Editado por Mario Akira | 23/11/2025 – BEM PARANA

Data já virou realidade no País e só fica atrás do Natal, Dia das Mães, Dia das Crianças e do Dia dos Pais

Black Friday 2025 deve gerar faturamento recorde no comércio (Matheus Freitas)

A Black Friday já é a quinta data mais importante para o comércio nacional, ficando atrás do Natal, Dia das Mães, Dia das Crianças e Dia dos Pais. E neste ano, o comércio deve receber volume recorde de R$ 5,4 bilhões com a Black Friday, temporada de compras que terá como marco o dia 28. A estimativa é da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Se o valor se confirmar, será um recorde. A projeção da CNC representa crescimento de 2,4% em comparação com o ano passado (R$ 5,27 bilhões), já descontada a inflação do período, mas reconhece que poderia ser melhor se o momento econômico não fosse de cautela.

“É momento de cautela na economia nacional, de incertezas no cenário externo e de endividamento recorde das famílias brasileiras, mas, ainda assim, veremos um incremento nas vendas da Black Friday este ano”, afirma José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, observando que o aumento poderia ser ainda maior, caso houvesse mais isonomia tributária em relação às compras internacionais.

Para a Black Friday de 2025, os segmentos de hiper e supermercados (R$ 1,32 bilhão), eletroeletrônicos e utilidades domésticas (R$ 1,24 bilhão) e de móveis e eletrodomésticos (R$ 1,15 bilhão) deverão responder por mais de dois terços (68%) da movimentação financeira prevista. Outros ramos do varejo com altas cifras devem ser o de vestuário e acessórios (R$ 0,95 bilhão) e o de farmácias, perfumarias e cosméticos (R$ 0,38 bilhão). Ao apontar motivos para o volume recorde, a CNC lembra que a economia brasileira tem vivenciado desvalorização do dólar (que deixa produtos importados mais baratos), perda de força da inflação e crescimento de emprego e renda média do trabalhador.

Black Friday brasileira

A Black Friday brasileira é inspirada na tradicional queima de estoques realizada pelos comerciantes dos Estados Unidos após a celebração do Dia de Ação de Graças, feriado americano comemorado sempre na última quinta-feira de novembro.

Em 2010, segundo a CNC, a movimentação foi de R$ 1,52 bilhão. À época, apenas os segmentos de móveis e eletrodomésticos, livrarias e papelarias e as lojas de utilidades domésticas e eletroeletrônicos estavam envolvidos com o evento. Com informações da CNC e Agência Brasil.

Data faz parte da rotina
Para o coordenador de Desenvolvimento Empresarial da Fecomércio PR, Rodrigo Schmidt, a data já faz parte da rotina de consumo e planejamento dos paranaenses. Ele observa que a Black Friday representa uma oportunidade de economia quando há pesquisa e organização prévia das compras. “Parte dos consumidores aproveita o período para antecipar as compras de Natal e adquirir produtos com maior valor agregado, como eletrônicos e eletrodomésticos. A data se consolidou no calendário nacional e hoje abrange vários segmentos do varejo e de serviços. Embora possa elevar temporariamente o endividamento devido ao parcelamento, o comportamento predominante do consumidor paranaense é cauteloso e consciente, tanto que o estado apresenta um dos menores níveis de inadimplência do país”, ressalta Schmidt.

Tíquete médio no Paraná
A Black Friday segue se consolidando como o grande evento do varejo em novembro. No Paraná, sondagem da Fecomércio PR em parceria com o Sebrae/PR aponta que 36,8% dos consumidores percebem vantagens na data.
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O levantamento revela que o consumidor está cada vez mais atento: 35,8% comparam preços uma semana antes das compras, 31,4% iniciam o monitoramento com um mês de antecedência e 13,7% começam a acompanhar os valores mais de 30 dias antes. Apenas 19,1% não fazem pesquisa prévia.

As mulheres demonstram um pouco mais de entusiasmo com as ofertas, com 37,6% considerando a data vantajosa, frente a 36,2% dos homens. Curiosamente, porém, o tíquete médio masculino será maior, de R$ 1.167,95, enquanto entre as mulheres será de R$ 912,91. Na média geral, o gasto esperado é de R$ 1.036,75, valor 5,3% superior ao ano passado.

