Raquel Brandão

Publicado em 9 de fevereiro de 2023, 19h45  / EXAME

O quarto trimestre da administradora de shoppings centers Multiplan (MULT3) concluiu o ano de 2022 com números recordes, refletindo a melhora do setor. De outubro a dezembro, o lucro líquido da companhia cresceu 11,9%, para R$ 239 milhões, impulsionado pelo avanço de 19% na receita bruta. No ano, o lucro líquido saltou nada menos que 69%, para R$ 769 milhões. A empresa também anunciou a troca de comando, com Eduardo Kaminitz Peres como novo CEO.

A receita líquida da companhia cresceu 15%, para R$ 512 milhões, enquanto, no ano, avançou 39,3%, para R$ 1,82 bilhão. Parte relevante desse avanço veio da venda de imóveis, mas a receita de estacionamento, de locação e de serviços, que são muito mais recorrentes, tiveram avanço importante: 49,9%, 34,9% e 37,7%, respectivamente.

 

Em 2022, as vendas dos lojistas terminaram o ano com um quarto trimestre recorde de R$6,3 bilhões, o que levou ao maior resultado anual já obtido pela companhia: R$20,0 bilhões. “O aumento de 37,1% vs. 2021, mais uma vez, reafirma a qualidade do portfolio da companhia. Todos os shoppings da Multiplan apresentaram um crescimento de dois dígitos sobre as vendas de 2021.” Quando comparadas com 2019, as vendas dos lojistas cresceram 22,8%.

Lucratividade

Apesar do avanço de 31%, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de R$ 374,56 milhões no quarto trimestre ficou abaixo da previsão do mercado. O BTG Pactual, por exemplo, previa um Ebitda de R$ 411,7 milhões. No ano, avançou 58%, para R$ 1,28 bilhão.

O resultado operacional líquido (NOI) da Multiplan aumentou 19,9%, para R$ 463,6 milhões. A margem NOI ficou em 89,6%, 1,5 ponto percentual acima do quarto trimestre do ano anterior. No ano, chegou a R$ 1,56 bilhão, 39,5% maior do que em 2021 e margem ficou 2,09 pontos maior em 87,9%. A margem NOI é um indicador de desempenho e eficiência para os imóveis que geram renda e muito observado pelos investidores do setor.

Lojas novas

No quarto trimestre, a Multiplan apresentou um turnover de 1,2% do total da ABL administrada (9.229
m2), o que corresponde a 107 novas lojas, todas elas lojas satélites.

O portfólio de shoppings centers da Multiplan apresentou uma taxa de ocupação média de 95,2% no trimestre, abaixo do quarto trimestre de 2021.

O custo de ocupação dos lojistas foi de 13,2% no quarto trimestre e 13,9% em 2022, aumentando leve aumento em comparação aos mesmos períodos de um ano antes.

“É válido ressaltar que, no quarto trimestre, o custo de ocupação dos lojistas atingiu o nível mais baixo do ano, mantendo a sazonalidade do quarto trimestre. As iniciativas bem sucedidas que centravam-se na redução dos encargos comuns, além das vendas mais elevadas, contribuíram para a redução da participação dos encargos comuns no custo de ocupação em todos os trimestres de 2022.”

 

Novo CEO

Com a troca de comando, sai José Isaac Peres, fundador da Multiplan, e entra Eduardo Kaminitz Peres como CEO. Eduardo entrou na companhia em 1988. Desde 2006, além de membro do conselho de administração, assumiu a vice-presidência de operações.

José Isaac assumirá a presidência do conselho da Multiplan e o atual chairman, José Paulo Ferraz do Amaral, seguirá como integrante. O assunto será votado em assembleia geral extraordinária (AGE) convocada para 3 de março.

Reunião entre o presidente nacional da OAB, Beto Simonetti, o ministro Dias Toffoli, e representantes da Fazenda Nacional formalizou acordo para a controvérsia em torno do voto de qualidade como critério de desempate em julgamentos do Carf – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nesta terça-feira, 14, no STF. O critério foi estabelecido pelo governo Federal por meio da MP 1.160/23 e havia sido contestado pela OAB na ADIn 7.347.

