O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) formalizou, nesta terça-feira (21/03/2026), importante acordo juntamente com representantes de trabalhadores e de empregadores, resultando na edição de uma nova norma regulamentar – Portaria nº 1.316/2026, que redefine as regras para o funcionamento de estabelecimentos comerciais em dias de feriados.

A medida restabelece o pleno vigor do controle sindical sobre a jornada de feriados no setor do comércio, alinhando-se diretamente ao que já prevê o artigo 6º-A da Lei nº 10.101/2000:

Art. 6º-A. É permitido o trabalho em feriados nas atividades do comércio em geral, desde que autorizado em convenção coletiva de trabalho e observada a legislação municipal, nos termos do art. 30, inciso I, da Constituição. 

Dessa forma, devem as empresas do setor estarem atentas sobre os limites e requisitos legais em relação a realização de trabalho de seus empregados em dias de feriados, para assim evitar a imposição de penalidades administrativas e ajuizamento de demandas trabalhistas de natureza coletivas ou individuais.

A partir da vigência desta nova regulamentação (22/07/2026), a decisão unilateral do empregador deixa de ser juridicamente suficiente para autorizar a abertura do comércio em feriados. Assim, para que os estabelecimentos operem nesses dias, indispensável o cumprimento dos seguintes requisitos:

Autorização por norma coletiva de trabalho (CCT/ACT): A abertura do estabelecimento em dias de feriado fica estritamente condicionada à autorização expressa em normatização coletiva, forma que os trabalhadores estejam assistidos por seu sindicato representativo de classe.

Definição de Condições de Trabalho: O instrumento coletivo deverá disciplinar expressamente as condições para a prestação dos serviços nos feriados, abrangendo a instituição de escalas, o regime de compensações e o pagamento de eventuais benefícios adicionais aos empregados.

A nova regulamentação resguarda as atividades que, pela sua natureza e relevância de utilidade pública, já contam com autorização legal e permanente para funcionar em feriados. Dessa forma, as novas restrições não se aplicam aos seguintes setores (cuja abertura permanece livre de prévia negociação coletiva para este fim):

Farmácias e drogarias;

Padarias, confeitarias e similares;

Postos de combustíveis e comércio de gás liquefeito de petróleo (GLP);

Hotéis, hospedarias e serviços correlatos;

Bares, restaurantes e lanchonetes;

Salões de beleza e barbearias;

Feiras livres e comércio de flores;

Agências de turismo e locadoras de veículos;

Lavanderias;

 

Serviços funerários, entre outros expressamente elencados na legislação trabalhista em vigor.

Importante salientar que a nova portaria do MTE trata de maneira exclusiva sobre o trabalho em feriados.

Desta forma, o funcionamento do comércio e a convocação de empregados aos domingos continuam permitidos e perfeitamente válidos, na medida em que são regidos pela legislação civil e trabalhista ordinária atualmente aplicável, permanecendo inalteradas as obrigações já praticadas pelas empresas.

Com o intuito de mitigar passivos e garantir a segurança jurídica das operações comerciais, recomenda-se a adoção imediata das seguintes providências:

 

Auditoria das Convenções Coletivas: Verificação imediata das cláusulas da CCT atualmente aplicável à categoria na respectiva base territorial, aferindo se há previsão ativa que autorize o trabalho nos feriados subsequentes.

Engajamento nos Sindicatos Patronais: Atuação ativa junto ao sindicato patronal representativo para que futuras negociações contemplem as necessidades operacionais e as especificidades logísticas das empresas de sua localidade.

Adequação Contratual e de Escalas: Planejamento das escalas de repouso e eventuais compensações de forma antecipada e em estrita consonância com o que estiver negociado coletivamente, de modo a resguardar a validade formal de todos os atos patronais.

A assessoria jurídica permanece à disposição para analisar instrumentos coletivos específicos e fornecer suporte direcionado às negociações de acordos corporativos.

Atenciosamente,

CASSIANO RICARDO RÉGIS

OAB-PR 29.067

História de João Nakamu

Ao olhar para os números e o cenário macroeconômico do país, o especialista em reestruturação Claudio Damasceno, sócio da RGF Bizdoc, afirma que há uma tendência de que o futuro reserve novos casos de reestruturação entre empresas do setor varejista.

