Fabio Gonçalves de Oliveira / Linkedin / jan 2025

Formou-se em Farmácia na Universidade Federal do Paraná. Estagiou em um laboratório de uma indústria farmacêutica, mas queria empreender. Pegou dinheiro emprestado com um tio e abriu uma pequena farmácia de manipulação.

Em 1977, nasce a primeira loja O Boticário. Os primeiros produtos eram feitos usando uma batedeira de cozinha.

Em 1979, abriu a segunda loja O Boticário, no aeroporto de Curitiba. No mesmo ano, lançou sua primeira colônia, a Acqua Fresca. A localização foi estratégica, As comissárias de bordo enchiam sacolas e levavam para vender em suas cidades e também atraiu interessados em vender os produtos em território nacional.

Na mesma época, comprou de Silvio Santos mais de 60.000 embalagens de perfume em formato de ânfora. Detalhe: não tinha dinheiro para pagar as parcelas restantes, apenas a inicial.

Um ano depois, vendeu sua primeira franquia, quando o modelo ainda era pouco conhecido no Brasil.

Em 1982, inaugurou uma fábrica com capacidade de produzir 400.000 unidades de produtos por ano.

Em 1985, entrou no mercado português. Dois anos depois, a empresa abriria sua milésima unidade.

O vento nem sempre sopra a favor. Entre 1987 e 1990, com o adverso cenário econômico do país, chegou a pedir prazo para os fornecedores para que a empresa não fosse à falência.

Superada essa fase, Krigsner, sempre inovador, decidiu que era hora de focar no atendimento ao cliente. Criou um Código de Conduta que trazia um manual de atendimento ao cliente e uniforme para seus colaboradores. O objetivo era criar uma experiência memorável para o consumidor.
Em 2002, abre lojas no Uruguai e nos Estados Unidos. Dois anos depois, criou o Malbec, o primeiro perfume produzido com álcool vínico no mundo.

Em 2010, O Boticário se firmou como a maior franquia brasileira. No ano seguinte, a empresa lançou a marca Eudora, tornando-se agora o Grupo Boticário.

Em 2011, Krigsner criou o Museu do Holocausto de Curitiba como forma de homenagear os pais judeus perseguidos durante o nazismo.

Em 2019, Krigsner tornou-se um dos homens mais ricos do Brasil, com uma fortuna estimada em US$ 1,5 bilhão, de acordo com a Forbes.

Em março de 2021, Miguel Krigsner deixou o cargo de CEO e passou a ocupar a cadeira de Presidente do Conselho Administrativo da empresa. O sucessor do empresário foi seu cunhado, Artur Grynbaum.

Em 2023 o grupo registrou R$ 30,8 bilhões em vendas, com mais de 4.000 lojas e emprega mais de 18.000 pessoas.

Atualmente, a holding é dona das marcas O Boticário; Eudora; quem disse, berenice?, The Beauty Box, Truss Professional e Vult .

Miguel Krigsner também criou a Fundação O Boticário de Proteção à Natureza, uma iniciativa voltada à preservação ambiental e que recebe 1% de todas as vendas do grupo.

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Site cnc – 16/01/2025

Adesão às bets levou 1,8 milhão de brasileiros à situação de inadimplência 

O crescimento das apostas on-line no País impactou negativamente o varejo e toda a cadeia produtiva brasileira em 2024. Segundo levantamento realizado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o setor enfrentou perda de R$ 103 bilhões do faturamento anual potencial com o redirecionamento dos recursos das famílias para os jogos. A pesquisa que revelou o dado ainda mostra que 1,8 milhão de brasileiros entraram em situação de inadimplência por comprometer a renda com as bets.

O descontrole financeiro reduziu a compra de bens e a contratação de serviços, levando à queda do consumo essencial relativo aos itens de primeira necessidade para a sobrevivência.

“As apostas on-line estão amplificando desigualdades e desviando recursos fundamentais, afetando diretamente o funcionamento da economia formal e o acesso das famílias a bens e serviços”, destaca José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac.

