Primeira edição do Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) de 2026 revela empreendedores menos satisfeitos, mas otimistas com um futuro de redução da Selic

O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), apurado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e divulgado nesta sexta-feira (30), revela que o varejo brasileiro inicia 2026 sob o peso do restritivo cenário monetário. Embora o índice geral apresente sinais de recuperação mensal, a percepção dos comerciantes sobre as condições atuais da economia e do setor registrou queda de 6,1% em janeiro, quando comparada ao mesmo período do ano passado.

O principal detrator desse resultado é o indicador específico das condições atuais da economia, que despencou 8,1% na base anual. Segundo a análise técnica da CNC, esse movimento é reflexo direto do patamar elevado das taxas de juros, que encarece o crédito e desestimula o consumo de bens de maior valor agregado.

“O ciclo de endividamento e inadimplência do consumidor tem efeito no bolso das famílias brasileiras e no planejamento do investimento por parte do empresário. Precisamos fazer um esforço para ter taxas de juros menores, devolvendo poder de compra ao trabalhador, e assim avançarmos em 2026 com a nova reforma tributária e o período de eleições sem o aperto monetário que diminuiu a confiança do comerciante nos últimos meses”, avalia o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros.

O impacto dos juros e a “espera estratégica”

O ciclo de alta da Selic afetou de forma mais severa o segmento de bens duráveis – como eletrônicos, eletrodomésticos e veículos –, que registrou o maior recuo anual na percepção atual do comércio (-7,6%).

Apesar do pessimismo no presente, o setor vislumbra um ponto de inflexão no horizonte próximo. “Espera-se redução da Selic a partir do segundo trimestre do ano”, aponta o relatório da CNC. Essa perspectiva favorável para os juros nos próximos meses justifica por que as intenções de investimento, embora ainda em terreno negativo na comparação anual, foram os itens que menos tiveram perdas, com os varejistas aguardando o momento ideal para a tomada de decisão.

“O cenário de pleno emprego e a inflação menor do que o esperado são dois bons sinais da economia. No entanto, para que a população tenha poder de compra de bens duráveis e semiduráveis, ela precisa de acesso saudável ao crédito para desfrutar do parcelamento. Nestes setores do comércio, mesmo com a recente queda do dólar, dependemos de uma taxa Selic mais amena e de juros menos agressivos”, explica o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes.

Sinais de resiliência no curto prazo

No comparativo mensal, o cenário apresenta nuances de melhora. Descontados os efeitos sazonais, o Icec avançou 0,9% em janeiro frente a dezembro, atingindo 103,0 pontos. Este é o maior nível do indicador desde julho de 2025, marcando a terceira alta mensal consecutiva.

Outros dados que reforçam o sinal de recuperação gradual no curto prazo incluem:

  • Intenção de Contratação: Crescimento mensal de 1,8%, sinalizando fôlego para o mercado de trabalho no início do ano.
  • Consumo das Famílias: A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) avançou 0,8% em janeiro, com destaque para a percepção positiva sobre o emprego atual.
  • Gestão de Estoques: Único subindicador com aumento anual (+0,2%), demonstrando que o varejista está planejando melhor suas compras do que no ano anterior.

Publicação de InfoMoney

CONSUMO EM EXPANSÃO  – Pelo primeiro ano na história, o setor de shopping centers no Brasil ultrapassou a marca de R$ 201 bilhões em faturamento em 2025, um crescimento de 1,2% sobre 2024, segundo o Censo Brasileiro de Shopping Centers divulgado pela Abrasce. O país conta com 658 shoppings em operação, com ocupação média de 95,4% e aumento no tempo de permanência dos consumidores. A associação projeta que o setor ainda deve crescer 1,4% em 2026, com a inauguração de 11 novos centros comerciais, reforçando o papel dos shoppings como espaços de conveniência e experiências para os brasileiros — mesmo diante de desafios econômicos recentes.

O percentual de famílias brasileiras com dívidas voltou a atingir 79,5%

Redação Amanha

A CNC projeta que o endividamento continuará avançando no primeiro semestre como recurso para manutenção do padrão de consumo.

