C.C.T. 2025/2027 / Sindishopping (Lojistas) x Sintrashopping (Trabalhadores)

NÚMERO DE REGISTRO NO MTE:       PR002422/2025
DATA DE REGISTRO NO MTE:         20/08/2025
NÚMERO DA SOLICITAÇÃO:   MR050261/2025
NÚMERO DO PROCESSO:      47979.219782/2025-21
DATA DO PROTOCOLO:       19/08/2025

Confira a autenticidade no endereço: http://www3.mte.gov.br/sistemas/mediador/.

Acesse o arquivo do Mediador através do seguinte link: https://sindishopping.com.br/wp-content/uploads/2025/08/CCT-2025-2027-Registrada.pdf

  • 07/08/2025 – site CNC

Percentual de brasileiros que não têm condições de pagar as dívidas é o maior de 2025; famílias de menor renda e mulheres são as mais afetadas

A inadimplência do consumidor atingiu o maior patamar desde setembro de 2023, chegando a 30,2% da população brasileira. É o que mostra a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada mensalmente pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O aumento do índice em julho foi de 0,5 ponto percentual, acompanhado pelo crescimento da quantidade de famílias que declararam não ter condições de pagar as dívidas, percentual que chegou a 12,7% (+0,2 p.p.). Desde dezembro de 2024, essa fatia não era tão grande.

O levantamento também mostrou que o endividamento ficou praticamente estável, em 78,5%, com o avanço de 0,1 p.p. frente ao mês passado. Ainda foi observado que a tendência de redução dos prazos firmados para os pagamentos se manteve pelo sétimo mês consecutivo, com as dívidas superiores a um ano alcançando 31,5%. Em contrapartida, o comprometimento em curto prazo cresceu.

Tais resultados emitem um alerta, especialmente, de que as famílias de rendas baixa e média e o público feminino têm passado por maiores dificuldades, uma vez que eles apresentaram piora tanto no endividamento quanto na inadimplência. Um ano atrás, a inadimplência era de 28,8%, com 11,9% dos entrevistados declarando não ter condições de pagar.

“O aumento do número de famílias que já não conseguem pagar suas dívidas e a estagnação do endividamento indicam que os brasileiros estão no limite de sua capacidade de contrair novas dívidas. A redução dos prazos mostra um uso cada vez mais defensivo do crédito. Esse comportamento exige atenção das autoridades para que se evite uma estagnação no comércio e nos serviços”, afirma o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros.

Contas em atraso por mais tempo

Segundo o levantamento, o tempo de inadimplência aumentou em julho, com 47,5% dos consumidores com contas em atraso estando nesta situação há mais de 90 dias. Ainda assim, houve melhora do percentual de famílias que comprometem mais da metade da renda com as dívidas, de 19,2% para 18,9% no mês. Outra boa notícia é que o comprometimento médio dos ganhos familiares caiu para 29,4%.

O cartão de crédito segue como o principal meio de endividamento (84,5%), embora tenha recuado 1,5 ponto percentual, na comparação com 12 meses atrás. Já os carnês continuam ganhando espaço, sendo a segunda modalidade mais utilizada, com 16,8% e destaque frente ao crédito pessoal, que aparece com 10,6%.

“Notamos as famílias brasileiras cada vez mais conscientes com relação ao crédito. Prova disso é a redução do comprometimento médio da renda e da parcela de famílias com mais da metade dos ganhos consumidos pelas dívidas. O recuo do cartão de crédito e avanço dos carnês sugerem uma busca por modalidades menos onerosas e com maior previsibilidade de pagamento”, analisa o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes.

Perfil dos endividados

A parcela da população com faixa de renda entre 3 e 5 salários mínimos foi a que apresentou maior aumento do endividamento e da inadimplência. Em um ano, o número de endividados entre este público cresceu 1,7 ponto percentual (81,3%), e o de inadimplentes subiu 1,6 p.p. (28,7%). Já entre os que afirmam não ter condições de pagar as dívidas, o aumento foi de 2 p.p. (12%).

