Advogada Lisiane Mehl Rocha / Linkedin – Pesquisa editada / Curitiba

Em entrevista ao Le Monde Diplomatique Brasil, o  historiador e sociólogo Aaron Benanav fala sobre seu último livro, Automação e o futuro do trabalho. Na obra lançada pela Boitempo em novembro, o professor da Universidade Cornell, Estados Unidos, desfaz mitos sobre o fim do emprego provocado pela tecnologia, identifica as causas estruturais da precarização no mundo do trabalho atual e aponta caminhos para uma sociedade pós-escassez. Via Le Monde Diplomatique Brasil

João André

 Uma reflexão necessária sobre o trabalho moderno Nas análises que tenho feito recentemente, há um ponto que me tem chamado muita atenção, a dependência quase total que muitos profissionais modernos têm de três pilares, Energia, Inteligência Artificial e Dados. Muitos profissionais hoje dependem quase 100% de IA, Energia e Dados. – Sem eletricidade ou internet, a produtividade simplesmente para. Diferente de um carpinteiro, pescador ou artesão, que mesmo com limitações continuam a gerar valor. O problema não é a tecnologia. – O risco é não perceber a dependência.  Se a ferramenta falhar, o que sobra do teu conhecimento?  Estás a pensar, analisar e decidir… ou apenas a operar sistemas? IA e Dados são aceleradores. Mas sem pensamento crítico, viramos reféns do próprio progresso. Fica a reflexão.

#Dados #IA #TrabalhoDoFuturo #Carreira

#PensamentoCritico #Produtividade

Guilherme Simoni

IA não aumentou produtividade, nem impactou empregos nos últimos três anos: os dados são de uma pesquisa realizada com cerca de 6 mil executivos nos EUA, Reino Unido, Alemanha e Austrália. Especialistas associam o resultado ao “paradoxo da produtividade”, que deu a Robert Solow o Nobel de Economia em 1987, quando ele identificou que os grandes avanços em computação na época não se refletiram em ganhos concretos de produtividade, apesar das expectativas elevadas dos participantes do mercado. O resultado mostra que o impacto das IAs depende menos da tecnologia em si e mais da capacidade das empresas de incorporá-la efetivamente em seus processos. As informações são da Fortune.

Hector Muniz

A maioria das pessoas é relativamente inteligente dentro da profissão que exerce, e burra em relação à 99.95% do conhecimento humano existente. Quase todo mundo é um completo imbecil sobre quase tudo. Ainda bem… Tenho a impressão de que muitas pessoas que caem no mercado, pulam o arroz com feijão (ou seja, não entendem o que rola por trás das cortinas). Entender a tecnologia/mercado faz muita falta pra quem trabalha com isso, e muito gente claramente NÃO ENTENDE.

Gilberto Braz Lima

O paradoxo da produtividade: A ferramenta de IA não substituirá quem não performa. A discussão sobre os riscos da IA no aprendizado e no trabalho ganha as manchetes do g1, mas o risco oculto para a indústria brasileira é mais profundo: o abismo de produtividade. Enquanto o debate foca no temor da substituição, ignoramos que a produtividade média do trabalhador brasileiro estagnou em níveis alarmantes. De acordo com o The Conference Board e o FGV IBRE – Instituto Brasileiro de Economia, a produtividade de um trabalhador brasileiro é, em média, 25% da de um americano. Na prática, são necessários quatro brasileiros para entregar o mesmo valor gerado por um americano. O cenário é crítico: se avançarmos para modelos de redução de jornada ou restrições laborais, temas em pauta atualmente, sem um salto tecnológico real, corremos o risco de inviabilizar a indústria nacional. A conta não fecha com baixa produtividade somada à baixa disponibilidade de pessoas qualificadas. Vejamos as seguintes situações: – Foco em Confiabilidade: A ferramenta de IA deve ser usada para elevar o teto técnico do operador, reduzindo o erro humano e o retrabalho, hoje os maiores drenos de tempo no campo. – Foco em Rentabilidade: Investir em tecnologia sem treinar para a produtividade é queimar CAPEX. O foco deve ser o Output por Hora Trabalhada, o único KPI que mantém a indústria saudável sob novas pressões regulatórias. Nós, que vivemos o dia a dia das plantas industriais e dos grandes projetos, sabemos que a tecnologia é uma ferramenta, não uma salvadora. Não haverá “circuito global” para o Brasil se não atacarmos a causa raiz: a falta de preparo para o trabalho de alto valor agregado. A técnica deve servir para tornar o humano mais capaz, e o negócio, mais perene. Tenho o seguinte questionamento: Se a ferramenta de IA automatizar 30% das tarefas da sua equipe amanhã, esse tempo será reinvestido em estratégia e inovação ou será absorvido pela ineficiência dos processos analógicos remanescentes? Qual a sua percepção? Você acredita que a IA será o motor que finalmente elevará nossa produtividade ou apenas evidenciará nossa defasagem competitiva frente ao mercado externo? Gilberto Braz Lima #Produtividade #Industria40 #InteligenciaArtificial #GestãoDeAtivos #EstrategiaExecutiva O risco da inteligência artificial para o futuro do aprendizado e do trabalho | G1 https://lnkd.in/emGtNwF9

Leonardo Guimarães

Sam Altman comentou recentemente que formar um ser humano altamente qualificado leva cerca de 20 anos, exigindo investimentos massivos em educação, saúde e ambiente social. É interessante refletir sobre isso, porque capital humano é caro: formação exige tempo, dinheiro e saúde. Ainda assim, o retorno é incerto (como os tantos engenheiros reduzidos a “pessoa engenheira”). Mas há um ponto que raramente entra na conversa: Treinar modelos de IA também exige investimento massivo, só que concentrado em capital, chips, energia (água). Há uma tensão estrutural aqui: o discurso enfatiza eficiência, através da redução de custos, automatização de tarefas e otimização de sistemas. O modelo operacional, porém, depende de crescimento contínuo de infraestrutura, expandir primeiro, otimizar depois, basicamente “growth-at-all-costs”. Treinar uma geração de pessoas leva décadas, enquanto um modelo leva meses, claro que consumindo uma quantidade absurda de energia e infraestrutura. Em um episódio de Black Mirror, pessoas pedalam em bicicletas ergométricas para gerar energia que alimenta o próprio sistema que as aprisiona. Hoje, não estamos pedalando para alimentar data centers, mas estamos acelerando uma infraestrutura cujo custo energético cresce em paralelo à promessa de eficiência. Investimos bilhões para treinar máquinas, porém continuamos subinvestindo estruturalmente em educação básica. Se precisamos de 20 anos para formar um humano para alguns escopos, enquanto levamos 1/20 do tempo para treinar IAs, talvez devêssemos rever o nossas prioridades, por que qual futuro é reservado para uma sociedade que cresce sem estrutura social?

