de Redação

 20 de fevereiro de 2024

O indicador Intenção de Consumo das Famílias (ICF) caiu em fevereiro pelo terceiro mês seguido. O índice, calculado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), divulgado nesta terça-feira (20), fechou o mês em 105,7 pontos, 0,5% a menos que o mês anterior. O número acima de 100 pontos indica percepção geral de satisfação com as condições econômicas.

Apesar do recuo de janeiro para fevereiro, o patamar identificado é 10,4% maior que fevereiro do ano passado e o melhor para o período desde 2015.

De acordo com a CNC, o resultado negativo na comparação entre meses imediatamente seguidos é resultado de as famílias estarem mais preocupadas em pagar e diminuir dívidas do que fazer mais aquisições.

No relatório, o economista-chefe da CNC, Felipe Tavares, explica que “apesar das melhores taxas de juros, o saldo da carteira de crédito das pessoas físicas vem desacelerando em relação aos resultados do ano passado, mostrando menor procura por esses recursos”.

Queda na inadimplência

Segundo o economista, ao observar a redução da inadimplência, pode-se concluir que as famílias estão aproveitando o crédito mais barato para ajustar seus orçamentos em vez de fazer mais dívidas por meio de consumo.

A CNC entende que a busca por redução de dívidas em vez de mais consumo não é um fato negativo, “muito pelo contrário”, diz a publicação, pois mostra maior consciência das famílias brasileiras quanto às suas finanças.

“A atenção das famílias brasileiras com o planejamento financeiro vem mostrando resultado no mercado de crédito e, apesar de enfraquecer o consumo, a intenção de compra permanece melhor do que em anos anteriores”, afirma o texto.

Inflação controlada

A pesquisa é feita em todo o País, com uma amostra de 18 mil consumidores e leva em conta sete indicadores: três sobre as condições atuais (emprego, renda e nível de consumo), dois sobre expectativas para três meses à frente (perspectiva de consumo e perspectiva profissional), além da avaliação do acesso ao crédito e momento atual para aquisição de bens duráveis.

Em fevereiro, o único item que teve alta na percepção foi o da renda atual. A pesquisa aponta que a inflação controlada “ajudou a incrementar a renda real das famílias, dando maior poder de compra aos consumidores e sendo o único item a aquecer o comércio”. Além disso, o relatório destaca que “o crescimento constante na população empregada também impactou o aumento da massa salarial, dando mais recursos para o consumo”.

Faixas de renda

A queda da intenção de consumir em fevereiro foi puxada principalmente pelas famílias com renda abaixo de dez salários mínimos (até R$ 14.120), que recuou 0,6%. Para os grupamentos familiares com renda acima de dez salários-mínimos, a redução foi de 0,1%.

“Famílias de menor renda, por estarem mais endividadas, priorizam o ajuste do seu orçamento. Enquanto as com maiores rendimentos já enxergam melhora no consumo futuro”, avalia a CNC.

Com informações de Agência Brasil

REDAÇÃO AMANHA  19/02/2024

O resultado foi menor que em 2022, quando a alta foi de 2,77%

A atividade econômica brasileira registrou alta em 2023, de acordo com informações divulgadas nesta segunda-feira (19) pelo Banco Central (BC). O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) subiu 2,45% no ano, resultado menor que em 2022, quando a alta foi de 2,77%. No último trimestre do ano passado, houve aumento de 0,22% no IBC-Br, uma recuperação parcial em relação ao trimestre anterior (julho a setembro), quando houve queda de 0,64% de acordo com dados dessazonalizados (ajustados para o período). Em comparação ao trimestre de outubro a dezembro de 2022, a alta foi de 1,8% (sem ajuste para o período, já que a comparação é entre meses iguais).