A última notícia que colocou o mercado em polvorosa foi a da recuperação judicial das Casas Bahia.

Após anunciar um prejuízo de R$ 10 bilhões no segundo trimestre e o fechamento de 298 lojas, a companhia publicou na segunda-feira (17) um pedido de recuperação judicial.

Em fato relevante, a varejista apontou uma piora de suas condições financeiras, indicando que um ambiente macroeconômico desafiador marcado pela alta taxa de juros, a restrição do crédito, o aumento do custo financeiro e a pressão sobre consumo e capital de giro foram fatores relevantes para a tomada de decisão.

Outros casos recentes como Tok&Stok/Mobly e Marabraz mostram que o problema não está restrito a uma única companhia, enfatiza Ana Paula Tozzi, CEO da AGR Consultores.

“É possível que continuemos vendo processos de reestruturação, principalmente entre empresas muito alavancadas e dependentes de capital de giro. […] O cenário atual está fazendo uma seleção mais dura entre empresas com balanços saudáveis e geração de caixa e aquelas que dependem excessivamente de dívida para sustentar suas operações. Com dinheiro caro, ineficiências que antes ficavam escondidas aparecem muito mais rapidamente”, pontua Tozzi.

Com isso em mente, leitura a se fazer no momento não é apostar em nomes, e sim reconhecer um padrão, indica Damasceno.

“Onde houver crediário, estoque financiado e dívida cara, sob juros altos e concorrência do digital, haverá mais casos. O emblemático de amanhã será quem, como a Casas Bahia, demorar a trocar o modelo antes que a conta financeira o alcance”, observa o sócio da GRF Bizdoc.

Juros altos e inadimplência

Além de afetarem a margem das empresas, os juros altos pressionam o consumo das famílias.

“Juros elevados, crédito escasso, endividamento das famílias e perda de poder de compra pressionam o consumidor”, explica Tozzi.

Mais de 9,1 milhões de pessoas estão inadimplentes no país, patamar recorde na série histórica da Serasa Experian.

“A inadimplência afeta o varejo de duas formas. Primeiro, reduz a renda disponível das famílias e torna o consumidor mais cauteloso. Segundo, e talvez mais importante para alguns segmentos, restringe o acesso a novo crédito”, elenca a CEO da AGR.

“Isso impacta especialmente a compra de bens duráveis, como móveis, eletrodomésticos e eletrônicos, que têm tíquetes maiores e dependem muito do parcelamento. Com uma parcela relevante da população inadimplente ou endividada, o consumidor posterga compras, reduz o tíquete e aumenta a busca por preço e promoção”, conclui.

Damasceno ainda reforça que o varejista que depende da mecânica do crediário “paga a Selic duas vezes”.

“O cliente inadimplente é um cliente a quem não se pode mais vender a prazo — ou a quem se vende com provisão maior para perda. A inadimplência ataca, portanto, as duas pontas do balanço do varejista de crediário: reduz a venda e aumenta a perda com o crédito concedido”, aponta o especialista em reestruturação.

“Com o rotativo do cartão perto de 428% ao ano, o consumidor endividado paga a fatura antes de voltar à loja. Para o varejo físico de crediário — o modelo da Casas Bahia —, a inadimplência não é um vento contrário qualquer: é uma pressão sobre o próprio motor do negócio”, sublinha.

Crédito restrito

Para deteriorar ainda mais o cenário do setor, o acesso ao crédito pelas empresas foi dificultado por outro fator também.

“O caso Americanas […] quebrou a confiança dos bancos no crédito ao varejo. O que era um instrumento rotineiro passou a ser esquadrinhado: os credores ficaram mais exigentes com transparência e garantias, passaram a cobrar a real fotografia do endividamento, encareceram o spread do setor e encurtaram prazos”, afirma Damasceno.

“Para uma indústria que vive de capital de giro — comprar estoque, financiar o cliente —, crédito mais caro e mais escasso é um golpe estrutural. A Americanas não criou a crise do varejo, mas retirou a folga de crédito que mascarava balanços frágeis. Empresas que rolavam dívida com facilidade passaram a ter de mostrar geração de caixa real — e as que não a tinham foram empurradas para a reestruturação. O episódio elevou o custo de errar: no varejo pós-Americanas, o mercado deixou de financiar a esperança e passou a cobrar a cobertura.”