O percentual de famílias brasileiras com dívidas voltou a atingir 79,5% em janeiro de 2026, repetindo o maior patamar da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), alcançado pela primeira vez em outubro de 2025. O número, apurado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e divulgado nesta sexta-feira (6), representa um aumento de 0,6 ponto percentual em relação ao mês anterior. Apesar do volume recorde no endividamento, o percentual de quem está devendo o pagamento de alguma parcela recuou para 29,3%, a menor taxa desde abril do ano passado.

A pesquisa revela que a parcela média da renda mensal comprometida com dívidas subiu para 29,7% em janeiro. O cenário é agravado pela percepção subjetiva das famílias: 16,1% dos consumidores declaram-se “muito endividados”, o maior percentual desde outubro de 2025. A CNC projeta que o endividamento continuará avançando no primeiro semestre de 2026 como recurso para manutenção do padrão de consumo. No entanto, a tendência é de que a inadimplência siga em queda, impulsionada pela expectativa de início do processo de redução da Selic. “Nossa expectativa é de alívio no atual aperto monetário a partir da próxima reunião do Copom. Essa percepção, unânime entre os analistas, tende a distensionar os juros na ponta aos consumidores já no segundo trimestre deste ano”, avalia Fabio Bentes, economista-chefe da CNC.

Os dados desagregados mostram que as famílias com renda entre três e cinco salários mínimos foram as que apresentaram o maior avanço no endividamento e a maior dificuldade de honrar compromissos no mês. Em contrapartida, famílias com renda superior a dez salários foram as únicas a registrar redução no indicador de incapacidade de pagamento. O cartão de crédito segue como o principal formato, sendo credor em 85,4% das dívidas. Analisando a proporção do endividamento de cada família, cerca de 19,5% dos brasileiros vivem com menos da metade de sua renda, pois mais da metade está comprometida com o pagamento de dívidas.

Maria José Orione – Linkedin

A expansão da Inditex no Brasil e seu impactos no mercado nacional Venho analisando as matérias sobre a vinda iminente da Bershka e da Massimo Dutti ao Brasil em 2026 e, aparentemente, após anos de consolidação da ZARA o grupo Inditex decide diversificar sua presença apostando em dois extremos complementares do mercado: O público jovem ultra-conectado (Bershka), com a abertura de uma loja com cerca de mil metros quadrados no Morumbi Shopping, sinalizando uma aposta em experiências físicas de alto impacto integradas a um ecossistema digital robusto. Conhecida por sua agilidade em traduzir tendências virais em produtos de prateleira, vai competir diretamente com marcas autorais que focam o público GEN Z, gerando uma grande pressão por relevância e um desafio por velocidade. Do outro lado o segmento de luxo acessível e atemporal (Massimo Dutti), ainda sem uma localização ou data específica para a primeira unidade. Para os grandes players nacionais, a chegada dessas marcas, somada à expansão da H&M no mesmo período, eleva o patamar da competição por produtividade e eficiência operacional. Inditex é referência em RFID e gestão de estoque em tempo real. Isso forçará os magazines brasileiros a acelerar seus investimentos em IA para previsão de demanda e redução de rupturas. A vinda dessas marcas está intrinsecamente ligada aos pilares apresentados na última NRF (Retail’s Big Show) em Nova York, que acompanhei através do VIP Room realizado pela Cecília Rapassi. Conforme lá apresentado, a “autenticidade” e a “conexão humana” são os novos eixos centrais. Pequenas marcas podem se diferenciar através do storytelling local, sustentabilidade real e proximidade com a comunidade, algo que grandes corporações globais têm mais dificuldade em mimetizar de forma orgânica. Além disso, A NRF 2026 decretou que a IA deixou de ser uma tendência para se tornar a base do varejo. A Inditex utiliza IA não apenas no atendimento, mas na logística preditiva. A “Consistência” foi outro tema forte na NRF, referindo-se à experiência fluida entre o online e o físico. A estratégia da Inditex de “estoque único” (onde a loja física serve como mini-centro de distribuição) é a materialização dessa tendência, garantindo que o cliente encontre o mesmo nível de serviço e disponibilidade em qualquer canal. Portanto, a entrada da Bershka e Massimo Dutti em 2026 não deve ser vista apenas como a chegada de novos concorrentes, mas como um catalisador de inovação para todo o ecossistema brasileiro. Enquanto os grandes magazines serão forçados a uma corrida tecnológica por eficiência, as pequenas marcas encontrarão na autenticidade e na conexão comunitária — temas vitais da NRF 2026 — seu maior escudo e diferencial competitivo. O consumidor brasileiro, por sua vez, será o maior beneficiado com um varejo mais ágil, tecnológico e segmentado. E você, o que acha desse novo cenário?