Para o mês de dezembro, o resultado do IBC-Br foi um aumento de 0,82%, atingindo 147,63 pontos. Na comparação com o mesmo mês de 2022, houve crescimento de 1,36% (também sem ajuste para o período). O IBC-Br é uma forma de avaliar a evolução da atividade econômica do país e ajuda o BC a tomar decisões sobre a taxa básica de juros, a Selic, definida atualmente em 11,25% ao ano. O índice incorpora informações sobre o nível de atividade de setores da economia – indústria, comércio e serviços e agropecuária –, além do volume de impostos. A Selic é o principal instrumento do BC para alcançar a meta de inflação. Quando o Comitê de Política Monetária do BC aumenta a taxa básica de juros, a finalidade é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Desse modo, taxas mais altas ajudam a redução da inflação, mas também podem dificultar a expansão da economia. Quando o Copom diminui a Selic, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.

O comportamento dos preços já fez o BC cortar os juros pela quinta vez consecutiva, em um ciclo que deve seguir com cortes de 0,5 ponto percentual nas próximas reuniões. Em comunicado, o Copom indicou que esse é o ritmo apropriado para manter a política monetária contracionista “necessária para o processo desinflacionário”. O órgão informou que a interrupção dos cortes dependerá do cenário econômico “de maior prazo”. De março de 2021 a agosto de 2022, o Copom elevou a Selic por 12 vezes consecutivas, num ciclo de aperto monetário que começou em meio à alta dos preços de alimentos, de energia e de combustíveis. Por um ano, de agosto de 2022 a agosto de 2023, a taxa foi mantida em 13,75% ao ano, por sete vezes seguidas. Antes do início do ciclo de alta, a Selic tinha sido reduzida para 2% ao ano, no nível mais baixo da série histórica iniciada em 1986. Por causa da contração econômica gerada pela pandemia de Covid-19, o Banco Central tinha derrubado a taxa para estimular a produção e o consumo. A taxa ficou no menor patamar da história de agosto de 2020 a março de 2021.

Divulgado mensalmente, o IBC-Br emprega uma metodologia diferente da utilizada para medir o Produto Interno Bruto (PIB), que é o indicador oficial da economia brasileira. Segundo o próprio BC, o índice “contribui para a elaboração de estratégia da política monetária” do país, mas “não é exatamente uma prévia do PIB.” O PIB é a soma de todos os bens e serviços finais produzidos por um país. Com resultado trimestral, superando as projeções, no terceiro trimestre do ano a economia brasileira cresceu 0,1% na comparação com o segundo trimestre de 2023, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entre janeiro e setembro, a alta acumulada foi de 3,2%. Com o resultado, o PIB está novamente no maior patamar da série histórica, ficando 7,2% acima do nível de antes da pandemia, registrado nos três últimos meses de 2019. Os dados do quarto trimestre de 2023, com o consolidado do ano, serão divulgados pelo IBGE em 1º de março. Em 2022, o PIB do Brasil cresceu 2,9%, totalizando R$ 9,9 trilhões.

Com Agência Brasil

Em 2023 o faturamento bruto foi 194,7 bi de reais. Em 2019 havia sido 192,8 bi. Se considerarmos a inflação do período, dá para dizer que os shoppings ainda não voltaram ao patamar pré pandemia, pelo menos no que diz respeito a faturamento. A projeção para 2024 é de R$ 202,4 bi.

Os dados são da ABRASCE e foram divulgados em matéria assinada pela jornalista Adriana Mattos, no Valor Econômico de hoje.

Gouvêa Malls foi citada na reportagem. Leia abaixo o trecho com nossa participação:

“A classe C ‘desapareceu’ nos últimos anos. O gasto dessa camada da população, afetada pela alta informalidade e endividamento mais alto até parte de 2023, perdeu força”, disse Luiz Marinho, sócio-diretor da consultoria GS&Malls (Gouvêa Malls).

“Eu acredito que há espaço para recuperação maior em 2024, mas ela será desigual. Há shoppings que já estão tomando medidas para reagir. Há empreendimentos em que 30% das vendas já vêm de programas de fidelidade”, disse.

