Thiago de Melo Furbino / Influencer

Founder TL.MF. | LinkedIn Top Voice | MBA / 05.7.25

No 1º trimestre de 2025, a participação dos cartões próprios e crediários (CDC) nas vendas das grandes varejistas reforça uma verdade: quem controla o crédito, controla a experiência e os dados. Com o Pix consolidado como meio de pagamento, forte representatividade dos cartões de 3º e a pressão sobre margens exigindo eficiência. O Private Label se consolida como ferramenta de ativação, relacionamento, fidelização, alavanca de rentabilidade e lucratividade Riachuelo (Midway) manteve a liderança em participação: 29% das vendas vieram do cartão próprio, apesar de queda de -3 p.p. A operação avança com cautela na concessão, em busca de equilíbrio entre risco, rentabilidade. Lojas Renner S.A. aparece logo atrás, com 27,7% de penetração e leve recuo de -0,9 p.p. O cartão da Realize segue sendo um pilar estratégico dentro do grupo, especialmente no relacionamento com o cliente e rentabilidade C&A Brasil Pay chegou a 25,5%, com queda de -1,7 p.p. A operação adotou uma abordagem mais conservadora desde o 2S24, focando em qualidade da carteira. Grupo D’avó: Sob a liderança de Marcio Mota de Avó, o cartão Confiança com 25,2% de penetração e alta de +0,56 p.p. O crescimento reflete uma gestão próxima, com forte atuação regional e foco no relacionamento direto com o consumidor. Grupo Casas Bahia manteve a tendência positiva com 23,7% de participação (+0,2 p.p.). O Banqi e o crediário voltaram a ganhar importância na estratégia, sendo vistos como alavancas para o turnaround do grupo. Grupo Pereira: Sob a liderança do Rafael Souza, o Vuon, alcançou 20,8% de participação.Em um dos maiores grupos do varejo alimentar, o Vuon cresce com consistência e inteligência, sendo diferencial competitivo em regiões-chave. Magazine Luiza fechou com 18%, estável em relação ao 1T24. Mesmo sem crescimento, o cartão segue como peça-chave na geração de dados. Private Label deixou de ser apenas meio de pagamento, passou a ser alavanca competitiva. – Na moda, o cartão atua como extensão da experiência da marca: personalização, recorrência e fidelização. – No eletro, serve como facilitador da conversão e do parcelamento, ancorado em crediário e cashback. – No alimentar, diferencia operações que conseguem operar com margem apertada, mas com profundidade de dados e ações personalizadas. A integração com cashback, promoções segmentadas e canais digitais transforma o cartão em um canal de vendas, relacionamento e inteligência de mercado. No entanto, a rentabilidade dessas carteiras depende diretamente da capacidade de gerir risco, inadimplência e cobrança. Em um cenário de Selic elevada, renda pressionada e concorrentes, como o setor de bets, que movimentou R$ 20 a 30 bilhões no 1T25 segundo Gabriel Galípolo. Cartão próprio bem gerido é diferencial competitivo. E quem domina essa lógica, está construindo um ecossistema onde a fidelização não é promessa — é consequência.

12/06/2025   / site cnc  

  

O setor produtivo recebe novamente com preocupação mais uma tentativa do governo federal de aumentar impostos com objetivos arrecadatórios.

A nova Medida Provisória é mais um triste capítulo da postura recorrente de se optar por soluções imediatistas em vez de enfrentar o verdadeiro desafio estrutural do país: o controle dos gastos públicos.

O governo parece não ter compreendido o alerta recente, quando editou decreto elevando alíquotas do IOF, de que não há mais espaço para improvisos, aumentos pontuais de tributos e penalização recorrente de quem produz e também de quem está consumindo no dia a dia, com o encarecimento de preços de escolas, viagens, alimentos, entre outras coisas.

Importante destacar que o novo decreto do IOF continua, lamentavelmente, onerando e prejudicando as empresas. Ainda assim, o governo afirma que, para cumprir a meta deste ano, conta com dividendos extraordinários das estatais e com o PL do óleo do perímetro adjacente licitado — o que só reforça que o decreto era e continua sendo sem sentido.

É mais do que urgente enfrentar o verdadeiro desafio fiscal do país, que está do lado da despesa pública.

