Thiago de Melo Furbino • Influencer • l
A Black Friday e o Natal de 2026 podem estar entre as últimas grandes datas promocionais como conhecemos hoje. Os dados apresentados pelo Google mostram um consumidor mais preparado: 48% já chegam à Black Friday com a lista pronta, 44% começaram a pesquisar preços antes e 41% pretendem gastar mais que em 2025. Ao mesmo tempo, 60% ainda enxergam a data como a principal oportunidade para comprar itens de maior valor.
Mas a transformação mais importante acontece antes da compra. A busca deixa de ser formada por frases curtas como “melhor cadeira” ou “melhor notebook” e passa a incorporar necessidade, intenção, rotina, orçamento, características, prazo, pagamento e até imagens. Em uma única conversa, o consumidor explica o que procura, como pretende usar, quanto quer gastar e quando precisa receber. A IA interpreta esse contexto e cruza essas informações com preços, catálogos, avaliações, estoque e condições de entrega.
Existe, porém, um descompasso: o consumidor incorporou a IA mais rápido do que boa parte do varejo. Enquanto ele pesquisa usando frases longas, áudio, imagens e contexto, muitos e-commerces ainda esperam palavras-chave exatas, possuem descrições despadronizadas e apresentam praticamente a mesma vitrine para clientes com perfis e intenções diferentes. O consumidor quer comparar características e avaliações; do outro lado, ainda existem páginas com pouca informação, fotos ruins e dados estruturados apenas para leitura humana.
Esse gap aparece também na jornada. Em análise apresentada pelo Google Cloud com 35 grandes e-commerces, 18 apresentaram algum tipo de falha durante a jornada de compra.
É por isso que as evoluções do Merchant Center ganham relevância. Melhorar imagens, enriquecer descrições, incorporar avaliações e organizar atributos deixa de ser apenas otimização de conversão: a qualidade do catálogo passa a influenciar se o produto será entendido, comparado e recomendado pela IA.
E o comportamento já mudou. Em pesquisa com 2.750 brasileiros e mais de 17 mil compras, 57% utilizam IA em algum momento de jornadas complexas. Para a Black Friday, 22% pretendem usá-la para avaliar se a promoção vale a pena, 20% para buscar cashback e benefícios, 19% para comparar preços e 17% para encontrar produtos a partir de uma necessidade. O uso de IA para compras triplicou, de 5% em 2024 para 15% em 2026.
A jornada está mais curta e mais profunda. Em 2027, possivelmente teremos uma Black cada vez mais agêntica, na qual o varejo disputará a atenção do consumidor e também a escolha dos agentes que vão pesquisar, comparar e recomendar por ele.
A estratégia passa a ser também sobre ser entendido, considerado e escolhido pela IA. E a pergunta começa a ficar incômoda: sua empresa já está preparada para isso?
foto: Gleidys Salvanha


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