“Com isso a divisão do ‘bolo’ vai mudar, com empresas melhor preparadas saindo na frente”. Entre as medidas que têm sido tomadas, há shoppings ampliando a área de gastronomia, de eventos em áreas livres e a receita com propaganda.

De fato, em 2023 os empreendimentos mais populares tiveram crescimento menor do que os dirigidos para as classes A e B.

Resumo da ópera? Além dos importantes efeitos da economia, a indústria de shoppings começa a sentir os ventos da mudança. Há novas regras no jogo. Quem já entendeu isso cresceu bem mais do que os 1,5%, que foi a média do setor.

 

Beatriz Gomes

Do UOL, em São Paulo

06/02/2024 22h42

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O governo federal publicou na noite desta terça-feira (6) a MP (Medida Provisória) isentando do Imposto de Renda quem ganha até dois salários mínimos. Com a medida, quem ganha até dois salários, ou seja, R$ 2.824, não precisará pagar o imposto.

O que aconteceu

MP foi assinada pelo presidente Lula (PT). A medida foi publicada em edição extra do DOU (Diário Oficial da União) nesta noite e passa a valer a partir da data da publicação do texto. A MP altera, a partir de fevereiro, os valores da tabela progressiva mensal do IR para pessoas físicas.

Agora, o texto será encaminhado para o Congresso Nacional para análise. A votação das Casas deve ocorrer em até 120 dias.

 

 

Anteriormente, o teto para isenção estava em R$ 2.640. O valor era referente a dois salários mínimos no ano passado. Após a correção do salário mínimo, que saiu de R$ 1.320 para R$ 1.412, os trabalhadores que recebiam menos de dois salários teriam que pagar o tributo ao Leão.

Medida isentará 15,8 milhões de brasileiros, diz Ministério da Fazenda. Segundo a pasta, a medida beneficiará empregados, autônomos, aposentados, pensionistas e outras pessoas físicas. A Fazenda ainda esclareceu que a mudança está adequada à LDO 2024 (Lei de Diretrizes Orçamentárias) e à Lei de Responsabilidade Fiscal.

A pasta explicou que este é o segundo aumento na faixa de isenção de cobrança do IR desde o início do governo Lula. O primeiro ajuste em oito anos foi realizado em maio de 2023. O teto de isenção, então congelado em R$ 1.903,98 desde 2015, subiu inicialmente para R$ 2.640 e agora foi para R$ 2.824. “A falta de atualização da tabela ao longo de tantos anos, fez com que os brasileiros pagassem cada vez mais Imposto de Renda, retirando dinheiro das famílias”.

Contribuinte com renda até R$ 2.824 será beneficiado porque, desse valor, será subtraído o desconto simplificado de R$ 564,80, que resulta na base cálculo mensal de R$ 2.259,20, o limite máximo da faixa de alíquota zero da nova tabela. Segundo o governo, o desconto simplificado é opcional, ou seja, quem tem direito a maiores descontos pela legislação atual (previdência, dependentes, entre outros) não será afetado.

Tabela progressiva mensal do imposto de renda, já com desconto aplicado ao salário:

  • Quem recebe até R$ 2.259,20: Terá alíquota zero, sem dedução do IR
  • Quem recebe de R$ 2.259,21 até R$ 2.826,65: Terá alíquota de 7,5%, com parcela de dedução do IR de R$ 169,44
  • Quem recebe de R$ 2.826,66 até R$ 3.751,05: Terá alíquota de 15%, com parcela de dedução do IR de R$ 381,44
  • Quem recebe de R$ 3.751,06 até R$ 4.664,68: Terá alíquota de 22,5%, com parcela de dedução do IR de R$ 662,77
  • Acima de R$ 4.664,68: Terá alíquota de 27,5%, com parcela de dedução do IR de R$ 896,00
meio midia
“E o salário ó ”. Enquanto os preços de tudo aquilo que a gente compra quase dobrou ao longo dos últimos 10 anos, o salário médio ficou praticamente igual.
·  Isso quer dizer que, entre 2013 e 2023, o poder de compra dos brasileiros foi corroído quase pela metade.
O tal do “poder de compra”: Sabe aquela sensação de que se dá para comprar cada vez menos coisas com a mesma quantidade de dinheiro de antes? Então…
O estudo que revelou essa queda levou em consideração os dados oficiais da inflação e a média salarial brasileira. Hoje, o brasileiro médio ganha R$ 40 mil por ano.
·  Para se ter ideia, só nos mercados, os preços subiram em média 88% de 2013 até o ano passado. No mesmo período, o salário médio aumentou só 3%.
Como chegamos a isso? Enquanto a inflação subiu ano a ano — principalmente na crise de 2015 e durante a pandemia —, a produtividade nacional ficou em baixa como nível da educação básica estagnado.

O impacto no carrinho

Há 10 anos, com R$ 100 no bolso, era possível comprar 13 produtos básicos num mercado.
São eles: Carne, leite, arroz, feijão, farinha de trigo, pão, café, açúcar, óleo, banana, manteiga, batata e tomate.
Se formos para um mercado com os mesmos R$ 100 hoje em dia, só vai ser possível comprar 3 deles: pão, café e carne.
site cnc 24.1.24
  • No caderno especial Brasil-ChinaValor Econômico sinaliza que brasileiros gastaram, em 2022, mais de R$ 50 bilhões em mercadorias internacionais, especialmente de China e Vietnã, o equivalente a 20% do comércio eletrônico do Brasil, de acordo com dados da Associação Brasileira de Varejo e Consumo. O texto pontua ação da CNC e CNI no STF contra isenção de imposto de improtação em compras até US$50.
  • Também no Valor, artigo de Maria Helena Bragaglia e Luiz Gustavo Mide, respectivamente, sócia e advogado da área de Resolução de Disputas (Contencioso Cível/Arbitragem) do Demarest, comenta a redução de 2,2% no endividamento e de 1,3% na inadimplência no período de novembro de 2022 e de 2023, conforme dados da CNC.
  • Pontua que em meio ao descontentamento da CNC e da CNI com a medida provisória que reonera a folha de pagamentos e a isenção de imposto para importados de até US$ 50, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva “afagou o empresário da indústria”. A coluna detalha que Lula lançou o programa “Nova Indústria Brasil”, com investimentos do BNDES. Segundo o texto, a atual direção da CNI é mais alinhada à esquerda e o novo presidente da entidade, Ricardo Alban, tem interlocução com o governo petista.

São quatro os principais fatores que condicionam o consumo no país.

O primeiro, claro, é renda. O Segundo, é emprego – afinal, sem trabalho a chance de aumentar a renda é pequena. O terceiro é inflação, que pode corroer a renda. O quarto, muitas vezes subestimado por alguns analistas, é a confiança do consumidor.

Muitas vezes podemos não ter recursos para uma compra, mas se estamos confiantes no futuro assumimos um crediário e vamos em frente. Ao contrário, se acreditamos que o cenário à frente pode ser desfavorável, mesmo tendo dinheiro adiamos uma aquisição mais importante.

Porque menciono esse assunto? Saiu essa semana uma pesquisa do Instituto Locomotiva, do meu amigo Renato Meirelles, mostrando que nada menos. do que 86% dos brasileiros estão otimistas com 2024, acreditando que a vida vai melhorar nesse ano novo. Apenas 8% estão pessimistas (os outros 6% não sabem ou não quiseram responder).

Essa é uma notícia que enche de esperança o varejo brasileiro, incluindo shopping centers, evidentemente.

A conferir, se a realidade vai confirmar a expectativa do consumidor brasileiro. Tomara que sim.