Publicação de Everson Rodrigues / Linkedin

Esse gráfico não mostra apenas quem fatura mais. Ele revela quem entendeu o jogo no vestuário e calçados e não cresceram por acaso.

* Renner, * Riachuelo, * C&A, * Grupo SBF, * Alpargatas, * Grendene, * Vulcabras, * Dass Essas empresas têm algo em comum: domínio da cadeia, escala global e estratégia de importação bem estruturada. O ponto central: Não é sobre “importar para baratear”. É sobre importar para ganhar margem, velocidade e poder competitivo. Enquanto o cross border commerce chinês entrega: * Preço agressivo * Lead time curto * Variedade absurda * Escala industrial Muitas empresas brasileiras ainda tentam competir apenas com: * Produção local cara * Mix limitado * Margem espremida * Dependência do varejo tradicional Resultado? Ficam vulneráveis. O que os grandes fazem diferente 1 – Importação estratégica, não oportunista 2 – Mix híbrido: produção local + Ásia 3 – Sourcing global para proteger margem 4 – Volume + negociação direta com fábrica 5 – Controle de custo antes do marketing, não depois Não é coincidência que quem domina isso aparece no topo do gráfico. A verdade que poucos falam: Quem não dominar importação, desenvolvimento de produto global e supply chain internacional vai perder competitividade, não para outra empresa brasileira, mas para o cross border chinês direto ao consumidor final. * O consumidor já mudou. * A logística já mudou. * O preço de referência já mudou. A pergunta é simples: seu modelo de negócio mudou junto? Importação hoje não é alternativa. É estratégia de sobrevivência e escala. Quer importa da China com segurança? Saiba mais: https://lnkd.in/dt7kAVXd

Panorama político e econômico do país interfere diretamente no nível de expectativas do setor

Marcos Graciani  / Rev Amanha/digit

“Questões macroeconômicas como o desequilíbrio fiscal, o recorrente aumento de tributos sobre o setor produtivo e a elevada taxa básica de juros cada vez mais sufocam as indústrias e minam a competitividade do setor”, afirma Edson Vasconcelos, presidente do Sistema Fiep

Preocupados com as influências da política e da economia nacionais, os empresários industriais paranaenses estão mais pessimistas para 2026. É o que revelam os resultados da 30ª edição da Sondagem Industrial, divulgados nesta segunda-feira (2) pela Federação das Indústrias do Paraná (Fiep). A pesquisa, que mostra as expectativas do setor para o ano, aponta que somente 55% das indústrias estão otimistas em relação ao desempenho de seus negócios neste ano, uma queda de seis pontos percentuais em relação a 2025. Já em relação à economia brasileira, 46% dos entrevistados acreditam em retração.

Na avaliação da Fiep, esse arrefecimento do otimismo reflete um cenário de instabilidade provocado, principalmente, pela condução da política econômica federal. “Questões macroeconômicas como o desequilíbrio fiscal, o recorrente aumento de tributos sobre o setor produtivo e a elevada taxa básica de juros cada vez mais sufocam as indústrias e minam a competitividade do setor”, afirma Edson Vasconcelos, presidente do Sistema Fiep. “Tudo isso é fruto principalmente da falta de competência na condução da política econômica do país, com uma estratégia de sustentação do crescimento do PIB nacional por meio do gasto público descontrolado e pouco eficiente”, completa. A 30ª edição da Sondagem Industrial foi realizada por meio de questionário eletrônico, obtendo 738 respostas válidas. Participaram da pesquisa indústrias de todos os portes e de todas as regiões do estado, sendo que as micro e pequenas indústrias representaram 68% das respostas, enquanto as médias são 27% e as grandes 5%.