 

Além de Toffoli e Simonetti, participaram o membro honorário vitalício do Conselho Federal da OAB, Marcus Vinicius Furtado Coêlho; o ministro da Fazenda, Fernando Haddad; a procuradora-geral da Fazenda Nacional, Anelize Almeida; e o secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas.

 

O conteúdo do acordo foi inserido em petição com pedido de medida cautelar pela OAB. Entre os itens estão a exclusão de multas e o cancelamento da representação fiscal na hipótese de julgamento de processo administrativo fiscal resolvido favoravelmente à Fazenda Pública pelo voto de qualidade. A medida vale, inclusive, para casos já julgados pelo Carf e ainda pendentes de apreciação do mérito pelo TRF competente.

 

O acordo também prevê que na hipótese de julgamento de processo administrativo fiscal resolvido favoravelmente à Fazenda Pública pelo voto de qualidade, nas hipóteses descritas, e desde que haja a efetiva manifestação do contribuinte para pagamento no prazo de 90 dias, serão excluídos, até a data do julgamento, os juros de que trata o art. 13 da lei 9.065/95.

 

Agora, a expectativa é de que o Congresso promova as mudanças no texto da MP, tendo como base o acordo firmado entre Fazenda, OAB e outras instituições que participaram das discussões.

 

 

Reunião entre OAB, ministro Toffoli e Fazenda Nacional.(Imagem: Nelson Jr./SCO/STF)

Confira abaixo os itens do acordo e leia aqui na íntegra:

 

i. Ficam excluídas as multas, e cancelada a representação fiscal para fins penais de que trata o art. 83 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, na hipótese de julgamento de processo administrativo fiscal resolvido favoravelmente à Fazenda Pública pelo voto de qualidade a que se refere o § 9o ,do art. 25, do Decreto 70.235/1972, inclusive para os casos já julgados pelo CARF e ainda pendente de apreciação do mérito no tribunal regional federal competente.

 

ii. Na hipótese de julgamento de processo administrativo fiscal resolvido favoravelmente à Fazenda Pública pelo voto de qualidade, a que se refere o § 9º do art. 25, e desde que haja a efetiva manifestação do contribuinte para pagamento no prazo de 90 dias, serão excluídos, até a data do julgamento, os juros de que trata o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995.

 

a) O pagamento mencionado poderá ser realizado em até 12 parcelas, mensais e sucessivas, corrigidas nos termos do art. 13 da Lei nº 9.065, de 1995, e abrangerá o montante principal do crédito tributário.

 

b) No caso de não pagamento nos termos do caput ou de inadimplemento de qualquer das parcelas previstas no parágrafo anterior serão retomados os juros de que de que trata o art. 13 da Lei nº 9.065, de 1995.

 

c) Para efeito do disposto na alínea a), admite-se a utilização de créditos de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL de titularidade do sujeito passivo, de pessoa jurídica controladora ou controlada, de forma direta ou indireta, ou de sociedades que sejam controladas direta ou indiretamente por uma mesma pessoa jurídica, apurados e declarados à Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil, independentemente do ramo de atividade.

 

d) O valor dos créditos de que trata a alínea c) será determinado, na forma da regulamentação:

 

I – por meio da aplicação das alíquotas do imposto sobre a renda previstas no art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, sobre o montante do prejuízo fiscal; e

 

II – por meio da aplicação das alíquotas da CSLL previstas no art. 3º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, sobre o montante da base de cálculo negativa da contribuição.

 

e) A utilização dos créditos a que se refere alínea c) extingue os débitos sob condição resolutória de sua ulterior homologação.

 

f) A Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil dispõe do prazo de 5 (cinco) anos para a análise dos créditos utilizados na forma da alínea c).

 

g) O disposto no item ii) aplica-se exclusivamente à parcela controvertida, resolvida pelo voto de qualidade, no âmbito do CARF.

 

h) Não optando pelo pagamento na forma descrita, os créditos

 

definitivamente constituídos serão encaminhados para inscrição em dívida ativa da União em até 30 (trinta) dias e:

 

I – não incidirá o encargo de que trata o art. 1º do Decreto-lei nº 1.025, de 21 de outubro de 1969; e

 

II – será aplicado o disposto no art. 25, §9º-A.