O caso Americanas aumentou significativamente a percepção de risco em relação ao varejo, reforça Tozzi, de modo que bancos, fornecedores e investidores passaram a analisar com maior rigor endividamento, risco sacado, antecipação de recebíveis, geração de caixa e capacidade de pagamento das varejistas.

“O crédito não desapareceu, mas ficou mais seletivo e mais caro principalmente para empresas já alavancadas. Depois da Americanas, passou a ser ainda mais crítico não apenas quanto uma empresa vende, mas como ela financia aquilo que vende e quanto efetivamente transforma essas vendas em caixa”, diz.

Com informações de Manuela Miniguini, da CNN Brasil

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Pela 1ª vez, elas são maioria entre os brasil

eiros com o nome negativado; avanço reflete mudanças no protagonismo feminino na renda dos lares

Reprodução/Freepik (freepik.com)

Mais do que um dado financeiro, o crescimento da inadimplência feminina revela o peso das mulheres na sustentação econômica das famílias

Em dez anos, o rosto do endividamento no Brasil mudou. E a mudança diz muito mais sobre transformação social do que sobre comportamento financeiro. Pela primeira vez na série histórica do Mapa da Inadimplência da Serasa, as mulheres viraram maioria entre os brasileiros com o nome negativado: são 40,4 milhões em 2026, contra 27,7 milhões em 2016, um crescimento de 46% em uma década. A participação feminina subiu de 49,76% para 50,51%. A balança virou.

O Brasil tem hoje 81,7 milhões de negativados, alta de 38,1% nos últimos dez anos. Quase metade desse grupo, 48%, tem renda de até um salário mínimo. E 42% já estavam negativados há uma década, o que revela um problema estrutural de difícil saída para boa parte da população.

Mas o dado feminino não é mais um número nessa estatística. É um retrato de uma transformação silenciosa e profunda, que começa a ser lida com mais clareza pelos analistas, pelas instituições e, aos poucos, pelas tecnologias de crédito.

As mulheres viraram maioria entre os endividados e o motivo importa

O dado central não emerge do nada. Ele é resultado direto de uma mudança na estrutura dos lares brasileiros.

Segundo levantamento do Índice de Vulnerabilidade Financeira Familiar (IBRE) da Fundação Getúlio Vargas (FGV) com dados da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua, as mulheres passaram a chefiar 51,7% dos lares brasileiros, o equivalente a 41,3 milhões de pessoas. Em 2012, essa proporção era bem menor: o crescimento foi de 87% em pouco mais de uma década. Ser referência financeira do lar significa responder por um conjunto maior de despesas. E, quando a renda não é suficiente para cobrir tudo, a dívida entra como solução de curto prazo.

Mas o dado de gênero carrega outras camadas. Entre as mulheres que chefiam lares, a taxa de participação no mercado de trabalho é de 22,6 pontos percentuais abaixo da dos homens que estão na mesma posição. O desemprego feminino é quase o dobro. A informalidade, maior: 40,3%. Mais da metade dessas mulheres é negra. E parte expressiva tem baixa escolaridade.

À frente de um negócio, as mulheres ganham, em média, 24% menos que os homens mesmo tendo, em geral, mais anos de estudo, segundo o Sebrae com base na PNAD Contínua. Mais responsabilidade, menos renda e crédito sempre um pouco mais difícil de acessar.

É nesse contexto, e não em “descontrole” ou “impulso de compra”, que se explica a virada nas estatísticas de inadimplência.

Na hora de priorizar as contas, escolha pagar primeiro aquelas que têm as taxas de juros maiores

Por trás do número: a mulher virou a provedora

A mulher chefe de família não é um perfil marginal. É a maioria dos lares brasileiros.

Ela acorda cedo, faz o café, leva os filhos para a escola, vai trabalhar, muitas vezes em mais de um emprego, sem carteira assinada, volta, faz o jantar, controla as contas e ainda tenta guardar alguma coisa para o mês seguinte. Quando o imprevisível acontece, uma doença, um conserto urgente, a perda de um cliente, o colchão financeiro raramente existe.