Alexandre Baldanza

“O futuro do trabalho no mundo pós-IA Correio Braziliense, Editorial, 20/02/26 Uma sociedade estruturada em torno de uma maioria ociosa por falta de oportunidades é o terreno perfeito para a desestabilização democrática e para a ruptura institucional Por isso, não deixa de ser irônico que o avanço da inteligência artificial (IA) sobre o trabalho se dê justamente nas áreas mais envolvidas com as artes, a criatividade e a cognição. Setores que até ontem se julgavam blindados pela barreira da “subjetividade humana” — como o cinema, a produção audiovisual, o design e a programação de softwares — estão sendo engolidos em uma velocidade atordoante. E não são os únicos. O drama do mundo pós-IA não reside, porém, apenas na perda imediata de postos de trabalho, mas na impossibilidade matemática de realocação dessa mão de obra. Nas revoluções anteriores, o trabalhador que perdia o emprego no campo migrava para a fábrica, e o operário substituído pelo robô encontrava abrigo no setor de serviços. Agora, a engrenagem é diferente.  Pela primeira vez na história moderna, a inovação tecnológica corre o risco de destruir muito mais empregos do que é capaz de criar. Para onde migrarão os milhões de profissionais que serão substituídos pela IA se a própria demanda por trabalho intelectual está encolhendo? A dura matemática indica que não haverá transição de carreiras simplesmente porque existirão, em termos absolutos, muito menos empregos disponíveis. O que se projeta no horizonte de curto prazo é a concretização do cenário alertado pelo historiador Yuval Harari, autor do livro Sapiens: o surgimento de uma imensa “classe inútil”, um contingente de bilhões de pessoas que, diferentemente do proletariado explorado do século 19, sequer será necessário para girar a roda da economia. Na definição de Harari, são pessoas que não serão apenas desempregadas, não serão empregáveis. Trata-se de uma massa de cidadãos que, a despeito de sua formação acadêmica ou experiência, não conseguirá se realocar no mercado tradicional.  Os debates sobre taxação de algoritmos, redução drástica de jornadas (para distribuir melhor o trabalho restante) e a implementação de uma renda básica universal precisam sair dos simpósios acadêmicos e entrar nas pautas legislativas. O mundo pós-IA já não é uma ficção especulativa. É a realidade batendo à porta dos estúdios, das agências e dos polos de tecnologia. Priorizar a construção de uma rede de proteção social para os que serão inevitavelmente deixados para trás por essa revolução não é apenas uma questão de empatia ou justiça social; é o único caminho para evitar que o maior feito tecnológico da humanidade se transforme em seu maior desastre humanitário.”

Delano de Valença Lins Filho

A pergunta que separa profissionais medianos de profissionais estratégicos A maioria pergunta: “Quanto isso custa?” Poucos perguntam: “Quanto custa NÃO fazer?” Essa pergunta muda tudo — de tecnologia à carreira.

Ricardo Camargo

O relatório do Fórum Econômico Mundial projeta uma transformação líquida relevante até 2030: milhões de funções desaparecem, outras surgem, e a maioria das ocupações será redesenhada. Não se trata de desemprego estrutural clássico — trata-se de substituição técnica e requalificação em escala. Historicamente, ondas tecnológicas eliminaram tarefas, não necessariamente trabalho. A diferença agora é a velocidade e o alcance cognitivo da inteligência artificial. Automação deixou de atingir apenas atividades físicas repetitivas e passou a impactar funções administrativas, contábeis operacionais, atendimento padronizado e processos lineares. O critério de risco é claro: • Atividades previsíveis • Baseadas em regras fixas • Dependentes de processamento repetitivo Por outro lado, crescem funções com alto teor de decisão, integração de dados, governança, gestão de riscos e análise estratégica. A IA amplia produtividade onde há pensamento crítico; substitui onde há apenas execução. Para empresas, isso gera três implicações técnicas: 1️⃣ Estrutura organizacional precisa migrar de hierarquias operacionais para células analíticas e orientadas a dados. 2️⃣ Controladoria, finanças e contabilidade deixam de ser registradoras e passam a ser áreas de inteligência decisória. 3️⃣ Educação corporativa deve priorizar raciocínio analítico, interpretação de dados e uso estratégico de IA. No campo empresarial, especialmente para PMEs, o impacto é ainda mais sensível. Processos financeiros mal estruturados são os primeiros a sofrer quando a complexidade aumenta. BPO financeiro, governança contábil e gestão baseada em indicadores deixam de ser custo e passam a ser infraestrutura estratégica. Na Camargo & Associados, temos acompanhado essa transição de perto. Empresas que organizam fluxo de caixa, controladoria, indicadores financeiros e integração tecnológica conseguem transformar dados em decisão — e decisão em margem. O futuro não será vencido por quem executa mais tarefas, mas por quem interpreta melhor cenários. Se o mercado exige pensamento crítico, gestão baseada em dados e uso inteligente de tecnologia, a estrutura empresarial precisa acompanhar. Convido você a compartilhar este conteúdo, comentar sua visão sobre essa transição e visitar nosso blog para aprofundar essa discussão:  https://lnkd.in/dxF8p8pm Vamos preparar empresas — e pessoas — para o mercado que já está chegando. #BPOFinanceiro #ConsultoriaFinanceira #ContabilidadeEstratégica #InteligenciaArtificial #GestaoEmpresarial #Controladoria #GovernancaCorporativa #TransformacaoDigital

