10 de dezembro de 2025, 16 Danilo
Pelas projeções da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a economia brasileira deve fechar 2025 com crescimento de 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB) e continuar desacelerando em 2026, com 1,8%, por causa, principalmente, da elevada taxa de juros.
Esses dados foram apresentados pelo Observatório Nacional da Indústria em evento promovido na manhã desta quarta-feira (10/12), em Brasília.
O crescimento esperado do PIB para 2025 é 0,1% acima do projetado pela CNI em dezembro de 2024. A projeção de desaceleração se confirmou, já que no ano passado os resultados econômicos foram surpreendentemente positivos.
O principal elemento para frear o desempenho do PIB, na análise da confederação, é o ciclo de alta da taxa Selic, atualmente em 15%. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reunirá nesta quarta pela última vez no ano e deve manter o índice.
Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, com juros nesse patamar, a economia vai desacelerar ainda mais, prejudicando todos os setores produtivos, em especial a indústria, o que deverá ser sentido pela população, com menos emprego e renda.
“É necessário que o Banco Central não apenas inicie o ciclo de cortes na taxa Selic o quanto antes, mas que, ao final de 2026, tenhamos juros reais menores do que as projeções indicam no momento”, avaliou Alban.
Impacto dos juros elevados
A consequência da política econômica contracionista é a queda da inflação, que deve fechar o ano em 4,5%, no limite do teto da meta, conforme as projeções da CNI. Esse cenário gera menos oferta de crédito e menos consumo.
De acordo com a entidade, o controle da inflação e as projeções do Banco Central já tornariam possível que a Selic estivesse no patamar de 11,25%. As projeções, no entanto, são de que ela continue em 15% até fevereiro, quando começará a baixar.
Depois de crescer 3,3% no ano passado, o PIB industrial tende a aumentar 1,8% em 2025. A desaceleração será mais sentida pelos segmentos de transformação e de construção, que são mais sensíveis aos juros elevados.
Previsão para 2026
No ano que vem, o cenário deve ser ainda mais complicado. A projeção é de crescimento de 1,8% do PIB. O avanço deve ocorrer a partir do setor de serviços, que tem expectativa de alta de 1,9%. A indústria tende a perder ritmo, crescendo apenas 1,1%, enquanto o setor agropecuário deverá ficar estável.
Já a Selic deve encerrar o ano que vem em 12%, enquanto a inflação fechará o ano em 4,1%. Para a CNI, os juros reais devem ficar em torno de 7,9%, patamar que continuará inibindo o crescimento econômico e o investimento.
Mário Sérgio Telles, diretor de Economia da CNI, afirma que a redução da taxa de juros tende a ter efeitos dilargados, o que afeta a previsão para 2026.
“A redução é positiva, mas é pouco. Com essa trajetória que projetamos e a expectativa de inflação, devemos chegar em 2026 ainda com taxa de juros real de 7,9%. É uma política fiscal menos contracionista, mas ainda muito.”
A expectativa só não é pior porque, sendo 2026 um ano eleitoral, a tendência é que haja maior estímulo fiscal, principalmente dos estados. E também por causa da reforma do Imposto de Renda, que deve liberar o orçamento das famílias e estimular o consumo.
é correspondente da revista Consultor Jurídico em Brasília.

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