Agência Brasil/Tânia Rêgo Banco Mundial calcula que a economia do Brasil crescerá 2,6% em 2023 / 9 Janeiro 2024 Desenvolvimento econômico

Novo relatório do Banco Mundial também aponta necessidade de correção de rotas na economia global, sob o risco de os anos 2020 ficarem conhecidos como a “década das oportunidades perdidas”

A economia brasileira deve crescer 1,5% em 2024, cerca de metade do ritmo estimado em 2023, segundo o Banco Mundial.  A informação está no relatório Prospectos Econômicos Globais, GEP, na sigla em inglês. 

A queda esperada no crescimento do Produto Interno Bruto, PIB, reflete dois aspectos. Um deles é a desaceleração no segundo semestre do ano passado. O outro é a expectativa de colheitas agrícolas moderadas em 2024. 

Brasil impulsiona crescimento da América Latina

No entanto, uma redução gradual na inflação deve permitir mais cortes nas taxas de juros, apoiando as perspectivas de investimento e o consumo no médio prazo. Como consequência, a previsão é de que o PIB aumente 2,2% em 2025.

O estudo também mostra que o Brasil ajudou a impulsionar a economia da região da América Latina e Caribe em 2023. O crescimento econômico regional ficou 0,7% acima das projeções anteriores. Isso se deve em grande parte a revisões para cima nas previsões de crescimento não só para o Brasil, mas também para o México. 

No Brasil, a revisão para cima do crescimento em 2023 foi resultado de aumentos melhores do que o esperado na produção agrícola, no consumo privado e nas exportações nos três primeiros trimestres do ano.

Países de língua portuguesa

Para os demais países de língua portuguesa em desenvolvimento, as previsões são as seguintes: Angola deve ter crescimento econômico de 2,8% em 2024. Cabo Verde, 4,7%. Guiné Bissau, 5,6%. Para Moçambique, está previsto crescimento de 5%. Para São Tomé e Príncipe, 2,5%, e Timor Leste, 3,5%. A única retração prevista é para Guiné Equatorial, com uma queda de 6,1%.

Desaceleração em nível global 

Em nível global, o novo relatório do Banco Mundial aponta um risco: o de que, no fim de 2024, o mundo registre a pior meia década em termos de crescimento do PIB em 30 anos. Calcula-se que o crescimento vá desacelerar pelo terceiro ano consecutivo, de 2,6% em 2023 para 2,4% em 2024.

Segundo o estudo, o risco de uma recessão global diminuiu, muito devido à força da economia norte-americana. Mas as crescentes tensões geopolíticas podem criar novas ameaças a curto prazo. Além disso, até o fim de 2024, cerca de 40% das pessoas dos países de baixa renda ainda serão mais pobres do que eram em 2019, antes da pandemia da Covid. 

Para os autores do relatório, se não houver uma grande correção de rumo, os anos 2020 serão conhecidos como a “década das oportunidades perdidas”, mas é possível corrigir o rumo. O estudo fala na importância de implementar políticas públicas que melhorem os marcos fiscal e monetário, expandir o comércio transnacional e fortalecer a qualidade das instituições. 

Apresentação: Mariana Ceratti, do Banco Mundial Brasil

 Publicado em 11/01/2024  site CNC

 

Pesquisa mostra que nível de instrução é um dos fatores mais relevantes para determinar a capacidade de pagamento das dívidas

Em 2023, a taxa anual de endividamento caiu pela primeira vez em quatro anos. A queda, no entanto, foi de apenas 0,1 ponto percentual em relação a 2022, o equivalente a aproximadamente 108 mil pessoas. A conta fechou em 77,8% da população, longe dos 58,3% de 2012, o menor da série histórica, iniciada em 2010. A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), apurada mensalmente pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), mostra que o endividamento no cartão de crédito também caiu na mesma proporção e chegou a 86,5% dos endividados – porcentagem que, em 2010, era de 70,9%. Já o uso de cheque especial ficou em 4,4% e é o menor desde o começo da pesquisa, quando era usado por 8,3% dos endividados. A média de comprometimento da renda com pagamento de dívidas em 2023 ficou em 30%, uma queda de 0,2 ponto percentual em relação ao ano passado.