Hoje a data movimenta bilhões de reais em vendas e marca o início da temporada de compras de fim de ano. Entre os entrevistados pela Fecomércio PR e Sebrae/PR, 14,7% sempre adiantam as compras de Natal durante a Black Friday e 30,7% fazem isso, dependendo do desconto.
Os principais produtos adquiridos durante a Black Friday são os eletroeletrônicos, como videogames, notebooks, celulares e TVs, tablets.
Monitor Mercantil adianta que a CNC estimou R$ 69,75 bilhões em vendas natalinas, alta real de 1,3% ante ano anterior,  referência que baliza o varejo às vésperas do último trimestre de 2025.

A CNC  sugere que a demanda seguirá firme no fim do ano, embora ainda abaixo do nivel pré-pandemia (R$ 73,74 bilhões em 2019).

Por Daniela Amorim

4 de novembro de 2025

Rio, 04/11/2025 – Os brasileiros ficaram mais endividados em outubro, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A proporção de famílias com dívidas subiu a 79,5% em outubro, maior patamar da série histórica iniciada em 2010, apontou a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic).

A fatia de famílias inadimplentes se manteve em outubro no ápice histórico de 30,5% já alcançado em setembro. Além disso, houve um recorde de 13,2% das famílias brasileiras afirmando que não terão condições de pagar suas dívidas em atraso, ou seja, que permanecerão inadimplentes.

Segundo a CNC, o resultado da pesquisa sugere impactos nas vendas do comércio para a Black Friday e o Natal.

“O avanço no endividamento, na inadimplência e na percepção de insuficiência financeira simultaneamente e pelo terceiro mês seguido é um alerta para a necessidade de ajustes, principalmente na área fiscal, para que os resultados de 2025 não se repitam ou se agravem ainda mais em 2026”, avaliou o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, em nota.

A pesquisa considera como dívidas as contas a vencer nas modalidades cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, cheque pré-datado e prestações de carro e casa.

A proporção de famílias com contas em atraso por mais de 90 dias avançou a 49,0% em outubro, o maior nível desde dezembro de 2024. Houve aumento ainda, pelo segundo mês consecutivo, do porcentual de famílias comprometidas com dívidas por mais de um ano, para
32,0%. A fatia de consumidores que têm mais da metade dos rendimentos comprometidos com dívidas aumentou também pelo segundo mês seguido, para 19,1%.

“Nem mesmo o bom momento do mercado de trabalho tem sido suficiente para conter o avanço na inadimplência, tamanho o patamar atual dos juros. Nesse cenário, o comércio já sente desaceleração das vendas, uma vez que as famílias se veem obrigadas a promover ajustes no orçamento para se adaptar a essa realidade”, apontou o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, em nota.

A CNC projeta que o endividamento aumente em 3,3 pontos porcentuais até o fim deste ano em relação ao patamar que encerrou 2024, enquanto a inadimplência subiria 1,5 ponto porcentual.

Comissão de Negociação Coletiva do Comércio (CNCC) reúne representantes de federações, sindicatos, empresários, especialistas do Direito e estudantes para discutir as relações trabalhistas no Brasil

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), por meio da Comissão de Negociação Coletiva do Comércio (CNCC), realizou, em sua sede em Brasília, no dia 13 de novembro, o seminário Atuais Cenários sobre Negociações Coletivas e o Direito do Trabalho. O evento, que também foi transmitido pelo canal CNC Play, no YouTube, reuniu representantes de federações, sindicatos, empresários, especialistas em Direito e estudantes para debater os principais desafios jurídicos e práticos que impactam as relações laborais no Brasil.

 

 

Mudanças na jurisprudência do TST e os reflexos nas negociações coletivas

Abrindo o seminário, a primeira palestra contou com a participação do ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST) Sergio Pinto Martins, que apresentou uma análise crítica sobre o impacto das decisões judiciais nas negociações coletivas. Com foco no Tema 1.046 do Supremo Tribunal Federal (STF), que trata da prevalência do negociado sobre o legislado, o ministro destacou a insegurança jurídica gerada pela falta de uniformidade nas decisões das turmas do TST e pela indefinição dos limites da negociação coletiva.

O ministro também falou da evolução constitucional do reconhecimento das convenções e acordos coletivos, a reforma trabalhista e a necessidade de mais clareza sobre os direitos trabalhistas considerados absolutamente indisponíveis. “A negociação coletiva é prevista na Constituição, mas ainda carece de limites mais bem determinados. O STF terá um papel decisivo nesse processo”, afirmou Martins.