Além dos 46% dos empresários que esperam retração na economia brasileira em 2026 – crescimento de 3 pontos percentuais em relação ao ano passado – somente 24% estão confiantes em crescimento econômico. Ao serem questionados sobre os fatores que mais influenciaram em sua avaliação, 61% dos entrevistados apontaram a política nacional como razão. Já o panorama da economia nacional foi indicado por 26%. Em relação ao desempenho das próprias indústrias, além da queda no percentual de empresários otimistas – de 61% em 2025 para 55% em 2026 – a sondagem mostra que outros 33% dos entrevistados têm expectativas neutras para seus negócios. Já os que estão pessimistas são 12%, um crescimento de três pontos percentuais em comparação com o levantamento anterior. Quando perguntados sobre os principais fatores de influência para a avaliação do desempenho de seus negócios, entre os otimistas 56% apontaram a possibilidade de aumento nas vendas, 51% a abertura de novos mercados e 46% o aumento da produtividade. Já entre os pessimistas, 64% apontaram como principal dificuldade a busca por mão de obra, 47% os custos totais de produção e 44% a infraestrutura logística.

Ambiente de negócios
A pesquisa também perguntou aos industriais paranaenses quais são os principais fatores que atrapalham o ambiente de negócios do país. A corrupção foi apontada como o maior impacto por 83% dos entrevistados. Em seguida, aparecem a conjuntura econômica nacional (74%), a agenda de reformas (62%) e as políticas sociais governamentais (50%). “Esse último ponto tem sido crucial para muitas empresas, porque percebemos uma expansão fiscal muito grande baseada no aumento de custos com políticas sociais equivocadas, que não entregam a efetiva recuperação ou inserção social do beneficiário ao emprego e renda, que seria o caminho para a manutenção de um crescimento sustentado do PIB em longo prazo”, declara Vasconcelos.

Mesmo com o recuo nas expectativas dos empresários, a sondagem revela que a indústria paranaense ainda planeja um nível relevante de investimentos para 2026. No total, 84% das empresas respondentes afirmaram que pretendem investir neste ano, sendo que 59% afirmam que investirão o mesmo ou mais do que no ano passado. Do restante, 25% aplicarão menos recursos do que em 2025, enquanto 16% não devem realizar investimentos. Entre os que têm investimentos planejados, os projetos serão voltados principalmente às seguintes áreas: melhoria de processos, produtos ou serviços (63%), redução de custos de produção (46%), prospecção de mercados (45%) e ampliação da capacidade produtiva (38%). “As estratégias das empresas mostram uma preocupação clara com objetivos de curto prazo, com foco em aumento da eficiência operacional, redução de custos e consolidação de mercado. Isso mostra que, com o ambiente externo repleto de incertezas e dificuldades, o empresário busca alternativas para seguir competitivo”, diz Vasconcelos.

Em relação ao comércio exterior, o levantamento da Fiep mostra que somente 30% das indústrias paranaenses pretendem exportar em 2026. O índice é 17 pontos percentuais mais baixo do que o de 2025. Entre os que planejam vender para o exterior, 55% devem comercializar insumos e matérias primas, 26% máquinas e equipamentos, 11% serviços e 8% tecnologia. A quantidade de empresas industriais paranaenses que pretendem importar também caiu 14 pontos percentuais, ficando em 44% neste ano.

