Sidnei Lasta  / Linkedin

O comércio varejista brasileiro encerrou 2025 com crescimento de 1,6%, segundo a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada pelo IBGE. Apesar do resultado positivo, o desempenho foi inferior ao registrado em 2024, quando o setor havia avançado 4,1%, sinalizando um ritmo de expansão mais moderado. Dentro desse contexto, o segmento de materiais de construção registrou recuo de 0,2% no acumulado do ano. O desempenho do setor foi impactado, entre outros fatores, pelo ambiente macroeconômico mais restritivo, especialmente pelas elevadas taxas de juros. A Selic permaneceu, desde junho de 2025, no maior patamar dos últimos 19 anos, influenciando o custo do crédito e, consequentemente, o ritmo de obras e reformas. Enquanto sete das onze atividades pesquisadas no varejo ampliado encerraram o ano em crescimento, com destaque para artigos farmacêuticos, móveis e eletrodomésticos e equipamentos de informática, outras atividades apresentaram retração, incluindo veículos e motos (-2,9%), atacado especializado em alimentos e bebidas (-2,3%), livros e papelaria (-0,9%) e materiais de construção (-0,2%). Os dados reforçam um cenário de desaceleração em relação ao ano anterior e evidenciam a heterogeneidade do desempenho entre os diferentes segmentos do varejo. Para o setor de materiais de construção, o ambiente exige atenção à eficiência operacional, gestão financeira e estratégias comerciais alinhadas à nova dinâmica de consumo e crédito.

Leandro Parente

Sidnei Lasta, os dados mostram claramente que o desafio agora não é crescer a qualquer custo, mas crescer com eficiência. Com juros elevados e crédito mais restritivo, o varejo de materiais de construção deixa de depender apenas de demanda aquecida e passa a exigir gestão rigorosa de estoque, margem e capital de giro. Em cenários assim, estratégia comercial e inteligência de mercado fazem toda a diferença, especialmente no fortalecimento de parcerias e vendas B2B, onde previsibilidade e relacionamento reduzem a exposição às oscilações do consumo. Mais do que expansão, 2026 tende a ser o ano da disciplina operacional e da gestão estratégica.

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