O setor produtivo já é um dos mais tributados do país e tem contribuído de forma significativa com a arrecadação do Estado. Elevar ainda mais essa carga impactará a competitividade dos setores que impulsionam o país, desincentivando investimentos, e encarecerá o crédito prejudicando mais uma vez a população.

Confiamos que, ao analisar essa Medida Provisória, o Congresso Nacional tenha a mesma responsabilidade e firmeza que demonstrou ao reagir ao decreto do IOF.

O governo precisa atuar com previsibilidade e senso de responsabilidade para estimular nossa economia e não prejudicar o país.

 

Momentum nº 1.123

 de Marcos Gouvêa de Souza

 9 de junho de 2025

Os índices de desemprego nas principais economias do mundo estão em seus níveis historicamente mais baixos. Nos Estados Unidos, a taxa está em 4,2%; na zona do euro, em 6,2%; na Coreia do Sul, em 2,7% e no Japão, em 2,8%. No Brasil, o índice está em 6,3%, um dos patamares mais baixos das últimas décadas,  com tendência de queda por questões estruturais locais.

No nosso caso, é preciso cautela na análise: o indicador apura apenas quem está efetivamente buscando emprego. Programas assistenciais, como o Bolsa Família, que hoje atende cerca de 21 milhões de famílias, podem desestimular — ou até impedir — a busca por atividade formal remunerada, sob risco de perda do benefício. Isso gera uma distorção relevante no indicador e no mercado de trabalho.

A realidade é que está cada vez mais difícil preencher vagas, ampliar quadros ou repor profissionais, em especial em setores como varejo e hospitalidade, intensivos em mão de obra, os maiores empregadores privados do País e com jornadas que frequentemente incluem noites e finais de semana.

Estamos diante de uma mudança estrutural no emprego, que inaugura uma nova ordem na dinâmica da mão de obra, qualificada ou não. E tudo indica que esse cenário veio para ficar, podendo, inclusive, se agravar.

Gente faz a diferença nos serviços

A transformação da economia global para uma sociedade cada vez mais orientada aos serviços é um dos vetores dessa mudança estrutural. Nas cinco maiores economias do mundo, o setor de serviços representa, em média, 80% do PIB. A única exceção é a China, com 54%.

E o varejo, o comércio e a hospitalidade são, essencialmente, serviços nos quais as pessoas ainda fazem toda a diferença.

Na indústria, é possível produzir mais com menos por meio da automação e robotização, e, na agricultura, pode-se aumentar a produtividade com mecanização intensiva. Mas, nos serviços, a questão de mão de obra qualificada e dedicada torna-se cada vez mais evidente.

Alguns sinais, só como exemplo, envolvem:

  • Restaurantes em Manhattan que operam com horário reduzido por falta de pessoal;
  • Hotéis de nível alto cobrando taxas extras por arrumação diária de quartos;
  • Gorjetas que cresceram significativamente como forma de atrair e reter funcionários pelo adicional de remuneração.

E, da mesma forma como outros setores, a automação nos serviços tem avançado para tentar equilibrar a demanda, com o uso de totens em redes de fast-food, que reconfiguram as atividades dos atendentes, ou como na Amazon e outras redes de supermercados, com a adoção de caixas autônomos e self-checkouts em larga escala.

Ou com chatbots, assistentes virtuais, reconhecimento facial e provadores inteligentes, que já estão em uso, ainda que em estágios iniciais da curva de aprendizagem, tanto para os negócios quanto para os consumidores. Além das lojas autônomas, sem qualquer funcionário, que surgem como resposta direta à escassez de mão de obra e como alternativa para aumentar a conveniência e a eficiência.

A complexidade dos serviços no varejo

A forma mais direta de redução de gente no comércio e varejo é o e-commerce, que evolui de forma marcante e tem se diversificado em outras vertentes, como social commerce, live shopping, assinaturas, voice commerce, dropshipping, conversational commerce, entre outras.

 

Essas alternativas oferecem novas possibilidades de compras, especialmente em categorias e marcas orientadas por valor.

Mas quando o desafio é a diferenciação e a experiência, gente ainda é insubstituível.

A tecnologia, incluindo recursos como gêmeos digitais potencializados pela Inteligência Artificial, só substitui parte da presença humana. Ainda assim, ela amplia o acesso a produtos e serviços, pressionando preços e exigindo que as marcas entreguem mais valor com menos margem.

É uma equação cada vez mais desafiadora.

