O líder do Partido Liberal na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), afirmou que o partido pretende transformar a proposta de fim da escala 6×1 em uma “grande limonada”, ampliando o debate para modernizar as relações de trabalho no país. Em entrevista à coluna Entrelinhas e ao programa Sem Rodeios, ao justificar o voto favorável à admissibilidade da matéria, ele disse que a decisão foi também estratégica para não cair em uma “arapuca” política montada pelo governo Lula.
“O governo arrumou uma arapuca para querer colocar o PL e o pré-candidato Flávio Bolsonaro dentro dela”, declarou. Segundo ele, a proposta tem sido usada de forma “eleitoreira” para rotular a oposição como contrária aos trabalhadores.
“Debate meritório”, mas com críticas ao governo
Apesar das críticas, o parlamentar reconheceu a relevância do tema. “Nós entendemos que esse debate da PEC 6×1 é um debate meritório”, afirmou. Para ele, a discussão pode abrir caminho para mudanças mais amplas na legislação trabalhista.
Sóstenes atacou o histórico do governo ligado ao Partido dos Trabalhadores e disse que a legenda “nunca fez nada pelos trabalhadores”, argumentando que houve, na prática, fortalecimento de sindicatos que, segundo ele, “só oprimem o trabalhador, não defendem de verdade o interesse dos trabalhadores”.
Proposta: jornada flexível e pagamento por hora
O líder do PL defende que o debate vá além da simples redução da jornada semanal de 44 para 40 horas. “Não só a questão de reduzir de 44 horas para 40, ou seja, tirar 6×1 para 5×2, mas a gente aproveitar do limão e fazer uma limonada”, disse.
Entre as propostas, ele cita a possibilidade de modelos mais flexíveis. “O melhor método de relação empregador-trabalho é hora trabalhada, hora recebida”, afirmou, acrescentando que o trabalhador poderia escolher “trabalhar três dias por semana, quatro dias, ter dois empregos, três”.
Preocupação com impacto econômico
Sóstenes também destacou riscos de uma mudança abrupta. Segundo ele, setores como comércio e serviços seriam diretamente afetados. “Se a gente reduzir seis por um para cinco por dois da noite para o dia, existem setores que vão gerar repasse para o consumidor final ou desemprego”, alertou.
Ele afirmou ter ouvido do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), a defesa de uma transição gradual. “Reduzir uma hora pelos próximos anos vindouros pós-eleição”, relatou.
Além disso, o PL pretende propor compensações. “Que esses setores possam ser compensados ou com a desoneração da folha de pagamento, ou com algum incentivo do governo”, disse, para evitar demissões ou aumento de preços.
Voto “estratégico” na CCJ
Questionado sobre por que o partido não tentou barrar a proposta na Comissão de Constituição e Justiça, Sóstenes respondeu: “Foi uma estratégia política em ano eleitoral”.
Segundo ele, a aprovação na admissibilidade não significa apoio ao mérito. “Nós só votaremos no mérito se as nossas contribuições forem aceitas”, afirmou. Caso contrário, o partido votará contra.
Ele argumentou que rejeitar a proposta na CCJ poderia reforçar a narrativa do governo. “Para colocar a pecha de que ele é inimigo do trabalhador”, disse, referindo-se a Flávio Bolsonaro.
Críticas ao governo e ao presidente Lula
O deputado também associou o debate ao cenário político nacional e à popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “A gente vê a rejeição do governo federal e ele está buscando algum assunto para se agarrar”, observou.
Para ele, o tema tem “apelo social”, mas não pode ser tratado de forma irresponsável. “O que nós não podemos é ser, como a esquerda faz, irresponsável com o setor produtivo”, disse.
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