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No 2º trimestre de 2025, a participação dos cartões próprios e crediários (CDC) nas vendas das grandes varejistas reforça que quem controla o crédito, controla dados, rentabilidade e experiência do cliente. Mesmo em um cenário de Selic a 15%, 79 milhões de brasileiros negativados, renda comprimida, avanço dos meios de pagamento instantâneos e a crescente competição do setor de apostas (bets), que disputa parte da renda disponível das famílias , o private label mantém-se como uma das principais alavancas de fidelização, rentabilidade e inteligência comercial no varejo brasileiro. Entre o 2T24 e o 2T25, a participação média dos cartões próprios nas vendas das varejistas apresentou leve retração, reflexo do cenário macro desafiador e de políticas de crédito mais seletivas.
Destaques do 2T25:
–Flávio’s Calçados e Esportes e Grupo OSCAR estreiam na liderança do ranking, com 44,3% e 40% das vendas no cartão próprio.
–Riachuelo (Midway) manteve participação de 32,0%(-1.1p.p.)
-C&A Pay fechou o tri com 29,1%(- 1,5p.p.), com uma redução de 20,4% de originação de contas novas e com o encerramento da parceria com a bradescard
– Renner (Realize) atingiu 28,6%, com aumento de 13% no volume de vendas financiadas, reforçando a integração entre crédito e varejo.
– Casas Bahia manteve 25,5%, leve queda de 0,5 p.p. consolidando o uso do BanQi e do crediário como pilares do grupo.
– Grupo D’Avó registrou 24,6%, impulsionado pela expansão do Cartão Confiança.
– Grupo Pereira (Vuon) manteve 20,8%, mesmo em um ciclo de expansão acelerada.
-Magalu encerrou o trimestre com 19,0%, mantendo estabilidade e foco no uso do cartão como ferramenta de recorrência e dados.
A penetração dos cartões próprios no 2T25 confirma que o Private Label é um pilar da estratégia varejista. Na moda, o cartão atua como extensão da marca; no eletro, como facilitador de conversão e parcelamento; e no alimentar, como instrumento de diferenciação e retenção. Integrado a cashback, promoções segmentadas e canais digitais, transforma-se em um canal de vendas e inteligência de mercado, ampliando recorrência, fidelização, ticket médio, previsibilidade de fluxo e reduzindo despesas de MDR. Por trás desses resultados há o trabalho dos times de crédito, risco e cobrança, áreas que, quando atuam de forma integrada e orientadas por IA, machine learning e parceiros estratégicos, geram valor real para a operação, equilibrando crescimento, rentabilidade e controle. Quem domina crédito, dados e experiência constrói fidelização estrutural, com impacto direto em rentabilidade e relacionamento de longo prazo. Algumas varejistas já divulgaram seus números do 3T25, e em breve trarei o consolidado com os novos dados de CDC, inadimplência e rentabilidade.



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