Presente e futuro: um cenário inevitável e inadiável

Do lado do consumidor, ou ele aceita um padrão mais baixo de atendimento e serviço, paga mais pelo que considera essencial ou migra para o e-commerce e suas variantes

Para as empresas, não ficam muitas escolhas. Elas precisam pesquisar, testar, implantar e evoluir em modo contínuo sobre como oferecer mais por menos, que é a nova ordem que emerge do cenário em transformação. Em todos os segmentos e categorias.

E o foco precisa estar em aumentar eficiência, racionalizar processos, reduzir custos, melhorar a produtividade e, ao mesmo tempo, personalizar e diferenciar a experiência do consumidor.

Tudo isso considerando que o todo poderá ser comparado, avaliado e testado em tempo real com um simples clique. Mesmo dentro da loja.

Tão simples assim. Mas também inevitável. E inadiável.

Marcos Gouvêa de Souza é fundador e diretor-geral da Gouvêa Ecosystem e publisher da plataforma Mercado&Consumo.
*Este texto reproduz a opinião do autor e não reflete necessariamente o posicionamento da Mercado&Consumo.

de Redação

 11 de junho de 2025

no NotíciasShopping centersVarejo

A Multiplan lançou uma nova funcionalidade no Canal Lojista, sua plataforma de comunicação com os lojistas dos shoppings da companhia. Chamada Conheça seus Clientes, a ferramenta oferece dados detalhados sobre o comportamento dos consumidores, como idade, gênero, bairro onde moram, segmentos preferidos de compra e frequência de visitas.

As informações são consolidadas a partir do aplicativo Multi, do programa de relacionamento MultiVocê e do histórico de vendas das lojas. O painel permite ainda que os lojistas acompanhem a performance de suas unidades dentro do MultiVocê, analisando volume de vendas, número de notas fiscais cadastradas e nível de engajamento dos clientes nas categorias Green, Silver e Gold.

“Com base nessas informações, consigo ajustar o mix de produtos da minha loja. É um trabalho muito relevante que a Multiplan desenvolve com o cliente Multi. Queremos crescer cada vez mais com esse público, que representa um excelente negócio tanto para a nossa loja quanto para a Multiplan”, afirma Jussara Veloso, gerente da H.Stern do DiamondMall.

 

O lançamento acontece em um momento de alta digitalização da companhia. No primeiro trimestre deste ano, o aplicativo Multi superou 8,5 milhões de downloads e o MultiVocê teve aumento de 73% no valor das notas cadastradas, com mais de 600 lojistas e 2,3 mil benefícios ativos.

“Estamos oferecendo aos lojistas uma ferramenta poderosa de inteligência de mercado, com informações agregadas, que respeitam a LGPD, Lei Geral de Proteção de Dados. Utilizamos tecnologia para garantir privacidade e, ao mesmo tempo, fornecer insights relevantes que fortalecem o relacionamento com os lojistas e aumentam a efetividade das ações no varejo”, afirma Richard Svartman, diretor de Inovação Digital da Multiplan.

11/06/2025

Alta da temperatura, inflação e crédito restrito formam combinação desfavorável ao setor

Com previsão de temperaturas mais altas do que o habitual para a estação mais fria do ano, as vendas no setor de vestuário, calçados e acessórios devem ter retração de R$ 50 milhões em relação ao inverno passado, segundo projeções da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A estimativa leva em conta os até 2°C previstos acima da média histórica no Brasil para a época, o que reduz a procura pelos itens típicos do clima mais gelado.

A expectativa de um inverno menos rigoroso, principalmente nas regiões Sul e Sudeste, é atribuída ao fenômeno El Niño e ao aquecimento global. Tal mudança no padrão climático tem alterado o comportamento dos consumidores, diminuindo a demanda por roupas quentes e o desempenho do varejo no período entre maio e agosto.

De acordo com o estudo da CNC, a movimentação financeira total prevista para o segmento de vestuário no inverno de 2025 é de R$ 90,3 bilhões. Deste montante, R$ 9,09 bilhões devem ter relação direta com a queda dos termômetros, contra os R$ 9,14 bilhões do mesmo período em 2024. Confirmadas as projeções, isso representaria uma redução de R$ 50 milhões.