Impacto econômico: cenários extremos de perdas

Os números analisados pela CNC consideraram os impactos econômicos das apostas on-line sob dois cenários distintos, com gastos de R$ 24 bilhões e R$ 240 bilhões anuais pelas famílias brasileiras.

No primeiro cenário, a economia sofre perdas estimadas em R$ 39 bilhões no faturamento total, R$ 19,5 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) e R$ 2,1 bilhões na arrecadação tributária. Já no segundo cenário, os prejuízos sobem para R$ 364 bilhões no faturamento, R$ 219 bilhões no PIB e R$ 14,5 bilhões em impostos que deixam de ser recolhidos pelo Estado.

“Os dados deixam claro que o impacto das apostas vai além do aspecto financeiro, interferindo diretamente na capacidade do comércio varejista e de outros setores importantes para o desenvolvimento do País. A regulamentação, além de promover arrecadação formal, pode mitigar esses desvios prejudiciais”, explica Felipe Tavares, economista-chefe da CNC.

O caminho para a regulação

O estudo da CNC reforça a importância da regulamentação para mitigar os danos das apostas para a economia. Entre as medidas propostas, destacam-se a imposição de limites para os jogos on-line, campanhas de conscientização e programas de apoio a viciados. Outra sugestão é a regulamentação anterior de cassinos físicos, que, segundo o Projeto de Lei nº 2.234/22, pressupõe a criação de uma Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) específica para o setor, com potencial de arrecadação de até R$ 22 bilhões anuais em tributos, e esses recursos poderiam ser direcionados para áreas como saúde e educação e diversos programas sociais, criando um círculo virtuoso e benéfico para a sociedade.

O relatório do Fórum Econômico Mundial diz que o futuro do trabalho é como aquela série que você não entende, mas assiste mesmo assim.

Dá uma olhada nesse resumão dos principais pontos citados:

Robôs e IA estão dominando!
Quer um emprego? Aprenda a falar com robôs ou a cuidar deles.
Big Data, IA, engenharia de veículos elétricos e design UX/UI são os tops.
Por outro lado, adeus para caixas, atendentes e datilógrafos digitais – foi bom enquanto durou.
Clima em alta
O mundo quer salvar o planeta e, pra isso, vai precisar de engenheiros ambientais, especialistas em energia renovável e nerds do carbono zero.
Habilidades do futuro
As empresas querem que você seja tipo um super-herói corporativo: criativo, flexível, resiliente e bom em lifelong learning (porque faculdade não basta mais, né?).
Quem dança?
Além dos papéis “velha guarda”, como contadores e assistentes administrativos, tarefas humanas estão sendo substituídas.
Mas calma, sempre vai ter espaço pra quem sabe colaborar com máquinas.
Reskill é a moda
Metade dos trabalhadores de hoje vai ter que aprender algo novo até 2030. Empresas prometem investir, mas só até onde compensa (desculpa aí, galera que não acompanha).
Diversidade importa
Pela primeira vez, mais empresas sacaram que times diversos são mais inteligentes e criativos — mas ainda tem um longo caminho.
Global, mas local
Mudanças econômicas e tensões globais estão moldando os negócios, com algumas empresas trazendo operações de volta para casa.

Investir agora em se reinventar…

ou arriscar ser substituído por alguém mais atualizado?

Eis a questão 💀🪶

Correio Braziliense – DFLer texto na íntegra – CIDADES Tópico: CNC – 8.1.25

Por Samanta Sallum 

Estudo inédito aponta o tamanho do rombo na economia formal do país, em 2024, provocado pelas apostas eletrônicas, por meio das chamadas BETs. O governo deixou de arrecadar impostos, as empresas perderam faturamento e a população se endividou, ficando inadimplente. O impacto foi medido pelo setor produtivo. Os números, aos quais a coluna teve acesso com exclusividade, impressionam.

