos

 Instituto Mulheres do Varejo

Durante muito tempo, o varejo físico operou sob uma lógica relativamente simples: localização estratégica do ponto de venda, operação eficiente, bom mix de produtos e campanhas promocionais fortes. E isso era o suficiente para gerar fluxo e vendas.

Mas o consumidor mudou. E mudou rápido.

Hoje, o cliente chega à loja depois de ter sido impactado por vídeos, avaliações, influenciadores, anúncios personalizados e dezenas de ofertas dos concorrentes. Em muitos casos, ele já sabe o preço antes mesmo de entrar no ponto de venda. Isso significa que a loja física deixou de competir apenas por produto ou conveniência. Ela passou a pedir por atenção, experiência e relevância.

Ao mesmo tempo, o setor de franquias brasileiro segue em expansão. Em 2025, o Franchising ultrapassou pela primeira vez a marca de R$ 300 bilhões em faturamento, com crescimento de 10,5% e mais de 200 mil unidades em operação no país, segundo a ABF – Associação Brasileira de Franchising.

O crescimento mostra a força do modelo. Mas também traz um desafio importante: como continuar escalando sem se tornar apenas mais uma marca invisível em um mercado já saturado?

A resposta começa justamente no ponto de venda. As redes mais inteligentes entenderam que a loja física não é apenas operação. Ela virou mídia.

O varejo deixou de disputar apenas preço

O consumidor atual é muito mais racional no bolso — e muito mais emocional na escolha.

Preço continua relevante, claro. Mas deixou de ser suficiente como diferencial competitivo sustentável. Afinal, promoções são copiadas rapidamente, marketplaces comprimem margens e a concorrência digital transformou quase tudo em commodity.

Nesse cenário, marcas fortes passaram a investir em algo mais difícil de replicar: percepção. De valor. De experiência. De pertencimento.

É exatamente por isso que vemos um movimento crescente de redes investindo em: ambientação, arquitetura sensorial, jornadas mais fluidas, atendimento consultivo, personalização, conteúdo produzido dentro das lojas, e experiências que geram compartilhamento espontâneo.

A loja deixou de ser apenas um ponto de venda. Ela passou a funcionar como extensão viva da marca. E isso tem impacto direto em conversão, fidelização e retenção.

A ascensão da loja como canal de influência

Existe mais uma mudança importante acontecendo no varejo: as lojas físicas estão se tornando canais de mídia.

Na prática, isso significa que o ponto de venda não serve apenas para vender produtos. Ele também gera: conteúdo, branding, relacionamento, dados, engajamento, influência social e presença digital.

É por isso que muitas marcas estão desenhando espaços “instagramáveis”, promovendo eventos locais, incentivando vendedores a produzirem conteúdo e criando experiências pensadas para serem compartilhadas.

O consumidor atual não quer apenas comprar. Ele quer participar.

E as redes de franquias possuem uma vantagem competitiva enorme nesse cenário: capilaridade e proximidade regional.

Quando bem estruturadas, as unidades locais conseguem criar uma conexão que campanhas nacionais dificilmente alcançam sozinhas.

E a grande mudança é que o franqueado deixou de ser apenas operador. Em muitos casos, ele virou embaixador da marca.

Padronização continua importante — mas autenticidade virou diferencial

Historicamente, o Franchising construiu sua força em cima da padronização. E isso continua sendo essencial para garantir consistência operacional e reconhecimento de marca. O problema começa quando a padronização elimina a personalidade.

Hoje, muitas redes ainda operam com comunicação excessivamente engessada, lojas visualmente idênticas e pouca liberdade para adaptação local. O resultado é um consumidor que reconhece a marca — mas não cria vínculo emocional com ela.

E vínculo importa. Principalmente em um cenário onde o excesso de oferta tornou a diferenciação muito mais difícil.

As redes mais modernas estão percebendo que existe espaço para equilibrar consistência com autenticidade. Isso aparece em campanhas regionalizadas, ativações locais, linguagem mais humanizada, presença digital das unidades e autonomia controlada para ações de relacionamento.

No fim, o consumidor quer reconhecer a marca. Mas também quer sentir que existe gente real ali.

O marketing promocional já não sustenta crescimento sozinho

Outro ponto crítico para o varejo e para as franquias é a dependência excessiva de calendário promocional. Muita liquidação. Black Friday. Semana do Consumidor. Cupons. Desconto progressivo.

Sim, promoção continua funcionando — mas ela já não constrói diferenciação de longo prazo. E os sinais disso começam a aparecer no mercado.

Mesmo durante períodos promocionais importantes, parte do varejo já sente desaceleração no consumo causada pelo alto endividamento das famílias e pela redução do poder de compra.  Isso significa que disputar atenção apenas por preço tende a se tornar cada vez menos sustentável.

As marcas que estão conseguindo crescer de forma mais consistente são justamente aquelas que trabalham construção de marca de maneira contínua.

Não basta aparecer quando existe campanha. É preciso construir presença no dia a dia.