O resultado é que essa mulher, que sustenta a casa, também acaba sendo quem fica com o nome negativado quando os pagamentos não fecham. Não por descontrole. Por excesso de responsabilidade em um sistema que ainda não foi feito para ela.

E esse sistema tem um nome: o crédito tradicional costuma pedir holerite, contracheque e carteira assinada. Para quem vive de renda variável, faz o corre, vende por redes sociais ou cuida da família enquanto trabalha, o acesso ao  empréstimo pessoal quase sempre esbarra em portas fechadas. Nesses casos, um empréstimo pessoal na hora  certa com análise que considere a renda real pode ser a diferença entre resolver um imprevisto e ver a conta se acumular.

Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo

O desafio não é apenas acessar crédito, mas construir um sistema capaz de reconhecer quem há muito tempo sustenta a economia das famílias brasileiras

A força do outro lado: quem mais reage

O dado vem acompanhado de um outro dado, menos comentado: a mulher inadimplente tende a buscar resolver o problema mais rápido do que os homens, segundo levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Ela pesquisa as condições, migra para modalidades de juro menor e renegocia com mais agilidade.

E vai além disso. O Brasil tem hoje 10,4 milhões de mulheres empreendedoras, o maior número da série histórica, um crescimento de 42% entre 2012 e 2024, de acordo com o Sebrae. Quase metade delas, 49%, é a principal fonte de renda do lar. E 73% são mães, o que confirma a jornada dupla ou tripla que define o dia a dia de boa parte dessas trabalhadoras.

Essas mulheres também inovam: 71% usam redes sociais e aplicativos para vender, contra 63% dos homens. Mas o acesso limitado ao crédito, incluindo o empréstimo pessoal, ainda é um dos principais obstáculos apontados por elas para crescer.

A virada, portanto, não é apenas nos números do endividamento. É também na capacidade de reação. A mulher que virou maioria nas dívidas é a mesma que mais corre atrás de sair delas.

A tecnologia que enxerga quem sempre sustentou a casa

Durante muito tempo, o crédito no Brasil foi construído para um perfil específico: emprego formal, holerite, conta corrente em banco tradicional. Quem não se encaixava nesse molde ficava de fora, mesmo tendo renda, pagando as contas em dia e sustentando uma família inteira.

Inadimplência teve alta histórica em julho, atingindo 44,7% dos adultos brasileiros

Na região Sul, a proporção de negativados equivale a 40,6% da população adulta

O Brasil registrou o maior patamar de inadimplência de sua história em julho, com 75,08 milhões de brasileiros com cotas em atraso. O dado faz parte do Indicador de Inadimplência da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil. Este volume representa 44,7% da população adulta brasileira.

A variação anual observada em julho deste ano ficou acima da observada no mês anterior. Na passagem de junho para julho, o número de devedores cresceu 0,5%. Observando os resultados por região, o Sul apresentou a alta mais expressiva no número de inadimplentes na comparação anual, com crescimento de 10,7%, seguido pelo Norte (9,1%), Sudeste (6,5%), Centro‐Oeste (6,3%) e Nordeste (4,9%). Em relação ao número de dívidas, a maior alta também veio da região Sul (17,5%), seguida pelo Norte (16,2%), Sudeste (13,3%), Centro‐Oeste (12,5%) e Nordeste (10,8%). Em termos regionais, o maior percentual de inadimplentes está na região Norte, onde 48,6% da população adulta está incluída em cadastros de devedores. Por outro lado, na região Sul, a proporção de negativados equivale a 40,6% da população adulta.

“O consumidor enfrenta barreiras contínuas para se manter longe da inadimplência, o que impõe sérios desafios ao país e freia o dinamismo necessário para o crescimento econômico sustentável. Fica evidente que as medidas adotadas até o momento, como programas de renegociação de dívidas nos moldes do Desenrola, não têm sido suficientes para conter a expansão desse cenário adverso”, destaca o presidente da CNDL, José César da Costa.

Em julho de 2026, cada inadimplente devia, em média, R$ 5.205,30. Além disso, cada devedor possui dívidas com cerca de 2,34 empresas credoras. Os dados ainda mostram que quase três em cada dez consumidores (28,94%) tinham dívidas de valor de até R$ 500, percentual que chega a 41,16% quando se fala de dívidas de até R$ 1.000. No mesmo período, o número de dívidas em atraso no Brasil teve crescimento de 14,2% em relação ao mesmo período de 2025. O dado observado em julho deste ano ficou acima da variação anual observada no mês anterior. Na passagem de junho para julho, o número de dívidas apresentou alta de 1,1%.