Reforma tributária
Uma novidade deste ano foi a inclusão de questões sobre o conhecimento das empresas em relação à reforma tributária, que entrou em vigor neste ano. No total, 71% dos entrevistados afirmam que não conhecem todos os impactos da reforma, contra 29% que dizem ter conhecimento. Entre os que responderam negativamente, o percentual é maior entre as micro e pequenas indústrias: 76% das empresas desse porte alegam desconhecer todos os impactos da reforma. O índice cai entre as médias (64%) e grandes empresas (41%). Ainda sobre o tema, entre os impactos esperados, 39% dos respondentes consideram que ela será positiva para seus próprios negócios, enquanto 46% acreditam que será positiva para a economia do país. Além disso, 55% dos entrevistados esperam redução da complexidade do sistema tributário com a reforma. “O industrial paranaense ainda não percebeu as vantagens da reforma tributária, como uma possível simplificação ou mesmo a redução das alíquotas. Se essa é a percepção da indústria, imagine no comércio ou nos serviços”, pontuou Vasconcelos.

Com carga tributária em nível recorde, brasileiros sentem pouco retorno em serviços e peso maior sobre o consumo. Especialistas apontam que revisão de gastos, subsídios e mecanismos como cashback podem aliviar o impacto sem cortar impostos.

Por Maria Eduarda Caldo, g1 — Brasília

  • A carga tributária total do Brasil foi de 32,2% do PIB em 2024, um recorde na série histórica.
  • O Brasil paga menos imposto na média que os países da OCDE, mas mais que a média na comparação com os países da América Latina e do Caribe.
  • Os impostos pesam tanto no bolso do brasileiro porque são cobrados de forma desigual. Quem ganha menos paga proporcionalmente mais imposto no país.
  • Uma das chaves para reduzir o peso dos impostos no bolso dos brasileiros passa pela forma como o governo gasta os recursos públicos.Você paga imposto quando recebe salário, quando compra comida e até quando liga a luz de casa. A sensação de muitos brasileiros é de que o dinheiro some e não volta em serviços públicos na mesma proporção.

Em 2026, ano eleitoral, o tema ganha ainda mais espaço no debate. O g1 ouviu especialistas para explicar por que o imposto pesa tanto no bolso — e que medidas os governos podem adotar para aliviar esse impacto, além de simplesmente reduzir tributos.

Entenda abaixo:

Primeiro, o brasileiro paga muito imposto?

Os dados oficiais mais recentes do Brasil são de 2024. Naquele ano, a carga tributária total do Brasil (tudo que foi pago em impostos por indivíduos e empresas) foi de 32,2% do PIB, um recorde na série histórica. Ou seja, nunca se pagou tanto imposto no país em relação ao PIB.

Na comparação com os países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) — espécie de “clube” com países ricos e alguns em desenvolvimento — o Brasil paga menos imposto na média.

Porém, paga mais que a média na comparação com os países da América Latina e do Caribe. Veja (em dados de 2023, os mais recentes disponíveis para esse conjunto de países):

  • Países da OCDE: 34,1% do PIB
  • Países da América Latina e Caribe: 21,3%
  • Brasil: 30,2%

Baixo retorno em serviços

A carga tributária no Brasil — quase a média dos países ricos da OCDE — não retorna em serviços na mesma qualidade das nações mais desenvolvidas.

O Brasil tem, por exemplo, o Sistema Único de Saúde (SUS), um caso de destaque na saúde pública do mundo, o que custa caro. Mesmo assim, o serviço poderia ser de maior qualidade. O mesmo se dá na Educação, na Infraestrutura, na Segurança.

“Na realidade há também essa ideia de parte de algumas pessoas, de uma parte da população, que os serviços que são prestados não são satisfatórios ou não são de boa qualidade. Então fica aquela discussão entre o que se paga, ou entre a carga tributária, e os serviços que a gente tem fornecidos pelo Estado”, afirmou o professor de Finanças Públicas da Universidade de Brasília (UnB), Roberto Piscitelli.

Isso gera um efeito de aversão aos impostos, que não necessariamente ocorre nas sociedades onde os serviços atendem aos anseios da população.

“Você vai para outros países, que as pessoas têm retorno, as pessoas não são tão críticas ao tributo. Aqui no Brasil, o tributo é uma norma de rejeição social porque, infelizmente, a gente paga muito e vê pouco, e aí acaba que a população tem esse distanciamento, essa rejeição à tributação”, explica Bianca Xavier, professora de Direito Tributário da FGV e diretora da Sociedade Brasileira de Direito Tributário (SBDT).