O endividamento das famílias começou a cair em julho, quando diminuiu 0,4 ponto percentual no mês e alcançou 78,1%. Embora as famílias tenham terminado o ano menos endividadas do que começaram, a última variação mensal voltou a subir, registrando alta de 1 ponto percentual. Dezembro encerrou com 77,6% de endividados.

Já o número de inadimplentes chegou a 29,5% dos brasileiros e é o maior desde 2010, quando o número era de 24,9%. Destes, 41,2% afirmam não ter condições de pagar as dívidas atrasadas, 4 pontos percentuais a mais que em 2022. A maior parte dos inadimplentes, 46,2%, está com mais de três meses de atraso, 3,2 pontos percentuais acima do ano passado.

“A Peic mostrou que, pela primeira vez em dez anos, as famílias brasileiras terminaram o ano menos endividadas do que começaram”, aponta o presidente da CNC, José Roberto Tadros. Conforme ele, as melhorias ocorridas no mercado de trabalho ao longo do ano e a trajetória de queda dos juros básicos da economia influenciaram as condições de crédito ao consumidor, o que resultou diretamente na redução, mesmo que tímida, do indicador.

Inadimplência aumentou entre os que ganham mais

Para o economista-chefe da CNC, Felipe Tavares, é importante distinguir os conceitos de inadimplência e de endividamento. “Endividamento é algo fundamental para o desenvolvimento econômico, pois o crédito é o trampolim do sistema capitalista”, ressalta o economista. “A inadimplência é um resultado adverso do endividamento, causado pela renda baixa do brasileiro e pela volatilidade da economia do País”, explica Tavares. 

A média anual do endividamento das famílias com renda até três salários mínimos ficou no mesmo patamar de 2022, em 78,8%. Nas famílias com renda entre três e cinco salários, no entanto, houve uma ligeira queda, de 0,6 ponto percentual; e, entre as que ganham até 10 salários, foi registrado um pequeno aumento, de 0,1 ponto percentual. “Os dados confirmam que as famílias de menor renda estão mais vulneráveis às variações da economia, especialmente das taxas de juros, do que aquelas de maior renda”, indica Felipe Tavares.

Já a inadimplência aumentou em todas as faixas de renda: são 37,3% entre as que ganham até três salários mínimos, contra 36,7% no ano passado; 27,4% entre as que ganham entre três e cinco salários, contra 26,6% em 2022; e 22,3% entre as que ganham até dez salários, contra 20,8%, a maior alta dos três grupos (1,5 ponto percentual).

Nesse sentido, o indicador que mais chama a atenção é o relacionado às famílias que não têm condições de pagar dívidas atrasadas: foram 17% das que recebem até três salários mínimos, contra 15,6% em 2022, um aumento de 1,4 ponto percentual. Em relação às que ganham de três a cinco salários, a taxa subiu de 8,8% para 10,3% (1,5 ponto percentual a mais); e, de cinco a dez, o aumento de 0,9 ponto percentual de um ano para outro levou a taxa a 7,5%.

Quanto maior a escolaridade, menor a inadimplência 

A relação entre nível de escolaridade e inadimplência é direta, de acordo com a Peic. Em 2023, 33% dos consumidores que atrasaram dívidas não haviam concluído o ensino médio. Essa taxa diminui para 27,6% quando se trata de pessoas com ensino médio completo. O volume de inadimplentes com atrasos acima de 90 dias também é maior entre quem tem menos instrução. No comparativo anual, 49,8% dos inadimplentes com menor escolaridade atrasaram os pagamentos por mais de três meses em 2023.

“A Peic mostra que o nível de instrução é um dos fatores mais relevantes para determinar a capacidade de pagamento das dívidas”, destaca Felipe Tavares. Segundo ele, essa condição influencia mais o atraso de dívidas, em maior ou menor grau, do que outras características associadas aos consumidores, como o gênero e a faixa etária.

