2 de dezembro de 2024   site CNC

 

Pela primeira vez, governo, Congresso, setor produtivo e sociedade civil lograram estabelecer uma agenda de competitividade participativa, sistemática e transparente

Por Geraldo Alckmin, vice-presidente da República e ministro do Mdic, Jorge Gerdau, presidente do Conselho Superior do MBC, Ricardo Alban, presidente da CNI, José Roberto Tadros, presidente da CNC e Arnaldo Jardim, presidente da Frente Parlamentar pelo Brasil Competitivo

 

Reconhecer o problema foi uma etapa certamente decisiva. Agora, porém, pela primeira vez, governo, Congresso Nacional, setor produtivo e sociedade civil lograram estabelecer uma agenda de competitividade participativa, sistemática e transparente, para enfrentar os gargalos que afetam a capacidade de nossas empresas, em especial a indústria, de concorrer com seus pares internacionais.

A decisão do presidente Lula da Silva de recriar o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), acompanhado de uma Secretaria de Competitividade e Política Regulatória (SCPR), foi estratégica, nesse sentido.

Após consulta pública inédita, com centenas de contribuições de entidades, inclusive Confederação Nacional da Indústria (CNI) e Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a SCPR, com apoio do Movimento Brasil Competitivo (MBC), consolidou, no primeiro semestre de 2023, os principais entraves identificados.

Também fizemos uma nova medição do custo Brasil que revelou um montante de R$ 1,7 trilhão por ano, ou seja, nada menos que “um PAC”, o maior programa de investimentos de nossa história, em ineficiências que vão da abertura ao fechamento de negócios, passando por problemas em nossa infraestrutura. Feito o diagnóstico, passamos a atacar as causas dos problemas.

O governo lançou a Agenda de Redução do Custo Brasil, estabelecendo um conjunto de 41 medidas institucionais, das quais 21 delas tiveram impactos quantificados e serão capazes de reduzir em R$ 530 bilhões o custo Brasil nos próximos anos. Liderada pelo Mdic, essa agenda é resultado de um diálogo amplo, com a participação de mais de cem entidades, e tem como foco promover reformas estruturais que removam os gargalos que prejudicam o setor produtivo, mobilizem investimentos, gerem empregos e impulsionem a inovação.

No centro da Agenda de Redução do Custo Brasil está também a necessidade de atrair investimentos privados para financiar projetos estratégicos nas áreas de transporte, energia e inovação, que são fundamentais para aumentar a competitividade do Brasil.

Desde o seu lançamento, já estimamos uma redução de R$ 86,7 bilhões nos custos enfrentados pelas empresas nacionais, graças a medidas como a abertura do mercado livre de energia e a expansão das redes de banda larga no Brasil. E, até 2026, calculamos que essa redução poderá chegar a R$ 185 bilhões.

Para se ter uma ideia, aprovações, com apoio decisivo do Congresso Nacional, de iniciativas como as debêntures de infraestrutura, as Letras de Crédito do Desenvolvimento e o novo Marco Legal das Garantias, além de outros projetos já em implementação, reduzirão o custo do acesso ao crédito e acelerarão a diversificação de nossa matriz logística. Estima-se que essas ações possam gerar uma diminuição de custos na ordem de R$ 287 bilhões.

Agora, será essencial avançarmos na regulamentação da reforma tributária, que simplificará nosso sistema tributário, acabará com a cumulatividade – um dos principais entraves para as empresas – e desonerará investimentos e exportações. Somam-se a isso a racionalização dos encargos setoriais incidentes sobre a tarifa de energia elétrica, que faz com que o Brasil tenha, paradoxalmente, uma energia barata, mas uma conta de luz cara; a celebração de novos acordos comerciais; a facilitação das operações de comércio exterior, com mais crédito e menos burocracia; e a criação de um mercado regulado de créditos de carbono no Brasil.

Essas iniciativas e diversas outras estão, agora, sistematizadas no site do recém-lançado Observatório do Custo Brasil, destinado a divulgar para toda a sociedade cada um dos avanços realizados e a apresentar o plano de voo para seguirmos este caminho virtuoso nos próximos anos.

O observatório é uma ferramenta inédita e estratégica para acompanhar de perto os avanços, mostrar onde estamos e aonde podemos chegar. E, com isso, alinhar as ações entre governo, setor produtivo e demais atores. É um compromisso pela transparência e pela tradução dos gargalos em números. Um divisor de águas para assegurar que as políticas estão entregando os resultados esperados.