A estimativa do banco Itaú e do Banco Central é de que o dinheiro gasto pelos brasileiros com o cassino virtual foi de, no mínimo, R$ 24 bilhões, podendo passar de R$ 200 bilhões. O varejo nacional detectou que perdeu R$ 100 bilhões, no ano passado, para os jogos on-line. Foi o que o setor deixou de faturar, pois o dinheiro que o consumidor usaria para compras, até de produtos essenciais, foi desviado para as apostas.

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) concluiu estudo que aponta os seguintes impactos causados pelo aumento do volume de apostas no Brasil em 2024:

“O brasileiro está trocando coisas essenciais e fundamentais para vida dele por conta de apostas. A gente, investigando, viu que, realmente, o excesso de apostas on-line esvaziou as lojas do varejo. Mudou o padrão de consumo. Isso é muito preocupante”, disse o economista-chefe da CNC, Felipe Tavares, à coluna.

Já foi detectado, por exemplo, que o dinheiro recebido por famílias dos programas sociais do governo federal é usado nas apostas.

Adin contra a regulamentação

Entrou em vigor no dia 1º de janeiro a regulamentação do Ministério da Fazenda para a operação das BETs no Brasil. O ministério anunciou que 66 empresas foram autorizadas, gerando R$ 2,01 bilhões em arrecadação de outorgas para o governo federal. Valor ficou abaixo da expectativa inicial de R$ 3 bilhões.

A CNC entrou com uma Adin no STF contra a regulamentação. A entidade pede a proibição das apostas on-line. “Se o brasileiro quer realmente apostar, avaliamos que o melhor seria, então, a liberação do cassino físico, que geraria empregos e mais arrecadação para o país, além de incentivar o turismo”, defende a CNC.

Por  Rennan Setti 06/01/2025 o globo

Fabio Faccio, CEO da Renner — Foto: Divulgação

RESUMO

Leia abaixo os principais trechos da entrevista.

Qual balanço o senhor faz do ano que passou?

A gente veio de um ciclo importante de investimentos. Ao longo de três anos, investimos quase R$ 1 bilhão anualmente. Depois desse ciclo, 2024 marcou uma grande virada. A necessidade de investir em infraestrutura fica menor, e a gente começa a colher os frutos. Eles começaram a ser sentidos em meados de 2024, e a expectativa é de impactos positivos nos próximos anos.

Qual foi o foco desses investimentos?

O maior deles foi no centro de distribuição em Cabreúva (SP), mas a gente investiu no negócio fim a fim. Um dos principais focos foi proporcionar maior volume de dados e ferramentas para o time de estilo da companhia, como criação em 3D e redução de amostras na confecção, além de esforços para maior integração com parceiros e fornecedores.

Qual é a expectativa para 2025, diante de juros altos e inflação ainda resistente?

A perspectiva para 2025 é positiva. Continuamos em um ambiente econômico desafiador, mas o setor vem registrando melhora. Inflação e juros altos não são bons para ninguém, há crise de confiança, o Brasil precisa reduzir gasto público, fazer reforma administrativa etc. Mas o país não está tão mal quanto se vê nos indicadores de confiança. O resultado pode até estar aquém do potencial, mas o desempenho operacional das empresas em si vem melhorando.

Qual avaliação o senhor faz das mudanças sobre e-commerces estrangeiros?

O chamado cross border continua sendo uma questão bastante complicada. A complexidade tributária do Brasil é a maior do mundo. Provavelmente temos a maior carga tributária do planeta. Mas quando você convive com essa carga de imposto elevadíssima e compete com players que pagam zero, aí se dá um absurdo. Era uma situação de flagrante falta de isonomia. Até então, nunca tínhamos visto um protecionismo às avessas, mas era justamente isso que ocorria. A gente defende o liberalismo e a competição, mas com isonomia. Dito isto, as regras que foram implementadas foram um avanço. Só que essas plataformas ainda pagam uma carga equivalente à metade do que uma empresa brasileira paga. Ainda não é justo nem isonômico. A gente teve recentemente um novo aumento (de taxa sobre os e-commerces internacionais) por meio de Fazendas estaduais. Mas, infelizmente, alguns estados estão sendo lentos na adoção, o que gera problema. Não entendemos a razão dessa ineficiência.