 

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Peso desigual nos bolsos

Além da percepção de pouco retorno em serviços públicos, os impostos pesam tanto no bolso do brasileiro porque são cobrados de forma desigual. Segundo especialistas, proporcionalmente, quem ganha menos paga mais imposto no país.

Isso ocorre porque os tributos sobre consumo — embutidos nos preços de produtos e serviços — são altos, enquanto os que incidem sobre renda e patrimônio têm peso menor. Como todos pagam a mesma alíquota ao consumir, esses impostos comprometem uma parcela maior da renda das famílias mais pobres.

Em 2024, os impostos sobre bens e serviços foram a principal fonte de arrecadação, somando R$ 1,64 trilhão, o equivalente a 14% do PIB e a 43,5% da carga tributária total, segundo dados da Receita Federal.

Na outra ponta, os mais ricos pagam proporcionalmente menos. Um estudo de 2025 mostra que pessoas com renda anual acima de R$ 5,5 milhões têm uma alíquota efetiva média de 20,6%, enquanto o brasileiro médio paga cerca de 42,5% da renda em impostos.

Já os tributos sobre lucro, renda e ganho de capital somaram R$ 1,07 trilhão em 2024, o equivalente a 9,1% do PIB — valor abaixo da média dos países da OCDE, que foi de 12,1% do PIB em 2023.

O que fazer então?

Segundo especialistas, uma das chaves para reduzir o peso dos impostos no bolso dos brasileiros passa pela forma como o governo gasta os recursos públicos. A avaliação é que o Estado brasileiro gasta muito e nem sempre gasta bem. Com despesas mais eficientes e melhor direcionadas, a carga tributária poderia pesar menos, mesmo sem cortes diretos de impostos.

Um dos principais exemplos citados é o volume de subsídios e benefícios fiscais concedidos pelo governo. Esses incentivos reduzem ou isentam determinados setores do pagamento de tributos e representam uma perda significativa de arrecadação — nem sempre acompanhada de retorno social ou econômico direto para a população.

Dados do Ministério da Fazenda mostram que os chamados gastos tributários, que incluem isenções, deduções e regimes especiais, somaram mais de R$ 540 bilhões no último ano. Para especialistas, parte desses benefícios poderia ser reavaliada ou extinta, abrindo espaço para uma distribuição mais eficiente dos recursos públicos.

O principal problema, segundo eles, é a dificuldade de comprovar a efetividade desses incentivos. “O beneficiário deveria demonstrar, por critérios objetivos, que está devolvendo à sociedade um benefício que justifique essa renúncia”, afirma o professor de Finanças Públicas da Universidade de Brasília (UnB), Roberto Piscitelli.

A diretora da Sociedade Brasileira de Direito Tributário (SBDT), Bianca Xavier, avalia que os subsídios tendem a ser mais eficientes quando estão ligados a políticas públicas que impactam diretamente a vida das pessoas. Quando a renúncia fiscal beneficia apenas setores econômicos específicos, o efeito costuma ser pouco perceptível para a população.

“Política pública a gente consegue ver. Mas quando o governo concede um benefício a um setor econômico, a população se pergunta: ‘Por que aquela indústria ou o agronegócio não estão pagando tributos?’”, afirma.

Outra alternativa apontada por especialistas para aliviar o peso dos impostos no bolso da população é o cashback tributário. O mecanismo prevê a devolução de parte dos tributos pagos no consumo às famílias de baixa renda, dando ao cidadão a sensação de que está sendo, ao menos em parte, retribuído pelo que paga, explica o professor da UnB Roberto Piscitelli.

Previsto na reforma tributária e com data para início em 2027, o cashback funciona por meio da devolução direta de uma parcela do imposto pago, geralmente vinculada ao CPF do consumidor e integrada a programas sociais já existentes. Segundo especialistas, é uma forma direta de reduzir o impacto dos impostos nas contas de quem mais precisa.