Carlos Alberto Tavares Ferreira 

Founder / CEO / Carbon Zero /

Seus filhos estão sendo preparados para um mundo que não vai existir em 2030. E o problema não é falta de escola. É excesso de currículo do século passado. Os dados são públicos. Estão nos relatórios do Fórum Econômico Mundial de 2025. Mas seguimos fingindo surpresa. Até 2030: • 92 milhões de empregos deixam de existir. • 170 milhões surgem. • 1 em cada 5 ocupações muda completamente. • Quase 60 por cento das pessoas precisarão se requalificar. Ainda assim, continuamos treinando jovens para funções previsíveis, repetitivas e administrativas. Exatamente o tipo de tarefa que a inteligência artificial executa melhor, mais rápido e sem reclamar de segunda-feira. Os cargos que mais encolhem têm algo em comum: São lineares. São padronizáveis. São automatizáveis. Auxiliares administrativos, caixas, teleoperadores, contadores tradicionais, parte do design gráfico, motoristas e operadores logísticos repetitivos não estão “em risco”. Estão em processo de substituição técnica. E não por maldade da tecnologia. Por ineficiência do modelo mental que insiste em ensinar o passado como se fosse futuro. Ao mesmo tempo, crescem áreas onde a IA não substitui. Ela amplifica: Inteligência artificial aplicada. Análise e governança de dados. Cibersegurança. Energia e transição energética. Saúde, cuidado humano e longevidade. Educação avançada. Logística inteligente. Gestão de projetos complexos. Note o padrão: não são áreas de execução cega. São áreas de decisão, integração, julgamento e contexto. O paradoxo é simples e desconfortável: Nossos filhos não carecem de informação. Carecem de habilidade cognitiva para um mundo instável. O mercado não está pedindo mais diplomas decorados. Está pedindo gente capaz de: Pensar analiticamente. Resolver problemas que ainda não têm manual. Comunicar ideias complexas com clareza. Aprender rápido, desaprender sem apego e reaprender sem drama. Usar IA como ferramenta, não como muleta. Em 2026, não saber usar inteligência artificial não será opinião. Será desvantagem competitiva mensurável. Nunca se falou tanto em futuro. E nunca se ensinou tanto o passado. Talvez o maior analfabetismo da próxima década não seja tecnológico. Será cognitivo. Estamos formando jovens para responder perguntas que a inteligência artificial já resolve. E ignorando ensinar aquilo que nenhuma máquina consegue substituir: pensamento, critério e responsabilidade. O futuro não vai cobrar diplomas. Vai cobrar capacidade de pensar sob pressão, decidir em cenários novos e aprender antes que o mercado demita. Quem continuar ensinando o mundo de ontem, vai assistir seus alunos disputarem vagas que já não existem.

Carlos Alberto Tavares Ferreira 

Darlem Bodak

O mercado de trabalho está cada vez mais atento às soft skills. E entre todas elas, uma se destaca como a mais procurada: pensamento crítico. Em tempos de inteligência artificial, não vence quem sabe apertar botões. Vence quem tem repertório, conhecimento e embasamento para conduzir boas pesquisas. A IA responde rápido. Mas só trabalha bem quando alguém sabe perguntar melhor. Antes de buscar respostas, precisamos aprender a formular perguntas. Pensar sobre o que realmente precisamos investigar, analisar e decidir. Sem pensamento crítico, a tecnologia entrega volume. Com pensamento crítico, ela entrega valor. O futuro do trabalho não é sobre saber tudo. É sobre saber como pensar. #PensamentoCrítico #SoftSkills #InteligênciaArtificial #InovaçãoHumana #FuturoDoTrabalho #Carreira #DesenvolvimentoHumano

Edna souza dos Santos

Preconceito etário (etarismo) Muitas empresas ainda têm a ideia errada de que profissionais mais velhos: têm dificuldade com tecnologia são menos adaptáveis resistem a mudanças aprendem mais devagar Na prática, isso não é verdade. Estudos mostram que profissionais 40+ costumam ter: mais responsabi

Sidnei Lasta  / Linkedin

O comércio varejista brasileiro encerrou 2025 com crescimento de 1,6%, segundo a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada pelo IBGE. Apesar do resultado positivo, o desempenho foi inferior ao registrado em 2024, quando o setor havia avançado 4,1%, sinalizando um ritmo de expansão mais moderado. Dentro desse contexto, o segmento de materiais de construção registrou recuo de 0,2% no acumulado do ano. O desempenho do setor foi impactado, entre outros fatores, pelo ambiente macroeconômico mais restritivo, especialmente pelas elevadas taxas de juros. A Selic permaneceu, desde junho de 2025, no maior patamar dos últimos 19 anos, influenciando o custo do crédito e, consequentemente, o ritmo de obras e reformas. Enquanto sete das onze atividades pesquisadas no varejo ampliado encerraram o ano em crescimento, com destaque para artigos farmacêuticos, móveis e eletrodomésticos e equipamentos de informática, outras atividades apresentaram retração, incluindo veículos e motos (-2,9%), atacado especializado em alimentos e bebidas (-2,3%), livros e papelaria (-0,9%) e materiais de construção (-0,2%). Os dados reforçam um cenário de desaceleração em relação ao ano anterior e evidenciam a heterogeneidade do desempenho entre os diferentes segmentos do varejo. Para o setor de materiais de construção, o ambiente exige atenção à eficiência operacional, gestão financeira e estratégias comerciais alinhadas à nova dinâmica de consumo e crédito.

Leandro Parente

Sidnei Lasta, os dados mostram claramente que o desafio agora não é crescer a qualquer custo, mas crescer com eficiência. Com juros elevados e crédito mais restritivo, o varejo de materiais de construção deixa de depender apenas de demanda aquecida e passa a exigir gestão rigorosa de estoque, margem e capital de giro. Em cenários assim, estratégia comercial e inteligência de mercado fazem toda a diferença, especialmente no fortalecimento de parcerias e vendas B2B, onde previsibilidade e relacionamento reduzem a exposição às oscilações do consumo. Mais do que expansão, 2026 tende a ser o ano da disciplina operacional e da gestão estratégica.

Daniel Formica / Linkedin

EMPREGOS CLT: quase 50 milhões de vínculos.