Na análise envolvendo os gêneros, o endividamento das mulheres caiu 0,2 p.p. (79,1%) frente a julho de 2024, embora tenha aumentado 0,9 p.p. em um mês. A inadimplência delas aumentou 1,4 p.p. (30,7%), com 12,4% sem condições de pagar (+0,3 p.p. na variação anual). Em contrapartida, é maior o percentual de homens sem ter como pagar as contas atrasadas, que chegou a 12,8%, 1,1 p.p. à frente do patamar de um ano atrás.

Perspectiva para os próximos meses

Mesmo com os indicadores elevados, a CNC projeta que o endividamento deve começar a desacelerar nos próximos meses. A expectativa é que a combinação de juros elevados e aumento da inadimplência leve as famílias a um comportamento mais cauteloso com o crédito. Ainda assim, a entidade prevê que 2025 deve terminar com níveis mais altos de endividamento (+1,1 p.p.) e inadimplência (+1,4 p.p.) em comparação ao fim de 2024.

Sicomércio 2025: Ministra do TST debate impactos da inteligência artificial nas relações de trabalho

Peduzzi defende transparência algorítmica, supervisão humana e negociação coletiva para proteger direitos trabalhistas

A ministra do Tribunal Superior do Trabalho (TST) Maria Cristina Peduzzi integrou a programação matinal do segundo dia do Sicomércio 2025 com a palestra “A evolução da inteligência artificial e seus impactos no Poder Judiciário e nas relações de trabalho”, realizada no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), em Brasília. O evento é promovido pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e reúne dirigentes sindicais empresariais do comércio de todo o País, de 8 a 11 de julho.

Desafios jurídicos da automação

A ministra traçou um panorama da rápida difusão de sistemas de inteligência artificial (IA) no mercado de trabalho e apontou os principais desafios regulatórios. Segundo Peduzzi, a automação inteligente “remodela fundamentalmente o modo como trabalhamos”, ao abranger desde o recrutamento de pessoal, por meio de triagens automatizadas de currículos, até o monitoramento da produtividade em tempo real. Essa transformação, ressaltou, pressiona conceitos clássicos do Direito do Trabalho, como subordinação, poder diretivo e responsabilidade civil.

Peduzzi citou casos internacionais que expuseram riscos de vieses algorítmicos, entre eles o sistema interno de recrutamento da Amazon, que descartava candidatas mulheres porque fora treinado com dados históricos predominantemente masculinos. Para a ministra, episódios dessa natureza demonstram a importância de transparência nos critérios de pontuação e supervisão humana obrigatória em todas as etapas de decisão automatizada.

Marco legal internacional e brasileiro

A conferencista relacionou a proposta europeia para o AI Act e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) brasileira, ressaltando a convergência entre ambos na exigência de que titulares possam solicitar revisão de decisões tomadas unicamente por algoritmos. Mencionou ainda a Carta de Direitos Digitais da Espanha (2021) como referência adicional em princípios de auditabilidade, explicabilidade e governança dos sistemas de IA.

Negociação coletiva como via de atualização normativa

Cristina Peduzzi enfatizou que a velocidade da inovação tecnológica supera o ritmo legislativo e judiciário. Nesse cenário, avaliou que a negociação coletiva tende a ser o instrumento mais ágil para pactuar limites no uso de IA, proteger direitos fundamentais e fornecer segurança jurídica a empregadores. Exemplificou com acordos firmados no setor de telecomunicações italiano que disciplinam algoritmos preditivos em centrais de atendimento, prevendo anonimização de dados e revisão humana.

Impactos em emprego e qualificação

Embora reconheça que funções repetitivas possam ser eliminadas, a ministra afirmou que a IA também gera novas demandas profissionais, sobretudo em alimentação, manutenção e auditoria de sistemas. Para ela, a política pública deve focar recapacitação da força de trabalho para funções de maior complexidade tecnológica, em vez de tentar restringir a adoção da automação.

