Thiago de Melo Furbino • SeguindoInfluencer • SeguindoFounder TL.MF. Linkedin
O 1º trimestre de 2026 mostrou que o varejo de moda entrou em uma nova fase: crescer receita já não basta. O mercado olha cada vez mais para qualidade da venda, margem, eficiência operacional, integração omnichannel e capacidade de monetizar a base de clientes.
Com juros ainda próximos de 14,75% até março, pressão no consumo e mais de 82 milhões de brasileiros negativados e as BETS, as varejistas precisaram operar com muito mais precisão em compras, abastecimento, precificação, CRM e gestão de estoque.
A Lojas Renner S.A. manteve a liderança, com receita líquida consolidada de R$ 3,36 bi (+3,3%) e margem bruta consolidada de 63,2% (+1,15 p.p.). No varejo, a margem atingiu 56,7%, refletindo evolução operacional, omnicanalidade e força da Realize.
A Riachuelo entregou um dos melhores desempenhos operacionais: receita consolidada de R$ 2,32 bi (+5,3%), crescendo 6,7% e margem consolidada de 61,2% (+0,6 p.p.). No varejo, a margem subiu para 52,1% (+1,6 p.p.), com apoio da Midway.
A C&A Brasil cresceu 0,5% no consolidado e 2,1% no varejo, com margem consolidada de 55,6% (+1,6 p.p.) e margem do varejo de 54,9% (+2,3 p.p.), reforçando evolução na coleção e na gestão de mix, com eficiência.
A Azzas 2154 ainda vive um trimestre de ajustes após a fusão, com receita líquida de R$ 2,48 bi (-8,0%) e margem bruta de 54,5% (-0,3 p.p.), com foco em integração, portfólio e captura de sinergias.
No esportivo, o Grupo SBF avançou 14,9%,impulsionada pelo ciclo pré-Copa e maior demanda esportiva para R$ 1,79 bi. A CENTAURO manteve margem de 51,3%, enquanto a Fisia ficou em 43,5%, refletindo o peso do atacado e do câmbio.
A VESTE S/A cresceu 14,1%, para R$ 307 mi, com a maior margem do setor: 64,8% (+1,9 p.p.), evoluindo tri após tri, depois do retorno do fundador.
Já a TRACK&FIELD avançou 18,0%, para R$ 251 mi, apoiada pelo ecossistema TFSports, cafés e comunidade, em um consumidor cada vez mais ligado a esporte, bem-estar e saúde.
A Lojas Marisa, liderada pelo Edson Garcia, ainda no processo de turnaround, gerou: receita de R$ 286 mi (-3,8%) e margem de 49,1%, mas avançando em produto, conexão com o cliente inovação, digital.
O trimestre reforça que margem hoje depende de dados, IA, logística, estoque saudável, compras assertivas e operação integrada. Construção de comunidade, creators internos e externos e soluções financeiras seguem ganhando relevância para elevar recorrência, ticket médio e rentabilidade, com as 3 empresas que operam crédito próprio tendo em média 30% de participação das compras sendo registradas no cartões próprios.
Para os próximos trimestres, os desafios serão ainda maiores: possível redução da “taxa das blusinhas”, BETS, pressão competitiva do cross-border, debate sobre nova jornada de trabalho 5×2 e redução para 40 horas semanais. No varejo atual, vender bem significa entregar o produto certo, no canal certo, no momento certo e com margem.


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