Qual é o impacto do fenômeno das bets?

O impacto das bets para nossa empresa é menor. Nosso público é majoritariamente feminino e das classes A-, B e C+. Já o público das bets é majoritariamente masculino e de outras classes. O maior impacto é para o país, de saúde pública. Felizmente, começou-se a olhar para o tema. A discussão está acontecendo, e precisa mesmo acontecer, porque é um problema importante.

Qual é a estratégia de expansão de lojas?

O modelo “omni” (on-line e offline) tem se provado cada vez mais importante. Nossa empresa tem que ser tão integrada quanto a vida do cliente. Hoje, temos 687 lojas (contando Camicado, Youcom e Ashua). Estamos discutindo a projeção para este ano, mas a tendência é acelerar a expansão. Enxergamos oportunidades sobretudo para as marcas Renner e Youcom, em mercados nos quais elas ainda não estão. A presença física é ainda mais importante com o avanço do e-commerce.

Por quê?

Com moda, as pessoas gostam de sentir, tocar o produto, de vez em quando querem ir à loja etc. Elas podem comprar como quiser, mas, para ter a experiencia completa, a loja física tem que estar perto. Ninguém vive só on-line. Quando a gente abre uma loja física em uma cidade, as vendas no canal on-line aumentam de forma relevante. Uma coisa suporta a outra. Por isso que a gente tem focado em chegar a cidades onda não há nenhuma loja hoje.

Por que, apesar da melhora do balanço, as ações da Renner continuam 75% abaixo do auge pré-pandemia?

Há uma crise de confiança dos investidores com relação ao país. Se o desempenho das empresas brasileiras melhora, o investidor tem inúmeras outras opções que competem com a Bolsa. E o estrangeiro, que é 89% da nossa base acionária, está especialmente receoso em investir aqui. Por isso, os ativos brasileiros em geral estão subvalorizados. A oportunidade que isso representa dependerá da retomada da confiança.

Em conversa com a coluna, o CEO da Renner, Fabio Faccio, contou que a varejista viveu uma transição de ciclo no ano que passou e que a perspectiva para 2025 é positiva, mesmo que a conjuntura econômica esteja “aquém do

Artigo de Carlos Thadeu de Freitas Gomes / site cnc / 7 de janeiro de 2025

Site CNC

O ano de 2025 traz desafios e oportunidades para o comércio, com um 1º semestre mais favorável por causa de um ambiente econômico relativamente estável. No entanto, as previsões para o 2º semestre indicam um crescimento mais modesto, ou até mesmo uma possível estagnação, diante da alta das taxas de juros e da valorização do dólar.

O aumento das taxas de juros, reflexo de uma política monetária mais restritiva, e a elevação do câmbio podem desacelerar a expansão do comércio, restringindo o poder de compra da população e afetando a confiança do consumidor.

Além disso, espera-se que a massa real de salários enfrente uma queda a partir do 2º semestre de 2025, agravando ainda mais o cenário. Com a redução da renda disponível, a desaceleração do consumo será mais pronunciada, impactando diretamente as vendas e dificultando a recuperação das empresas.

Nesse contexto, o crédito ganha relevância como um mecanismo crucial para manter o comércio em movimento, servindo como suporte essencial para os consumidores que dependem de financiamentos para sustentar seu padrão de consumo.

O mercado de crédito deve crescer 9% em 2025, o que é positivo, embora represente uma desaceleração em relação aos 10,5% projetados para 2024. Essa redução no ritmo de expansão reflete as incertezas econômicas, mas também destaca a importância do crédito como ferramenta vital para a movimentação do comércio.