Endividamento e inadimplência aumentam mais na Região Norte

Embora a Região Sul tenha a maior parcela de endividados do País, com 91,6%, a maior taxa de crescimento anual foi verificada na Região Norte, onde o aumento de 3,7 pontos percentuais levou o indicador a 75%. No sentido oposto, houve queda de 1,3 ponto percentual na Região Sudeste, onde o índice ficou em 79,2%. Os cinco Estados mais endividados foram Paraná, Minas Gerais, Roraima, Espírito Santo e Ceará. Os menos endividados foram Alagoas, Mato Grosso do Sul, Bahia, Pará, Goiás e São Paulo.

Já a Região Norte tem duplo destaque: o maior número de famílias inadimplentes e o maior aumento de um ano para outro. O indicador saltou de 28,6% para 33,2%. A Região Sudeste, no entanto, concentra o maior percentual de famílias que não terão condições de pagar as contas: foram 14,3%, volume que aumentou 2,5%, de 2022 para 2023. O Rio Grande do Norte manteve a liderança de inadimplentes, com aumento de expressivos 9,8 pontos percentuais. Lá, 55,9% da população tem contas em atraso. Seguem-no os Estados de Minas Gerais, Amazonas, Roraima e Ceará. Os Estados com menor índice de inadimplência são Paraíba, Tocantins, Paraná, Sergipe e o Distrito Federal.

Site CNC /  Publicado em 14/12/2023

Maior alta do ano foi no segmento de combustíveis, enquanto maior queda foi nas vendas de artigos de uso pessoal e doméstico

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mantém uma perspectiva otimista para os números do varejo brasileiro, projetando avanços de 1,8% para 2023 e 1,5% para 2024. A entidade revisou para baixo o crescimento deste ano – era de 2% – por conta do desempenho de outubro. Isso porque a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada hoje (14/12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontou queda de 0,3% nas vendas, em outubro.

Apesar desses desafios, a CNC mantém um viés otimista, baseando-se na consolidação do recuo na inflação, mudanças na condução da política monetária, recuo na taxa de câmbio e sinais positivos do mercado de trabalho. Segundo o presidente da CNC, José Roberto Tadros, apesar da revisão, a expectativa ainda é de um 2023 positivo. “À medida que as condições de consumo da população vão melhorando por conta da queda das taxas de juros e do controle da inflação, as perspectivas dos comerciantes são de um bom fechamento de ano”, afirma. Pesquisa divulgada nesta semana pela CNC aponta que as compras de Natal devem ser 5,6% maiores do que em 2022.

Essenciais seguem em alta

As vendas acumulam um crescimento de 1,6% no ano, impulsionadas pelas altas de segmentos essenciais, como combustíveis e lubrificantes (4,9%); farmácias, drogarias e perfumarias (4,3%); e hiper e supermercados (3,8%). Conforme o economista da CNC responsável pelo estudo, Fabio Bentes, o desempenho positivo no acumulado do ano revela uma suave tendência de recuperação em relação ao início da crise sanitária, em 2020: em relação àquele período, o varejo teve variação positiva de 3,9%. Mesmo diante da desaceleração de outubro, o volume de vendas registrou avanço pelo quinto mês consecutivo em comparação com outubro de 2022, com leve alta de 0,2%.

“Entretanto, alguns fatores desafiadores persistem, como a dificuldade de reação do setor por causa do mercado de crédito restritivo”, avalia Fabio Bentes. Atividades mais dependentes das condições de crédito registraram quedas ao longo do ano, como artigos de uso pessoal e doméstico (que tiveram redução de 11,3%); tecidos, vestuário e calçados (redução de 6,7%); e materiais de construção (queda de 2,1%). Ele lembra, ainda, que o endividamento das famílias, que compromete pelo menos 30% da renda média desde setembro de 2021, é outro obstáculo que limita o ganho de tração das vendas no comércio.