Critérios para uso responsável

Ao final, Peduzzi citou requisitos que considera indispensáveis para a gestão algorítmica no ambiente laboral:

  1. Direito à informação e transparência sobre a lógica, a finalidade e os dados de treinamento dos algoritmos.
  2. Participação sindical na avaliação de riscos e na determinação de métricas de desempenho.
  3. Revisão humana obrigatória antes de decisões que afetem direitos do trabalhador, como admissões, promoções ou demissões.
  4. Mecanismos de contestação eficazes e auditabilidade periódica dos sistemas.

Bruna Fallani  / Linkedin

Membro do Conselho Consultivo com foco em varejo e consultoria

31.7.25

 E se o varejo mais inovador do Brasil não estiver nos shoppings? Uma pesquisa recente da NielsenIQ mostrou que o mercado de bairro já representa 1/3 do varejo brasileiro. Muito se fala das lojas conceito, das flagships instagramáveis e da digitalização do PDV. Mas existe um movimento silencioso — e profundo — acontecendo nas ruas das nossas cidades. É o renascimento do varejo de bairro: aquele que conhece o nome do cliente, entende o clima da comunidade e percebe mudanças de comportamento antes mesmo dos dashboards. Essas lojas, muitas vezes pequenas, são pontos de escuta ativa. Ali nasce uma inteligência valiosa: o que as pessoas sentem, pedem, deixam de comprar. Enquanto grandes marcas tentam mapear “tendências”, o pequeno varejo observa hábitos. Mais do que vender, ele se posiciona como espaço de confiança, rede de apoio e termômetro local. E quando essa escuta vira repertório — o que nasce é relevância.  Em um país continental como o Brasil, olhar para o pequeno varejo é entender nuances que nenhum relatório entrega sozinho.  E você? Tem um comércio de bairro que ocupa um espaço no seu coração? O que faz você escolhê-lo?

#VarejoDeBairro #ComércioLocal #InovaçãoNoVarejo #ShopperInsights #ExperiênciaDoCliente #RelaçãoComCliente #NielsenIQ #TendênciasDoVarejo #VarejoBrasileiro #EstratégiaDeVendas

25/07/2025 –

 

Entidade propõe ajustes técnicos com foco na previsibilidade e na redução dos custos operacionais

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) encaminhou à Receita Federal e ao Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) um conjunto de propostas para a regulamentação da Lei Complementar nº 214/2025, que implementa as mudanças previstas pela Emenda Constitucional nº 132/2023, no âmbito da reforma tributária sobre o consumo.

As sugestões da entidade visam eliminar as incertezas jurídicas, evitar a sobrecarga operacional e assegurar um ambiente tributário mais equilibrado e previsível, especialmente para as micro e pequenas empresas e os setores cujas particularidades merecem ser destacadas.

“Ao apresentar essas contribuições, a CNC busca colaborar para uma regulamentação técnica, legítima e voltada ao fortalecimento da economia nacional, reiterando seu compromisso institucional com a construção de um sistema tributário mais simples, justo e eficiente”, avalia o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros.

Foram apresentadas as seguintes propostas com os ganhos associados:

  • Simplicidade para o Simples Nacional: permitir apuração fora da guia única e garantir compensação de valores pagos.
  • Documento fiscal eletrônico unificado: com integração automatizada e adaptação por setor.
  • Proteção de dados nos programas de cidadania fiscal: com transparência nos critérios e diálogo com entidades.
  • Regras claras para glosas na saúde e redução de alíquota para medicamentos essenciais.
  • Reconhecimento de créditos em projetos ambientais e incentivos à economia verde.
  • Unificação de obrigações acessórias e previsibilidade nas normas fiscais.
  • Fortalecimento do diálogo institucional nos convênios entre entes arrecadadores.
  • Fiscalização orientadora e limites ao Regime Especial de Fiscalização (REF).
  • Segurança jurídica na compensação de créditos de PIS/Cofins e benefícios extintos.
  • Direito à ampla defesa na apuração e regularização de créditos tributários.