Não há dúvida de que temos desafios consideráveis pela frente. Mas quando observamos o que já foi feito em apenas dois anos, temos razões para nos mantermos firmes e confiantes na implementação de medidas que deixarão um legado duradouro para o Brasil.

Com diálogo entre governo e iniciativa privada, orientação para resultados e transparência, será possível preparar nosso país para atrair ainda mais investimentos e estimular novos negócios, aproveitando as grandes oportunidades que se avizinham, em uma economia que exige, cada vez mais, inovação e compromisso com a sustentabilidade. No Brasil do presente, indicando um movimento rumo a um ambiente mais competitivo e eficiente, o custo Brasil já começa a ser coisa do passado.

Artigo originalmente publicado no jornal O Estado de S. Paulo, em 1 de dezembro de 2024.

Desemprego baixo, oferta de crédito e benefícios sociais impulsionam apetite das famílias. Agropecuária é o único setor que tem retração no período. Resultado de 2023 é revisado para cima

Por  Vinicius Neder e  Mayra Castro / O globo / Rio / 03.12.24

 Consumo das famílias ajudou a puxar o PIB do terceiro trimestre de 2024

A economia brasileira seguiu em ritmo de crescimento no terceiro trimestre. O Produto Interno Bruto (PIB, valor de todos os produtos e serviços gerados na economia) avançou 0,9% sobre o segundo trimestre, informou o IBGE nesta terça-feira. O avanço do consumo das famílias e dos investimentos impulsionou a atividade econômica.

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O resultado veio em linha com as projeções, que apontavam para um crescimento de 0,8%, segundo pesquisa com analistas e mercado feita pelo jornal Valor, o que corrobora as estimativas de um crescimento acima de 3% em 2024.

Antes do resultado do terceiro trimestre ser divulgado, as projeções captadas na edição mais recente do Boletim Focus, pesquisa do Banco Central (BC) com analistas de mercado, apontavam para um crescimento econômico de 3,2% este ano.

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O IBGE também revisou para cima o crescimento do PIB em 2023, de 2,9% para 3,2%. O instituto costuma fazer revisões mais amplas no terceiro trimestre. Além disso, houve uma revisão metodológica na Pesquisa Mensal de Serviços, que fez o setor ampliar a expansão que havia sido registrada no ano passado.

Consumo cresce com mercado de trabalho forte

Assim como no primeiro semestre do ano, o consumo das famílias se manteve como motor da economia, pelo lado da demanda. Cresceu 1,5% na comparação com o segundo trimestre e 5,5% em relação a igual período do ano passado.

A sequência de altas no consumo das famílias somou 13 trimestres seguidos, sempre na comparação com os três meses imediatamente anteriores. Ela foi iniciada no terceiro trimestre de 2021. É a maior desde os 14 trimestres seguidos de crescimento verificados entre 2005 e 2008.

Segundo a economista Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro, do FGV Ibre, o impulso no consumo foi dado pela força dos mesmos motores dos últimos trimestres: o bom momento do mercado de trabalho, com o desemprego nas mínimas históricas, o avanço do crédito e os gastos do governo com Bolsa Família e programas sociais cujos pagamentos são atrelados ao salário mínimo, que saem ganhando com a regra que garante reajustes reais.

Os investimentos, que já haviam se destacado no trimestre anterior, também se sobressaíram, com expansão de 2,1% sobre o período de abril a junho. Na comparação com o terceiro trimestre de 2023, o salto foi de 10,8%, mesmo com os juros em alta.

Investimento tem 4 trimestres seguidos de alta

Na comparação com os três meses anteriores, os investimentos emplacaram quatro trimestres seguidos de avanços nessa base de comparação. É a mais longa sequência positiva desse tipo desde 2011.

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Do segundo trimestre de 2009 ao quarto trimestre de 2011, a Formação Bruta de Capital Fixo (medida dos investimentos no PIB) subiu ininterruptamente por 11 trimestres. De 2012, começou a registrar um vaivém, até a economia entrar em recessão, em 2014.

Nem mesmo entre 2020 e 2021, na recuperação do tombo provocado pela Covid-19, houve sequência tão longa de altas.

Um dos sinais de ampliação de investimentos é a compra de máquinas e equipamentos no exterior. As importações de bens e serviços cresceram 1% na comparação trimestral, segundo o IBGE. Já as exportações caíram 0,6%.

Impulso da pandemia para serviços

Pelo lado da oferta, os serviços, que respondem por cerca de 70% da economia, e a indústria seguiram em trajetória de crescimento. O primeiro subiu 0,9% na comparação o trimestre imediatamente anterior, liderado pelas atividades de Informação e comunicação, que inclui todos os negócios de TI.