Contas básicas ficam pendentes
Abrindo a evolução do número de dívidas por setor credor, destacou‐se a evolução das dívidas com o setor de água e Luz com crescimento de 22%, seguido de bancos (12,9%) e comunicação (12,6%) Em outra direção, as dívidas com o setor credor de comércio (‐0,5%) apresentaram queda no total de dívidas em atraso. Em termos de participação, o setor credor que concentra a maior parte das dívidas é o de bancos, com 65,9% do total. Na sequência, aparece água e Luz (10,6%) e comércio com 8,2% do total de dívidas.

“A escalada do endividamento reflete a dura realidade de quem tenta, sem sucesso duradouro, escapar da malha de contas em atraso A dificuldade em honrar compromissos essenciais aparece refletida diretamente nos dados de endividamento, com saltos expressivos justamente nas contas de serviços básicos — como água e luz, evidenciando que uma parcela significativa da população enfrenta barreiras severas apenas para manter a subsistência e o funcionamento do lar.”, destaca o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Júnior.

  • O Globo avalia que o avanço dos pedidos de recuperação judicial no varejo, envolvendo redes como Casas Bahia, Marabraz, Zinzane, Americanas, Tok&Stok, Mobly, Casa & Video e Le Biscuit, decorre da combinação entre juros elevados, endividamento recorde das famílias e maior concorrência do varejo digital. Entre janeiro e abril, foram 268 pedidos, somando 602 empresas, em linha com o recorde de 2025.

História de Manuela Miniguini

Mais de 9,1 milhões de CNPJs (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica) estão inadimplentes em junho de 2026, com dívidas acumuladas que chegam a R$ 232,9 bilhões em volume financeiro.

O número é 16,67% maior do que o registrado no mesmo mês de 2025 e recorde na série histórica iniciada em 2016.

Os dados são do último levantamento da Serasa Experian, e mostram que, em média, cada CNPJ possui uma dívida de R$ 25.508,96, com ticket médio de R$ 3.515,77 e acumulo de 7,3 contas em atraso.

Somente no mês de junho, as dívidas chegam a 66,2 milhões, quase 10 milhões a mais do que o mesmo período do ano anterior, e avanço de quase 1 milhão perante o mês de maio.

Do total de empresas, quantidade expressiva faz parte do grupo de micro e pequenas empresas. Em junho, 8,6 milhões desses CNPJs estavam negativados. O grupo concentrou 59,7 milhões de dívidas, que somaram R$ 201,4 bilhões.

Em média, cada micro e pequena empresa acumulou 6,9 contas inadimplidas, com dívida média de R$ 23.181,56 e ticket médio de R$ 3.370,47.

Ainda, a maioria das 9,1 milhões de empresas estão situadas em São Paulo (3.126.658), seguido por Minas Gerais (907.558) e Rio de Janeiro (874.385). Na sequência, aparecem Paraná (601.986) e Rio Grande do Sul (527.555).

Segundo a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, a crescente inadimplência pode estar relacionada às condições financeiras restritivas, pressionadas pela alta taxa de juros, que hoje está em 14%. O fator ainda é limitante para a melhora consistente do mercado de crédito.

“Ao mesmo tempo, a atividade econômica começa a apresentar uma desaceleração mais evidente, reduzindo o ritmo de geração de receita das empresas justamente em um momento em que muitas ainda enfrentam dificuldades para reorganizar seus passivos e recompor o fluxo de caixa”, afirma.

Das empresas analisadas, 55,7% pertencial ao setor de “Serviços”, enquanto os segmentos de “Comércio” (32,2%), “Indústria” (8,0%) e “Primário” (0,9%) aparecem em seguida.

Os dados mostram ainda que a composição da dívida é formada principalmente pela necessidade de financiamento da própria operação, o que, em um ambiente de crédito caro e restritivo, torna o cenário de administração de obrigações financeiras complexo.

