O 2º trimestre de 2025 marcou os melhores resultados recentes das varejistas de moda listadas em bolsa. O inverno mais prolongado e rigoroso dos últimos anos foi um catalisador para as vendas e margens, em contraste com 2024, quando o clima mais ameno e as enchentes no Rio Grande do Sul comprometeram operações e desempenho de várias empresas com forte presença na região. Além do efeito climático, o setor mostra-se cada vez mais maduro no uso de dados e na maioria dos casos das empresas abaixo, já avançam em projetos de inteligência artificial. Mas há um alerta importante: investir em IA exige responsabilidade e disciplina, avaliar o ROI é fundamental para separar hype de resultados reais. Outro fator decisivo foi o crédito e a digitalização. O braço financeiro vem assumindo cada vez mais o papel de fidelização, recorrência e aumento de ticket médio, impulsionado pela redução do MDR nas empresas que operam cartões próprios. A diferença é clara: na Renner, o ticket médio geral foi de R$ 226,9, mas saltou para R$ 318,8 nas compras com cartão Renner. Já na Riachuelo, o ticket médio foi de R$ 208, contra R$ 257 nas compras com cartão Riachuelo. Além disso, a omnicanalidade na maioria das empresas fortaleceu. A Renner, já alcança 15% de penetração digital no GMV, e a penetração na C&A foi de 5,9%(+30,8% yoy) mostrando que a integração entre físico e online é uma das principais alavancas de crescimento para o setor. 🔎 Destaques do trimestre: Lojas Renner S.A. manteve a liderança do setor, entregando um lucro líquido de R$ 404 milhões, alta de 28,4%, sobre uma receita de R$ 4,1 bilhões. Azzas 2154 registrou um salto expressivo de 81,7%, alcançando R$ 284 milhões de lucro líquido, reflexo das primeiras sinergias do processo de integração. Riachuelo foi a que mais cresceu proporcionalmente, com avanço de 151,2%, chegando a R$ 143 milhões. C&A Brasil também surpreendeu, com alta de 138,9% e se consolidando como o terceiro maior lucro entre as listadas, com R$ 200 milhões. GRUPO SBF (Centauro e Fisia- Nike Brasil ) somou R$ 87 mi, alta de 19,1%. Lojas Marisa, do CEO Edson Garcia voltou a lucrar, embora com resultado modesto (R$ 2,1 mi). VESTE S/A, registrou R$ 17 milhões de lucro líquido no trimestre. TRACK&FIELD alcançou R$ 41 milhões de lucro líquido, alta de 35,9% e Grupo Grazziotin,registrou R$ 40 milhões de lucro líquido, avanço de 55,3%. Apesar da melhora, o cenário macro ainda pesa: a taxa Selic elevada continua a frear investimentos e o avanço das bets preocupa todo o varejo, pressionando consumo e competição pela renda das famílias. A partir da próxima semana, a análise consolidada do 1º semestre de 2025. Já o 3º tri deve mostrar um ritmo bem abaixo do 2º tri, sinalizando um esfriamento no setor. Setembro, em especial, trouxe grandes desafios para diversas redes, o que deve se refletir nos resultados e reforçar a volatilidade do varejo em 2025.
Thiago de Melo Furbino é um Influencer Founder TL.MF. | No Varejo Podcast | Diretor da Abiacom | LinkedIn Top Voice | MBA
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