— É impressionante como esse setor, no fim das contas, foi até beneficiado pela pandemia e pelo desenvolvimento de tecnologias mais modernas. Comparado com ultimo trimestre de 2019 (último antes de a Covid-19 se abater sobre o mundo) cresceu 35% em termos reais. É um aumento bastante expressivo nesse tempo todo — afirma a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis.

Indústria de transformação puxou o desempenho do setor industrial

Indústria de transformação é destaque

Já o setor industrial avançou 0,6%, puxada pela indústria de transformação. Por outro lado, caíram os segmentos de construção (-1,7%), eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos (-1,4%) e indústrias extrativas (-0,3%).

— Uma coisa diferente (do resultado do terceiro trimestre) foi o resultado muito bom da indústria de transformação, e muita coisa relacionada ao consumo, como bens duráveis e bens de capital, maior capacidade para aumentar oferta — disse Rebeca.

Apesar da retomada recente, a indústria manufatureira segue com sinais de crise. O nível de atividade do PIB da indústria de transformação ainda está 14,7% do máximo já atingido, no terceiro trimestre de 2008.

A agropecuária foi o único componente da oferta que teve retração, como esperado. O recuo foi de 0,9%, o que ainda reflete os efeitos da seca sobre as plantações.

Sinais de desaceleração

Embora a alta do PIB do terceiro trimestre represente uma desaceleração em relação ao rimo do segundo trimestre, está longe de ser a freada que chegou a ser esperada por economistas no início de setembro.

À medida que os dados mensais da indústria, do varejo e dos serviços de julho, agosto e setembro foram sendo divulgados, a ideia de freada ficou para trás. As estimativas do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), por exemplo, começaram em alta de apenas 0,1% para o PIB do terceiro trimestre.

Para Silvia, apesar da surpresa positiva, a economia já dá sinais de aquecimento excessivo, que aparecem na inflação pressionada. Com um cenário externo mais turbulento, diante da eleição de Donald Trump como presidente dos EUA, o aquecimento excessivo poderá exigir juros mais altos, que poderão provocar uma freada ainda mais forte na economia.

— É positivo o PIB (em ritmo maior de alta), mas é aquela coisa, o custo já apareceu, não veio de graça, não tem almoço grátis — afirmou Silvia.

 de Redação  / 28.11.24

A pirataria representa enormes prejuízos à economia brasileira, com impactos que vão além das perdas financeiras diretas. Segundo dados do Fórum Nacional de Combate à Pirataria (FNCP), o impacto do mercado ilegal em 15 setores aumentou 400% nos últimos dez anos, subindo de R$ 100 bilhões para R$ 441 bilhões.

O setor de vestuário foi o mais afetado, com perdas estimadas em R$ 84 bilhões, um reflexo da crescente circulação de produtos falsificados no mercado. Além do vestuário, outros setores como alimentos, eletrônicos e cosméticos também enfrentam desafios devido à presença de mercadorias ilegais.

“Esses números não podem ser ignorados. O impacto da pirataria vai além das perdas financeiras. Ele afeta toda a cadeia produtiva, gera desemprego, reduz a arrecadação de tributos e compromete a qualidade dos produtos oferecidos ao consumidor”, afirma Edmundo Lima, diretor-executivo da Abvtex.

 

A Abvetx, junto com outras entidades, defende a intensificação da fiscalização e a implementação de políticas públicas mais rigorosas para combater a pirataria no Brasil. Ações conjuntas entre o governo e o setor privado são vistas como essenciais para minimizar os danos e proteger os direitos dos consumidores e das empresas.

“Precisamos de uma mobilização conjunta entre o governo e o setor para que a legislação em vigor seja cumprida e para que controles mais rígidos sejam implementados”, destaca Lima.

 de Marcos Gouvêa de Souza    /   18 de novembro de 2024

Uma análise comparativa e detalhada do desempenho do varejo no 3º trimestre de 2024 feita por Eduardo Yamashita, COO do Ecossistema Gouvêa, e publicada na Mercado&Consumo na última sexta-feira (clique aqui para conferir) mostra o desempenho de algumas das principais empresas do setor, comparando como se comportaram Carrefour, Assaí, Magalu, Casas Bahia, RD – Raia Drogasil, Pague Menos, Renner e Riachuelo com base em seus balanços.

Como destaca o artigo, os fatores comuns positivos mostram melhorias das vendas e margens, melhoria dos resultados financeiros e redução dos custos financeiros, redução da alavancagem e a forte ênfase na frente digital.