Os dados mais atualizados disponíveis do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED; Lei nº 4.923/1965; ME, Portaria nº 1.127/2019) gerido pelo Ministério do Trabalho e Emprego (Lei nº 14.600/2023, art. 17, XXVIII) expõe que o Brasil alcançou uma média de 48,3 milhões de empregos celetistas ativos no ano de 2025. O número não abrange trabalhos formais estatutários na Administração Pública, nem empregos domésticos (LC nº 150/2015).   O Ministério do Trabalho classifica todos esses 48.357.775 vínculos celetistas em apenas cinco grandes categorias. As vagas de emprego celetistas no Brasil estão principalmente concentradas no setor de serviços: 3,8% – Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura 6,1% – Construção 18,7% – Indústria geral 22,3% – Comércio; reparação de veículos automotores e motocicletas 49,1% – Serviços   Aproximadamente metade de todos os empregos no Brasil está concentrada no Sudeste, composto por Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo. Sozinho, o Estado de São Paulo concentrava 14.637.113 de empregos em Dez/2025, ou seja, por volta de 30% de todas as vagas de emprego no país.   Impressiona que a quantidade de empregos no Brasil tenha crescido mesmo com reiteradas decisões recentes do STF inclinadas a terem como lícita a “pejotização”, fenômeno que, assim, possivelmente está em crescimento acelerado. O país segue no aguardo de um julgamento definitivo sobre esse assunto (STF, Tema 1389, ARE 1532603) desde que, em 14/04/2025, o Ministro Gilmar Mendes determinou monocraticamente a suspensão nacional de todos os processos sobre o tema. Já são 316 dias de espera.   Atualmente, o E. STF possui 21.890 processos em tramitação, segundo os painéis estatísticos oficiais (cf. STF, Estatística, Corte Aberta) ao mesmo tempo em que possui uma força de trabalho total de 1.227 pessoas (cf. STF, Institucional, Governança, Transparência, Pesoas, Força de trabalho).   #advocaciatrabalhista , #direitodotrabalho

Andréa Lima

Excelente análise, Daniel. Os dados do CAGED reforçam a força do emprego formal no Brasil, especialmente no setor de serviços e na região Sudeste. Chama atenção como esse crescimento acontece em paralelo às discussões sobre pejotização e às indefinições no STF. Isso evidencia que o mercado de trabalho vive um momento de transição importante. Para quem atua em Departamento Pessoal e RH, acompanhar esse cenário é fundamental para garantir segurança jurídica e decisões estratégicas nas relações de trabalho.

Paulo Chubba

Tema bom e bem analisado, Daniel. Coloca-se em xeque se a (provável) redução da jornada acelerará esse aumento de empregos formais ou, em sentido contrário, avançará a automação da mão de obra – ao arrepio dos ludistas – e/ou estimulará formas alternativas de contratação.

   Antonio Carlos Aguiar  / CONJUR

Não fosse isso e era menos, não fosse tanto e era quase
Paulo Leminski

Muito estranho começar um texto que envolve sindicatos a partir de uma assertiva sobre o “fim do trabalho”.

Parece um paradoxo, mas, não é.

Parece estranho, porém, igualmente não o é.

Parece confuso, contudo, também confusão aqui não existe.

Parece disruptivo…, bem, aqui nos aproximamos mais da realidade.

Há tempos ando inquieto com toda essa movimentação diuturna e exponencial que vem atingindo o mundo do trabalho e o Direito que dele trata.

Minha inquietação aumentou ainda mais ao recentemente ler o título de um post denominado “O fim do trabalho”.

Referida publicação foi realizada dentro de uma rede social profissional “focada em construir uma carreira, fazer networking, buscar e divulgar vagas de emprego”, em resumo, um lugar que poderíamos chamar de inequívoco fiador quanto à existência e permanência de uma sobrevivência e não de um fim do trabalho.

Irônico?

Talvez.

Eu diria reflexivo.

A publicação foi escrita e postada por Piero Franceschini, acompanhada da seguinte provocação:

“O fim do trabalho (até o de 4 horas por semana).
Estou convencido. Não vamos ter ‘trabalho’ no futuro.
Mas não estou falando do dilema humanos x máquinas. Estou sim falando do ‘modelo de negócio’ trabalho.
Este, na minha visão, já acabou. Estamos apenas lutando com a ruína.
Calma, me deixe explicar…
Diariamente, toda sociedade encontra-se hipnotizada pelas narrativas de crescimento imediato, fórmulas mágicas de sucesso, ‘faça como eu fiz’, … distraídos com os vendedores de milagre que armam o circo no meio da praça e depois somem.
Nisso, o ‘trabalhar’ passou a dar muito trabalho. Virou um caminho de aprisionamento versus um mundo de liberdades e exponencialidade. Tem sempre alguém indo pelo caminho mais fácil.
E essa narrativa é pandêmica. Seus sintomas se manifestam nas 4 gerações convivendo neste ‘espaço de sofrimento’. Os mais velhos querem escapar da ‘roda de hamster’ que prometeu saída, mas nunca realmente deixou. Aprisionados pelo modelo e pelos boletos, ‘tocam de lado’ apenas pra ganhar tempo. Tornaram a liderança a parte mais entediante de uma empresa.
Já os mais novos não querem ‘sujar as mãos no esquema’. Não toleram o tédio, o sangue, suor e lágrimas necessários para chegar num ponto que começa a valer a pena. Aprisionados em uma ansiedade por chegar lá, mas sem a tolerância de esperar o tempo das coisas.
Tornaram os colaboradores a parte menos colaborativa da empresa.
É, o trabalho já acabou. O seu ‘modelo de negócio’ foi disruptado.
E isso não é uma discussão boba de presencial ou remoto. Isso aí é lateral.
A discussão aqui é que ‘o ato de trabalhar’ perdeu seu valor central.
Precisamos urgentemente ressignificar o ‘trabalho’ dentro da sociedade dentro de um novo modelo. Um modelo que una as diferentes gerações no senso coletivo de pertencimento, honra, orgulho, valor, desafio, impacto.
O trabalho enobrece o homem.
Mais atual que nunca.
Não sei o que vai acontecer com o mundo, mas torço para que as máquinas nos peguem gostando do trabalho” [1].