“O setor enfrenta um cenário desafiador, marcado por um inverno atípico e por condições econômicas que ainda impõem cautela ao consumo das famílias. A atual perspectiva exige do varejo maior capacidade de adaptação e planejamento diante de um consumidor mais seletivo e de um ambiente de negócios ainda marcado pelas incertezas”, afirma o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros.

Preços altos agravam o cenário

O cenário é agravado pela conjuntura econômica. Ainda que a inflação do ramo de vestuário deva fechar o ano abaixo da média geral (+4,0% contra +5,5%), os preços avançaram em relação ao período equivalente, de acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), aferido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Fatores que também pesam são o encarecimento do crédito e o alto comprometimento da renda das famílias brasileiras. A taxa média de juros nas operações de crédito com recursos livres permanece alta e sem previsão de redução. Já o índice de endividamento das famílias segue acima dos 50% da renda, o que compromete o consumo.

Novo padrão se consolida

Olhando em retrospecto, o Brasil tem passado por invernos progressivamente mais quentes ao longo dos últimos anos. De acordo com dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), a temperatura média registrada durante os meses de inverno tem se mantido em torno de 21,5°C desde 2014, com pequenas variações. A previsão de 2025, portanto, segue a tendência da última década.

“O setor varejista precisa se adaptar a uma realidade em que o frio já não é mais tão previsível ou intenso quanto antes, o que pode demandar mudanças nas estratégias de estoque, marketing e calendário promocional”, analisa o economista da CNC Fabio Bentes.

Tiago de Melo Furbinolo  / Lindekin

No 1º tri, a Riachuelo entregou o maior EBITDA da sua história para um primeiro trimestre: R$ 258 milhões, um avanço de 22% sobre o 1T24 mesmo com um prejuízo contábil de R$ 26,7 milhões no 1T25. O prejuízo, no entanto, é 77% menor que o registrado no 1T24.

No varejo, o destaque foi a performance de vestuário, alta de 12,8% em vendas mesmas lojas (SSS) e 10,7% SSS no consolidado. A receita líquida consolidada foi de R$ 2,2 bilhão (10,6%) e no segmento de mercadorias atingiu R$ 1,6 bilhão (+11,7%), e a margem EBITDA alcançou 7%, o melhor patamar em 9 anos para o período.

Na produção, a fábrica Guararapes Confecções S/A segue sendo uma alavanca silenciosa de rentabilidade. Melhor uso dos insumos, avanço na costura interna e menos demarcação explicam boa parte do aumento de 2,5 pontos na margem bruta (50,5% em mercadorias e 53,7% em vestuário).

Do lado financeiro, a Midway mostrou resiliência: R$ 126 milhões de EBITDA (+20,3%), e o lucro líquido da unidade somou R$ 53,1 milhões, avanço de 29,4% sobre o 1T24. A inadimplência acima de 90 dias está em 16,5% e caiu 6,6 p.p. em relação ao 1T24, e o cartão Riachuelo respondeu por 29% das transações em loja. A carteira de crédito, de R$ 5,3 bi, é operada com cautela e inteligência.

O digital também segue contribuindo com margem positiva, reflexo da evolução em omnicanalidade e integração de dados. Já a expansão física ganha novo fôlego, fechando o 1T25 com 430 lojas em operação, a companhia projeta a abertura de 8 lojas da RCHLO e 8 Carter’s ao todo ao longo de 2025, de acordo com a Bloomberg Línea.

Mesmo com prejuízo contábil de R$ 26,7 milhões , reflexo da sazonalidade, aumento de impostos e investimentos em tecnologia, a empresa reforça sua posição financeira sólida e foco em eficiência.

A companhia encerra o 1T25 demonstrando avanço sólido na execução de sua estratégia, ancorada em três pilares bem definidos: experiência, eficiência e retorno sobre capital.

Na experiência, o foco segue em moda autoral, revitalização da marca, curadoria de categorias-chave e evolução dos canais físicos e digitais pilares que impulsionaram o crescimento de vendas por metro quadrado e a preferência do consumidor.

Na eficiência, a companhia fortalece sua moda produzida internamente, acelera o modelo de clusterização e investe na inteligência de precificação, refletindo em maior giro, margem e resultados como os do 1T25. A dívida líquida totalizou R$ 870 milhões ou 0,6 de dívida líquida/ Ebitda.

Já no retorno sobre capital, a combinação entre expansão de margem, alavancagem operacional, gestão de capital e revitalização da Midway está pavimentando o caminho para uma companhia mais sólida, rentável e preparada para os desafios do varejo em 2025.