Tudo isso é motivo para reverter um certo ceticismo que marcou as análises do varejo em 2024 quando tomamos como amostra do setor e por serem as principais empresas de capital aberto, considerando o que ocorreu em especial no 1º semestre de 2024.

O desempenho mais recente, como mostrado no artigo, é ponto positivo e sinaliza reversão. Mas o quadro futuro ainda gera preocupação, pois fatores diversos poderão criar desafios de curto, médio e longo prazo.

Sempre importante considerar a resiliência e capacidade de adaptação e reação do setor de varejo, que ao longo do tempo desenvolveu mecanismos próprios e únicos no cenário global para continuar evoluindo. Todo o modelo de crédito no Brasil é um dos diferenciais competitivos que atua para ajudar a equilibrar as flutuações de curto prazo e estimula o crescimento de longo prazo.

No cenário futuro eis os elementos que geram preocupação no varejo, no consumo e na economia como um todo e que merecem ser destacados.

  1. Comportamento da inflação e taxas de juros considerando a eleição em 2026

O aquecimento do consumo e o desempenho da economia acima do previsto trouxeram aumento das vendas e algum espaço para melhoria da rentabilidade como foi mostrado no artigo. Mas fizeram também crescer a inflação, em especial em alimentos, obrigando o Banco Central a aumentar, por decisão unânime, as taxas de juros.

Esse quadro, ao que tudo indica, tenderá a se manter e as previsões indicam continuidade da tendência de aumento da inflação que só será revertida por imposição de um desaquecimento da economia, com impacto no consumo e no varejo.

Outra consequência desse aquecimento foi o crescimento da inadimplência, que atingiu o segundo mais alto patamar em relação aos últimos oito anos, e o aumento do endividamento das famílias.
Ocorre que o atual governo está com olhar fixo nas eleições de 2026 e como tem demonstrado não se curvará à responsabilidade com o futuro da Nação. Ele vai prosseguir decidido a buscar caminhos, mais ou menos ortodoxos, para manter a economia e o consumo aquecidos deixando para pensar ajustes estruturais para depois de 2027.

  1. Emprego, renda, massa salarial e auxílios aquecem o consumo e assim permanecerá, porém, gerando distorções

Temos um cenário que até poderia ser considerado virtuoso combinando indicadores dos mais baixos de desemprego e com aumento da renda real e da massa salarial. Ocorre que temos uma deformação importante precipitada pelos programas de auxílio (Bolsas Brasil, Auxílio Brasil e outros) que foram criados para gerar uma renda mínima para sobrevivência dos mais desamparados, mas que hoje são destinados a 20,8 milhões de famílias com gente que prefere não ser empregada de forma fixa e pela CLT e complementam o auxílio recebido com “bicos”. E, portanto, não fazem parte dos que procuram emprego e são considerados desempregados.

E ainda gera uma distorção artificial, pois faltam profissionais para as empresas, em especial nos setores de varejo, hospitalidade, turismo e muitos outros, inflacionando salários e aumentando custos para recrutar e reter funcionário.

E é nesse cenário que se coloca em discussão uma alteração estrutural importante com potencial redução da carga de trabalho sem redução da remuneração. Tudo pela eleição e nada com responsabilidade com a Nação.

 

  1. As bets absorvendo recursos que são esterilizados na economia local

O total das receitas das bets neste ano de 2024 será de R$ 100, 120 ou 150 bilhões? Pode apostar para ver quem vai acertar. O que é certo é que essa nova epidemia contaminou o mercado gerando problemas de saúde pública, de desajustes sociais e com apoio de clubes, estádios, atletas, influencers e veículos de comunicação que entraram também no jogo.

Com isso, espaços publicitários são disputados pelas empresas que se habilitaram para atuar nessa nova frente. E que trouxeram renda extra para o governo no processo de habilitação. O que fez também que o governo se interessasse economicamente pelo tema. Porém o próprio governo perde arrecadação, pois a taxação das bets é inferior à taxação do consumo de produtos e serviços. E inferior à taxação de fumo e bebidas.

E o que não é distribuído em relação ao que é apostado para os vencedores é esterilizado e em parte direcionado para fora do país, já que muitas dessas empresas têm sede fiscal fora do Brasil.

O Banco Central mostrou o volume de apostas sendo feitas com recursos dos programas de auxílio e o STF determinou que não podem ser usados esses recursos e que também não pode haver publicidade das bets dirigida aos jovens. Alguém acredita que isso seja possível de ser de fato controlado?

Quem vai controlar se vai ser usado o valor do auxílio ou do “bico” para apostar? Vai impedir que jovens notem a comunicação massiva nos estádios, nas camisas ou propaganda nos intervalos comerciais? É o típico “me engana que eu gosto”.