“Eu entendo que o cashback é uma forma justa de desonerar quem precisa. O benefício não tem a ver com o produto que você está comprando, mas com quem está comprando”, afirma a professora Bianca Xavier.

Além disso, ao unificar impostos sobre consumo, a reforma tributária busca simplificar o modelo de cobrança no Brasil, o que, segundo o governo, deverá baratear os custos das empresas. Os dispositivos da reforma, já aprovados pelo Congresso, vão ser implementados gradualmente nos próximos anos.

Reforma do Imposto de Renda

A redução do Imposto de Renda também é apontada como uma forma de aliviar o impacto dos tributos sobre a renda dos brasileiros que ganham menos. Desde o início do ano, passou a valer a isenção total do IR para quem recebe até R$ 5 mil por mês, além de uma redução gradual do imposto para rendas de até R$ 7.350.

Segundo projeções do Ministério da Fazenda, mais de 10 milhões de brasileiros ficam totalmente isentos com a nova regra. Para compensar a perda de arrecadação, o governo instituiu um imposto mínimo de até 10% para pessoas com renda anual acima de R$ 600 mil e passou a tributar dividendos acima de R$ 50 mil por mês. Ao todo, cerca de 141 mil contribuintes devem ser impactados por essas medidas.

Dividendos são a parcela do lucro das empresas distribuída aos acionistas.

A expectativa do governo é que a mudança estimule a movimentação da economia. Com parte da renda livre do Imposto de Renda, os contribuintes tendem a direcionar esses recursos para consumo, investimentos ou outros gastos, impulsionando diferentes setores da atividade econômica.

Publicação de Cícero Vieira

Depois de quase uma década marcada por crises, retração e migração acelerada para o digital, o #varejo físico – especialmente as lojas de rua – volta a ganhar tração nas grandes cidades. Reportagem de autoria de Adriana Mattos Ana Luiza Tieghi, publicada no “Valor Econômico” (link para ler a íntegra da matéria, nos comentários), revela que redes estão retomando investimentos, impulsionadas por três fatores principais: – Mudança no #comportamentodoconsumidor, que voltou a valorizar conveniência, proximidade e experiência presencial; – Custo e saturação dos #shoppings, hoje mais seletivos e caros para novos lojistas; – Requalificação urbana e reforço da segurança, com planos específicos para ruas comerciais estratégicas. O dado mais simbólico: enquanto shoppings ainda sentem os efeitos da queda no fluxo, a intenção de compra nas lojas de rua cresce, especialmente em bairros consolidados, avenidas movimentadas e regiões com mix diversificado de serviços. Mais do que um “revival”, o movimento aponta para um novo papel do físico:  lojas menores  foco em experiência e relacionamento  integração com o digital  presença onde o consumidor vive e circula O recado é claro: o varejo do futuro não é rua ou shopping. É contexto, estratégia e proximidade.

(A reportagem ouviu importantes executivos do varejo, entre eles, Carlos Eduardo SantosRafael Bernardini e Mathieu Le Roux#reputacao #Assessoriadeimprensa #ecossistemavarejista).