Ative para ver a imagem maior.

Taxa brasileira só não supera a da Turquia e fica à frente de Rússia, Argentina e África do Sul

Com o aumento de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros (Selic), o Brasil subiu da terceira para a segunda posição no ranking mundial de juros reais (descontada a inflação), abaixo apenas da Turquia.

A taxa real brasileira subiu de 8,65% ao ano, dado do levantamento anterior, para 9,53% ao ano. Na Turquia, os juros reais estão em 14,44% ao ano. O Brasil possui juros reais mais elevados que Rússia (7,63%), Argentina (6,70%) e África do Sul (5,54%).

O ranking foi elaborado pelo Portal MoneYou e pela Lev Intelligence, que estimou uma taxa média de 1,67% ao ano em 40 países.

Copom, comitê de política monetária do Banco Central, decidiu a Selic nesta quarta-feira – Saulo Angelo/Thenews2/Folhapress

O número brasileiro é uma combinação da inflação projetada para os próximos 12 meses —de 5,25%, segundo o último boletim Focus, do Banco Central, no caso do Brasil— e dos juros de mercado de 12 meses à frente.

Nesta quarta-feira (18), o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central elevou a taxa básica de juros (Selic) de 14,75% para 15% ao ano.

“O movimento global de políticas de aperto monetário perdeu força, com apenas 6% dos países no mundo subindo juros, sendo o contexto majoritário de manutenção das taxas”, apontou o economista Jason Vieira, responsável pelo levantamento.

Em termos nominais, a taxa brasileira permaneceu no 4º lugar, acima da Colômbia, México e África do Sul e abaixo da Turquia, Argentina e Rússia.

Cai a fatia dos que dão mais importância à CLT, mesmo com salário menor, e cresce a dos que não veem problema em trabalho informal com mais rendimento

Maeli Prado fsp / São Paulo

Pesquisa Datafolha apontou que 59% dos brasileiros prefeririam trabalhar por conta própria, ante 39% que se sentem melhor contratados por empresa.

O levantamento apontou também que, desde 2022, cresceu de 21% para 31% o número de pessoas que consideram mais importante ganhar mais do que ser registrado. Já os que valorizam a CLT mesmo com salário menor caíram de 77% para 67% nesse intervalo de tempo.

Os que declaram não saber foram 2% nos levantamentos de 2022 e deste ano.

Nos dois anos, as pesquisas foram realizadas presencialmente em todo o Brasil, com margem de erro de dois pontos percentuais, para cima ou para baixo. A deste ano aconteceu entre os dias 10 e 11 de junho e ouviu 2.004 pessoas em 136 municípios; a de 2022 escutou 2.026 pessoas nos dias 19 e 20 de dezembro em 126 municípios.

Já a pergunta sobre o que é melhor, ser contratado por uma empresa ou ser autônomo, foi feita pela primeira vez neste ano, o que impede a comparação desse quesito.

A preferência por trabalhar por conta própria aparece em todas as faixas etárias e é maior entre os mais jovens. Entre os que têm de 16 a 24 anos, 68% acham melhor ser autônomo, contra 29% que preferem o emprego. Entre os 60+, as fatias são de 50% e 45%, respectivamente.

Cai percentual de brasileiros que veem carteira de trabalho assinada como importante – Agência Brasil

São mais propensos a escolher o trabalho por conta própria aqueles que declaram simpatia pelo PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro: 66% deles preferem ser autônomos, contra 33% que veem mais vantagem na contratação. Entre os que declaram simpatia pelo PT, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as porcentagens são 55% e 43%, respectivamente.

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A fatia dos que valorizam mais trabalhar por conta própria que ser empregado é expressiva entre aqueles que não consideram importante a carteira assinada se a remuneração for maior: chega a 85%, contra 13% que, nesse grupo, veem mais importância nas regras da CLT, mesmo que com salário menor.

Essa valorização do trabalho formal sobre o informal, mostra a pesquisa, é maior nas regiões Nordeste (69%), Sudeste (67%) e Sul (66%). Os percentuais caem no caso das regiões Centro-Oeste e Norte, ambas com 62%.