  1. O devaneio do presente sobrepondo-se à responsabilidade com o futuro

O conjunto de ações e iniciativas para aquecer o mercado está trazendo resultado e é inegável, como bem demonstrado no completo artigo publicado. Mas o preço pode ser alto quando pensamos mais à longo prazo.

É uma economia em que o investimento de mais longo prazo acaba sendo desestimulado por taxas de juros de aplicações financeiras com razoável nível de segurança e rendendo patamares elevados de juros. E que levam à reflexão se vale a pena correr riscos investindo na economia real.

O esforço com forte indução do Estado com uso dos programas de auxílio, ajustes salariais e aumento do setor público com a finalidade de crescer a economia, o varejo e o consumo, o que também melhora o emprego, renda e a massa salarial do país, não deixam dúvidas sobre a opção adotada. Crescer a qualquer preço no presente! E o futuro a Deus pertence.

Controle e ajustes de gastos, busca de maior eficiência e outras questões mais ficam relegadas a outro plano. E vamos que vamos.

Nesse quadro fica a visão de que nos próximos nove trimestres, até as eleições presidenciais de 2026, economia, consumo, comércio, varejo e o desempenho das empresas ligadas a esses setores devem ser melhores do que foram no primeiro semestre deste ano. E o potencial de expansão de negócios no período deve ser mais positivo.

Passados esses nove trimestres de ilusão, talvez venhamos a discutir o futuro da Nação.

Marcos Gouvêa de Souza é fundador e diretor-geral da Gouvêa Ecosystem e publisher da plataforma Mercado&Consumo.

de Redação / 25 de novembro de 2024

A busca pelo menor preço em datas como Black Friday, Natal e Ano Novo já não é o único critério para os brasileiros. Segundo uma pesquisa da iStock, 6 em cada 10 consumidores priorizam marcas alinhadas aos seus valores. Além de descontos, autenticidade e conexão emocional estão moldando as escolhas de compra.

De acordo com o estudo VisualGPS, também da iStock, além do preço, a satisfação emocional é determinante: metade dos brasileiros está disposta a pagar mais por algo que proporcione esse tipo de experiência.

Essa tendência é especialmente evidente entre os jovens. Mais de um terço das pessoas entre 18 e 43 anos priorizam carreiras com significado ou propósito, influenciando o surgimento de negócios criativos e socialmente conscientes.

 

“Num ambiente saturado de descontos, o verdadeiro valor das ofertas sazonais não está apenas no preço. Os consumidores procuram descontos que se relacionem com os seus valores e hoje as pequenas empresas brasileiras têm a oportunidade de fortalecer esses laços em cada transação”, afirma Samuel Malave, Gerente de Pesquisa Criativa da iStock.

Pequenos e médios empreendedores, que já somam 11,5 milhões no Brasil segundo o Sebrae, têm se destacado nesse cenário, aproveitando a força das redes sociais e eventos sazonais para conquistar o público. Para se diferenciar nessas datas, o iStock sugere quatro abordagens para empreendedores:

  • Autenticidade visual: A geração Z e millennials valorizam imagens que refletem a realidade. Mostrar os bastidores do processo criativo, como oficinas ou clientes reais, pode ser mais eficaz do que campanhas publicitárias polidas;
  • Toque humano e confiança: Com o mercado saturado por imagens geradas por IA, destacar imperfeições e o aspecto artesanal dos produtos reforça a confiança do consumidor, já que 98% das pessoas acreditam na importância de imagens autênticas;
  • Histórias em foco: Ir além do desconto e explorar a narrativa por trás dos produtos é uma forma de atrair consumidores. Pequenos vídeos mostrando o “como foi feito” ou valores da marca são poderosas ferramentas de conexão; e
  • Marketing de nicho: Apostar em comunidades específicas e valores compartilhados, como sustentabilidade ou design exclusivo, ajuda a formar uma base de clientes fiéis, que busca algo além do preço.

Dados da Pnad Contínua, divulgados na última sexta-feira (22), apontam que o número de mulheres ocupadas atingiu 2,617 milhões no Paraná no 3º trimestre de 2024. Resultado é o maior da série histórica disponível, que foi iniciada no 1º trimestre de 2012 – naquele ano eram 2,176 milhões.

