Publicado em: 06/08/2025

Itaú Unibanco, Bradesco e Santander Brasil tiveram um lucro combinado de R$ 21,234 bilhões no segundo trimestre, uma alta de 17,2% na comparação com o mesmo período do ano passado. De forma geral, os dados de crédito e inadimplência vieram um pouco melhores do que o esperado pelos analistas e os executivos não mostraram grande preocupação com o cenário macroeconômico, embora reconheçam que os juros elevados vão pesar sobre o crédito.

Os grandes bancos privados não esperam impactos significativos, em suas carteiras, em função do “tarifaço” de Donald Trump contra o Brasil, e a crise do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que afetou a linha de risco sacado em junho, pode ter alguma reversão nos próximos meses.

Em momentos distintos, cada um dos bancos mostrou tendências um pouco diferentes no crédito. Itaú segue com lucro recorde e rentabilidade bastante elevada, e seu portfólio de crédito cresceu 7,3% em um ano (o “guidance” vai de crescimento de 4,5% a 8,5%).

Bradesco, que vem em uma toada de recuperação, após momentos difíceis com a piora na inadimplência em anos anteriores, mostrou expansão de 11,7% na carteira, mas o guidance (de 4% a 8%) indica que deve haver desaceleração no restante do ano. E Santander foi o que se revelou mais cauteloso. O banco não tem guidance e a carteira teve expansão anual de apenas 1,5%.

Em termos de inadimplência, no Itaú ela foi de 2,3% em junho, de 2,3% em março e 2,7% em junho do ano passado. No Bradesco, ficou em 4,1%, de também 4,1% três meses antes e 4,3% há um ano. E no Santander, atingiu 3,1%, ante 3,3% e 3,2%, na mesma base de comparação.

O CEO do Itaú, Milton Maluhy, foi questionado se espera uma deterioração do cenário macroeconômico no segundo semestre, mas afirmou que não vê grandes mudanças e que está muito confortável com a qualidade dos ativos que o Itaú tem gerado. De qualquer forma, disse que a taxa de juros “bastante restritiva” deve impactar a atividade ao longo do segundo semestre.

“Olhando essa perspectiva e olhando todos os desafios que a gente tem, macro e micro, não só no Brasil, como em outras geografias, com o nível de juros que a gente está observando, é difícil imaginar que vai se abrir uma janela para equity no segundo semestre”, comentou Maluhy, quando se referia ao mercado de emissão de ações (ECM).

Já o CEO do Bradesco, Marcelo Noronha, disse que o banco deve começar a acelerar no consignado privado nos próximos meses, mas que a carteira geral vai desacelerar e convergir para o guidance. “Estamos muito animados com o que estamos fazendo no banco, mas em relação à economia temos cautela, mantemos o pé no chão”, comentou.

Mais conservador, o CEO do Santander, Mario Leão, acredita que a Selic vai continuar elevada por algum tempo, o que torna mais difícil o objetivo de alcançar um retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) de 20% em alguns anos. “A gente sabe que ela deve continuar em dois dígitos por alguns anos. Não é bom para a atividade econômica, para os portfólios de crédito e crescimento do país”, disse. “Não somos imunes ao cenário macro, então estamos mais conservadores, prudentes”, comentou em outro momento.

Fonte: Valor Econômico

  • 07/08/2025 – site CNC

Percentual de brasileiros que não têm condições de pagar as dívidas é o maior de 2025; famílias de menor renda e mulheres são as mais afetadas

A inadimplência do consumidor atingiu o maior patamar desde setembro de 2023, chegando a 30,2% da população brasileira. É o que mostra a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada mensalmente pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O aumento do índice em julho foi de 0,5 ponto percentual, acompanhado pelo crescimento da quantidade de famílias que declararam não ter condições de pagar as dívidas, percentual que chegou a 12,7% (+0,2 p.p.). Desde dezembro de 2024, essa fatia não era tão grande.

O levantamento também mostrou que o endividamento ficou praticamente estável, em 78,5%, com o avanço de 0,1 p.p. frente ao mês passado. Ainda foi observado que a tendência de redução dos prazos firmados para os pagamentos se manteve pelo sétimo mês consecutivo, com as dívidas superiores a um ano alcançando 31,5%. Em contrapartida, o comprometimento em curto prazo cresceu.

Tais resultados emitem um alerta, especialmente, de que as famílias de rendas baixa e média e o público feminino têm passado por maiores dificuldades, uma vez que eles apresentaram piora tanto no endividamento quanto na inadimplência. Um ano atrás, a inadimplência era de 28,8%, com 11,9% dos entrevistados declarando não ter condições de pagar.