Nesse contexto, marketing deixa de ser apenas comunicação institucional e passa a fazer parte da própria operação: no atendimento, na experiência, no pós-venda, no CRM, nas redes sociais, no WhatsApp, e até no comportamento dos vendedores.

Hoje, um bom atendimento pode gerar mídia espontânea. Uma experiência memorável pode virar conteúdo. E um vendedor preparado pode gerar mais confiança do que muitos anúncios pagos.

Retail Media e o novo protagonismo do varejo

Um dos movimentos mais relevantes dos últimos anos é o avanço do retail media.

Globalmente, o mercado atingiu cerca de US$ 184 bilhões em 2025. No Brasil, o crescimento continua em ritmo acelerado, impulsionado pela capacidade dos varejistas de utilizar seus próprios dados e canais para gerar receita publicitária e relacionamento.

Mas existe um ponto importante aqui: retail media não é apenas colocar telas ou banners dentro da loja. O conceito é muito maior. Ele representa a transformação do varejo em plataforma de comunicação.

Isso inclui: aplicativos, programas de fidelidade, CRM, marketplaces próprios, mídia digital nas lojas, ativações com marcas e experiências integradas entre físico e digital.

Na prática, o varejo percebeu algo poderoso: ele não possui apenas produtos. Possui audiência, comportamento e dados. E isso vale muito.

O futuro será híbrido — e mais humano

Durante anos, o mercado discutiu “loja física versus digital”. Hoje, essa discussão perdeu sentido. Pois o consumidor é híbrido.

Ele descobre um produto no TikTok, pesquisa no Google, conversa no WhatsApp, visita a loja física, compara preços no marketplace e finaliza a compra onde fizer mais sentido naquele momento.

As empresas mais inteligentes entenderam isso rapidamente: os canais não competem entre si. Eles se complementam.

Nesse cenário, a loja física ganha relevância justamente porque entrega algo que o digital sozinho ainda não consegue reproduzir completamente: a experiência sensorial, o improviso, a conexão humana, a emoção, a confiança e, principalmente, a memória.

O varejo do futuro não será apenas eficiente. Será memorável.

Conclusão

As lojas físicas não perderam importância. Elas apenas mudaram de função. O ponto de venda deixou de ser exclusivamente operacional e passou a ocupar um papel estratégico na construção de marca, relacionamento e influência.

Para o varejo e para as franquias, isso representa uma mudança profunda de mentalidade. Porque crescer hoje não depende apenas de expansão, promoção ou mídia paga. Depende da capacidade de criar experiências que façam sentido para um consumidor cada vez mais seletivo e menos impactado por discursos genéricos.

As marcas que entenderem isso primeiro terão uma vantagem difícil de copiar.

Porque produto pode ser parecido. Preço pode ser igual. Campanha pode ser replicada. Mas experiência, percepção e conexão emocional continuam sendo ativos raros.

E talvez essa seja a grande virada do varejo atual: as empresas mais relevantes nos próximos anos, não serão necessariamente as que tiverem mais lojas — mas as que conseguirem transformar cada loja em experiência, relacionamento e significado.

“A loja do futuro não será apenas um ponto de compra e venda. Será um ponto de conexão.”

Carla Bittar é Head de Marketing da Amor aos Pedaços, e possui mais de vinte anos de mercado com passagens por empresas como: Vivenda do Camarão, Grupo IMC, Walmart, Telhanorte e Grupo DPSP.

Com ampla experiência na construção de planejamento e estratégia de Marketing e forte integração entre BrandingShopper Marketing, Mídia, Digital e Jornada do Cliente, conecta posicionamento de marca à resultados comerciais e geração de valor sustentável, e é orientada para dados e pessoas, apoiando empresas no fortalecimento da visão de marca, e na construção de times e resultados de alta performance.

Norberto Maraschin

Vice-presidente de Negócios de Consumo e Mobilidade na Positivo Tecnologia

Mais do que uma inovação tecnológica, o pagamento pela palma da mão promete unir conveniência, segurança e eficiência para consumidores e varejistas

Imagine entrar em um estabelecimento comercial sem um celular, carteira ou cartão, fazer compras e pagar com a palma da sua mão. A situação soava futurista, mas ela já é realidade no Brasil. Uma mudança que vai além da inovação tecnológica e aprimora completamente a experiência dos consumidores.

Trata-se do início de uma era em que pagar qualquer compra presencialmente deixa de depender de portar um objeto para se tornar mais sustentável e ainda mais segura.

O Brasil tem uma relação peculiar com meios de pagamento. Costuma adotar rapidamente o que simplifica e melhora a rotina de consumo. Foi assim com o Pix, por exemplo. O volume dessa forma de pagamentos saiu de R$ 12 bilhões para R$ 1,7 trilhões em cinco anos, de acordo com o Banco Central do Brasil. Um salto de quase 142 vezes.

Paralelamente, esse dado explica por que a biometria vascular da palma da mão tem um terreno tão fértil no País: o consumidor brasileiro já aprendeu que dinheiro pode circular sem papel, sem agência, sem maquinário mental complicado. Agora, ele começa a descobrir que pode circular também sem carteira no bolso, sem celular.