Publicação  25/11/2024 –  Editoria – AGÊNCIA ESTADUAL DE NOTÍCIAS

Paraná alcança número recorde de mulheres no mercado de trabalho: 2,6 milhões
Foto: Gilson Abreu/AEN

Os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua  (Pnad Contínua), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na última sexta-feira (22), apontam que o número de mulheres ocupadas atingiu 2,617 milhões no Paraná no 3º trimestre de 2024. Esse resultado é o maior da série histórica disponível, que foi iniciada no 1º trimestre de 2012 – naquele ano eram 2,176 milhões.

Em relação ao 2º trimestre deste exercício, quando o total de mulheres paranaenses ocupadas alcançou 2,575 milhões, o incremento foi da ordem de 42 mil. Já em comparação ao mesmo período do ano passado, o recente resultado divulgado representa aumento de 116 mil mulheres em atividade laboral no Estado, o que demonstra o aquecimento do mercado de trabalho local.

Consequentemente, a taxa de desocupação feminina apresentou recuo expressivo, caindo para 4,8% no 3º trimestre deste ano. A título de ilustração, no 1º trimestre de 2019, 11,3% das paranaenses que procuravam emprego não alcançavam o objetivo, ou seja, a taxa de desocupação entre as mulheres declinou para menos da metade no Paraná nos últimos seis anos.

Em decorrência da crescente demanda pelo trabalho feminino, os salários pagos às mulheres do Paraná também vêm evoluindo. De acordo com o IBGE, o rendimento médio das paranaenses atinge atualmente R$ 2.958 mensais, superando em 3,5% a média referente ao período de maio a junho deste ano e em 7,9% o valor registrado no 3º trimestre de 2023. É o quinto maior salário do País.

Segundo Jorge Callado, diretor-presidente do Ipardes, os efeitos positivos da expansão do mercado de trabalho paranaense são abrangentes, beneficiando homens e mulheres e todas as faixas de idade e instrução. “É a política social com os resultados mais efetivos”, afirma.

A secretária da Mulher, Igualdade Racial e Pessoa Idosa, Leandre Dal Ponte, disse que os dados divulgados mostram um avanço significativo e decisivo na economia. “As mulheres têm se tornado cada vez mais protagonistas, em especial em setores-chaves da economia. A luta por um mercado de trabalho mais justo e igualitário precisa ser constante. A promoção da igualdade de gênero não pode se limitar à presença das mulheres, mas deve abranger as condições em que elas atuam, os salários que recebem e as oportunidades que têm para crescer e se desenvolver profissionalmente”, destaca.

“Para garantir a inclusão de trabalhadoras em áreas que crescem junto com a economia paranaense, oferecemos projetos de qualificação. Com isso, é possível encaixá-las em vagas nos setores da indústria e construção civil, por exemplo”, cita o secretário estadual de Trabalho, Qualificação e Renda, Mauro Moraes. “Como exemplo de ação neste sentido, tivemos recentemente uma parceria com o Senai para abertura de um curso na área de construção civil exclusivo para mulheres”. 

DESEMPREGO EM QUEDA – A mesma pesquisa indica que o Paraná registrou a 5ª menor taxa de desemprego do País no terceiro trimestre de 2024, de 4%. O índice é 0,4 ponto percentual menor em relação ao segundo trimestre (4,4%). É o terceiro melhor resultado da série histórica, iniciada em 2012, e também abaixo da média nacional, de 6,4%.

O índice registrado no terceiro trimestre deste ano fica atrás somente do 4º trimestre de 2013 e do 4º trimestre de 2014, em que, em ambos os anos, a taxa de desocupação foi de 3,8%. Com o resultado de agora, o Paraná se aproxima de sua melhor marca histórica, indicando o bom ambiente econômico e a confiança do setor privado no Estado. Desde o 2º trimestre de 2023 esse índice é menor que 5% no Paraná.

Da Agência Senado | 26/11/2024 / Marcos Oliveira

De acordo com dados da CNC, ‘bets’ causaram a inadimplência de 1,3 milhão de brasileiros

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) aponta que as apostas eletrônicas (como cassinos on-line e bets — empresas de apostas eletrônicas)  têm causado impactos negativos na economia do país. A organização apresentou um estudo sobre o tema à Comissão Parlamentar de Inquérito da Manipulação de Jogos e Apostas Esportivas (CPIMJAE) nesta terça-feira (26).

De acordo com a pesquisa sobre endividamento e inadimplência da CNC, o aumento significativo das casas de apostas on-line em 2024 levou cerca de 1,3 milhão de brasileiros a se tornarem inadimplentes. O estudo foi apresentado ao Supremo Tribunal Federal (STF) no dia 11 de novembro, como parte de um esforço para alertar sobre os efeitos prejudiciais dessa indústria para a economia nacional.