As contribuições consideram os desafios operacionais e os riscos de litígios que podem surgir com a implementação do novo sistema tributário. Para o consultor tributário da CNC, Gilberto Alvarenga, a regulamentação precisa assegurar a segurança jurídica e a coerência com os princípios constitucionais da reforma.

“As propostas apresentadas procuram garantir que a transição para o novo modelo não gere distorções para os contribuintes. Também defendemos a consulta pública obrigatória antes da edição de normas pelo Comitê Gestor do IBS, como forma de reforçar a legitimidade e a transparência do processo regulatório”, destaca ele.

A Confederação permanece à disposição da Receita Federal, do Comitê Gestor do IBS e de todas as autoridades envolvidas para aprofundar o diálogo técnico e institucional em prol do avanço da reforma tributária.

Redação
11/07/2025 09:10 |   M & C

Metade das pessoas afirmam ainda se sentir constantemente pressionadas com os próprios gastos

Mais da metade da população (51%) enfrenta alto estresse financeiro. É o que mostra a 8ª edição do Raio X do Investidor Brasileiro, pesquisa conduzida pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) em parceria com o Datafolha. As principais causas dessa pressão são a necessidade de aumentar a renda (84%), dificuldades para controlar as finanças (83%) e o esforço para cortar gastos supérfluos (72%). Metade das pessoas afirmam ainda se sentir constantemente pressionadas com os próprios gastos (confira o estudo na íntegra ao final desta reportagem).

A novidade desta edição do estudo é a criação de um índice de estresse financeiro desenvolvido pela Anbima para orientar os resultados desse bloco da pesquisa. Se antes os níveis de estresse eram baseados apenas na autopercepção dos entrevistados (baixo, médio ou alto estresse), o novo índice propõe uma análise mais abrangente, a partir das reações a 12 afirmações concretas, como “Estou sempre preocupado em aumentar a minha renda” e “Tenho muito cuidado em controlar minhas finanças”. O cruzamento entre as autodeclarações e o índice chama atenção para algumas discrepâncias, especialmente nos níveis médio e baixo: apenas 5% estão no grupo de menor estresse, embora 22% se considerem pouco estressadas; e 46% se enquadram no patamar intermediário, ainda que apenas 26% relatem se sentir dessa forma.

O levantamento mostra ainda uma ligação direta entre endividamento e estresse: um terço da população — cerca de 52 milhões de brasileiros — afirma ter alguma dívida em atraso em casa, seja própria ou de outro morador e, dessas pessoas, 66% declaram estar sob forte estresse financeiro. Entre quem não tem dívidas, o percentual é menor: 44%. O estudo revela ainda que as mulheres são as que mais lidam com a pressão financeira: 60% delas relatam alto estresse, ante 41% dos homens. Já no recorte geracional, os grupos em plena fase produtiva são os mais afetados: 57% dos millenials (entre 29 e 43 anos) e 53% da geração X (de 44 a 63 anos) relatam alto estresse financeiro. Já entre os boomers (com 64 anos ou mais), 39% dizem ter baixo nível de estresse.

“Parte importante do alto nível de stress relatado pelos entrevistados tem a ver com insuficiência de renda e a volatilidade do cenário socioeconômico. Basta notar o quanto o problema é mais acentuado nas classes C, D e E. Mas mesmo entre as pessoas mais ricas há uma parcela grande de brasileiros relatando altos níveis stress. Isso mostra que falta de educação financeira e planejamento também são fatores significativos para o desequilíbrio nas finanças e a deterioração da saúde financeira e mental”, diz Marcelo Billi, superintendente de sustentabilidade, inovação e educação da Anbima. Esta é a oitava edição da pesquisa. As entrevistas aconteceram entre os dias 4 e 22 de novembro do ano passado, com 5.846 pessoas em todo o país. A margem de erro é de um ponto percentual, para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%.

de Redação

 10 de julho de 2025

no Destaque do diaE-commerceNotíciasVarejo

A OLX é o marketplace com a maior porcentagem de desconfiança entre os consumidores, com 50%. Em seguida, aparece a Temu, com 36% dos consumidores declarando não confiar na plataforma para realizar compras. Logo atrás vem o AliExpress, com 29%. O levantamento é da Branddi e mostra também a Shopee (29%) e o Mercado Livre (28%) no ranking de desconfiança.