 

i) No curso do prazo de 90 dias do item ii), os créditos tributários objeto de negociação não serão óbice à emissão de certidão de regularidade fiscal, nos termos do artigo 206 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966.

 

j) O pagamento mencionado na alínea a) compreende o uso de precatórios para amortização ou liquidação do remanescente, na forma do art. 100, §11, da Constituição.

 

iii. Os créditos inscritos em dívida ativa da União em discussão judicial que tiverem sido resolvidos favoravelmente à Fazenda Pública pelo voto de qualidade poderão ser objeto de proposta de acordo de transação tributária específica, de iniciativa do sujeito passivo.

 

a) O Procurador-Geral da Fazenda Nacional regulamentará o disposto no item

 

iii), inclusive para prever que a possibilidade de transação levará em conta o prognóstico do risco judicial de cada processo, observando as disposições do art. 25, §9º-A e do art. 25-A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972

 

iv. A apresentação de garantia aos créditos resolvidos favoravelmente à Fazenda Pública pelo voto de qualidade previsto no artigo 25, §9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, suspenderá todos os atos de cobrança da dívida.

 

a) Fica autorizada a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional a pactuar a apresentação de garantia judicial pelo sujeito passivo de acordo com o perfil de conformidade e capacidade de pagamento, nos termos de regulamentação a ser editada.

 

Informações: OAB / Migalhas / 15/02/23

Redação O Antagonista

09/02/23 09:56
Apesar do desempenho ruim no último mês de 2022, o índice fechou o ano com alta de 1%, segundo o IBGE

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O volume de vendas do comércio varejista caiu 2,6% em dezembro e registrou o segundo mês consecutivo de queda. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (9) pelo IBGE.
Apesar do desempenho ruim no último mês de 2022, o índice fechou o ano com alta de 1%. Já em relação a dezembro de 2021, o avanço foi de 0,4%.

Segundo o IBGE, sete dos oito grupos pesquisados registraram atividade negativa, com destaque para tecidos, vestuário e calçados (-6,1%), artigos de uso pessoal e doméstico (-2,9%), combustíveis e lubrificantes (-1,6%) e móveis e eletrodomésticos (-1,6%). No comércio varejista ampliado – que inclui veículos, motos, partes e peças e material de construção – o comércio varejista teve alta de 0,4% em dezembro, mas acumulou queda de 0,6% em 12 meses.

 de Redação / 31 de janeiro de 2023

 

Diante de um cenário turbulento com inflação, guerra e crises políticas, os consumidores que estavam otimistas com a perspectiva pós-covid revisaram suas prioridades e reduziram as despesas, segundo a pesquisa Consumer Pulse, da Bain & Company, com a 9.765 pessoas em seis países latino-americanos.

Entre os brasileiros, mais de 90% dos entrevistados perceberam aumento nos preços nos últimos três meses, 70% já estão reduzindo suas despesas, enquanto outros 15% planejam reduzi-las. Aqueles que estão apertando os cintos apontaram como estratégia iniciativas como comer menos fora ou com delivery, economizar energia, comprar menos roupas e reduzir a conta de supermercado, optando por marcas mais baratas e redução no consumo de alguns itens.

No sentido contrário, o corte não afeta as férias: elas aparecem em menos de 5% das respostas de que deseja reduzir gastos e somente 3% dos entrevistados indicaram ter cancelado o descanso.

O estudo indica ainda que os consumidores estão cada vez mais conscientes de seu bem-estar, considerando a saúde mental como a principal preocupação no pilar de saúde: 80% dos consumidores brasileiros que reportaram estar preocupados com sua própria saúde mental, 54% indicam a situação financeira como o principal fator de tensão.

Mudança de hábitos

Os hábitos desenvolvidos ao longo da pandemia persistem e impactam na forma como os consumidores passam o tempo em casa. O home office já é uma realidade para mais de 60% dos participantes da pesquisa. No último mês, mais de 50% dos consumidores brasileiros trabalharam de casa pelo menos 1 dia por semana e 18% trabalharam pelo menos 5 dias por semana.