Contudo, a projeção de aumento na taxa de inadimplência nas carteiras de crédito levanta preocupações. Para 2025, a inadimplência na carteira livre deve chegar a 4,7%, um aumento em relação aos 4,3% registrados em novembro de 2024. Esse aumento pode criar um cenário mais arriscado tanto para as instituições financeiras quanto para os consumidores, que poderão enfrentar dificuldades para honrar seus compromissos.

Além disso, a expectativa é que o Copom continue a elevar a taxa Selic, com a possibilidade de alcançar 15% ao ano até junho de 2025. Esse aumento no custo do crédito poderá dificultar o acesso ao financiamento, especialmente para famílias e empresas de menor porte. Já as taxas de longo prazo, as mais importantes para o comércio, ultrapassaram 16%.

A valorização do dólar também deve persistir, o que contribuirá para um cenário de inflação elevada, possivelmente superior a 5% ao final de 2025, acima da meta inflacionária estabelecida para o ano. Esse cenário pressionará ainda mais o poder de compra da população, afetando diretamente o desempenho do comércio, intensificando o processo de aperto monetário.

Com essas incertezas, o crédito continua sendo uma das principais alternativas para garantir o movimento do comércio. No entanto, a combinação de juros elevados, inflação em alta e o aumento da inadimplência exige maior cautela.

O comércio precisará se adaptar, buscando novas formas de atrair consumidores e incentivar o consumo. Já o crédito, embora essencial, exigirá uma gestão mais responsável, tanto por parte das instituições financeiras quanto dos consumidores. A sustentabilidade desse modelo dependerá de um equilíbrio delicado entre estimular o consumo e gerenciar o endividamento de maneira responsável.

Carlos Thadeu Carlos Thadeu de Freitas Gomes, 77 anos, é assessor externo da área de economia da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo). Foi presidente do Conselho de Administração do BNDES e diretor do BNDES de 2017 a 2019, diretor do Banco Central (1986-1988) e da Petrobras (1990-1992).

Artigo de Carlos Thadeu de Freitas Gomes, assessor externo da área de economia da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), originalmente publicado no Poder 360, em 6 de janeiro de 2025.

As operadoras de cartões de crédito e instituições de pagamento que movimentam recursos financeiros devem prestar informações à Receita Federal sobre operações financeiras de contribuintes. O envio dos dados será semestral. A regra começou a valer na quarta-feira (1º) e está prevista na Instrução Normativa 2.219, de 2024 do órgão federal. Em nota, a Receita Federal afirma que as medidas têm o objetivo de melhorar o controle e a fiscalização das operações financeiras, por meio de uma maior coleta de dados. A norma atualiza e amplia a obrigatoriedade de envio de informações à Receita Federal via e-Financeira, que é o sistema eletrônico da Receita Federal que faz parte do Sistema Público de Escrituração Digital (Sped). A e-Financeira monitora e coleta informações sobre operações financeiras. Os arquivos digitais incluem dados de cadastro, abertura, fechamento, operações financeiras e previdência privada.

As instituições financeiras tradicionais, como os bancos públicos e privados, financeiras e cooperativas de crédito, já eram obrigadas a enviar à Receita Federal as informações sobre movimentações financeiras de seus clientes, como saldos em conta corrente, movimentações de resgate e investimentos dos correntistas, rendimentos de aplicações e poupanças. Com a mudança que entra em vigor em 2025, a obrigação de prestação de informações relativas às contas pós-pagas e contas em moeda eletrônica passa a ser também de operadoras de cartões de crédito e instituições de pagamento. Estas últimas são empresas autorizadas pelo Banco Central a oferecer serviços financeiros relacionados a pagamentos, como transferências, recebimentos e emissão de cartões. Entre elas estão as plataformas e aplicativos de pagamentos; bancos virtuais; e varejistas de grande porte, a exemplo de lojas de departamentos, de venda de eletrodomésticos; e atacadistas.