 

Pejotização e julgamento do Tema 1.389 do STF

Na segunda palestra, o juiz do Trabalho do Tribunal Regional do Trabalho do Rio de Janeiro (TRT/RJ) Otávio Calvet trouxe uma reflexão sobre a pejotização e os possíveis efeitos do julgamento do Tema 1.389 pelo STF. Segundo Calvet, o reconhecimento da contratação por pessoa jurídica como forma legítima de prestação de serviços pode representar mudança profunda na estrutura do Direito do Trabalho.

O juiz explicou que a legislação atual permite a pejotização, desde que não haja fraude, e que o trabalhador pode exercer autonomia para escolher como deseja trabalhar. “A relação de emprego não é a única forma de trabalho prevista na Constituição. Precisamos reconhecer a liberdade de escolha e adaptar nossos conceitos à realidade”, ressaltou.

Calvet também trouxe a questão da competência da Justiça do Trabalho, sugerindo que a análise da validade dos contratos civis e comerciais poderia ser feita pela Justiça comum, com posterior encaminhamento à Justiça do Trabalho em caso de reconhecimento de vínculo empregatício.

 

Novos enfrentamentos nas negociações coletivas

A terceira palestra contou com a mediação da advogada da Diretoria Jurídica e Sindical (DJS) da CNC Luciana Diniz e com os debatedores Monica Matões (Fecomércio-MA), Eduardo Matos Filho (Fecomércio-RR), Renan Pires (Fecomércio-BA) e Silvio Oliveira (Fecomércio-DF), que compartilharam experiências práticas nas mesas de negociação.

Os debatedores destacaram temas críticos como trabalho aos domingos e feriados, proteção à mulher no comércio e saúde mental do trabalhador, além de estratégias de mediação e antecipação de pautas.

O painel também debateu a participação das Federações nas Conferências Estaduais do Trabalho, iniciativa do Ministério do Trabalho que antecede a etapa nacional prevista para março de 2026. Os representantes relataram avanços na articulação com outros setores produtivos e enfatizaram a importância do protagonismo regional na construção de propostas conjuntas.

 

Fortalecimento institucional e valorização da negociação coletiva

O diretor Jurídico e Sindical da CNC, Alain MacGregor, e o presidente da CNCC e presidente executivo da Fecomércio-SP, Ivo Dall’Acqua Junior, encerraram o seminário com uma avaliação positiva sobre os avanços institucionais e a maturidade das entidades do Sistema Comércio.

MacGregor salientou que a negociação coletiva é o instrumento mais eficaz para resolver questões trabalhistas de forma imediata e adaptada à realidade local. “O mercado de trabalho não tem só trabalhador, tem empregador também. E quando as partes negociam diretamente, funciona bem”, afirmou o diretor da DJS.

Dall’Acqua reforçou a importância de embasar as negociações com dados concretos e responsabilidade. “Não é não pelo não, nem sim pelo sim. É preciso ter motivação, clareza e elementos sólidos para sustentar nossas posições”, disse. O presidente da CNCC celebrou o amadurecimento das entidades e a consolidação de uma rede de interlocutores entre Sindicatos, Federações e a Confederação.

“Hoje é um dia de celebração. Temos amadurecido, consolidado posturas e fortalecido nossa atuação. Isso me anima. Quero ter saúde para continuar vendo esse crescimento e partilhar esse trabalho com vocês”, concluiu Dall’Acqua.

Thiago de Melo Furbino 

Founder TL.MF. | No Varejo Podcast | Diretor da Abiacom | LinkedIn Top Voice | MBA

No 2º trimestre de 2025, a participação dos cartões próprios e crediários (CDC) nas vendas das grandes varejistas reforça que quem controla o crédito, controla dados, rentabilidade e experiência do cliente. Mesmo em um cenário de Selic a 15%, 79 milhões de brasileiros negativados, renda comprimida, avanço dos meios de pagamento instantâneos e a crescente competição do setor de apostas (bets), que disputa parte da renda disponível das famílias , o private label mantém-se como uma das principais alavancas de fidelização, rentabilidade e inteligência comercial no varejo brasileiro. Entre o 2T24 e o 2T25, a participação média dos cartões próprios nas vendas das varejistas apresentou leve retração, reflexo do cenário macro desafiador e de políticas de crédito mais seletivas.

Destaques do 2T25:

Flávio’s Calçados e Esportes e Grupo OSCAR estreiam na liderança do ranking, com 44,3% e 40% das vendas no cartão próprio.

Riachuelo (Midway) manteve participação de 32,0%(-1.1p.p.)