Além de gostarem de passar tempo em casa e praticar atividades como leitura, jardinagem e cozinhar, a maior preocupação com o aumento do custo de vida fez com que os consumidores passassem a ponderar ainda mais o custo na decisão de sair de casa. Mais de 60% indicaram que, para economizar, têm consumido bebida alcoólica mais em casa do que em bares. Enquanto isso, 44% dos consumidores que buscam reduzir as despesas estão passando a realizar mais atividades em casa, como uma alavanca de economia.

Outra descoberta do estudo é que os consumidores se conscientizaram das desvantagens relacionadas ao uso excessivo dos meios digitais e estão tentando se afastar das atividades digitais. Mais de 20% dos entrevistados buscam reduzir o tempo gasto nesses meios, com destaque para a geração Z, onde 30% mencionam esse desejo.

No ano passado os shoppings brasileiros faturaram pouco mais de R$ 191 bilhões, o que representa crescimento nominal de 20% sobre 2021. Esse valor é praticamente o mesmo de 2019, quando as vendas em centros comerciais brasileiros chegaram perto de R$ 193 bilhões. Se considerarmos a inflação do período, na prática, o faturamento ainda não voltou aos níveis pré pandemia.

O mesmo acontece com o tráfego de pessoas. Em 2019 o fluxo médio nos shoppings brasileiros foi de 502 milhões de visitas mensais. Em 2022 esse número ficou em 443 milhões, índice 12% menor, portanto, do que na época em que a economia andava melhor e o home office não havia se tornado tão presente.

Ao final do ano passado havia no país 628 shoppings, contando com as 8 inaugurações ocorridas em 2022.Para esse ano são esperadas aberturas de 15 novos empreendimentos.

A Abrasce projeta crescer neste ano menos, algo como 14,6%!

(Todos esses dados são da ABRASCE – Associação Brasileira de Shopping Centers / 07/02/23)

Com renda de R$ 4.215 por habitante, Florianópolis lidera ranking da FGV Social, seguida por Porto Alegre. Curitiba é a quinta colocada

REDAÇÃO / AMANHA  14/02/2023

A capital catarinense encabeça o estudo feito pela FGV Social

 

Onde estão os mais ricos no Brasil? Como a pandemia afetou a desigualdade geral e a distribuição geográfica da riqueza da nação? Qual é a verdadeira desigualdade brasileira se levarmos em conta o topo da distribuição de renda que só o imposto de renda permite aproximar? Estas são algumas perguntas que foram respondidas com a nova pesquisa Mapa da Riqueza, desenvolvida pelo FGV Social.

Em um dos recortes, o estudo da FGV Social usou dados de rendimentos declarados no Imposto de Renda divididos pelo total da população. Com isso, pode fazer, por exemplo, a renda por habitante das 27 capitais brasileiras. O Sul ficou, mais uma vez, muito bem representado, pois as três capitais estão entre as cinco primeiras. Com renda de R$ 4.215 por habitante, Florianópolis é a capital brasileira mais rica do país. São Paulo, que ocupava a segunda posição em 2019, cai para quarta em 2020 e foi ultrapassada por Porto Alegre, que passa a ser a segunda mais rica e Vitória a terceira. Curitiba é a quinta. Veja o ranking completo a seguir.

 

MINUTO VAREJO

 – Publicada em 17 de Janeiro de 2023 às 21:20  JC P.Alegre

PATRÍCIA COMUNELLO/ESPECIAL/JC

Um tema pediu espaço no palco da NRF Retail’s Big Show em Nova York em 2023. Em meio a estratégias, trunfos e dores de grandes marcas com produtos novos, a revenda (resale, em inglês) despontou e demarcou terreno como segmento que deve ganhar mais e mais relevância, com exemplos de empresas que estão crescendo surfando uma onda de adoção pelos consumidores. Da gigante sueca Ikea a startups de varejo, exemplos de operações e inclusão de usados no modelo de negócio desfilaram na feira, que se encerra nesta terça-feira (17) no Jacob Javits Center. “Foi a principal novidade da NRF 2023”, atesta o vice-presidente da CDL Porto Alegre, José Resende, atentando para atrativo para fluxo e para elevar a receita, além do fator sustentabilidade.