Segundo Daniel Duque, economista e pesquisador do FGV/Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), essa perda de importância da CLT está relacionada a aspectos culturais, como a popularização do trabalho remoto após a pandemia —que vem sendo revertido pelas empresas nos últimos anos a contragosto do trabalhador.

Para o especialista, o movimento também está relacionado com a taxa de desemprego nas mínimas históricas: 6,6% no trimestre encerrado em abril, de acordo com a Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), do IBGE.

“Com o mercado de trabalho aquecido, os trabalhadores percebem que teriam espaço para ganhar mais, mas isso não é possível pelos encargos trabalhistas elevados, que acabam sendo um entrave a aumentos mais expressivos nos salários”, avalia.

O crescimento dos empregos em aplicativos de transporte, entrega ou venda online também afeta esse movimento, segundo Duque. “Cada vez mais os trabalhadores querem uma ocupação em que podem trabalhar somente o que estão dispostos naquele momento”, afirma.

A pesquisa Datafolha revelou ainda que as mulheres consideram mais importante trabalhar com carteira, com 71% do total, contra 62% dos homens.

Ao mesmo tempo, os mais velhos também priorizam mais o vínculo formal, com 68% e 79% dos brasileiros considerando essa opção mais importante nas faixas etárias entre 45 e 59 anos e acima de 60 anos, respectivamente.

Outro achado da pesquisa é que, quanto menor a renda, maior a importância dada à carteira de trabalho assinada. Entre aqueles que recebem até dois salários mínimos, o percentual dos que julgam o vínculo formal mais importante é de 72%, contra apenas 56% daqueles que ganham mais de 10 salários mínimos.

As diferenças aparecem também nos recortes por escolaridade: aqueles com ensino fundamental são os que mais consideram um emprego CLT mais importante (75%), contra 66% do ensino médio e 59% dos trabalhadores com ensino superior.

Quando o recorte é por ocupação, os aposentados (80%) e os funcionários públicos (72%) são os que são mais favoráveis à ocupação formal. Por religião, 71% dos católicos são mais favoráveis ao emprego CLT, contra 64% dos evangélicos.

“A CLT é muito boa para proteger trabalhadores de baixa qualificação, que através dela têm acesso a benefícios como férias e 13º salário aos quais dificilmente teriam acesso em uma ocupação informal”, explica Duque.

O recorte por partido político também tem bastante peso na hora de elencar qual a prioridade do tipo de trabalho.

No caso dos eleitores do PT (Partido dos Trabalhadores), partido do presidente Luís Inácio Lula da Silva, 73% acreditam que o melhor é ter um vínculo formal, enquanto esse percentual se reduz a 54% no caso dos eleitores do PL (Partido Liberal), partido do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Entre os que avaliam Lula como ótimo/bom, o percentual dos que consideram importante o emprego com carteira de trabalho assinada é de 76%, para 71% dos brasileiros com avaliação regular do presidente e 57% de ruim/péssimo.

A pesquisa Datafolha também mediu o interesse pela CLT dependendo do sentimento em relação ao Brasil. Entre os otimistas com o país, o percentual dos que consideram a CLT mais importante foi de 72%, para 70% dos hesitantes e 62% dos pessimistas.

Na avaliação de Duque, a tendência é que esse movimento de perda de importância da carteira de trabalho assinado se aprofunde cada vez mais. Ele antevê uma pressão política acentuada para a redução dos encargos trabalhistas.

“Acredito que vai crescer a pressão política para redução dos encargos trabalhistas, já que a CLT atualmente está pouco atrativa para os trabalhadores um pouco mais qualificados que a média”, avalia. “E os mais jovens vão tomando conta do mercado de trabalho, e estão em busca de maior flexibilidade.”

O ex-presidente dos EUA afirma que, para quem quer se destacar, haverá momentos de desequilíbrio — mas é essencial compensar depois

Por Preston Fore (Fortune )

Atualização: 

Para quem busca sucesso na carreira, pode ser inevitável lidar com almoços de trabalho e horas extras que se estendam além do expediente. É o que acredita o ex-presidente dos EUA Barack Obama. Recentemente ele afirmou que ter equilíbrio entre vida pessoal e profissional nem sempre é possível.

“Se você quer ser excelente em qualquer área — esportes, música, negócios, política — haverá momentos em que não vai haver equilíbrio, em que você estará só trabalhando e totalmente focado”, disse no podcast The Pivot.

Ele e a família aprenderam essa lição da forma mais difícil.