Num momento em que as discussões mais quentes tratam da perda de empregos para inteligência artificial o articulista termina com uma torcida:

“Torço para que as máquinas nos peguem gostando do trabalho” [2].

Por mais estranho que isso possa parecer, ele está certo. Nossas discussões por vezes passam ao largo do que de fato (no século 21) realmente acontece.

Como é difícil admitir que não é possível “ingressar legal e juridicamente” no “trabalho-redes-sociais do século 21” com “telefones-fixos-normativos” do século passado.

Como é difícil entendermos quais os propósitos geracionais imersos e por vezes conflituosos que convivem simultaneamente no atual mundo do trabalho.

Como é complicado aceitar que “o trabalho já acabou e o seu ‘modelo de negócio’ foi disruptado”, como nos adverte Piero Franceschini.

Onde enquadramos o nosso Direito do Trabalho linear nesse colapso-disruptado exponencial?

Onde modelo sindical colapsado do século 20 se encaixa nesse “fim” de tempo real?

Em Foz do Iguaçu, numa palestra sobre Direitos Fundamentais e a proteção do trabalhador na era digital [3], destaquei que é imprescindível a fixação e compreensão do que é (e que nos encontramos dentro dele) tempo real, pois somente assim é possível ‘cutucarmos o destino’.

Estamos no século 21.

Essa realidade nos obriga a pensar e agir com viés assentado nesta página do tempo e não por meio de uma mente aprisionada num saudosismo insistente pela busca de formas alternativas-lineares-ludistas para enfrentar as agruras dos desafios digitais atuais, em especial e principalmente, via a utilização de armas jurídico-artesanais ultrapassadas.

Essa é a verdade.

Temos de nos ressignificar, para não nos transformarmos numa espécie de Dom Quixote analógico que enfrenta moinhos de vento com lanças analógicas acreditando serem gigantes-digitais ou confundindo rebanho de ovelhas lineares com um exército de dragões-digitais-exponenciais.

Temos de estar atentos e compreender o que é novo e, nessa esteira de acontecimentos, do que trata esse novo, uma vez que vivemos em “terras raras” que sequer são terras e muito menos raras, mas, mesmo assim, fazem potências mundiais a elas se curvarem:

“As terras raras estão presentes em tecnologias do dia a dia, desde smartphones até turbinas eólicas, luzes LED e TVs de tela plana. São cruciais para baterias de veículos elétricos, além de aparelhos de ressonância magnética e tratamentos contra o câncer.

As terras raras também são essenciais para o exército americano. São utilizadas em caças F-35, submarinos, lasers, satélites, mísseis Tomahawk e mais, segundo uma nota de pesquisa de 2025 do CSIS” [4].

Importante destacar que as mudanças que enfrentamos hoje são alterações sócio laborais que acontecem. Aconteceram antes. Acontecerão amanhã. Vêm ocorrendo ao longo do tempo abalando o sistema e o modelo vigentes, trazendo consigo a necessidade do novo dentro do novo.

E assim é feito. Ponto e pronto. Não se dá pelo viés de um planejamento estruturado, estudado e pacificamente implementado.

Não à toa os sindicatos foram (e ainda hoje são) reconhecidos como “sociedades de socorro mútuo”.

O que fica é: socorro, como?

A resposta passa pela certeza de que seguramente não mais pelo caminho tempos atrás. Os tempos são outros. As necessidades idem. Logo, as ferramentas de batalha

Hoje, a bandeira é digital.

Os sindicatos têm de saber como lutar essa nova batalha social. Para isso não podem ficar presos a um passado que não existe mais. Não podem ficar presos num olhar analógico modelado num formato-institucional-uno que atualmente se encontra desatualizado. Obrigatoriamente precisam de ajuda. Necessitam de um olhar parametrizado de acordo com o novo mundo digital. Têm de estar atentos e preparados para novas discussões, reclamações e muitas críticas.

Os pleitos são outros. O modelo de enfrentamento também.

Os dias atuais trazem consigo novidades e situações altamente relevantes e importantes à compreensão da transição sócio tecnológica pela qual passamos. O entendimento torna-se, portanto, indispensável, para se pensar, estudar e “por atrevimento” indicar algum tipo de antídoto jurídico para enfrentamento.

Vejamos, por exemplo, a cultura do cancelamento. E aqui não vamos sequer tomar partido deste ou daquele lado. O exemplo serve apenas para compreensão do que “está acontecendo” hoje!

Em editorial de jornal de grande circulação nos deparamos com o seguinte acontecimento intitulado pelo editorialista como “A arte do cancelamento”:

“A Bienal de São Paulo cancelou um debate com a princesa Marie-Esméralda da Bélgica. Não por suas opiniões — o que já seria constrangedoramente autoritário. Marie-Esméralda, por sinal, é ambientalista, feminista e defensora dos indígenas. Mas ela foi condenada por associação a um parente de quarta geração morto há mais de um século: Leopoldo II – o monarca responsável por atrocidades no Congo.” [5]

Esse é um efeito eficiente e eficaz por parte da atuação de coletivos sociais por intermédio de “fala” autêntica e eficaz, que traz consigo agregação de valores e representatividade; visibilidade e conscientização; influência política; e emponderamento.

Não nos cabe aqui dizer se isso é ou não justo e/ou adequado àquele para o qual foi determinado o cancelamento.  O que realmente interessa analisar é o “instrumental-digital” que tem alcance eficiente, muito mais adequado do que os meios jurídicos analógicos-tradicionais.

Logo, esses coletivos sociais têm de compor a estrutura de formação e atuação dos sindicatos, justamente para dar luz àquilo que os seres humanos do século 21 querem do trabalho [feitos somente por eles e/ou com auxílio de máquinas (IA’a)].

Alguém pode contestar e afirmar que a lei não contempla esse tipo de integração.

Nossa resposta se baseia e na realidade atropeladora do status quo, uma vez que os coletivos sociais já exercem representação parlamentar (de fato), independentemente se a lei permite ou não…

Quando se fala em “fim do trabalho”, não se está colocando essa assertiva de forma literal.

A discussão é mais profunda, em verdade, ela passa pelo estudo e compreensão de um novo modelo que valorize a dignidade humana e a equidade.

