PMC: crédito caro e orçamento comprometido limitaram compras de maior valor no varejo em julho, analisa CNC
Pesquisa Mensal do Comércio, apurada pelo IBGE e divulgada nesta terça (15/9), recuou 0,8% em relação a junho; projeção da Confederação para o setor ainda é fechar 2026 em alta
O crédito caro e o orçamento familiar comprometido por dívidas seguiram limitando compras de maior valor no comércio varejista brasileiro em julho, mês que registrou recuo de 0,8% na Pesquisa Mensal do Comércio apurada pelo IBGE e divulgada nesta terça-feira (15), na análise da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
O índice evidencia o peso das compras a prazo: móveis e eletrodomésticos, por exemplo, recuaram 4,9% no mês — a maior queda do grupo desde dezembro de 2023 — e foram a principal pressão negativa no resultado de julho. “Parte do comércio é altamente dependente de financiamento e o custo do parcelamento ajuda a explicar a queda nas vendas”, explica o economista da CNC, João Vitor Gonçalves.
Para o fechamento de 2026, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) projeta uma alta de 2,3% para o setor. A análise da entidade aponta que a inflação mais baixa dos alimentos deve favorecer o consumo nos supermercados no restante do ano, mas a recuperação do varejo tende a permanecer desigual. O recorde do endividamento das famílias e o nível ainda elevado dos juros devem continuar limitando, em especial, as atividades mais dependentes de crédito.
“Os indicadores econômicos que compõem o cenário do consumo explicam a dificuldade de retomada. A taxa Selic segue em patamar restritivo para a economia, embora o Banco Central siga com o ciclo de cortes. Simultaneamente, a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), apurada pela CNC, mostrou que 82,0% das famílias brasileiras estão endividadas, um recorde histórico. Além disso, essas famílias possuem, em média, 29,5% de toda a sua renda já comprometida com o pagamento de dívidas”, complementa Gonçalves.
Estimativa de alta
Por outro lado, a projeção de crescimento de 2,3% para 2026 se apoia no alívio da inflação sobre o consumo de bens essenciais ao longo dos meses do presente ano. Em julho, o grupo de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo recuou levemente 0,2%, o que ajudou a puxar o índice geral para baixo devido ao grande peso da atividade em relação ao índice total.
No entanto, a alimentação no domicílio, medida pelo IPCA, registrou queda de 1,14% em julho e de 0,61% em agosto. É justamente esse recuo consecutivo nos preços dos alimentos que tende a devolver capacidade de compra ao consumidor e favorecer uma retomada gradual do volume de vendas nos supermercados nos próximos meses, consolidando uma recuperação setorial que, embora positiva, continuará desigual.

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