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A relação Dívida Líquida/EBITDA é um dos principais indicadores para avaliar a estrutura de capital de uma companhia. Ela compara a dívida financeira líquida, dívida bruta menos caixa e aplicações com o EBITDA gerado nos últimos 12 meses. Uma empresa com caixa líquido possui mais caixa do que dívida financeira. Já uma companhia com relação de 1,5x possui dívida líquida equivalente a uma vez e meia o EBITDA anual.

Quanto menor o indicador, maior tende a ser a flexibilidade para:
Financiar estoques e coleções
Investir em lojas e canais digitais
Absorver períodos de menor demanda
Administrar remarcações e liquidações
Financiar expansão com menor risco

Mas o múltiplo não deve ser interpretado como prazo literal de pagamento. A geração efetiva de caixa também depende de juros, impostos, Capex, estoques, fornecedores e recebíveis.

Ranking do 1T26 — menor para maior alavancagem

 1. Lojas Renner — caixa líquido de R$ 1,5 bilhão
A Renner apresenta uma das estruturas financeiras mais sólidas do setor, combinando liquidez elevada, geração de caixa e capacidade de financiar sua agenda de crescimento.

2. Track&Field — caixa líquido de R$ 63,6 milhões
A posição de caixa líquido oferece flexibilidade para expansão da rede, fortalecimento do canal digital e desenvolvimento do ecossistema de wellness.

 3. C&A Brasil — 0,1x
Dívida líquida de R$ 142,6 milhões. A C&A mantém uma estrutura de capital leve, mesmo com investimentos em lojas, reformas, tecnologia, digital e no plano Energia C&A.

 4. Riachuelo — 0,4x
Dívida líquida pro forma de aproximadamente R$ 747,3 milhões.
A alavancagem permanece baixa e é sustentada pela melhora operacional, evolução da categoria de vestuário e maior disciplina na alocação de capital.

5. Veste — 0,6x
Dívida líquida de R$ 124,2 milhões. A companhia apresenta baixa alavancagem, acompanhada por crescimento de receita, expansão de margem e recuperação da rentabilidade.

 7. Azzas 2154 — 1,40x
Dívida líquida de R$ 2,17 bilhões. O valor absoluto da dívida é elevado, mas precisa ser analisado em relação à escala e ao portfólio da companhia. Integração, redução de estoques, captura de sinergias e geração de caixa serão determinantes para a evolução do indicador.

 8. Grupo SBF — 1,59x
Dívida líquida de R$ 1,12 bilhão. O Grupo SBF apresenta a maior alavancagem da amostra de moda. O aumento está relacionado à maior necessidade de capital de giro, formação de estoques e aceleração dos investimentos.

No varejo de moda, a estrutura financeira está diretamente ligada à qualidade da operação. Estoques de baixo giro, excesso de sortimento, remarcações tardias, previsões inadequadas e ciclos longos de compra podem consumir caixa rapidamente, mesmo quando a receita cresce.

O diferencial competitivo será transformar dados, estoque e experiência do cliente em margem, giro, caixa e retorno sobre o capital investido.

Flávia Märtino  •  Linkedin 2ºPremium • 2ºEnterprise Solution Architect – Retail @ Oracle I Business Transformation | Innovation I Growth Strategy | Retail Tech | AI & Data-Driven Leadership | Former Mercado Livre, Riachuelo, C&A, Havaianas I AdvisorEnterprise Solution Architect – Retail @ Oracle I Business Transformation | Innovation I Growth Strategy | Retail Tech | AI & Data-Driven Leadership | Former Mercado Livre, Riachuelo, C&A, Havaianas I Advisor

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