A projeção é que o resale movimente US$ 300 bilhões até 2031 no mundo. Empresas que atuam no modelo foram provocadas a explicar o modelo e a responder o que os consumidores estão dispostos a comprar. Lee Peterson, vice-presidente da WD Partners, mostrou que 74% das pessoas compram devido ao preço. Mas um foco para lojistas é o fluxo para pontos de venda e consequentemente mais caixa, em novas vendas. Sarah LaFleur, fundadora e CEO da La Fleur, que atua com roupas, diz que clientes recebem bônus ou dinheiro na venda do usado. “Cerca de 70% usam o dinheiro para compra e, quando gastam, o valor é quatro vezes maior que o crédito que receberam”, diz Sarah.

Antes disso ainda, a CEO da La Fluer disse que é mito que os mais jovens que mais se interessam pelo resale e dá uma dica: “Ao comprarmos de alguém que compra a nossa marca, isso gera empatia”. Relacionamento com os shoppers (consumidores) e ainda atuar no lado da cadeia de suprimento. Liz Hershfield, gerente de sustentabilidade do Crew Group e vice-presidente de abastecimento da Madewell, reforçou o foco em gerar processos sustentáveis. A marca abriu uma loja física para reforçar a educação das pessoas. “Como cuidar da roupa, fazemos parceria com as marcas, colocamos alfaiate para ensinar. O sucesso não é só na venda, mas para gerar engajamento”, resume Liz. A empresa também atua com fábricas para melhorar desde condições de trabalho à remuneração. Mas observou a marcas que analisam entrar no resale: “Precisa fazer a pergunta do por quê?”

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) projeta um cenário de estabilidade nas vendas em 2023, com alta de 0,8%. A estimativa comedida baseia-se em um contexto em que a taxa básica de juros da economia somente deve recuar a partir da sexta reunião do Comitê de Política Monetária, que será […]

Publicado em 11/01/2023 17:18 • Atualizado em 11/01/2023 17:18

 Por Luciana Neto site CNC

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) projeta um cenário de estabilidade nas vendas em 2023, com alta de 0,8%. A estimativa comedida baseia-se em um contexto em que a taxa básica de juros da economia somente deve recuar a partir da sexta reunião do Comitê de Política Monetária, que será realizada em setembro. Mesmo com esse recuo esperado, a taxa Selic deverá encerrar em patamar elevado de 12,25% ao ano.

Soma-se a isso a expectativa de que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2023 tenha alta de 5,4%, acima do teto do regime de metas de inflação para o ano, que é de alta de 4,75% em relação a 2022. Além disso, a perspectiva de crescimento da economia abaixo de 1% deve manter o ritmo de geração de emprego sem aceleração.

“O panorama revela um 2023 desafiador para o varejo brasileiro, que deve enfrentar ainda momentos de instabilidade nos primeiros meses do ano”, aponta o presidente da CNC, José Roberto Tadros. Os juros elevados, o aumento da inflação e o mercado de trabalho estabilizado são responsáveis pela primeira queda depois de três altas mensais consecutivas do volume de vendas do varejo. Segundo a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada hoje (11 de janeiro) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o recuo foi de 0,6% no mês de novembro, em relação a outubro do ano passado, ligeiramente abaixo da expectativa da CNC, que projetava queda de 0,4%. No comparativo com novembro de 2021, houve avanço de 1,5% – a quarta alta consecutiva nessa base comparativa.

Inflação interrompe alta das vendas

Conforme o economista da CNC responsável pela análise, Fabio Bentes, a queda das vendas do varejo está relacionada ao aumento de preços após a sequência de deflações observada ao longo do terceiro trimestre do ano passado. O índice geral de preços, medido pelo IPCA, voltou a registrar alta, de 0,41%, em novembro, após avanço de 0,59% em outubro. Os grupos de vestuário e transportes foram os principais responsáveis pela alta dos preços em novembro, com aumentos de 1,1% e 0,83%, respectivamente.

Seis dos oito segmentos pesquisados pelo IBGE tiveram redução dos preços, com destaque para o ramo de combustíveis e lubrificantes (queda de 5,4%) e o de equipamentos e materiais de escritório, informática e comunicação (redução de 3,4%). Embora as pressões inflacionárias tenham se concentrado no grupo de alimentação ao longo de todo o ano passado, houve um aumento do preço dos combustíveis de 3,29% em novembro, o maior avanço observado nesse grupo desde março de 2022.