O ex-presidente dos EUA Barack Obama afirma que, para quem quer se destacar na carreira, haverá momentos de desequilíbrio entre vida pessoal e trabalho. Foto: Gage Skidmore /WHITE HOUSE

Obama contou que, durante a primeira campanha presidencial, ficou mais de um ano e meio em um ritmo intenso de trabalho. Ele chegou a fazer pausas nos fins de semana, mas Michelle assumiu quase todas as responsabilidades em casa, cuidando das filhas mesmo trabalhando em tempo integral.

Embora esse período tenha resultado em dois mandatos na Casa Branca, Obama reconheceu que não era algo sustentável.

Como presidente, ele criou a regra de jantar com a família todas as noites às 18h30 — mesmo que depois tivesse que retomar o trabalho. Para ele, esses momentos em família não representavam perda de tempo produtivo, mas eram essenciais.

“Eles te trazem equilíbrio e perspectiva, e isso, com o tempo, te torna uma pessoa melhor”, explicou.

Equilíbrio em fases

Mesmo como ex-presidente, Obama admite que suas conquistas políticas — as mesmas que o afastaram temporariamente da família — não serão o que vai recordar no futuro. O que realmente fica, segundo ele, são os laços e as memórias com os filhos.

“Acho que não existe uma fórmula perfeita”, disse em um evento da Fundação Obama em 2019. “Tenho certeza de que, no meu leito de morte, não vou lembrar de nenhuma lei que aprovei, de nenhum discurso que fiz, de nenhuma multidão para a qual falei.”

Isso não significa que as ambições profissionais não sejam importantes. Mas o nível de dedicação ao trabalho, de acordo com Obama, depende do que está acontecendo em casa — e vice-versa.

“Haverá momentos em que você precisará priorizar coisas diferentes”, explicou. “Às vezes, tudo bem mergulhar no trabalho porque está tudo bem em casa. Em outros momentos, talvez seja necessário abrir mão de parte do trabalho para cuidar do que não está bem em casa.”

Para casais, a lógica é a mesma: em certos momentos, um precisa ceder para que o outro possa se dedicar mais, mas essa troca tem que ser equilibrada.

“Michelle e eu tentamos reforçar que você pode ter tudo — mas não tudo ao mesmo tempo”, disse. “É preciso entender que haverá momentos em que um vai precisar assumir mais responsabilidades, mas também ter disposição para fazer o mesmo pelo outro e manter o equilíbrio na família.”

LinkedIn também defende a dedicação total — mas com pausas

A discussão sobre o equilíbrio entre vida pessoal e profissional não é exclusiva dos líderes políticos. Ela também aparece no mundo dos negócios.

Reid Hoffman, cofundador do LinkedIn, afirmou que manter o equilíbrio não é uma opção para empreendedores que desejam superar a concorrência.

“Se eu ouço um fundador dizendo: ‘É assim que mantenho minha vida equilibrada’, eu sei que ele não está realmente comprometido com a vitória”, declarou em 2014, em uma aula em Stanford. “Os verdadeiros grandes fundadores são aqueles que dizem: ‘Vou colocar tudo de mim nisso’.”

Ainda assim, Hoffman compartilha com Obama a visão de que reservar um tempo para a família faz diferença.

“Quando começamos o LinkedIn, muitos tinham família. Então, dizíamos: tudo bem, vá para casa jantar com a família”, contou no podcast The Diary of a CEO. “Depois do jantar, volte ao computador e continue trabalhando.”

Outros líderes, porém, veem o equilíbrio como inegociável. Laxman Narasimhan, ex-CEO da Starbucks, afirmou à Fortune que é “muito disciplinado” quanto a manter limites claros.

“Tem que ser algo realmente importante para me afastar da família.”

Esta matéria foi publicada originalmente na Fortune.com

Compra de produtos da China cresceu 26,5% no Brasil no período; expectativa é que movimento seja ampliado nos próximos meses

As exportações da China para o Brasil atingiram US$ 29,5 bilhões no período de janeiro a maio, um recorde na série histórica iniciada em 1997, em meio à guerra tarifária iniciada pelo presidente americano, Donald Trump. No entanto, segundo especialistas, no caso brasileiro, a expansão também está relacionada a fatores além da disputa comercial global.