“O aumento do número de famílias que já não conseguem pagar suas dívidas e a estagnação do endividamento indicam que os brasileiros estão no limite de sua capacidade de contrair novas dívidas. A redução dos prazos mostra um uso cada vez mais defensivo do crédito. Esse comportamento exige atenção das autoridades para que se evite uma estagnação no comércio e nos serviços”, afirma o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros.

Contas em atraso por mais tempo

Segundo o levantamento, o tempo de inadimplência aumentou em julho, com 47,5% dos consumidores com contas em atraso estando nesta situação há mais de 90 dias. Ainda assim, houve melhora do percentual de famílias que comprometem mais da metade da renda com as dívidas, de 19,2% para 18,9% no mês. Outra boa notícia é que o comprometimento médio dos ganhos familiares caiu para 29,4%.

O cartão de crédito segue como o principal meio de endividamento (84,5%), embora tenha recuado 1,5 ponto percentual, na comparação com 12 meses atrás. Já os carnês continuam ganhando espaço, sendo a segunda modalidade mais utilizada, com 16,8% e destaque frente ao crédito pessoal, que aparece com 10,6%.

“Notamos as famílias brasileiras cada vez mais conscientes com relação ao crédito. Prova disso é a redução do comprometimento médio da renda e da parcela de famílias com mais da metade dos ganhos consumidos pelas dívidas. O recuo do cartão de crédito e avanço dos carnês sugerem uma busca por modalidades menos onerosas e com maior previsibilidade de pagamento”, analisa o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes.

Perfil dos endividados

A parcela da população com faixa de renda entre 3 e 5 salários mínimos foi a que apresentou maior aumento do endividamento e da inadimplência. Em um ano, o número de endividados entre este público cresceu 1,7 ponto percentual (81,3%), e o de inadimplentes subiu 1,6 p.p. (28,7%). Já entre os que afirmam não ter condições de pagar as dívidas, o aumento foi de 2 p.p. (12%).

Na análise envolvendo os gêneros, o endividamento das mulheres caiu 0,2 p.p. (79,1%) frente a julho de 2024, embora tenha aumentado 0,9 p.p. em um mês. A inadimplência delas aumentou 1,4 p.p. (30,7%), com 12,4% sem condições de pagar (+0,3 p.p. na variação anual). Em contrapartida, é maior o percentual de homens sem ter como pagar as contas atrasadas, que chegou a 12,8%, 1,1 p.p. à frente do patamar de um ano atrás.

Perspectiva para os próximos meses

Mesmo com os indicadores elevados, a CNC projeta que o endividamento deve começar a desacelerar nos próximos meses. A expectativa é que a combinação de juros elevados e aumento da inadimplência leve as famílias a um comportamento mais cauteloso com o crédito. Ainda assim, a entidade prevê que 2025 deve terminar com níveis mais altos de endividamento (+1,1 p.p.) e inadimplência (+1,4 p.p.) em comparação ao fim de 2024.

A crescente migração de trabalhadores formais para o modelo de contratação como pessoas jurídicas já tem gerado efeitos nas contas públicas e na estrutura do mercado de trabalho brasileiro. Entre 2022 e 2024, cerca de 4,8 milhões de trabalhadores demitidos com carteira assinada retornaram ao mercado como pessoas jurídicas — majoritariamente como Microempreendedor Individual (MEI) —, gerando um déficit previdenciário de R$ 61,42 bilhões e uma perda de R$ 24,2 bilhões na arrecadação do FGTS.

Festval e o novo cenário de supermercados premium em Curitiba

21/07/2025 Giro News

 Supermercados premium ganham cada vez mais terreno na capital paranaense, elevando a jornada de compra a um novo patamar. Além do Festval, que encabeça esse movimento, redes como Super Muffato e DuLeo Supermercados buscam se diferenciar em um mercado competitivo. Para isso, investem alto em lojas modernizadas, serviços diferenciados e curadoria de produtos gourmet, importados e de alto valor agregado. Na região Sul, também há outras redes nesse páreo: o Zaffari segue expandindo no Rio Grande do Sul, enquanto o Grupo Koch quer entrar no mercado premium em Santa Catarina, onde estreará o “Koch Prime”. Se antes havia poucos players na disputa, agora é necessária uma estratégia ainda mais sofisticada para se destacar nesse segmento. 