Juros seguraram vendas a prazo

“O aperto monetário no varejo se fez sentir ao longo de todo o ano de 2022 e, apesar do tímido crescimento, o volume de vendas no acumulado de 12 meses ainda se mantinha no campo positivo ao fim do primeiro quadrimestre do ano passado, em alta de 0,7%, mas despencou para uma queda de 1,8% em julho”, analisa Fabio Bentes. Em novembro, as vendas acumulavam crescimento de 0,6% nessa base comparativa.

Nas operações de crédito livremente contraídas por pessoas físicas, a taxa média de juros dos empréstimos e financiamentos atingiu 59% ao ano – maior patamar desde agosto de 2017 (quando estava em 62,3% a.a.). “Esse fenômeno, aliado ao grau de endividamento historicamente elevado dos consumidores nos últimos meses do ano, foi um empecilho ao crescimento das vendas, especialmente nos segmentos em que há predominância do consumo a prazo”, afirma o economista da CNC.

Desaceleração do mercado de trabalho reduz recursos para o consumo

A perda de fôlego nas contratações, que é a principal origem da geração de recursos destinados ao consumo, também tem contribuído para a desaceleração das vendas nos últimos meses, segundo Fabio Bentes. A desaceleração do ritmo de geração de vagas celetistas medidas pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostra que, embora o saldo acumulado em 12 meses tenha sido positivo ao fim de novembro (com 2,18 milhões de postos abertos), o número de vagas naquele mês foi o menor registrado desde abril de 2021.

No mesmo sentido, o indicador de regeneração do nível de ocupação, contabilizado pela Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios Contínua (realizada pelo IBGE), apontou aumento de 5,7 milhões de pessoas ocupadas, o menor nível de expansão em 12 meses desde junho de 2021.

Porto Alegre subiu 15 posições e lidera ranking elaborado pelo Ministério da Economia

REDAÇÃO 10/01/2023  AMANHA   Revista Digital

Os melhores quesitos de Porto Alegre foram infraestrutura, seguido por empreendedorismo e segurança jurídica

Porto Alegre tem o melhor ambiente de negócios do Brasil. A capital gaúcha ficou em primeiro lugar no Índice de Concorrência dos Municípios 2022 (ICM), divulgado na segunda-feira (9). A pesquisa, realizada pelo Ministério da Economia, apresenta uma análise do ambiente de negócios das cidades baseada em leis e práticas municipais. A pontuação final de Porto Alegre chegou a 654,2, o maior índice entre as cidades participantes, 38% a mais que a média nacional e 29% acima da média da região Sul. Com o resultado, a cidade subiu 15 posições em relação a 2021.

Nesta edição, participaram 119 municípios, grupo formado pelas capitais, cidades com mais de 250 mil habitantes e os municípios que se voluntariaram. Ao todo, eles representam 43% da população nacional. Ponta Grossa (PR), Florianópolis (SC), São José dos Pinhais (PR) e Curitiba (PR) também fazem parte do Top-10 do ranking (veja a lista das dez primeiras colocadas ao final desta reportagem). A região poderia ter mais uma representante já que Santa Maria (RS) ficou na 11ª posição com 566,14 pontos, 2,53 pontos a menos que Fortaleza (CE).

Os melhores quesitos de Porto Alegre foram infraestrutura (76,5), seguido por empreendedorismo (74,8) e segurança jurídica (74,9). na pontuação geral, em segundo lugar ficou Belo Horizonte (MG), com 618,64, e, em terceiro, Ponta Grossa (PR), com 603,13. Foram respondidas mais de 600 questões, relacionadas a nove áreas diferentes: empreendendo no município, infraestrutura, construindo no município, qualidade da regulação urbanística, liberdade econômica, concorrência em serviços públicos, segurança jurídica, contrato com poder público e tributação.

ICM
O principal objetivo do ICM é analisar o ambiente concorrencial municipal por meio da coleta e geração de dados e informações, de forma a promover o avanço contínuo da qualidade regulatória, assim como as melhores práticas entre as cidades. Para fins de cálculo do resultado final, todas as notas obtidas em cada um dos capítulos foram somadas e normalizadas no intervalo de zero a mil pontos, sendo considerados mais bem avaliados aqueles municípios com nota mais próxima a 1000, e mais mal avaliados aqueles mais próximos a 0.