A pesquisa foi realizada com 500 brasileiros e revela que, segundo os entrevistados, os anúncios falsos em redes sociais são o tipo de golpe mais comum em seus círculos sociais (71%). Na sequência, aparecem os sites falsos que se passam por lojas oficiais (60%) e os e-mails ou mensagens que direcionam para portais piratas (52%).

“Quando uma marca é usada em um golpe, o cliente afetado geralmente associa essa experiência negativa à própria empresa, ainda que ela não tenha sido responsável pela fraude. Por isso, cuidar da presença digital vai além de uma questão técnica: é uma estratégia essencial de gestão da reputação e de confiança”, afirma Diego Daminelli, CEO da Branddi.

Considerando os golpes citados, que se configuram como concorrência desleal ao utilizarem a imagem de marcas para confundir os consumidores em ações fraudulentas, o Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) tem alertado a população sobre esse tipo de fraude. O órgão chama atenção para o uso de perfis falsos e de Inteligência Artificial como recursos para simular campanhas de empresas conhecidas, geralmente oferecendo produtos com preços abaixo do mercado ou vantagens irreais, com o objetivo de induzir o consumidor ao erro.

 

No entanto, mesmo após experiências negativas, muitos consumidores demonstram disposição para reavaliar suas decisões, desde que percebam uma postura responsável e transparente por parte das empresas.

Para 53% dos entrevistados, a implementação de medidas de proteção mais visíveis no site é o principal fator que aumentaria a credibilidade após um golpe. Outros 42% mencionaram a importância de um posicionamento público sobre o caso, e 42% valorizam o reforço da comunicação sobre fraudes nos canais oficiais.

Um ano depois de entrar em vigor, em 1º de agosto de 2024, a taxação sobre compras internacionais de até US$ 50 transformou o mercado de importados no Brasil, especialmente entre varejistas que se abastecem de itens de moda e acessórios de baixo valor agregado. Os dados mais recentes da Receita Federal mostram que, em junho, o volume dessas remessas caiu 31,7% em relação a julho de 2024 – último mês antes da cobrança começar –, passando de 18,6 milhões para 12,7 milhões de unidades. Quando analisado o valor transacionado, também houve recuo, embora em menor intensidade. Os dados, compilados pelo BTG Pactual, revelam que em junho deste ano o montante foi de R$ 1,29 milhão, 16,7% inferior ao registrado em julho de 2024 (R$ 1,55 milhão). “A queda no volume foi de 40% logo no primeiro mês após o início da taxação, e já sinalizava o que viria”, afirma o relatório assinado pelos economistas Luiz Guanais, Yan Cesquim e Pedro Lima.

Segundo o banco, a perda de vantagem de preço tem sido o principal fator por trás da retração. Em janeiro de 2024, a Shein operava com preços 40% inferiores aos praticados por concorrentes nacionais. Hoje, a diferença caiu para apenas 10%. A elevação do ICMS para 20%, anunciada pelo Comsefaz em abril, completou o aperto fiscal sobre essas transações, tornando o cenário ainda mais desafiador para as plataformas estrangeiras e exigindo novas estratégias das varejistas, entre elas a busca por fornecedores nacionais para compor os estoques.