 

Supermercado com Palacete

  Atento a este cenário, o Festval busca reforçar sua presença de diferentes maneiras, desde a escolha de endereços históricos para novas lojas, até a aquisição de concorrentes. A última inauguração da rede representa uma dessas estratégias. Localizada no bairro Batel, em Curitiba, a 33ª unidade foi instalada ao lado do Palacete das Rosas, imóvel histórico que será transformado em um espaço para promover experiências gastronômicas e receber os clientes. Segundo o Festval, o palacete preserva os detalhes arquitetônicos originais e cada cômodo conta com uma técnica de pintura de afrescos, além de outros elementos visuais.

 

Novo Modelo de Varejo

  “O Palazzo Batel representa o compromisso do Festval com uma experiência completa que alia conveniência, inclusão e sustentabilidade”, afirmou Carlos Beal, diretor comercial e de marketing da rede. O mix de serviços traz opções diferenciadas para os clientes, como um espaço exclusivo de torrefação de café, onde é possível acompanhar o preparo dos grãos. Além disso, o supermercado possui a “Sala Calma”, ambiente sensorialmente adaptado para pessoas com autismo; o “Festval Recicla”, ponto de coleta seletiva; e um restaurante com 218 lugares. Na inauguração da rede no Quadrata Cabral Mall, em abril, Carlos Beal ressaltou que a empresa está “construindo um modelo de varejo que vai além das compras tradicionais, proporcionando experiências diferenciadas aos clientes. O objetivo é que o cliente Festval encontre muito mais do que um supermercado”.

 

Aquisições e Expansão

  A meta da rede é chegar a 39 unidades no Paraná até o fim de 2025. Serão 33 operações em Curitiba e Região Metropolitana, e seis na cidade de Cascavel. Para acelerar esse plano de expansão, foram adquiridos oito pontos de venda no final de 2024: quatro do Verde Mais e quatro do Nacional. Os supermercados, que seguem em operação, estão passando por adequações para a implementação do padrão Festval em todos os espaços. As transações representaram um salto na operação da empresa, que antes da primeira aquisição era composta por 24 lojas. Com isso, o supermercadista reforçou sua capilaridade no mercado curitibano, levando seu formato premium também para os bairros Vila Izabel, Hauer, Xaxim, Cabral, Juvevê, Bacacheri, Rebouças e Centro. Antes disso, em 2020, o Festval tirou outra rede da competição e comprou as quatro operações que o Pão de Açúcar mantinha na capital.

Thiago de Melo Furbino é um Influencer

Founder TL.MF. | LinkedIn Top Voice | MBA julh,25

A relação Dívida Líquida/EBITDA é um dos principais indicadores utilizados para avaliar a solidez financeira e o nível de alavancagem de uma empresa. Ela expressa, em número de anos, o tempo necessário para que a companhia consiga quitar sua dívida líquida utilizando exclusivamente o EBITDA gerado em um período de 12 meses. O cálculo é simples: subtrai-se as disponibilidades (caixa, equivalentes de caixa e aplicações financeiras de alta liquidez) do total de empréstimos e financiamentos – resultando na dívida líquida. Esse valor é então dividido pelo EBITDA ajustado dos últimos 12 meses. Quanto menor esse índice, mais robusta tende a ser a estrutura de capital da companhia, indicando maior capacidade de pagamento e menor dependência de capital de terceiros. Veja os destaques:  Lojas Renner S.A. Apresenta caixa líquido de R$ 1,2 bilhão, mesmo após utilizar RR$ 500 milhões para recompra de ações, distribuir R$ 179,4 milhões em JCP e ter liquidado R$ 532 milhões em debêntures  TRACK&FIELD Mantém posição de caixa líquido com R$ 50,4 milhões. A geração de caixa operacional de R$ 59 milhões (+27% YoY). A empresa segue sem dívidas, mesmo com investimentos em lojas e na TFSports.  GRUPO SBF Reduziu a dívida líquida em 44,9%, com alavancagem caindo de 0,91x para 0,44x. O movimento veio da forte geração de caixa operacional e da ausência de novas dívidas ou antecipações de recebíveis.  C&A Brasil Encerrando o trimestre com alavancagem de 0,5x, a C&A reduziu sua dívida líquida em 46% YoY, mantendo liquidez superior à dívida de curto prazo (1,2x).  Lojas Marisa Com dívida líquida de R$ 110 milhões e alavancagem de 0,5x, a Marisa utilizou recursos próprios em um trimestre tradicionalmente fraco em geração de caixa. A estrutura permanece equilibrada.  Riachuelo Registrou alavancagem de 0,6x (vs. 0,3x no 4T24), no entanto deste julho de 2023, a empresa reduziu 1,2 bilhões em debêntures. Apesar da alta pontual, o caixa cobre 153% da dívida de curto prazo. Estratégia ativa de desalavancagem com recomposição gradual de caixa.  VESTE S/A Opera com 0,8x de alavancagem, reflexo de dívida líquida de R$ 124 milhões. O nível está ancorado em um EBITDA LTM de R$ 149 milhões.  Azzas 2154 Maior alavancagem do setor: 1,3x, com dívida líquida de R$ 2,07 bilhões. O número é explicado por uma captação de R$ 600 milhões em debêntures para alongar o perfil da dívida. A empresa possui liquidez robusta e carteira de recebíveis forte, mas terá o desafio de reduzir gradualmente esse índice. TL.MF. | CURADORIA & ESTRATÉGIA O 1T25 mostrou um setor mais racional financeiramente. Track&Field Renner, operam com caixa e Grupo SBF operam com estrutura praticamente desalavancada. Marisa, C&A e Riachuelo mantêm alavancagem equilibrada. Já Veste e Azzas 2154 seguem em crescimento com capital de terceiros. A capacidade de geração de caixa será o principal termômetro para a resiliência do setor com a taxa Selic de 15%.