 

Cidade Pontos
Porto Alegre (RS) 654,21
Belo Horizonte (MG) 618,64
Ponta Grossa (PR) 603,13
Recife (PE) 583,62
Brasília (DF) 578,40
Florianópolis (SC) 576,79
São José dos Pinhais (PR) 575,61
Curitiba (PR) 571,80
Sorocaba (SP) 571,43
Fortaleza (CE) 568,67

Companhia criada da fusão das administradoras de shopping centers integra o índice Bovespa no Mercado Novo da B3

de Redação  9 de janeiro de 2023

A nova gigante do varejo brasileiro formada pela fusão das administradoras de shopping centers Aliansce Sonae e BrMalls começa a operar nesta segunda-feira, 9, já integrando o índice Bovespa no Mercado Novo da B3, o mais exigente em relação às boas práticas de Governança Corporativa. Avaliada em R$ 10 bilhões, a companhia combinada é uma plataforma de serviços, entretenimento, lifestyle e compras.

“Trabalhamos seis meses no planejamento de integração de talentos, com a expertise que já temos da fusão com a Sonae. A ideia não é juntar o que cada empresa tem de melhor, mas acelerar as estratégias de engajamento, fidelização e soluções para lojistas que são harmônicas, proporcionando a melhor experiência”, afirma Rafael Sales, CEO da nova empresa.

No total, a empresa resultante da fusão de Aliansce Sonae e BrMalls possui 62 shoppings, sendo 53 deles próprios e nove administrados, com um portfólio de 11 mil lojas e 4 mil marcas. A nova companhia tem 2,5 milhões de área bruta locável (ABL) e recebe mais de 60 milhões de visitas mensais.

Porfólio de vendas

A empresa desponta com a maior liquidez do mercado e o portfólio com vendas em torno de R$ 40 bilhões, o que representa mais que o dobro do principal concorrente. Os shoppings próprios Top 10 têm venda de R$ 12,8 bilhões. Já a média de vendas dos shoppings Top 5 oriundos de cada companhia está acima de R$ 1 bilhão.

“Nossos shoppings são hubs de soluções para as cidades, destinos de convivência e experiência fígital e ainda espaços de oportunidades para os empreendedores de varejo e serviços. Continuaremos trabalhando com o compromisso de servir e encantar nossos consumidores e parceiros todos os dias”, comenta Sales.

Ao longo do ano será conduzido o processo de integração. Segundo Rafael, projetos como o de real state, originalmente da Aliansce Sonae e que cria bairros planejados para desenvolvimento do entorno dos shoppings pode ser levado para mais regiões do país, assim como a plataforma de mídia, que será a maior da indústria de shoppings. A nova empresa resultante da fusão de Aliansce Sonae e BrMalls tem mais de 5 mil colaboradores diretos e indiretos em todo o País.

A empresa tem estrutura de corporation e acionistas de referência no mercado, limitados a 25% do poder de voto e possui iniciativas com certificações internacionalmente reconhecidas, como o Índice de Sustentabilidade (ISE) da B3 e melhor avaliação do setor no Carbon Disclosure Project (CDP), além da adesão ao Pacto Global da ONU.

Conclusão da combinação

Aliansce Sonae e BrMalls comunicaram na sexta, 6, a consumação da combinação dos negócios das companhias. Na própria sexta, foi encerrada a negociação das ações de emissão da BrMalls na B3 sob o código BRML3, conforme divulgado pelas empresas em 19 de dezembro.

As companhias continuarão a se dedicar às suas atividades, mantendo-se o registro de companhia aberta da Aliansce Sonae e a listagem de suas ações no segmento do Novo Mercado da B3, tornando-se a BrMalls uma subsidiária integral da Aliansce Sonae, segundo fato relevante.

Com a consumação da operação, as ações de emissão da BrMalls deixarão de ser negociadas no segmento do Novo Mercado da B3 e serão tomadas as medidas necessárias para que o seu registro de companhia aberta seja convertido de categoria “A” para categoria “B” e mantido enquanto os demais valores mobiliários por ela emitidos estiverem em circulação.

Com informações de Estadão Conteúdo (Elisa Calmon).