As novas entidades listadas na norma da Receita Federal estão obrigadas a apresentar as informações mencionadas quando o montante movimentado no mês for superior a R$ 5 mil, para pessoas físicas; ou R$15 mil, para pessoas jurídicas. Os dados deverão ser apresentados via e-Financeira semestralmente:

· até o último dia útil do mês de agosto, contendo as informações relativas ao primeiro semestre do ano em curso; e

· até o último dia útil de fevereiro, contendo as informações relativas ao segundo semestre do ano anterior.

Desta forma, dados de pagamentos via Pix e cartões de crédito superiores aos valores citados serão informados à Receita Federal – via e-Financeira – em agosto de 2025.

de Redação

 2 de janeiro de 2025

 

A atividade do comércio físico na semana do Natal de 2024 apresentou queda de 3,9%, sendo essa a maior retração para a data desde 2020, quando o índice foi de -10,3%. Os dados são do Indicador de Atividade do Comércio da Serasa Experian.

A pesquisa revela que, no fim de semana da data comemorativa, o recuo registrado foi de 1,4% em relação ao mesmo período do ano passado.

“Com a inadimplência em alta, a prioridade dos consumidores pode ter sido a reestruturação financeira ao optarem por utilizar o 13° salário para o pagamento e renegociação de dívidas, deixando as compras e presentes de Natal em segundo plano”, comenta a economista da Serasa Experian, Camila Abdelmalack.

O movimento do varejo físico em São Paulo também apresentou redução, com queda de 3,7% durante a semana do Natal e de 1,7% no fim de semana, segundo o Indicador de Atividade do Comércio da Serasa Experian.

Crescimento de vendas nos shoppings

As vendas de Natal nos shopping centers brasileiros cresceram 5,5% entre os dias 19 e 25 de dezembro de 2024, em comparação ao mesmo período de 2023, segundo o Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA), elaborado pela Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce). O desempenho superou o crescimento total do varejo no mesmo período, que foi de 3,4%.

Os shoppings movimentaram R$ 5,94 bilhões na semana, marcando o melhor Natal desde o início da série histórica do índice, em 2019, quando o montante alcançou R$ 5,5 bilhões. O ticket médio registrado foi de R$ 213,83, um aumento de 3,3% em relação ao Natal de 2023. Em comparação, as lojas de rua tiveram um ticket médio de R$ 109,47, 2,7% superior ao registrado no ano anterior.

“Os resultados de vendas de Natal reforçam a importância estratégica dos shopping centers no cenário econômico, destacando sua capacidade de adaptação às novas demandas dos consumidores. O crescimento registrado neste período simbolicamente relevante para o varejo é um reflexo da confiança do público, da melhoria da renda das famílias e da baixa do desemprego, além da diversificação de ofertas e experiências disponíveis nos shoppings”, afirmou Glauco Humai, presidente da Abrasce.

de Cecília Rapassi

 18 de dezembro de 2024 /  Mercado & Consumo

O ano de 2025 promete ser decisivo para o varejo de moda, em meio a um cenário que combina instabilidade macroeconômica, transformações geopolíticas e uma exigência crescente por parte dos consumidores em relação à sustentabilidade e personalização.

O relatório State of Fashion 2025, elaborado pela McKinsey e pelo portal Business of Fashion (BoF), aponta que o crescimento da receita global deve se estabilizar em dígitos baixos, enquanto o segmento não-luxo deverá liderar os lucros econômicos pela primeira vez desde 2010.

A pressão por preço e suas consequências

O crescimento econômico global desacelerado será um teste para os varejistas em todos os mercados. A inflação persistente, as taxas de juros elevadas e os custos das matérias-primas pressionam as margens, especialmente em categorias de moda acessível e intermediária.

Segundo a pesquisa Consumidor do Amanhã, realizada pela MosaicLab, Moda é uma das categorias mais desejadas, porém também uma das mais pressionadas pelo fator preço. O recorte da pesquisa para Vestuário e Calçados apontou que 39% dos entrevistados diminuíram seu consumo pelo aumento de preços no último ano.