Nos cinco primeiros meses de 2025, as importações brasileiras cresceram 9,22% em relação ao mesmo período do ano passado, para US$ 112,5 bilhões, de acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). A compra de produtos da China, porém, foi a que mais cresceu, com alta de 26,5%. As importações vindas de outros parceiros comerciais, como Estados Unidos (9,9%) e União Europeia (4%) cresceram bem menos, enquanto as de produtos do Mercosul caíram 1,8% no mesmo intervalo.

O crescimento nas importações da China, à primeira vista, corrobora a expectativa de que o país asiático teria de inundar outros mercados com seus produtos para compensar a queda no volume exportado aos Estados Unidos, com quem trava uma guerra tarifária desde fevereiro.

Especialistas, porém, apontam que o efeito do redirecionamento da produção da China, embora já comece a ser visto, ainda não é tão grande, e vai ganhar força no decorrer do ano. Por enquanto, dizem, a expansão reflete principalmente fatores como a atividade econômica interna aquecida.

Além disso, também houve a compra de uma plataforma de petróleo vinda da China no mês de fevereiro, que custou cerca de US$ 2,7 bilhões e ajudou a inflar o número das transações comerciais entre os dois países no período.

Brasil aumenta a importação de produtos da China Foto: Divulgação/Porto de Santos

O economista Matheus Pizzani, da corretora CM Capital, que acompanha os dados da balança comercial brasileira mensalmente, observa que, no início do ano, o crescimento das importações chinesas no Brasil foi impulsionado pelos chamados bens de capital − maquinários e equipamentos usados pelas empresas para produzir outros bens e serviços.

Os bens finais, como automóveis, eletrodomésticos e eletroeletrônicos, só começaram uma tendência de aumento a partir de abril. Esse movimento, segundo ele, pode refletir “em alguma medida” o efeito da guerra tarifária e o atrito entre China e Estados Unidos.

Pizzani reforça que a continuidade do crescimento das importações dos bens finais dependerá do cenário da economia doméstica. “São bens que, no limite, não são essenciais. A demanda por eles depende diretamente no nível da atividade e da confiança das pessoas em adquiri-los”, reforça.

Além da atividade doméstica aquecida, a economista da Tendências Consultoria, Gabriela Faria, lembra que o crescimento das importações no ano até aqui foi beneficiado pelo bom momento do setor agropecuário, que demanda itens como adubos e fertilizantes. “A safra de soja foi muito boa e com remuneração positiva aos produtores. Eles conseguiram se preparar para fazer novos investimentos”, diz ela.

O presidente da Associação da Câmara de Comércio Exterior (AEB), José Augusto de Castro, destaca que a queda no preço de commodities nos últimos meses diminuiu o custo de muitos dos bens fabricados pela China, o que favoreceu a produção e, consequentemente, a exportação para o Brasil. “Era um cenário anterior ao tarifaço dos Estados Unidos. As medidas do Donald Trump vieram apenas consolidar uma tendência que já era imaginada”, pontua.

Castro observa ainda que a China tem focado em produtos de alto valor agregado, o que ajuda a turbinar os valores envolvidos nas importações feitas pelo Brasil. “Invariavelmente, mais produtos que eles venderiam para os americanos vão chegar aqui. É claro que o Brasil não tem como substituir os Estados Unidos, afinal de contas nosso mercado é bem menor, mas devemos ficar com alguma coisa”, avalia ele.

O presidente da Associação Brasileira de Importadores (Abimp), Michel Platini, considera que parte dos produtos chineses que agora chegam ao Brasil só entrou no País devido ao fechamento do mercado americano em meio à escalada tarifária.

Ele explica que os custos estavam em baixa na China no início do ano, o que incrementou a produção, ao mesmo tempo em que os EUA anunciaram tarifas acima de 100% ao país asiático. “O investimento nessa produção já havia sido feito, mas um mercado importante (os EUA) foi praticamente fechado, houve essa necessidade de redirecionamento”, diz ele.

O cenário, acrescenta Platini, “deu fôlego” a um movimento já bastante consolidado dos consumidores brasileiros, de comprar itens do segmento têxtil, utensílios domésticos e de bazar vindos da China a partir de plataformas como Mercado Livre, Amazon e Temu. Ele acrescenta que o aumento da entrada desses itens por aqui só não foi mais forte por conta da greve de servidores da Receita Federal em terminais alfandegários, que perdura desde novembro do ano passado.