Passa por discussões acerca do atual desinteresse dos jovens pela formalidade preferindo arranjos de trabalho alternativos ou empreendedorismo.

Portanto, é muito importante — diria imprescindível — ouvi-los antes de tecer-lhes críticas. A visão que eles têm sobre propósito de vida (não apenas individualizada, mas, com viés de alteridade), em especial a geração Z, é extremamente interessante.

Passa por alternativas como a renda básica universal.

Passa pelo encontro de respostas aos atuais desafios tecnológicos e econômicos, com valorização à dignidade humana, equidade social e passos em direção a propósitos de vida a serem alcançados.

Passa, assim, para nós e por nós, pela humildade de saber que precisamos ouvir os mais novos. Compreender as novidades. Ter certeza de que nada é certo e, principalmente, ter a clareza de que nada se resolve sozinho ou apenas com a experiência de um passado que não existe mais.

Há 50 anos o professor Mozart Victor Russomano vaticinava:

“As gerações moças compreendem melhor que as novas gerações o sentido e o destino do Direito Sindical”. [6]

Ousemos, assim, em ouvi-los.

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[1] Publicação de Piero Franceschi no LinkedIn. Disponível aqui.

[2] In ob. Cit.

[3] IV Congresso Nacional e II Internacional da Magistratura do Trabalho realizado em Foz do Iguaçu.  Painel 27: Direito do Trabalho e Tecnologia: desafios constitucionais da revolução digital. Tema: Direitos Fundamentais e a proteção do trabalhador na era digital.

[4] Disponível aqui.

[5] Disponível aqui.

[6] RUSSOMANO, Mozart Victor. DIREITO SINDICAL Princípios Gerais. José Konfino – Editor. Rio de Janeiro. 1975. (Dedicatória)

é sócio do Peixoto & Cury Advogados, mestre e doutor em Direito do Trabalho, titular das Cadeiras 48 e 28 das Academias Brasileira e Paulista de Direito do Trabalho e desenvolvedor de jornadas no ecossistema trabalhista.

Sergio Santos  / Linkedin / #CustomerExperience #D2C #Estrategia

O Consumidor de 2026 já chegou: 5 insights do novo relatório da Nuvemshop  Acabei de ler o relatório “E-Consumidor 2026”, desenvolvido pela Nuvemshop em parceria com o Opinion Box, é uma boa leitura para quem vive o varejo. O estudo traça o perfil do que eles chamam de “estrategista de canais”: um cliente que transita entre o físico e o digital, usando marketplaces para preço e conveniência, mas buscando as lojas próprias (#D2C) quando quer relacionamento e garantia de originalidade. Para quem está desenhando estratégias para o próximo ano, separei 5 fatores decisivos deste documento que exigem reflexão imediata: 1️⃣ Logística define o jogo: Não é apenas sobre ter o produto. O frete caro e o prazo longo continuam sendo os maiores obstáculos para a compra online. A eficiência logística deixou de ser operacional para ser o coração da conversão. 2️⃣ A “Neofobia” e a Era da Fidelização: Estamos vivendo um cansaço do excesso de novidades. O relatório aponta que os consumidores tendem a comprar sempre da mesma marca após uma boa experiência. O foco sai da aquisição desenfreada para a retenção e construção de comunidade. 3️⃣ A dicotomia Marketplace vs. Loja Própria: O consumidor sabe diferenciar. Enquanto a maioria espera encontrar o menor preço nos marketplaces, é na loja oficial da marca que eles buscam a garantia de produtos originais. Sua estratégia precisa cobrir essas duas frentes com propostas de valor distintas. 4️⃣ IA já é realidade no carrinho: O cliente não tem medo da Inteligência Artificial. Pelo contrário, já aceitam bem preços e promoções dinâmicas e um bom número espera recomendações personalizadas. A IA virou o novo “vendedor consultivo” do digital. 5️⃣ Confiança é a moeda de troca: Em tempos de golpes digitais, a reputação precede a venda. Para metade dos consumidores, a nota no Reclame AQUI é o critério número 1 para confiar em uma loja desconhecida.  Minha reflexão: O varejo do futuro não é apenas sobre tecnologia, é sobre reduzir atritos e criar portos seguros para um consumidor sobrecarregado. Não importa se no físico ou no digital, tem bons insights neste estudo. Enjoy… #Varejo #Ecommerce #Nuvemshop #Tendencias2026

Adriano Cadenazzi

O ponto central que fica é que 2026 não será sobre “estar em todos os canais”, mas sobre orquestrar bem cada um: logística como motor de conversão, marketplace como aquisição e loja própria como construção de confiança e relacionamento. Quem tratar tudo igual vai perder margem e relevância. Outro destaque forte é a mudança de mentalidade do consumidor: menos curiosidade por novidade e mais busca por previsibilidade, segurança e boas experiências repetidas. IA entra como meio, não como fim. No final, quem ganhará o jogo será quem reduzir fricção, proteger a confiança e entender que fidelização virou estratégia, não consequência.

Que leitura rica!  Os insights do estudo reforçam exatamente o que vemos no dia a dia: o consumidor está mais exigente, mais criterioso e muito mais orientado por confiança. Logística eficiente, personalização com IA e loja própria forte não são mais diferenciais, são pilares para crescer com consistência em 2026. Seguimos juntos impulsionando marcas que querem vender mais e melhor.

Silvana Lavacca / Linkedin

O ano de 2025 representou um marco importante para a Riachuelo com o melhor desempenho financeiro da nossa série histórica. Ultrapassamos os R$500M de lucro e registramos EBITDA recorde de R$1,8 bilhão, que refletem a execução disciplinada dos nossos pilares estratégicos e nossa jornada de transformação dos últimos anos. Já são 10 trimestres consecutivos de crescimento em SSS (vendas nas mesmas lojas) e a margem bruta de vestuário atingiu 57,8% no 4T25. E indo além dos números, encerramos o ano com uma virada na evolução da marca Riachuelo, inaugurando um novo momento da marca, que celebra o Brasil e cria possibilidades. Também avançamos na melhoria da experiência em loja, com a abertura da nossa pop-up store em Pinheiros, que apresenta o um novo conceito que antecipa a evolução das mais de 300 lojas da Riachuelo nos próximos anos. Estamos orgulhosos e confiantes de que ainda temos muitas coisas boas por vir na nossa jornada, com alavancas estratégicas claras, cultura forte e nossa paixão por fazer uma moda cada vez mais autêntica e democrática para os consumidores.