Vera Zaffari  – Linkedin

2026 não será um ano de previsões óbvias. Será um ano de reposicionamento. Enquanto o relatório da McKinsey, State of Fashion 2026, revela um varejo pressionado pela volatilidade econômica, pela mudança radical de comportamento do consumidor e pela aceleração da IA, para nós, que desenhamos o palco onde essas transformações se materializam, surge um recado claro: a arquitetura de varejo precisa evoluir na mesma velocidade da vida. O consumidor está redirecionando seus desejos. Quer valor, quer bem-estar, quer experiências que reflitam sua identidade. E as marcas, agora mais conscientes da queda do luxo tradicional, da ascensão das joias, do poder dos óculos inteligentes e da expansão da revenda, buscam relevância em um mundo onde o “novo normal” deixa de ser um conceito e se torna um ritmo permanente. Nesse contexto, a arquitetura de varejo deixa de ser cenário e passa a ser estratégia competitiva. Espaços precisam traduzir:  agilidade, para acompanhar um consumidor orientado por IA, que compara, interage e decide antes mesmo de pisar na loja;  eficiência, para marcas que enfrentam custos crescentes e processos tensionados;  identidade profunda, em um mercado em que a criatividade ressurge como eixo central de diferenciação;  bem-estar e pertencimento, pois o shopper busca marcas que acolhem, não apenas que vendem;  tecnologia invisível, mas presente, permitindo que a jornada seja fluida, personalizada e sempre relevante. Se 2026 será o ano em que a IA se consolida como necessidade, a arquitetura precisa conversar com ela: layouts adaptáveis, comunicação digital integrada, ambientes que performam como hubs de dados e interação. Ao mesmo tempo, precisamos reforçar o que nenhuma máquina entrega: sensibilidade, narrativa, materialidade, emoção. Esse equilíbrio entre o que é humano e o que é algorítmico define o varejo que queremos ver e projetar. Porque, no fim, o que o relatório deixa mais evidente é que não existe mais espaço para espaços neutros. Ou eles inspiram, ou eles desaparecem. E 2026 chegou pedindo coragem para reescrever as regras. #ArquiteturaDeVarejo #Tendências2026 #InovaçãoNoVarejo #EstratégiaEExperiência #VeraZaffariCo

Em programa da TV Câmara, entidade alerta para impactos econômicos e defende que qualquer mudança na escala de trabalho seja construída com diálogo setorial

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) participou, nesta sexta-feira (6), do programa Participação Popular, da TV Câmara, que discutiu os impactos da possível extinção da escala 6×1 e outras mudanças na jornada de trabalho. A entidade foi representada pelo advogado especialista da CNC Roberto Lopes.

O debate, transmitido ao vivo, contou também com a presença de Valeir Ertle, secretário nacional de Assuntos Jurídicos da CUT, além da participação virtual do deputado Leonardo Monteiro (PT-MG), autor dos requerimentos para realização da discussão, e de Daniel Duque, economista e pesquisador do FGV Ibre.

Durante sua intervenção, Roberto Lopes reafirmou o posicionamento institucional da CNC de que alterações na jornada de trabalho precisam ser construídas por meio da negociação coletiva, respeitando as realidades específicas de cada setor da economia.

“A CNC entende que mudanças na jornada devem ser fruto do diálogo e da negociação coletiva, garantindo segurança jurídica e sustentabilidade para empresas e trabalhadores. Não existe solução única que atenda de forma igual a todos os setores produtivos”, destacou o representante da entidade.

Lopes lembrou que diversos segmentos já adotam modelos específicos de jornada pactuados por acordos coletivos, como ocorre no setor de saúde, com o regime 12×36, por exemplo. Segundo o advogado, o modelo negociado tem se mostrado eficiente para atender simultaneamente às necessidades dos empregadores e dos trabalhadores.

“O caminho mais seguro e sustentável é a construção coletiva e gradual. As negociações já em curso no País permitem, inclusive, jornadas menores, e hoje temos uma média real nacional de 38,5 horas semanais. Isso é resultado da maturidade das relações de trabalho no Brasil”, afirmou.

O representante da Confederação alertou que mudanças abruptas e impostas sem diálogo podem gerar efeitos negativos, especialmente no setor de comércio e serviços, que reúne grande número de pequenas empresas. Entre os riscos apontados estão o aumento de custos operacionais, perda de competitividade, avanço da informalidade e impactos diretos em áreas essenciais do setor público, como saúde e educação.

“Uma alteração desse porte precisa ser amplamente debatida. Mudanças precipitadas podem produzir desequilíbrios econômicos e sociais que atingem principalmente as pequenas empresas, que têm menor capacidade de absorção de custos adicionais”, acrescentou Roberto Lopes.

Lopes reiterou que a entidade está aberta ao diálogo e disposta a contribuir para a construção de soluções equilibradas para o mercado de trabalho.

A transmissão completa do programa pode ser acessada no canal da TV Câmara no YouTube.