-C&A Pay fechou o tri com 29,1%(- 1,5p.p.), com uma redução de 20,4% de originação de contas novas e com o encerramento da parceria com a bradescard

– Renner (Realize) atingiu 28,6%, com aumento de 13% no volume de vendas financiadas, reforçando a integração entre crédito e varejo.

– Casas Bahia manteve 25,5%, leve queda de 0,5 p.p. consolidando o uso do BanQi e do crediário como pilares do grupo.

– Grupo D’Avó registrou 24,6%, impulsionado pela expansão do Cartão Confiança.

Grupo Pereira (Vuon) manteve 20,8%, mesmo em um ciclo de expansão acelerada.

-Magalu encerrou o trimestre com 19,0%, mantendo estabilidade e foco no uso do cartão como ferramenta de recorrência e dados.

A penetração dos cartões próprios no 2T25 confirma que o Private Label é um pilar da estratégia varejista. Na moda, o cartão atua como extensão da marca; no eletro, como facilitador de conversão e parcelamento; e no alimentar, como instrumento de diferenciação e retenção. Integrado a cashback, promoções segmentadas e canais digitais, transforma-se em um canal de vendas e inteligência de mercado, ampliando recorrência, fidelização, ticket médio, previsibilidade de fluxo e reduzindo despesas de MDR. Por trás desses resultados há o trabalho dos times de crédito, risco e cobrança, áreas que, quando atuam de forma integrada e orientadas por IA, machine learning e parceiros estratégicos, geram valor real para a operação, equilibrando crescimento, rentabilidade e controle. Quem domina crédito, dados e experiência constrói fidelização estrutural, com impacto direto em rentabilidade e relacionamento de longo prazo. Algumas varejistas já divulgaram seus números do 3T25, e em breve trarei o consolidado com os novos dados de CDC, inadimplência e rentabilidade.