Cristiany Sales

Resultados expressivos como esses evidenciam gestão estratégica, disciplina na execução, fortalecimento de marca e maturidade organizacional. A trajetória da Riachuelo demonstra que crescimento sustentável nasce da combinação entre planejamento consistente, foco no cliente, experiência em loja, inovação com identidade nacional e cultura forte. A evolução da marca, aliada ao desempenho financeiro histórico, mostra que é possível gerar rentabilidade, valor econômico e conexão com o consumidor ao mesmo tempo. Quando estratégia, cultura e execução caminham juntas, os números deixam de ser apenas indicadores e passam a ser consequência de escolhas bem feitas e visão de longo prazo.

A grande heterogeneidade das empresas e dos setores econômicos do Brasil torna a flexibilização dos contratos não apenas possível, mas estritamente necessária. Essa é a visão de Alexandre Furlan, presidente do Conselho de Relações do Trabalho da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Para o dirigente, a modernização das relações laborais é crucial para criar segurança jurídica e atender às particularidades de cada área. “Num Brasil tão heterogêneo, em que segmentos econômicos têm tantas especificidades, é muito melhor e é muito mais consentâneo com a realidade você fazer acordos coletivos entre empresa e o sindicato profissional”, avalia Furlan.

Para Furlan, realidades empresariais distintas precisam de flexibilidade nas regras

Furlan falou sobre o assunto em entrevista à revista eletrônica Consultor Jurídico durante o IV Congresso Nacional e II Internacional da Magistratura do Trabalho, realizado em Foz do Iguaçu (PR) no final de novembro. O Anuário da Justiça do Trabalho 2025 foi lançado no evento.

Na opinião de Furlan, a reforma trabalhista (Lei 13.467/2017) deu passos importantes nessa direção ao aprovar a terceirização em todas as atividades da empresa, acabar com a dicotomia entre atividade-meio e atividade-fim e determinar a prevalência do negociado sobre o legislado.

O dirigente da CNI avalia que os trabalhadores atendidos de forma mais eficaz com acordos coletivos do que em mediações do Judiciário que impõem a mesma regra a empresas de tamanhos muito discrepantes.

“Você coloca no mesmo bolo, vamos dizer, uma empresa que tem mil funcionários e outra que tem cinco ou sete funcionários, cujas realidades são completamente distintas”, exemplifica.

O especialista acredita que, com a evolução da inteligência artificial e a modernização contínua, será cada vez mais necessário flexibilizar as relações de trabalho. Essa flexibilização transcende a simples alteração dos contratos.

Para Furlan, a flexibilização não se limita aos contratos de trabalho, porque precisa alterar toda a lógica econômica do país.

“Cada vez mais, inclusive com a inteligência artificial e toda essa modernização que está existindo, nós temos sim a necessidade de flexibilizar cada vez mais as relações de trabalho. Não digo nem os contratos, mas a forma de se trabalhar, de se produzir no país”, avalia.

O gigante asiático é nosso principal destino comercial e também a principal fonte das importações brasileiras, mas o contrário não é verdadeiro

Milton Pomar / Amanhã

Cenário reforça a importância de mais empresas brasileiras investirem em vendas para a China e outros países asiáticos

“Comércio Brasil-China atinge recorde de US$ 171 bilhões em 2025” – com esse título, a publicação “CEBC Alerta”, do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), apresenta um conjunto de informações muito interessantes a respeito da balança comercial entre os dois países. Elaborada por Túlio Cariello, diretor de conteúdo e pesquisa do CEBC, com dados obtidos na ComexStat, a edição deste mês destaca vários aspectos da relação comercial no ano passado, a começar pelo fato dela ter sido mais uma vez (a 17ª consecutiva) superavitária para o Brasil, com US$ 29,1 bilhões, o equivalente a 43% do saldo comercial positivo do país com o mundo, de US$ 68,3 bilhões.

O segundo destaque, fundamental, revela o grau de dependência do Brasil em relação à China: ela é nosso principal destino comercial (28,7% do total), e é também a principal fonte das importações brasileiras, com 25,3% do total. O contrário não é verdadeiro: o comércio com o Brasil representa tão somente 2,9% do que a China compra e vende internacionalmente, de acordo as informações disponíveis no site da administração da alfândega chinesa, relativas aos dados do acumulado até novembro.

Com US$ 100 bilhões de exportações (o recorde foi US$ 104 bilhões em 2023), e US$ 70,9 bilhões de importações – maior valor até então –, o ano de 2025 confirmou, mais uma vez, a dependência de três setores-chave em relação a um país-comprador: a soja – foram para a China 79% do total exportado (em 2018, chegou a 82,4%) –; o minério de ferro (67%); e o petróleo bruto (45%). Nesse contexto, como avaliar o fato que a China, no ano passado, foi o principal fornecedor de bens para a indústria de transformação do Brasil, com 27% de participação nas importações (em segundo lugar os Estados Unidos, com 16%, e a Alemanha em terceiro, com 5,5%)?

Um outro aspecto que também chama a atenção, na leitura do estudo do CEBC, é que, exceto a carne bovina e o cobre, os demais produtos mais importantes exportados pelo Brasil para a China tiveram aumentos dos volumes superiores aos aumentos dos valores: petróleo bruto (+12,5% em volume e +0,6% em valor); minério de ferro (+6,5% e -1,7%); celulose, exceto para dissolução (+13,7% e +1,6%); soja (+17,8% e +9,6%); ferroligas (+37,8% e +29,8%); açúcar (+56,9% e +34,9%); celulose para dissolução (+65% e +58%). Em compensação, fertilizantes nitrogenados e fosfatados da China (58% do total importado pelo Brasil), aumentaram 72% em volume e 78% em valor.