 

 de Marcos Gouvêa de Souza –  21 de julho de 2025

Que os serviços financeiros se transformaram numa das mais importantes estratégias do varejo no Brasil já não restam muitas dúvidas. Os dados são eloquentes o suficiente para demonstrar.

No Carrefour Brasil, 55% dos resultados são das operações financeiras. Na Renner, 38%. Na Riachuelo, 32%. Mercado Livre tem 70 milhões de clientes integrados em sua fintech. Em todos os casos, com tendência de aumento.

Essa é uma competência que o Brasil tem para exportar, uma vez que a dependência do crédito para o consumidor brasileiro por conta do perfil de renda sempre foi um diferencial.

O crédito ao consumidor para o varejo, com financeiras próprias ou não, sempre foi fator crítico de sucesso na expansão dos negócios após a crise global das economias emergentes.

Entre 2000 e 2003, tivemos o período do boom de crescimento do varejo. E, entre 2004 e 2013, em termos fundamentais, por causa da expansão do crédito ao consumo.

Importante lembrar que atualmente o crédito ao consumo no Brasil representa perto de 19% em relação ao PIB em suas diversas modalidades. E a maior parte desse crédito ainda é concentrada nos principais bancos.

Quando comparado com outras economias, esse porcentual é significativamente mais baixo. Nos EUA é de 48%; Reino Unido, 45%; Canadá, 42%; França, 35%; Alemanha, 32%; e Coreia do Sul, 42%.

Ainda assim, quando se computa apenas o crédito formal, acompanhado pelo Banco Central, e não o informal das “cadernetas” e outras “mutretas”.

A questão é que, na realidade atual, estima-se que 90% das vendas totais do varejo são no crédito, no plano formal e somado ao informal, e mesclando cartões de crédito e outras modalidades, segundo estudos da CNC (Confederação Nacional do Comércio) de 2023.

Transformação estrutural com os bancos

Os principais bancos só entraram de fato no segmento no começo dos anos 2000 com a compra de operações do próprio varejo, integrados com as maiores redes ou pela expansão das atividades financeiras diretamente ao consumidor.

O Itaú associou-se ao Magazine Luiza para criar a LuizaCred em 2001. E renovou as bases do acordo em 2015.

Em 2004, o Carrefour recebeu autorização para operar como instituição financeira.

Em 2008, foi criado o Banco Midway, do grupo Riachuelo-Guararapes, como evolução de sua financeira.

A financeira Ibi, da C&A, foi adquirida pelo Bradesco em 2009. E o Itaú associou-se ao Pão de Açúcar em 2010.

Na evolução de todo o processo, a atividade primária de crédito ampliou-se com as possiblidades de seguros, extensão de garantia e cartão de crédito próprio. E, mais recentemente, com outras alternativas.

Tudo isso em modelos de negócios desenvolvidos localmente que, entre outras peculiaridades, incluía a venda parcelada pelo preço à vista em cheques pré-datados. Realmente difícil de explicar para os operadores internacionais.

Paralelamente a tudo isso, ocorria a expansão dos cartões de crédito embandeirados nos modelos alinhados com as práticas internacionais e promovidos de forma integrada com os programas de fidelidade.

A evolução pressiona a incorporação de serviços financeiros

A operação pura de varejo – compra e venda de produtos – é e será cada vez mais competitiva, commoditizada e pressionada em rentabilidade, especialmente pelo avanço do digital, que coloca um enorme poder para o consumidor ao alcance de um clique, comparando produtos, ofertas, marcas, canais, condições de venda, prazos, entrega e serviços envolvidos.