A análise do BTG também lança luz sobre os efeitos da mudança regulatória nas empresas locais. Desde o terceiro trimestre do ano passado, redes como Renner, C&A e Guararapes vêm apresentando resultados acima das expectativas, com impulso direto da retração nas importações. O relatório destaca que a performance do varejo de moda surpreendeu no primeiro semestre, com ganhos consistentes de margem, melhor gestão de estoques e uma dinâmica de preços mais eficiente. “O setor segue resiliente, mesmo em um ambiente macroeconômico ainda incerto”, afirmam os analistas.

Na outra ponta, as plataformas internacionais começaram a redesenhar suas estratégias para o Brasil. Shein e Shopee têm investido na ampliação de marketplaces locais, nos quais vendedores brasileiros passam a operar diretamente – ou seja, dentro do país e fora do regime da Remessa Conforme. “A operação 1P dessas empresas vem perdendo participação no volume bruto de mercadorias (GMV)”, aponta o relatório, em referência ao modelo em que a própria plataforma importa e vende os produtos. A tendência acompanha o movimento global dessas empresas, que buscam mitigar riscos regulatórios e operacionais.

Essa transição representa uma inflexão estrutural no e-commerce. Se, até 2023, boa parte do crescimento de empresas como a Shein se sustentava na isenção de impostos para remessas de baixo valor, o novo ambiente força uma aproximação maior com os padrões do varejo tradicional. Para o consumidor, isso pode significar menor acesso a preços ultracompetitivos — e, para o mercado nacional, uma janela para consolidar participação em categorias antes dominadas por players asiáticos.

O balanço do primeiro ano da Remessa Conforme mostra, acima de tudo, que a combinação de taxação, fiscalização e adaptação regulatória foi eficaz em conter o avanço descontrolado das importações de pequeno valor. O que virá a seguir depende da capacidade das empresas (nacionais e estrangeiras) de se adaptar ao novo cenário. Como concluem os economistas do BTG, a concorrência segue elevada e deve continuar pressionando os varejistas menos estruturados, especialmente no comércio eletrônico.

REFLEXO NOS ACESSOS – Outro estudo, desta vez o Setores do E-commerce no Brasil, da Conversion, indica que o tráfego do consumidor no ambiente digital confirma a virada. Se em 2024 as plataformas estrangeiras lideravam os acessos, agora eles aparecem em terceiro lugar, com 9,1% do tráfego – atrás de moda (17,5%) e eletrodomésticos (11,2%). “O novo imposto sobre importações tem provocado mudanças importantes na forma como os brasileiros compram online”, diz o estudo. Segundo o levantamento, a perda de participação reflete a mudança na preferência por produtos nacionais e a maior atratividade de plataformas locais, menos sujeitas à taxa e com estratégias de marketing mais adaptadas. “O e‑commerce nacional vive um período de racionalização”, informa o estudo, reflexo de “consumidores mais criteriosos e planejados”.

Plataformas como Shein e AliExpress, que dominavam o tráfego de consumidores em busca de importados, ainda tentam equilibrar preços diante das novas dinâmicas do mercado. De acordo com a pesquisa, os e‑commerces chineses representaram 7% do total de acessos ao varejo digital em junho – um número modesto frente ao pico de 50% antes da taxação. “Com isso, nota-se que a sistematização da cobrança reduziu as compras por impulso e valorizou o mercado interno.”

Além da queda dos importados, houve também uma retração de 6,1% nos acessos relacionados a itens de beleza e cosméticos. Segundo a Conversion, o movimento pode estar ligado ao fim de ciclos promocionais e à mudança de comportamento digital das consumidoras, que estão migrando para compras em apps e marketplaces específicos. “O tráfego do e-commerce tradicional não capta integralmente o consumo digital brasileiro, que é fragmentado”, aponta o relatório. O desempenho negativo dos cosméticos contrasta com a alta de 4,5% registrada pela categoria em maio, o que reforça a volatilidade do segmento.