Desde junho de 2025, os Bancos e Cartões continuam sendo parte relevante do setor da dívida – ocupando 19,5% da composição. Na sequência apareceram Cooperativas (8,4%), Utilities (6,9%) e Telefonia (6,0%). Serviços, por sua vez, ainda é o que mais pesa para inadimplência, com 31,6%.

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Em manifesto aos parlamentares, presidente José Roberto Tadros dimensiona impacto nos postos de trabalho e denuncia concorrência desleal contra o varejo brasileiro

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) encaminhou, nesta quarta (12), a deputados e senadores, um manifesto formal solicitando a rejeição integral da Medida Provisória nº 1.357/2026. O documento, assinado pelo presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, adverte que a permanência da alíquota zero do Imposto de Importação para compras internacionais de até US$ 50 reabre um cenário grave de concorrência desleal, fragilizando a atividade econômica interna e a geração de empregos formais no Brasil.

Na Carta Circular protocolada no Legislativo, Tadros ressalta que a apreciação da matéria pelos congressistas não pode se limitar ao valor da mercadoria na tela do consumidor, mas deve considerar o impacto sistêmico em quem produz e comercializa dentro do território nacional.

“A redução de tributos sobre importações deve ser avaliada com cautela, considerando seus efeitos em empresas que geram empregos, realizam investimentos e cumprem as obrigações tributárias, trabalhistas, regulatórias e consumeristas brasileiras”, destaca o presidente da CNC na mensagem aos parlamentares. Confira a carta na íntegra, ao final do texto.

A manifestação é subsidiada por dados do relatório técnico-econômico da Gerência de Economia e Análise de Dados da CNC (Geade). O levantamento comparou a tributação aplicada no regime geral — pago pelas empresas sediadas no País — frente ao regime de remessas internacionais.

Leia mais: CNC pede rejeição da MP que zera imposto sobre compras internacionais de até US$ 50

Quantificando o risco

Considerando os 22 produtos mais importados, a carga tributária média suportada pelo mercado nacional é de 76,48%, enquanto nas plataformas do Remessa Conforme a carga fixou-se em 25%, revelando uma disparidade recorrente de 51,48 pontos percentuais em prejuízo do setor produtivo brasileiro. Em itens representativos como consoles de videogame e calçados esportivos, a diferença tributária chega a 62,2 e 59,2 pontos percentuais, respectivamente.

O estudo comprova ainda a efetividade da cobrança do imposto no período anterior: a mitigação da assimetria fiscal impulsionou o faturamento do varejo em cerca de R$ 3 bilhões por mês e estimou o potencial de criação de 98,9 mil empregos formais entre agosto de 2024 e dezembro de 2025. Destaque para os segmentos de tecidos, vestuário e calçados (+2,8 mil postos/mês) e artigos de uso pessoal e doméstico (+3 mil postos/mês), sem qualquer registro de pressão inflacionária repassada ao consumidor.

Ação no STF

A ofensiva legislativa soma-se à atuação jurídica da Confederação, que já protocolou no Supremo Tribunal Federal a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 7.974) contra a MP 1.357/2026 e a Portaria MF 1.342/2026. A entidade aponta vício de inconstitucionalidade formal por falta de urgência e alerta que a isenção estimula fraudes de subfaturamento e fracionamento artificial de remessas.

Com a tramitação da matéria na comissão mista do Congresso Nacional, a CNC reforça o apelo aos líderes partidários e parlamentares para que votem pela rejeição da Medida Provisória, restabelecendo a neutralidade fiscal e a proteção do mercado de trabalho nacional.

No Diário de São Paulo, a coluna Esplanada registra que o coordenador da Comissão Externa do Brasil Legal, deputado Julio Lopes (PP), tem em mãos dados fortes sobre bet. O conteúdo mostra que plataformas de apostas tiraram, entre 2023 e março de 2026, R$ 143 bilhões do comércio varejista, equivalente ao faturamento de dois Natais, segundo estudos da CNC.

Site CNC

Recuperação dos supermercados e hipermercados contribuiu para o resultado da PMC do IBGE, mas análise da Confederação aponta que juros elevados e endividamento das famílias ainda limitam o desempenho do comércio

O varejo brasileiro no mês de junho cresceu mais do que o esperado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A alta de 0,5% nas vendas, divulgada nesta quinta-feira (13) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), superou a projeção de 0,1% feita pela CNC, com resultado impulsionado principalmente pela recuperação dos supermercados e hipermercados, que avançaram 1,1% após recuarem 1,4% em maio. Os dados são da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC).