site CNC
Supermercados, combustíveis e farmácias devem concentrar 80% do consumo adicional. Por outro lado, inadimplência recorde e juros elevados limitam impacto em bens duráveisA ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) para rendas de até R$ 5 mil mensais, prevista no Projeto de Lei nº 1.087/2025, aprovado na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, deve impulsionar o varejo no curto prazo. Ao mesmo tempo, a medida levanta preocupações quanto à sustentabilidade fiscal e gera distorções tributárias que podem desestimular a formalização e o investimento produtivo.Segundo estimativas da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), cerca de 54,5% da renúncia fiscal de R$ 31,20 bilhões em 2026 — totalizando R$ 16,98 bilhões — deverá ser direcionada ao consumo de bens e de serviços. Outros 33,6% (R$ 10,47 bilhões) devem ir para o abatimento ou quitação de dívidas, enquanto 12% (R$ 3,75 bilhões) ficarão na poupança ou no consumo futuro.​“Reconhecemos o esforço do governo em promover justiça tributária e incentivar o consumo de quem mais precisa. A isenção do IR até R$ 5 mil vai colocar dinheiro no bolso de 14 milhões de brasileiros e deve trazer um impulso importante para o comércio de alimentos, saúde e itens básicos. No entanto, precisamos olhar além do curto prazo”, pontua o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros.A proposta beneficia contribuintes das classes C, D e E, que deixarão de pagar o Imposto de Renda da Pessoa Física. Para quem ganha exatamente R$ 5 mil, a economia pode chegar a cerca de R$ 400 a R$ 500 por mês, a depender das deduções quando da apuração anual do imposto. Além disso, o projeto estabelece um desconto decrescente para rendas entre R$ 5 mil e R$ 7.350 mensais, criando uma faixa de transição antes da tributação plena.​Impacto concentrado em bens não duráveisO consumo adicional tende a concentrar-se em segmentos com menor dependência de crédito, dada a inadimplência recorde que chega a 30% das famílias com contas em atraso, um recorde na série histórica de 15 anos da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor da CNC.Hiper e supermercados devem capturar R$ 4,17 bilhões dos recursos extras destinados ao consumo de bens; combustíveis e lubrificantes, R$ 1,67 bilhão; e farmácias e cosméticos, R$ 1,07 bilhão — juntos, quase 80% do incremento. Artigos de uso pessoal e doméstico (R$ 0,66 bilhão) e vestuário e calçados (R$ 0,62 bilhão) completam a distribuição setorial estimada pela CNC.​Distorções tributáriasApesar do forte apelo popular e da aprovação unânime na Câmara dos Deputados, a medida seguirá gerando debate. Especialistas contestam o argumento do governo federal de que a mudança será suficiente para trazer equilíbrio às contas públicas. Isso porque, para compensar a perda de arrecadação, o projeto institui duas novas formas de tributação sobre altas rendas como contrapartida: a tributação de lucros e dividendos em 10% para valores acima de R$ 50 mil anuais, encerrando a isenção que vigorava desde 1996, e a criação do Imposto de Renda da Pessoa Física Mínimo (IRPFM). A alíquota mínima progressiva vinculada ao IR atingiria contribuintes com rendimentos anuais acima de R$ 600 mil, garantindo que este grupo pague ao menos 10% de imposto efetivo, independentemente de deduções e benefícios fiscais.Um dos pilares do projeto, a tributação de dividendos, por sua vez, é criticada por não seguir o princípio da integração, adotado pela maioria dos países. A CNC pontua que o lucro de uma empresa já é tributado pelo IRPJ. Ao ser distribuído ao sócio e novamente taxado na pessoa física sem nenhum tipo de compensação, cria-se uma dupla tributação econômica sobre a mesma riqueza. Ao manter a tributação corporativa nos níveis atuais e adicionar um novo encargo sobre a renda distribuída, o PL 1.087/2025 gera efeito de sobreposição que eleva o custo do capital produtivo no Brasil, tornando-o menos competitivo internacionalmente.​Incentivo indireto à informalidadeO desenho da faixa de transição, que reduz o benefício para rendas entre R$ 5 mil e R$ 7.350, cria a chamada “armadilha da renda”: a partir de R$ 5 mil, a alíquota marginal efetiva cresce abruptamente, ferindo o princípio da progressividade suave que recomenda uma transição gradual entre as faixas de tributação. Essa distorção pode criar desincentivos econômicos relevantes, como a recusa a horas extras ou promoções salariais que elevem a renda para essa faixa de transição, além de estimular a informalidade para evitar o salto na renda e na tributação.​
Representante da Confederação destaca impactos econômicos e defende negociação coletiva como caminho para mudanças sustentáveis Durante audiência pública realizada pela Subcomissão Especial da Escala de Trabalho 6×1, no Auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados, o diretor da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e presidente executivo da Fecomércio-SP, Ivo Dall’Acqua, apresentou o posicionamento da entidade sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 8/2025, que prevê a redução da jornada de trabalho para quatro dias semanais. Embora reconheça os objetivos meritórios da proposta, como a busca por melhor qualidade de vida e aumento da produtividade, Dall’Acqua alertou para os riscos de uma aplicação imediata e generalizada da medida. “Reduzir a jornada máxima por lei é aplicar imediatamente a tudo e a todos o teto proposto pela PEC, que tem um efeito mais radical sobre o que se pode fazer a partir daí”, afirmou. Entre os principais pontos de atenção destacados pela CNC estão: Impacto econômico: A redução da jornada pode elevar os custos operacionais das empresas, exigindo contratação adicional ou aumento da folha salarial, o que pode comprometer a sustentabilidade financeira, especialmente em setores mais sensíveis. Produtividade estagnada: O Brasil enfrenta um problema histórico de baixa produtividade. “Desde os anos 1980, a nossa produtividade não cresce. Existe um paradoxo: remunerar mais o descanso do que o trabalho”, disse o diretor da CNC, ao citar que a proposta levaria a 204 horas mensais não trabalhadas e remuneradas, contra 163 horas efetivamente trabalhadas. Comparativo internacional: O Brasil já possui uma jornada legal inferior à de muitos países e uma estrutura de direitos trabalhistas que impacta diretamente os custos das empresas, como férias de 30 dias, 13º salário e adicional de férias. Desafios para micro e pequenas empresas: A maioria das empresas brasileiras é de pequeno porte, e a obrigatoriedade da redução da jornada pode gerar dificuldades operacionais e financeiras, especialmente na reposição de mão de obra. Dall’Acqua também ressaltou que a medida afetaria não apenas o setor privado, mas também serviços públicos essenciais, como saúde, educação e limpeza urbana. Durante o debate, reforçou a posição da CNC sobre a importância da negociação coletiva como instrumento legítimo para tratar da jornada de trabalho, conforme já reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal (STF). E concluiu: “A economia internacional mostra que a redução de jornada tem que ser feita de forma progressiva, adequando a cada tipo de atividade e situação”.