 

A compra consciente, impulsionada por regulamentalções ambientais mais rígidas e pela demanda por transparência na cadeia produtiva, será cada vez mais comum e deve potencializar mudanças no consumo. Este pode ser mais um fator que pressiona os preços: a origem e qualidade das matérias-primas, a mão de obra qualificada com salários justos, além de toda a responsabilidade com a cadeia, são fatores que dificilmente contribuem para a formação de preços competitivos.

Nesse cenário, algumas tendências devem ganhar maior força: o mercado de revenda, outlets, segmentos de menor preço e os dupes. Na moda, os dupes são produtos que imitam o design ou o estilo de itens de marcas renomadas, mas são vendidos por preços significativamente mais baixos. Eles não são necessariamente falsificações (que reproduzem o logo ou a identidade visual de uma marca), mas oferecem uma alternativa acessível inspirada no original. Os dupes têm ganhado popularidade entre os  consumidores que buscam tendências e estilo sem pagar preços premium, especialmente em um cenário econômico desafiador.

Um perfil dedicado ao tema no Instagram tem mais de 34 mil seguidores e aponta essas cópias de criações por marcas nacionais:

 

 

Regina Ferreira, doutora e especialista em Fashion Law, aponta os riscos dessa tendência:

“Essas práticas podem ser verificadas em diversos segmentos do mercado de moda e da beleza e violam diversas normas jurídicas, podendo gerar consequências cíveis e criminais, por infrações de direitos intelectuais e, a depender do caso, por exposição à saúde do consumidor. Essas imitações em maquiagens e cosméticos, feitas em fábricas clandestinas ou sem a observância das normas sanitárias, utilizando matéria-prima duvidosa ou de baixíssima qualidade, podem causar alergias, dermatites, erupção na pele e queimaduras”.

Estratégias para 2025

Navegar nesse contexto exigirá estratégias resilientes e inovação contínua. Destacamos seis frentes importantes que devem nortear o foco das empresas que buscam melhor desempenho em 2025:

  1. Personalização como diferencial competitivo: No varejo de moda, a personalização pode protagonizar uma das maiores oportunidades de diferenciação, independentemente da segmentação do mercado. Em um ambiente de maior concorrência, especialmente com o avanço de grandes players como Shein e Temu, marcas precisam investir em estratégias que combinem dados do consumidor com uma narrativa de marca sólida e autêntica. Em mercados premium, que tradicionalmente já buscam por maior diferenciação, ela deve ir além do produto: está na entrega de experiências memoráveis alinhadas aos valores do público-alvo.
  2. Inovação tecnológica e digitalização: Mais do que nunca, a otimização das operações — integrando tecnologia, inteligência de mercado e uma abordagem omnicanal eficiente — terá uma vantagem competitiva clara. O uso de ferramentas digitais não se limita à eficiência operacional, mas também é uma ponte para uma conexão mais real com os clientes. Reflita: qual é o seu principal canal de comunicação com o seu cliente e quanto tempo ele espera para ter uma resposta? Marcas que investirem em inovação e automação estarão melhor preparadas para enfrentar a complexidade do cenário global.
  3. O “humano” à frente das vendas: Capacitação, desenvolvimento, reciclagem, treinamentos e mentorias. Independentemente da metodologia, invista em pessoas que vão lidar com pessoas. Não só os hard skills, mas também os soft skills que podem prevenir crises de reputação da sua empresa.
  4. Excelência na gestão de estoques e cadeia de abastecimento: Reduzir excessos, evitar rupturas e aumentar assertividade. A gestão eficiente de estoques e da cadeia de abastecimento será crucial para manter a competitividade. Investir em tecnologias de previsão de demanda e em sistemas de gestão integrados pode ajudar a minimizar desperdícios e garantir que os produtos certos estejam disponíveis no momento certo.
  5. Economia circular e redução de emissão de gases: Assumir compromissos em relação à sustentabilidade deve estar na agenda de todas as empresas, que precisam estar preparadas para as regulamentações que estão por vir. Inação não é mais uma possibilidade.
  6. Todos por um: Existem grandes oportunidades a serem exploradas no setor de moda no Brasil, especialmente se os elos da cadeia de valor se unirem em torno de um objetivo comum: aumentar a competitividade. Todas as discussões que já estão em pauta, sejam elas sobre incentivos e benefícios fiscais, isonomia tributária, alternativas para práticas circulares e sustentáveis, dentre outras, teriam mais força se tivessem a cadeia toda alinhada e negociando proporcionalmente à sua relevância no mercado.