Biometria vascular é o futuro

A força dessa tecnologia está em uma combinação engenhosa. Ao mesmo tempo, a biometria da palma da mão reduz atrito e aumenta segurança. Em geral, pagamentos exigem uma escolha incômoda: ou são rápidos, ou são protegidos. Ou preservam a experiência, ou criam uma etapa extra de autenticação.

Essa forma de biometria muda a equação porque reconhece padrões internos do corpo, menos expostos do que rosto ou impressão digital, e menos suscetíveis a alterações com o tempo. Sensores capturam a estrutura vascular sob a pele e transformam a informação em registro criptografado, sem usar a imagem da mão como senha operacional.

Na prática, o ganho é simples. O consumidor aproxima a mão e conclui o pagamento. Já temos no mercado nacional um modelo de terminal que permite pagamentos por débito, crédito ou Pix por biometria vascular da palma da mão, com verificação em cerca de 500 milissegundos.  Meio segundo muda pouca coisa em uma demonstração, mas muda muito em uma fila de supermercado, em uma farmácia cheia, em um bloco de rua de carnaval, em um festival de música, em uma praça de alimentação de shopping ou em qualquer operação com alto volume de transações.

A experiência muda

Esse é o ponto que interessa a bancos, fintechs, adquirentes e varejistas. A palma da mão se torna uma excelente alternativa a três desafios conhecidos: menor fricção no pagamento, menos risco de fraude e custo operacional mais baixo.

A diferença está em tirar etapas da jornada sem enfraquecer a autenticação. Menos cartões de plástico perdidos. Menos senhas esquecidas. Menos celulares como ponto único de dependência. Menos interrupção quando o consumidor já decidiu comprar.

O setor começa a se mover por esse motivo. Estima-se que o mercado latino-americano de pagamentos biométricos tinha US$ 448,48 milhões em 2024 e deve crescer a uma taxa composta anual de 17,4% até 2031. Para o Brasil, a estimativa indicada é de crescimento anual projetado de 18%.

Projeções desse tipo sempre pedem cautela, mas revelam direção. A biometria deixou de ser tema restrito a controle de acesso corporativo e passou a disputar espaço no coração do varejo financeiro.

O desafio, claro, está longe de ser apenas tecnológico. Para ganhar escala, a biometria da palma precisa vencer etapas. Entre elas, custo viável no ponto de venda, integração simples com adquirentes e sistemas de loja, além de comunicação clara para tirar o medo do consumidor. Além disso, implementar governança de dados digna de uma tecnologia que lida com identidade.

Construção de hábito

A adoção em massa virá menos pelo encanto da inovação e mais pela repetição tranquila do uso. O consumidor aceitará pagar com a palma quando entender que aquilo é mais simples, seguro e sustentável do que qualquer outro método atual. O varejo aceitará quando a conta fechar. O sistema financeiro aceitará quando perceber redução de atrito sem perda de controle.

O cartão físico não vai desaparecer de uma vez. Tecnologias antigas raramente saem de cena. Elas perdem protagonismo aos poucos, até parecerem incômodas. O mesmo pode acontecer aqui. Primeiro, a palma da mão aparece como alternativa. Depois, como preferência. Por fim, como hábito. No País que transformou o Pix em parte do cotidiano, o próximo avanço dos pagamentos pode ser ainda mais direto.

A próxima senha dos pagamentos no Brasil será a palma da mão

Norberto Maraschin

 

. Você está acompanhando os sinais do mercado?

Acabamos de publicar a edição de Junho/2026 do Boletim de Conjuntura Econômica do IPEAD, contendo a análise certa para profissionais, investidores e gestores que precisam ir além das manchetes.

Confira os principais destaques desta edição:
🔹 Mercado de Trabalho: taxa de desemprego cai a 5,8%, a menor da série histórica iniciada em 2012, com renda média real de R$ 3.732.
🔹 Inflação: IPCA acumula 4,72% em 12 meses, acima do teto da meta de 4,5%, enquanto o IGP-M avança 1,95%.
🔹 Atividade Econômica: PIB brasileiro cresce 1,1% no trimestre, mas o de Minas Gerais recua 0,5%, pressionado pela agropecuária e pela indústria extrativa mineral.
🔹 Economia Setorial: os riscos do super El Niño para a produção agrícola e a inflação de alimentos no Brasil.
🔹 Artigo de Opinião: o economista Stefan Wilson D’Amato assina um texto instigante sobre os desafios estruturais do crescimento brasileiro: “Crescimento sem Transformação Produtiva?”, em que discute investimento, produtividade e complexidade econômica.

🔗 Eleve o nível das suas decisões com dados confiáveis. Leia o Boletim completo gratuitamente aqui: https://lnkd.in/dYwq5K64

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 Paulo Roberto Solimeo   • CEO, Conselheiro e Palestrante.

 

Paulo Roberto Solimeo   •  LinkedIn

O Brasil continuará sendo atraente para investimentos devido ao seu gigantesco mercado consumidor, abundância de recursos naturais e vantagens competitivas estruturais em setores-chave globais, apesar das persistentes turbulências fiscais e ruídos políticos.