O varejo restrito apresentou crescimento de 0,5% na comparação com maio, que teve a alta revisada para 0,3%. O resultado ficou acima da projeção de 0,1% da CNC.

Com o resultado, o índice de volume do varejo chegou a 109,7 pontos, ficando 0,7% abaixo do recorde registrado em março. Na comparação com junho de 2025, o comércio avançou 2,9%. No acumulado do primeiro semestre, a alta foi de 1,9%, enquanto o crescimento em 12 meses ficou em 1,6%.

Apesar do resultado positivo na comparação mensal, a média trimestral apresentou retração de 0,3%, sinalizando que a recuperação ainda não está consolidada. Para a CNC, o desempenho do comércio segue marcado por diferenças importantes entre os segmentos.

Supermercados puxam recuperação
Entre os oito grupos pesquisados no varejo restrito, quatro registraram crescimento em junho. O principal destaque foi o segmento de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, que avançou 1,1%, após recuo de 1,4% em maio.

Por representar o grupo de maior peso na pesquisa, a recuperação foi decisiva para o resultado geral. Na comparação anual, o segmento respondeu por 1,2 ponto percentual dos 2,9% de crescimento do varejo restrito.

A análise da CNC destaca ainda que os preços da alimentação no domicílio recuaram 0,39% em junho, após alta de 1,65% em maio. A menor pressão sobre o orçamento das famílias contribuiu para a recuperação do volume de vendas, embora esse movimento ainda deva ocorrer de forma gradual.

Também registraram alta outros artigos de uso pessoal e doméstico (2,4%), móveis e eletrodomésticos (0,4%) e artigos farmacêuticos (0,2%). Este último segmento completou 40 meses consecutivos de crescimento na comparação anual.

Quatro segmentos registram queda
Na outra ponta, quatro atividades apresentaram retração em junho. Livros, jornais, revistas e papelaria tiveram queda de 9,9%; tecidos, vestuário e calçados recuaram 2,6%; combustíveis e lubrificantes diminuíram 1,7%; e equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação registraram baixa de 1,3%.

Segundo a análise da CNC, o resultado de livros, jornais, revistas e papelaria deve ser observado com cautela, em virtude do tamanho reduzido e da volatilidade do segmento. A atividade havia registrado alta de 16,1% em maio. No caso do vestuário, a queda de 2,6% ocorreu mesmo com retração de 2,2% nos preços implícitos.

Varejo ampliado recua pelo terceiro mês

O varejo ampliado apresentou queda de 1,0% em junho, configurando a terceira retração consecutiva. A média trimestral ficou em -0,7%, enquanto o crescimento acumulado em 12 meses foi de apenas 0,8%.

O resultado foi influenciado principalmente pelo desempenho de veículos, motocicletas, partes e peças, que recuaram 1,5%, e de materiais de construção, com queda de 3,5%. Em 12 meses, esses segmentos acumulam perdas de 1,2% e 1,8%, respectivamente.

Para o economista da CNC João Vitor Gonçalves, o desempenho mais fraco das atividades envolvem compras de maior valor em ambiente de crédito ainda restritivo. “A taxa Selic encerrou junho em 14,25%, enquanto a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da CNC, apontou que 81,6% das famílias estavam endividadas e 29,9% tinham contas em atraso. Nesse cenário, o custo do crédito e o comprometimento do orçamento reduzem o espaço para aquisições de maior valor”, observa.

Perspectivas para os próximos meses

Para julho, a CNC projeta crescimento de 0,6% no volume do varejo restrito, com ajuste sazonal. Para 2026, a projeção é de alta de 21%.

A análise ressalta, contudo, que o cenário econômico brasileiro ainda aponta desaceleração. “O desempenho do comércio permanece heterogêneo entre os diferentes setores, com características específicas de cada atividade influenciando os resultados. O elevado endividamento das famílias e os efeitos defasados dos juros devem continuar limitando principalmente as atividades mais dependentes de crédito”, complementa Vitor Gonçalves.