O economista-chefe da CNC, Felipe Tavares, destacou que, embora não haja um número exato de quanto é gasto pelas famílias brasileiras em apostas on-line, estima-se que em 2024 os gastos podem ter chegado a cerca de R$ 40 bilhões, mas não há certeza do quanto vem sendo injetado. 

Tavares afirmou que o cenário de crescimento das apostas on-line está causando distúrbios no mercado, desviando recursos que poderiam ser destinados a outras áreas da economia, como o comércio e os serviços. 

—  A gente não tem a clareza no número de benefícios pagos por essas casas de apostas. Esse é um número nebuloso, isso está afetando a economia. E isso gerou uma retirada de recursos do comércio. O varejo vendeu menos do que poderia ter vendido então —  apontou Tavares.

Bolsa Família

Rogério Lucca, chefe do Departamento de Operações Bancárias e de Sistemas de Pagamento do Banco Central, ressaltou que parte dos recursos dos programas sociais está indo parar nas casas de apostas. De acordo com um estudo do BC, cerca de 5 milhões de beneficiários  do Bolsa Família (de um total aproximado de 20 milhões) gastaram R$ 3 bilhões em bets via Pix em agosto.

Até agosto deste ano, as transferências para essas empresas de apostas somaram cerca de R$ 20 bilhões mensais, com um total de aproximadamente 24 milhões de pessoas realizando essas transações. Além disso, cerca de 85% desse montante (aproximadamente R$ 17 bilhões mensais) saía dessas empresas em benefício de pessoas físicas.

O Banco Central também buscou entender o perfil dos apostadores, com o objetivo de subsidiar possíveis ações de educação financeira. A análise indicou que a maior parte das transferências partiu de contas de pessoas entre 20 e 40 anos.

— A gente tentou identificar o perfil de apostadores com vistas a poder subsidiar potenciais trabalhos o ponto de vista de educação financeira  — assinalou.

MAIS NOTÍCIAS SOBRE: CPI das Apostas Esportivas

Fonte: Agência Senado

28/11/2024  / site CNC

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) avalia que o pacote fiscal recentemente apresentado pelo governo federal é insuficiente para enfrentar o problema fiscal brasileiro.

Apesar do cuidado e da dedicação que o governo federal teve para anunciar as medidas em referência, existem questões que vão impactar, de forma contundente, o empresariado brasileiro, como a inclusão de tributação de dividendos sem a respectiva redução da tributação sobre as empresas, o que configura bitributação e afetará drasticamente a capacidade do setor produtivo de gerar riqueza. Vale destacarmos que a atual tributação sobre a renda e o lucro no Brasil segue a lógica de tributar o resultado da empresa, de forma a isentar proventos e dividendos pagos aos acionistas.

Reconhecemos a importância de revisar a dinâmica de reajuste do salário mínimo, bem como de outros benefícios sociais, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e o Abono Salarial. Essa revisão é fundamental para garantir que os mais necessitados continuem amparados pelos programas sociais.

A CNC enxerga com muita preocupação a isenção do IR até R$ 5.000, dado o peso que essa medida terá sobre o quadro fiscal brasileiro, tornando todo o esforço do pacote fiscal praticamente inócuo.

Destacamos que a economia estimada de R$ 70 bilhões em dois anos, ou de R$ 327 bilhões em cinco anos, é insuficiente diante do cenário de déficits primários crônicos que, segundo as projeções do mercado, podem alcançar 0,7% do PIB nos próximos três anos. É crucial que o Brasil busque uma plena coordenação entre as políticas fiscal e monetária, garantindo um cenário de médio e longo prazo estável e previsível, o que permitirá a redução dos juros e da inflação, fatores que atualmente sufocam o setor produtivo e os consumidores.

A CNC reforça que uma reforma administrativa é essencial para modernizar a gestão pública, reduzir ineficiências e criar um ambiente fiscal mais previsível. Essa reforma deve promover a meritocracia, ajustar as despesas com pessoal e adequar os serviços públicos às reais demandas da sociedade brasileira. Sem essas mudanças, qualquer tentativa de ajuste fiscal será limitada e de curto prazo.

Portanto, a CNC conclama o governo federal e o Congresso Nacional a priorizarem medidas que promovam não apenas o equilíbrio fiscal imediato, mas também reformas estruturais capazes de sustentar o crescimento econômico e a competitividade do País em longo prazo. Como entidade representativa do setor produtivo, reiteramos nossa disposição em colaborar no debate e na construção dessas soluções.