Estrela das exportações brasileiras para a China no ano passado, com 24,6% a mais em quantidade (1,6 milhão de toneladas) e 47,9% a mais em valor (US$ 8,8 bilhões), a carne bovina terá dificuldade para manter esse patamar de vendas nos próximos anos, por causa da cota e tarifa impostas pelo governo chinês para proteger a produção nacional (quem sabe essas restrições não estimulem o setor a diversificar, investindo na produção e exportação de carne de cabrito e de ovelha, para atender a forte demanda no Oeste da China e na Ásia Central). Ainda nas carnes, as quedas muito preocupantes de 53% nas vendas da de frango (US$ 600 milhões, o menor valor desde 2014) e de 36% da suína (US$ 301 milhões). Outro destaque a comemorar é o salto na venda de café não torrado, de US$ 213 milhões para US$ 459 milhões e de 21% a mais em volume. Com essa compra, a China passou ao segundo lugar no mercado asiático do produto – o Japão é o maior, e a Coreia do Sul agora a terceira maior. Em termos mundiais, a China subiu do 14º (em 2024) para o nono lugar entre os maiores importadores de café do Brasil.

Passando das vendas às compras, a preocupação recorrente na análise qualitativa do comércio com a China: o peso desproporcional dos produtos industrializados, e o que eles significam para a ainda tímida retomada da industrialização no Brasil. Como o Brasil só conseguirá ter indústria se for competitivo internacionalmente, e só conseguirá essa proeza com juros dentro da média mundial e pelo menos 30 mil quilômetros de ferrovias, a pergunta que não quer calar é se o país continuará exportando minério de ferro (294 milhões de toneladas, recorde em 2025) e importando produtos de aço da China, como trilhos, vagões e locomotivas?

Salvo engano, a indústria brasileira de trilhos foi fechada no governo Fernando Henrique Cardoso, em 1997. E desde então pagamos algo em torno de US$ 700 de diferença, entre a tonelada de ferro exportado e a de trilho importado. Certamente as diferenças são muito maiores para os vagões e as locomotivas, e haverá necessidade de uma quantidade enorme de uns e outras nos próximos anos, se acontecerem os 10 mil quilômetros prometidos nos planos de ferrovias divulgados recentemente. Todos esses produtos implicam em geração de empregos, movimento econômico, e arrecadação de tributos, que se traduzem em desenvolvimento econômico – na China ou no Brasil.

O tamanho da encrenca é grande, e apesar de algumas manifestações de desagrado aqui e ali, na prática essa relação desigual só se aprofundou. Um exemplo notável é o da importação de produtos farmacêuticos, que aumentou 39% no ano passado, superando o patamar de US$ 1 bilhão. Pois bem, está lá na publicação do CEBC: aumentou 64 vezes a quantidade de produtos importados contendo insulina, atingindo US$ 135 milhões. Com o crescimento das vendas em 2025, a China passou do sétimo lugar para o quarto lugar no ano passado, entre os maiores fornecedores de fármacos para o Brasil, com 6,3% de participação (quase igual à da Suíça, de 7%). Estados Unidos (18%) e Alemanha (14%) continuam à frente, o que não impede que daqui a três ou quatro anos sejam ultrapassados. Ainda nos produtos com maior peso nas importações, o destaque absoluto é a mega plataforma de exploração de petróleo, módicos US$ 2,6 bilhões (não tínhamos capacidade para produzir esse tipo de plataforma? O que aconteceu?) e, em segundo lugar, os carros híbridos, 25% a mais do que em 2024, um total de US$ 1,8 bilhão.

Todas essas informações e análises reforçam a importância de mais empresas e cooperativas brasileiras investirem em vendas para a China e outros países asiáticos, além dos tradicionais Japão e Coreia do Sul. A Índia, o Vietnã, o Irã e a Turquia, por exemplo, compraram do Brasil no total 13,1% no ano passado. Para a Índia, foram 30% a mais. O Vietnã também está se revelando um parceiro comercial animador, com seus 100 milhões de habitantes e recente elevação do poder aquisitivo. Aos interessados em participar com estande em feiras na China, fica a sugestão de se inscrevem no site da ApexBrasil para a Feira de Importação (CIIE) em Shanghai, de 5 a 10 de novembro.

Companhia catarinense obteve faturamento e lucro recordes em 2025

Redação – AMANHA

A expectativa da Havan é ter 200 megalojas em todo o Brasil

O Grupo Havan faturou R$ 18,5 bilhões em 2025, um salto de mais de 16% em relação a 2024 e a maior marca já registrada pela empresa catarinense. De acordo com a companhia, o resultado reflete o aumento do número de clientes e o desempenho das vendas ao longo do ano. O grande destaque foi o lucro líquido, que atingiu R$ 3,5 bilhões, um avanço de quase 30% sobre o lucro de 2024.

Para o dono da Havan, Luciano Hang, o desempenho recorde é fruto do trabalho conjunto de colaboradores, fornecedores e clientes. “Batemos recordes de faturamento, de fluxo de clientes e tivemos o maior lucro da nossa história. Isso é fruto do empenho da nossa equipe, da parceria com fornecedores e da confiança dos clientes. Foi um ano extraordinário”, declarou, por meio de nota.

A empresa já projeta metas ainda mais ousadas para 2026, quando completa 40 anos de história. A expectativa é chegar a 200 megalojas, estar presente em todos os estados brasileiros, alcançar 25 mil colaboradores e atingir faturamento de R$ 22 bilhões. Ao longo do ano passado, a Havan inaugurou sete megalojas e ampliou a presença no varejo nacional ao levar a marca para diversas regiões do país. O grupo vai aportar, entre 2025 e 2026, R$ 2 bilhões na compra de terrenos, construção de megalojas e na ampliação do centro de distribuição em Barra Velha (SC).

A Havan é a 16ª maior empresa da região e também a sexta maior de Santa Catarina, de acordo com o ranking 500 MAIORES DO SUL, publicado pelo Grupo AMANHÃ com o apoio técnico da PwC Brasil

Jornal do Comércio (RS) noticia que a CNC divulgou os dados de 2025 da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic).  O estudo indica que o percentual de famílias brasileiras que têm dívidas com cartão de crédito e financiamentos alcançou 79,5% em janeiro, patamar mais alto já registrado na série histórica.