De outro lado, o conhecimento do consumidor, a frequência de relacionamento e a conexão das marcas e negócios nos diferentes mercados, segmentos e categorias ampliam em muito as possibilidades de inclusão de serviços financeiros e não financeiros para diferenciar, fidelizar e melhorar a rentabilidade.

Tudo mostra que essas frentes se tornam vitais no processo estratégico de reconfiguração estrutural desses setores de comércio e varejo.

Importante sempre lembrar que algumas marcas e negócios tradicionais do varejo brasileiro ficaram pelo caminho exatamente por erros, omissão ou gestão equivocada das atividades financeiras em seu negócio. E não faltam nomes e marcas para serem lembrados.

A realidade brasileira de renda comprimida sempre será um forte indutor de estratégias de integração de serviços financeiros para diferenciar, crescer e rentabilizar.

Para a maioria predominante da população, a prestação do crédito “caber” no orçamento mensal ainda é o fator crítico de decisão de escolha e compra. E tudo indica que assim permanecerá por um bom tempo.

Os movimentos recentes de expansão de negócios e serviços financeiros será fator estratégico fundamental para viabilizar expansão de redes, marcas, plataformas, marketplaces e mesmo a integração e associação entre empresas para criarem oportunidades dentro do conceito de metafusão.

Vale muito e rapidamente a reflexão.

Nota

A evolução, perspectivas, casos de sucesso e alternativas estratégicas para serviços financeiros e outros nos negócios do varejo será um dos temas críticos a serem apresentados e discutidos no 10º Latam Retail Show, que acontece em São Paulo, entre os dias 16 e 18 de setembro.

Marcos Gouvêa de Souza é fundador e diretor-geral da Gouvêa Ecosystem e publisher da plataforma Mercado&Consumo.
*Este texto reproduz a opinião do autor e não reflete necessariamente o posicionamento da Mercado&Consumo.

 de Jorge Gonçalves Filho – 23 de julho de 2025

no ArtigosDestaque do dia

O melhor ambiente de negócios que podemos desejar é composto por vários fatores. Entre eles, estabilidade econômica, juros baixos e segurança jurídica – além, é claro, da baixa inflação. Porém, não é isto que o Brasil e o mundo têm apresentado. Estamos atravessando tempos incertos, mas a máquina não pode parar. Vez por outra, podemos ter algum alívio, que foi o caso da retirada da cobrança do IOF nas operações de risco sacado (conhecidas como forfait, no mercado), em uma negociação entre Executivo e Legislativo, mediada pelo Supremo Tribunal Federal.

Entre as medidas anunciadas à época pelo Decreto 12.466/2025, as alterações no IOF nos deixaram atônitos e despertaram inúmeras dúvidas e questionamentos jurídicos relativos à tributação do risco sacado e da antecipação de recebíveis. Ambas as operações são essenciais para a atividade do setor varejista.

A majoração do IOF nessas operações, se tivesse sido mantida, iria refletir automaticamente em preços mais altos e, por consequência, na elevação do índice de inflação.

Inúmeras entidades representativas do varejo, entre elas o Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), saíram a público para alertar e esclarecer o governo federal e entidades públicas sobre as consequências da manutenção dessa aplicação do IOF, independentemente dos aspectos jurídicos, e se era uma medida regulatória ou arrecadatória.

Apesar da decisão técnica do STF, podemos dizer que as manifestações do varejo devem ter ecoado e foram ouvidas, e o IOF sobre as operações de risco sacado e da antecipação de recebíveis foi retirado.

Contudo, o varejo precisa ser ouvido também sobre outra circunstância sufocante (e não está sozinho) com a qual está convivendo: a elevadíssima taxa Selic de 15%, levando a juros reais em torno de 9,2%. Somados ao spread e encargos aplicados pelo sistema financeiro, os níveis de juros nominais reduzem significativamente o resultado das empresas, principalmente as que precisam tomar empréstimos para se manterem ativas. Se mantido o elevadíssimo atual custo de capital, essas empresas podem até não sobrevier. Quando se fala em juros, entre as economias de maior relevância, ficamos atrás apenas da Rússia, com juros reais de, aproximadamente, 14,5%.

 

Estamos em um nível extremamente elevado de taxa Selic, e todos sentem seus efeitos. A explicação técnica é que este patamar reflete o efeito de muitas causas a serem eliminadas. Então, é extremamente urgente que as causas sejam tratadas.