MONITOR 2026 / redação GBLJeans

No primeiro semestre, o vestuário trazido de fora acumulou alta de 7,8% sobre 2025, alcançando US$1,5 bilhão

Embora o volume de comércio internacional do setor têxtil brasileiro tenha crescido no primeiro semestre de 2026, o saldo final da balança comercial acendeu o alerta ao registrar déficit ainda maior. O resultado negativo da cadeia totalizou US$498,7 milhões nos primeiros seis meses do ano, que representa avanço em relação ao prejuízo de US$399,7 milhões registrado no mesmo período de 2025.

A venda de algodão continua como principal motor das exportações têxteis brasileiras em 2026, somando US$2,79 bilhões, alta de 12,5% na comparação com o primeiro semestre de 2025. Por outro lado, o mercado interno segue pressionado pela forte entrada de roupas importadas, que saltaram de US$1,16 bilhão no primeiro semestre do ano passado para US$1,52 bilhão no acumulado de janeiro a junho de 2026.

O segmento de denim mostrou resiliência nas exportações no primeiro semestre de 2026, registrando forte crescimento em junho, embora o acumulado do semestre ainda aponte para retração de 6,70%. No entanto, o ponto crítico do setor está nas importações. A entrada de denim estrangeiro multiplicou por oito no acumulado dos primeiros seis meses em comparação ao ano anterior, ainda que o volume total fique muito abaixo do mercado de roupas prontas.

→ Exportações têxteis: US$3.263.636.393 (Em 2025: US$ 2.962.376.628)

→ Importações têxteis: US$3.762.390.005 (Em 2025: US$ 3.362.078.240)

→ Exportação Algodão: US$2.793.254.399 (Em 2025: US$ 2.483.577.609)

→ Importação Algodão: US$2.434.334 (Em 2025: US$ 3.508.642)

→ Exportação Roupas: US$101.506.656 (Em 2025: US$ 95.626.051)

→ Importação Roupas: US$ 1.527.656.793 (Em 2025: US$ 1.167.476.229)

→ Exportação Denim: US$21.895.625 (Em 2025: US$ 23.469.351)

→ Importação Denim: US$3.225.244 (Em 2025: US$ 407.547)

EXPORTAÇÃO DE JUNHO: DENIM AVANÇA 75%

No recorte mensal da balança comercial de 2026, o total têxtil exportado deu um salto significativo de 51% sobre junho de 2025. Mas caiu 18% em relação ao mês anterior, de maio, puxada para baixo por algodão e roupas. Em contrapartida, os embarques de denim brasileiro ganharam tração em junho. Subiram 75% frente a maio de 2026 e 14% sobre junho de 2025. Já o ritmo das exportações de vestuário diminuiu na casa dos 2% tanto na comparação com o mês anterior quanto no confronto com junho de 2025. Principal motor da balança comercial têxtil do Brasil, a exportação de algodão em junho caiu 26,65% sobre maio e caiu 2,2% em relação a junho de 2025.

IMPORTAÇÃO DE JUNHO: PRESSÃO DAS ROUPAS ESTAGNA

A entrada de têxteis estrangeiros deu uma leve trégua e cedeu apenas 0,93% na comparação com maio, fechando junho em US$555,2 milhões. Não desativa, porém, o alerta do setor. O mercado de roupas importadas continuou a operar no patamar de US$206,9 milhões no mês. Valor representa sutil recuo de 2,66% sobre maio, mas mantendo alta de 31% em relação a junho de 2025. Em junho, houve descompressão na compra de algodão (-8,33% sobre maio) e de denim (-70% sobre maio).

Para detalhes sobre os valores de junho consulte a tabela interativa abaixo, que abrange a variações mensais de cada segmento da cadeia têxtil.

NAVEGUE PELO PAINEL

Acompanhe o monitoramento contínuo dos fluxos de comércio exterior da cadeia têxtil e de confecção brasileira. O painel interativo abaixo consolida dados mensais que costumam ficar dispersos nas plataformas oficiais de comércio exterior. A plataforma utiliza como base os dados oficiais do Comex Stat (MDIC), cobrindo desde a exportação de fibras e matérias-primas até a importação de vestuário.

Consulte também a base histórica que abrange a Balança Comercial 2024 e a Balança Comercial 2025.

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