 • SeguindoFounder Retail Rise | Head de Growth e Parcerias na WOD | MBA | LinkedIn

Sob a liderança de
 Fabio Adegas Faccio, a Renner registrou um lucro líquido de R$ 255,3 milhões no 3T24, alta de 48% em relação ao 3T23, superando as expectativas do mercado. O desempenho sólido reflete uma estratégia de crescimento centrada na transformação digital, alavancagem operacional e expansão geográfica, posicionando a Renner em um ritmo de crescimento sustentável.

A receita líquida de varejo da Renner alcançou R$ 2,956 bilhões, alta 12,1% em relação ao 3T23, com destaque para as vendas em mesmas lojas(SSS), alta de 11,5%. O crescimento foi sustentado pelo uso de IA para capturar tendências e uma produção ágil, que garantiu um mix de coleções “coringas” e de alta rotatividade.

A agilidade na execução da moda e a gestão da cadeia de suprimentos permitiram uma redução de 13 dias no giro médio de estoques, o que contribuiu para a expansão da margem bruta de vestuário, que subiu 1,1p.p, atingindo 54,7%.

A digitalização foi um dos principais impulsionadores do crescimento no 3T24. Com cerca de 250 lojas operando caixas de autoatendimento com tecnologia RFID, a empresa melhorou a experiência do cliente, produtividade e aumentou 11,6% a venda por m2. A Renner também observou um aumento no GMV digital, que cresceu 24% para R$ 657 Mi, elevando a penetração digital para 16,7% do total de vendas, um reflexo das melhorias na jornada omnichannel​.

A Realize, registrou um EBITDA positivo de R$ 58 milhões no 3T24 vs o Ebitda negativo de R$ 35 Mi no 3T23. A redução nas perdas líquidas para R$ 225 milhões, queda de 32% vs o 3T23 devido a melhora na qualidade da carteira com melhor perfil de risco. O Cartão Renner voltou a ganhar participação no ecosistema e foi responsável por 30,4% das transações no varejo, fortalecendo o vínculo com os clientes ativos e recuperação dos inativos.

Em termos de expansão, a Renner tem planos de abrir lojas em novas cidades com mais de 50 mil habitantes. Atualmente, a empresa está presente em apenas 33% desses municípios, e o CEO Fabio Faccio vê um potencial significativo para aumentar essa participação. O movimento de expansão se alinha ao compromisso da Renner com o crescimento sustentável e a criação de valor para os acionistas.

Com uma posição de caixa robusta, totalizando R$ 2,6 bilhões e uma geração de fluxo de caixa livre de R$ 412 milhões no trimestre, a Renner está bem posicionada para enfrentar os desafios do mercado e continuar investindo em inovação e eficiência. Os investimentos no trimestre somaram R$ 172,9 milhões, focados em tecnologia, expansão de lojas e melhorias nas instalações existentes.

O CEO destacou que a empresa entra agora em uma nova fase, onde o foco será a rentabilidade e o crescimento sustentado, sem a necessidade de grandes investimentos adicionais em infraestrutura. Com uma estratégia clara e o suporte de equipes engajadas, a Renner consolida como referência em moda e lifestyle na América Latina.

hashtag#negócios RI Renner

Redação  / IstoÉ / 2 dezembro 2024

Ela voltou. 

Você esteve longe de ser o único a aproveitar uma boa oferta nesse último final de semana, quando a tão aguardada Black Friday deu as caras e voltou a ser um grande sucesso no nosso país.

A edição deste ano foi a melhor desde 2020, e na comparação com o ano passado o faturamento das vendas on-line cresceu 11%, batendo a marca dos R$ 8 bilhões e superando as expectativas dos varejistas.

·       🛒 O número de pedidos no e-commerce subiu 12% e ficou na casa dos R$ 14 milhões;

·       💳 No entanto, o valor médio por compra continuou praticamente o mesmo: R$ 555,17;

·       🛍 Falando de presencial, as vendas em lojas físicas também surpreenderam e subiram 23% no ano a ano;

·       📲 Os produtos mais comprados foram eletrodomésticos, eletrônicos, telefones e roupas.

Por que importa? A Black Friday 2024 mostrou que os consumidores voltaram com a confiança nas promoções e que a data — tradicional nos EUA e que chegou ao nosso país em 2010 — tem se consolidado entre os brasileiros.

Outro motivo para a edição deste ano ter sido aquecida foi o 13º salário, já que o pagamento da primeira parcela coincidiu justamente com o início dos dias de promoção.

Ok, mas… O Reclame Aqui bateu recorde de reclamações durante a Black Friday deste ano, com quase 15 mil queixas. A maioria delas teve a ver com atraso na entrega e propaganda enganosa.