Esperamos que, nos próximos capítulos da economia brasileira, bem próximos, os juros venham a ser reduzidos. Entre as causas apontadas, há o desequilíbrio das contas públicas. Se tomarmos a apuração da receita de imposto do governo federal registrada no Impostômetro da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) neste ano, ela alcançou, até o momento, R$, 2,2 trilhões. As despesas primárias registradas no Gasto Brasil, também da ACSP, chegaram a R$ 2,9 trilhões. Isto significa que são gastos, por mês, R$ 100 bilhões a mais do que se arrecada.

Outra justificativa é a distância entre a projeção da inflação anual de, aproximadamente, 5,2%, acima do centro da meta de 3% e fora do intervalo de tolerância, entre 1,5% e 4,5%.

Tomando-se as duas condições acima, desequilíbrio das contas públicas (que requer uma análise com maior profundidade) e inflação fora da meta, mais o cenário externo adverso e, particularmente, incerto, temos algumas das justificativas do porquê de a Selic estar sendo mantida em níveis estratosféricos.

Temos que manter a voz elevada, bradar para que esses e outros sintomas sejam debelados pelos responsáveis “in charge” e, quem sabe, o efeito dos juros altos comece a desaparecer. Enquanto isto, contamos com a criatividade empresarial para passar pelos dias atuais e os que virão e incentivar os clientes a consumirem, acreditando em um futuro melhor. Afinal, a máquina não pode parar.

Jorge Gonçalves Filho é presidente do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV).
*Este texto reproduz a opinião do autor e não reflete necessariamente o posicionamento da Mercado&Consumo.

Jorge Gonçalves Filho

Jorge Gonçalves Filho é presidente do IDV – Instituto para Desenvolvimento do Varejo e consultor empresarial na Telhanorte Tumelero. Em sua carreira profissional, foi diretor de Expansão e Novos Negócios da Telhanorte Tumelero (Saint Gobain Distribuição Brasil), consultor empresarial da Efeso Consulting, diretor-geral da C&C Casa e Construção, superintendente na Jatobá S.A. Indústria de Revestimentos Cerâmicos, gerente nacional na Incepa revestimentos cerâmicos e gerente-geral na Elevadores Atlas/Schindler. Jorge também é conselheiro da Associação dos Comerciantes de Materiais de Construção – SP e membro do IBGC – Instituto Brasileiro de Governança Corporativa.

Sinais de alerta em meio a dados positivos – Eduardo Yamashita  de   18 de julho de 2025  – Mercado&Consumo.

O consumo das famílias brasileiras representa cerca de dois terços do PIB nacional e é, historicamente, o principal motor do crescimento econômico do País. Por isso, chama a atenção e gera dúvidas o cenário atual em que há um descolamento entre indicadores clássicos de melhora da renda e um desempenho fraco do consumo e do varejo.

Nos últimos meses, diferentes indicadores apontam para cenários distintos: o desemprego está no menor patamar da nossa história, e a massa salarial também está em patamar recorde, mas o consumo segue desaquecido, a confiança do consumidor em baixa e há forte escalada da inadimplência dos consumidores. Neste artigo, vamos analisar esse cenário com maior profundidade para trazer luz ao tema.

Emprego: o desemprego está baixo, mas esse indicador tem limitações

A taxa de desemprego medida pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), está em 6,2%, o menor nível desde 2012, quando a entidade passou a adotar essa metodologia. Isso representa cerca de 103 milhões de brasileiros ocupados; no entanto, a taxa de participação da força de trabalho está atualmente em torno de 62%, abaixo dos 66,5% observados no início dos anos 2000, período de forte crescimento econômico.

Fonte: IBGE / Adaptação: The Global Economy / Análise: Gouvêa inteligência

Esse indicador é calculado pela divisão da quantidade de pessoas trabalhando pela quantidade de pessoas em idade ativa e mostra que, apesar da redução do desemprego, a proporção de pessoas em idade ativa que está efetivamente trabalhando ou buscando emprego caiu. Parte dessa retração pode estar associada a fatores como informalidade, desalento ou mudanças nos incentivos trabalhistas, como o receio de perda de benefícios sociais, entre outros.

Além disso, a metodologia do IBGE considera como ocupada qualquer pessoa que tenha realizado uma atividade remunerada por ao menos uma hora na semana anterior à entrevista, reforçando a necessidade de olhar esse indicador com cuidado.

Renda: massa salarial em alta, mas distribuição desigual

A massa salarial real dos brasileiros, já descontada a inflação, atingiu R$ 354 bilhões mensais, o maior patamar dos últimos 12 anos. A princípio, esse dado reforçaria a expectativa de uma retomada do consumo.

