Marcelo Peruzzo / Linkedin
O CARNAVAL ACABOU E A RESSACA CHEGOU. Mas a maior ressaca não é de bebida: é a do “viralatismo” brasileiro. Muita gente adora passar o ano inteiro falando mal do Brasil, cuspindo no prato que comeu e exaltando o “primeiro mundo” como se lá fosse o paraíso na Terra. Mas que tal olharmos para os números reais antes de postar a próxima crítica? Você já parou para ver a dívida pública por habitante? O quanto cada cidadão “deve”, proporcionalmente, em relação à economia do seu país? Prepare-se para o choque de realidade (projeções para 2026): Estados Unidos: ~ US119.600 por pessoa China: US 15.100 por pessoa Brasil: US10.300 por pessoa Russia: US 3.900 por pessoa Sim, você leu certo. A dívida por habitante nos EUA é ordens de magnitude maior que a nossa. Enquanto muitos olham apenas para o PIB, esquecem que o estoque de dívida americano, quando cruzado com a capacidade econômica, coloca cada cidadão deles em uma posição de endividamento bruto altíssima. O Brasil é um sobrevivente resiliente. Mesmo com um sistema financeiro que muitas vezes parece trabalhar contra, movido pela ganância de setores da Faria Lima e Alphaville quebrando bancos em série, comandada por gente arrogante e estúpidamente ignorante … Mesmo com as divisões ideológicas profundas e o peso de guerras religiosas no debate público… Mesmo fazendo “tudo errado” na visão dos pessimistas de plantão… Nós ainda estamos de pé. Nossa dívida bruta por habitante (projeção 2026) de aproximadamente US$ 10.300 mostra que, apesar dos desafios fiscais, a narrativa de “caos absoluto” comparada ao exterior nem sempre se sustenta nos números frios. O Brasil tem uma base doméstica de financiamento e uma capacidade de sobrevivência que muitos países “modelo” invejariam se estivessem no nosso lugar. Antes de falar mal e dizer que “isso aqui não tem jeito”, entenda: o Brasil é incrível justamente porque sobrevive a si mesmo todos os dias. Menos complexo de vira-lata, mais análise de dados. Prof. Dr. Marcelo Peruzzo, Ph.D Ms.C #Brasil #Economia #Finanças #Resiliência #Dados #Geopolítica #RealidadeFiscais P.S.
1 Fui “gentilmente obrigado” a explicar o propósito de um indicador básico. Isso é positivo. Ciência não avança pelo conforto do consenso, mas pelo desconforto de novas lentes.
P.S. 2 Curioso como a simples introdução de **mais um indicador não em substituição, mas em complemento já foi suficiente para gerar resistência. Em pesquisa séria, é exatamente assim que nasce um doutorado: uma hipótese nova é proposta, testada e, se necessário, refutada.
P.S. 3 Para quem trabalha com método científico, isso é rotina: nenhum marcador resolve o diagnóstico sozinho. Mas descartar um marcador porque ele amplia o campo de análise é o oposto do que sustenta qualquer avanço acadêmico real. P.S. 4 Se este indicador estiver errado, excelente, ele terá cumprido seu papel de provocar investigação e refinamento teórico. É assim que a ciência evolui.
Posso discordar? Está claro para mim que a comparação que interessa ao autor é entre os EUA e o Brasil. As dívidas estão em dólar, moeda emitida pelos Estados Unidos, além de ser a moeda de reserva internacional; base do comércio global e salvaguarda para as crises financeiras O governo dos EUA emite dívida na própria moeda que controla. Portanto, a demanda global por dólares sustenta a solvência americana e o risco cambial é praticamente inexistente para o Tesouro americano. Já o Brasil não possui moeda de reserva global. Sofre risco cambial relevante e depende de credibilidade fiscal para manter estabilidade. A capacidade de pagamento dos devedores é outra questão relevante a considerar. Nos Estados Unidos a renda familiar média: é de US$ 80.000/ano, num mercado de crédito sofisticado e com capacidade de geração de renda com mais velocidade. No Brasil a renda média mensal do trabalhador é de R$ 3.208,00 com baixa produtividade média e endividamento com juros altos. O problema da dívida não é o valor nominal, mas a capacidade de pagamento do devedor. O artigo nos coloca, portanto, uma comparação simplista, que gera erro analítico. É como vejo a questão.
A dívida pública por habitante é um dado interessante, mas isoladamente pode induzir a conclusões simplistas. Dívida não é, por si só, sinônimo de fragilidade. O que realmente importa é: • A relação dívida/PIB • O custo médio dos juros • A moeda em que a dívida é emitida • A capacidade de crescimento da economia • A credibilidade institucional Os EUA têm dívida per capita elevada, mas também possuem a principal moeda de reserva global e enorme capacidade de financiamento. O Brasil, com dívida per capita menor, enfrenta juros estruturalmente altos — e isso pesa mais sobre crescimento e investimento do que o valor absoluto da dívida. Baixa dívida não significa automaticamente prosperidade, assim como alta dívida não significa colapso iminente. No fim, a questão central é qualidade de gestão fiscal e previsibilidade institucional. Dívida pode ser instrumento de desenvolvimento — ou sintoma de desorganização. O número é macroeconômico. O impacto é institucional.
Marcelo Peruzzo, muito interessante os dados, contudo se aprofundarmos um pouco mais veremos dois pontos que pesam negativamente para o Brasil quando comparamos ao EUA, primeiro, é a destinação da dívida, temos que avaliar se a dívida é para investimento ou se é apenas para pagamento de passivos. No caso do Brasil, vemos que boa parte é para pagamento de passivos, pouco investimento. Outro ponto importantíssimo é o custo de rolagem dessa dívida, nos EUA, não chega a 5%, no Brasil, é de 15%, ou seja, mesmo apresentando uma relação de divida/PIB menor do que a dos EUA, o custo dessa dívida para o Brasil é muito mais pesada. Complementando os dados, analise por exemplo o Japão, que chega a quase 200% de dívida/PIB, entretanto com um custo de rolagem para pagamento dessa dívida que não chega a 1%, ou seja, mesmo tendo o dobro da divida/PIB do Brasil, estão em uma situação muito mais confortável. Pode ser perigoso avaliar apenas um dado isoladamente, temos que avaliar todo o contexto.

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