Fechando os dados de junho, o setor de casa & móveis registrou 10,6% de participação no total de acessos do mês, somando aplicativos e websites. Os destaques foram os móveis planejados e itens de escritório, o que indica uma adaptação do segmento às novas rotinas de trabalho híbrido e permanência em casa. “Alguns setores dependem mais da qualidade da navegação e da maturidade da jornada de compra”, diz o relatório. Para os analistas, o próximo grande desafio do e-commerce será manter a atratividade diante de um consumidor cada vez mais criterioso – e desconfiado dos preços inflados por algoritmos.

Fonte: agenciadcnews.com.br

Artur Grynbaum

Vice-presidente do Conselho do Grupo Boticário

Linkedin – 25.7.25

Tive a honra de ser um dos cinco empresários entrevistados para falar sobre empreendedorismo no Brasil em uma série em celebração aos 100 anos do jornal O Globo. Conversei com a jornalista Glauce Cavalcanti sobre a minha trajetória pessoal, nossa jornada no Grupo Boticário e sobre os desafios do empreendedorismo no país. Também pude responder a perguntas dos CEOs Diego Barreto (iFood), Pelerson Penido Dalla Vecchia (Grupo Roncador) e Alberto Kuba (WEG). Sempre muito bom trocar ideias.  Sou fã de quem empreende, porque é assim que se cria oportunidades de transformar o mundo. É o que fazemos há 48 anos com nossas lojas e franquias, com a venda direta e por meio de vários programas como o Empreendedoras da Beleza. Ao mesmo tempo, precisamos de uma maior preparação para o empreendedorismo, desenvolvendo uma visão mais fundamentada, com planos de ação que contemplem também o médio e o longo prazo! O povo brasileiro costuma ter muita iniciativa e pouca “acabativa”. Já ouvi muitos relatos de pessoas que se lançam a empreender sem estudar o mercado, os consumidores e a concorrência, e acham que o negócio irá de 0 a 100 no primeiro mês. Aí acabam se frustrando ou desistindo diante das dificuldades. Empreender não é somente ter uma boa ideia. É ter uma boa ideia, analisá-la e colocá-la em prática de forma firme e consistente. Link para a reportagem: https://lnkd.in/duPNbKcw

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) acompanha com atenção a Proposta de Emenda à Constituição (PEC 8/2025) em debate no Congresso Nacional que propõe a redução da jornada de trabalho de 44 horas para 36 horas semanais, respeitando o limite diário de 8 horas, sugerindo a escala 4×3 sem diminuição proporcional de salários. A medida surge em meio a discussões globais sobre qualidade de vida e novos modelos de trabalho.

A CNC reconhece a importância de iniciativas que busquem o bem-estar dos trabalhadores e maior equilíbrio entre vida pessoal e profissional. No entanto, alerta para os impactos que uma mudança dessa magnitude pode causar, especialmente em setores que operam com alta intensidade de mão de obra e que já enfrentam significativa carga tributária e trabalhista.

A adoção de uma jornada reduzida sem ajustes proporcionais pode elevar os custos operacionais das empresas, afetando a geração de empregos e a capacidade de manter estabelecimentos em funcionamento pleno. Isso poderia, paradoxalmente, comprometer os próprios objetivos da proposta, como a proteção ao trabalhador e o estímulo à economia.

A CNC defende que eventuais alterações na legislação trabalhista sejam amplamente debatidas com a sociedade e levem em conta as diferentes realidades do setor produtivo. Negociações coletivas, que respeitam as especificidades de cada atividade, são o caminho mais equilibrado para evoluir nas relações de trabalho sem comprometer a sustentabilidade das empresas e a manutenção dos empregos.

Ademais,  no entender da CNC, a redução proposta pelo legislador pode ensejar demissões e/ou retração na contratação de novos postos de trabalhos, principalmente nas microempresas e empresas de pequeno porte que, além de possuírem tratamento constitucional diferenciado, serão atingidas frontalmente, pois muitas delas contam com reduzido números de trabalhadores e baixo poder econômico para repor os postos de trabalho, na escala proposta pela PEC 8/2025.