Fonte: IBGE / Adaptação e Análise: Gouvêa inteligência

No entanto, o comportamento do varejo indica que o crescimento da massa salarial pode estar concentrado em segmentos específicos da população, uma vez que os hábitos de consumo têm ampla variação por classe social. As famílias de renda mais alta tendem a consumir menos em bens essenciais e mais em serviços ou poupança, enquanto a base da pirâmide é mais sensível a variações de renda e inflação, e tende a gastar mais em bens de consumo, especialmente nos segmentos de varejo de primeira necessidade, como alimentos e medicamentos.

Infelizmente, essa hipótese não pode ser verificada, pois o IBGE não estratifica esse indicador por classe social.

Confiança do consumidor: em queda, com influência da inflação de alimentos

A confiança do consumidor brasileiro caiu para 85,9 a partir do final de 2024, indicador que está diretamente associado ao aumento da inflação de alimentos no domicílio, que voltou a acelerar após uma breve desaceleração em 2023, pressionando especialmente as famílias de menor renda, que destinam uma parcela relevante do seu orçamento para esse segmento.

Fonte: GFV / Adaptação e Análise: Gouvêa inteligência

Inadimplência: crescimento acelerado e sinal de fragilidade

Outro ponto de atenção é a inadimplência. De acordo com dados do Serasa, 77 milhões de brasileiros estavam inadimplentes em maio de 2025, um crescimento expressivo em relação aos 71,9 milhões em 2023 e 72,5 milhões em 2024.

Fonte: Serasa

O valor médio total da dívida por pessoa inadimplente está em torno de R$ 6 mil, com o valor médio por dívida em R$ 1,6 mil. Esse rápido aumento da inadimplência indica uma clara pressão nos orçamentos familiares e uma menor capacidade de consumo das famílias.

Varejo: crescimento fraco

Os dados mais recentes da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) mostram que, no consolidado de janeiro a maio de 2025, o varejo brasileiro cresceu apenas 1,1% em relação ao mesmo período do ano anterior, contra um crescimento de 4,1% em 2024.

Fonte: IBGE / Adaptação e Análise: Gouvêa inteligência

Além da desaceleração geral, chama atenção o fato de que segmentos considerados resilientes, como alimentos e farmácias, também apresentaram perda de ritmo de crescimento. Os únicos segmentos de consumo que apresentam expansão frente a 2024 são aqueles que têm a base de comparação mais fraca, dado o desempenho baixo dos últimos anos, como vestuário e calçados, e móveis e eletro.

Perspectivas: o que pode mudar o cenário?

As projeções mais recentes do Boletim Focus apontam para uma inflação média acumulada de 5,2% até o fim de 2025, ainda acima do teto da meta. Entretanto, mesmo com a expectativa de desaceleração, esse patamar elevado continua sendo uma trava para a expansão do consumo.

A taxa de juros também permanece em níveis altos, com tendência de estabilidade ou alta no curto prazo, o que reduz o apetite ao crédito por parte das famílias e restringe o consumo financiado, que é relevante em diversos setores do varejo.

Combinando esses elementos com os detalhados aqui no artigo (pressão inflacionária, queda na confiança, inadimplência crescente e emprego menos inclusivo), o cenário aponta para um ritmo lento de crescimento no consumo das famílias em 2025, com perspectivas de melhora moderada no médio prazo, se tivermos evoluções esperadas do controle da inflação, início da queda da taxa de juros e maior crescimento econômico.

Eduardo Yamashita é COO da Gouvêa Ecosystem.
*Este texto reproduz a opinião do autor e não reflete necessariamente o posicionamento da Mercado&Consumo.
Eduardo Yamashita

Eduardo Yamashita é COO da Gouvêa Ecosystem, empresa que contribui para a expansão e a transformação do mercado de consumo e varejo brasileiro com uma plataforma estratégica de unidades de negócios, produtos e serviços.

Mesmo diante da cautela do consumidor frente ao cenário macroeconômico e da retração expressiva observada em junho

de Redação – 16 de julho de 2025 – MERCADO  & CONSUMO

O movimento de visitantes em lojas cresceu 4,5% no primeiro semestre de 2025, comparado ao mesmo período do ano passado, de acordo com o Índice de Intenção de Compra no Varejo (IICV Seed), levantamento mensal produzido pela Seed Digital. A apuração mostra que, mesmo diante da cautela do consumidor frente ao cenário macroeconômico e da retração expressiva observada em junho, o setor mostrou resiliência e reforça o otimismo para a segunda metade do ano.