Um novo ano começa em breve e as boas perspectivas abraçam quem ousa se reinventar

As mudanças climáticas continuarão a ser uma força potente para moldar a cadeia de suprimentos e o comportamento de consumo.

Em 2025, o varejo de moda terá que equilibrar a pressão por resultados financeiros com a competição cada vez mais acirrada com players que produzem mais rápido, mais barato e com mais apelo de moda. Empresas que adotarem uma mentalidade ágil e eficiente, enquanto consolidam práticas éticas e sustentáveis, não só sobreviverão, mas terão mais chances de conquistar o que realmente importa: a preferência do consumidor.

O futuro pertence às marcas que souberem fazer do desafio uma oportunidade de transformação.

Nota: De 8 a 15 de janeiro de 2025, a Gouvêa Fashion Business estará em Nova York para a 36ª NRF Retail’s Big Show com a delegação da Gouvêa Experience. Os aprendizados sobre tudo o que será visto e discutido nessa missão, traduzidos, aprofundados e comparados com a realidade brasileira, poderão ser vistos e acompanhados no Retail Trends – Pós NRF, no dia 28 de janeiro de 2025, em São Paulo, nas versões presencial e virtual, além da cobertura especial que será feita pela plataforma Mercado&Consumo.

Cecília Rapassi é sócia-diretora da Gouvêa Fashion Business.
*Este texto reproduz a opinião do autor e não reflete necessariamente o posicionamento

Expansão do Grupo Tacla, prevê mais de 100 novas operações em 2025

 26 de dezembro de 2024

no Destaque do dia, Notícias, Varejo

Apesar dos desafios econômicos enfrentados no Brasil e pelo mundo afora, a perspectiva do varejo para 2025 parece promissora. O Grupo Tacla anunciou um investimento de R$ 520 milhões para a expansão de três empreendimentos e a construção de um novo shopping center.

Esse é o plano de crescimento da companhia com o objetivo de consolidar a presença no mercado e atrair mais consumidores. Com a expansão, a previsão é de mais de 100 novas operações no grupo todo em 2025.

Em São Paulo, o Shopping Cidade Sorocaba receberá um investimento de R$ 20 milhões para a expansão e modernização do empreendimento, que ganha uma nova área gourmet com seis restaurantes.

Já no Sul do país, o investimento será nos dois outlets do Grupo Tacla e na construção de um novo shopping. O Porto Belo Outlet Premium, em Santa Catarina, e o City Center Outlet Premium, no Paraná, colocam em prática os planos de expansão, com novos espaços para lojistas. Em Ponta Grossa (PR), onde o grupo já administra o Palladium, a companhia está construindo o Plaza Campos Gerais, com inauguração prevista para outubro de 2025.

O investimento anunciado será feito com recursos próprios, sem tomar dívidas. Fundado na década de 1930 por Mounif Tacla, o Grupo Tacla é um dos dez maiores do país, com 12 empreendimentos no Paraná, Santa Catarina e São Paulo, 400 mil metros quadrados de área bruta locável e mais de 2 mil lojistas.

Em 2023, a empresa registrou crescimento de 17,5% nas vendas.

Imagem: Divulgação