O índice cruza informações baseadas em 35 milhões de visitantes mensais, em milhares de lojas por todo o Brasil. Para o segundo semestre, a expectativa é de um desempenho ainda mais aquecido. Historicamente marcado por datas fortes, como Dia dos Pais, Black Friday e Natal, o período deve registrar crescimento de +17% frente aos primeiros seis meses deste ano, segundo projeções preditivas.

“As principais datas do calendário comercial tendem a impulsionar o fluxo de consumidores, mas sabemos que fluxo, por si só, não garante performance. O uso estratégico de informações, como padrões de comportamento, horários de pico e dinâmicas regionais, será decisivo para capturar as oportunidades do semestre. Mais do que prever tendências, o desafio agora é converter intenção em compra. E os dados estão aí para mostrar o caminho”, afirma CEO da Seed Digital, Sidnei Raulino.

Em 2024, o segundo semestre já havia avançado +16,1% em comparação com o primeiro, sinalizando um ambiente favorável para o varejo repetir — e até superar — esse desempenho em 2025.

Segmentos de Perfumaria e Cosméticos em alta

Entre os segmentos em alta, um dos destaques é o de Perfumaria, Cosméticos e Maquiagem. Juntos, foram os que apresentaram a performance mais positiva, com expansão de +4,9% no primeiro semestre de 2025 em relação ao mesmo período do ano passado.

Os dados estão em linha com o que tem acontecido nestes setores. Tradicionais varejistas de cosméticos que nasceram no ambiente digital anunciaram expansão para o varejo físico, apostando em experiências e exclusividade que as lojas possibilitam junto aos consumidores.

 

Os outros setores que apresentaram aumento de fluxo de visitantes em suas operações físicas foram Farmácia (+2%), Telefonia e Acessórios (+1,6%) e Construção/Home Center (+0,1%).

Dos segmentos que registraram queda de movimento, estão Departamento & Casa (-6,5%), Moda e Acessórios (-3,6%), Artigos Esportivos (-1,5%) e Calçados (-0,5%).

Região com maior crescimento

O comércio varejista na região Sul do País registrou o maior crescimento na movimentação de visitantes em lojas físicas, com +1,7%. O resultado consolidado do semestre é positivo, mesmo com uma retração significativa em junho (-16%), por conta de eventos climáticos extremos que comprometeram tanto a demanda quanto a cadeia de abastecimento e limitaram a fluidez no varejo físico.

A região Norte foi outra que apresentou crescimento, com +1,2%. As demais regiões registraram pequena variação negativa no consolidado de fluxo no semestre: Sudeste (-0,4%), Nordeste (-0,3%) e Centro-Oeste (-0,2%).

Redação  Amanha/ 15.7.25

Atualmente, 80% do tempo total gasto para abertura de empresas está relacionado à consulta manual de endereços

O Paraná vai acelerar ainda mais o tempo de abertura de empresas no Estado. Usando um sistema de georreferenciamento, a Junta Comercial do Paraná (Jucepar), órgão do Governo do Estado vinculado à Secretaria de Estado da Indústria Comércio e Serviços, vai oferecer aos municípios uma ferramenta que automatizará a consulta de viabilidade locacional para aberturas de novos negócios. A medida foi anunciada nesta segunda-feira (14), no Palácio Iguaçu, com a presença do governador em exercício.

Atualmente, 80% do tempo total gasto para abertura está relacionado ao prazo que as prefeituras levam para verificar se uma nova empresa pode ser implantada no endereço escolhido pelo empreendedor. Com o novo sistema desenvolvido pela Jucepar, a viabilidade locacional será consultada automaticamente em poucos segundos.

“Há seis anos, éramos a última junta comercial do Brasil em agilidade nos serviços para criação de novas empresas, com uma demora de dias para a criação de negócios. Hoje estamos entre as mais eficientes do País, com uma série de medidas que desburocratizam os processos para que os empresários possam gerar empregos e renda”, afirmou o Governador interino.

A ferramenta será disponibilizada aos 399 municípios do Estado, subsidiada pela Jucepar. O objetivo é fazer com que o processo de levantamento dos dados de localização dos novos negócios deixe de ser manual, diminuindo o tempo de resposta ao cidadão.

A implementação do sistema vai depender da adesão dos municípios. Para isso, a Junta Comercial firmou uma parceria com o Sebrae/PR para encontros de conscientização com as administrações municipais para apresentação da ferramenta. “Já estamos em conversa com algumas cidades, como Maringá, Cascavel, Pato Branco e Guarapuava, para mostrar os benefícios do sistema. O mais importante é que os municípios não terão custo nenhum para adesão”, disse Rigoni.