Publicação de Thiago de Melo Furbino
YouTube Shopping chega ao Brasil: o social commerce em um novo patamar O anúncio da chegada do YouTube Shopping ao Brasil, em parceria inicial com Mercado Livre e Shopee, vai além da integração de afiliados.
O anúncio agita o mercado de ecommerce e marca a consolidação do social commerce, modelo que transforma a jornada do consumidor em uma experiência de entretenimento, descoberta e compra em tempo real. O movimento não é isolado: o Brasil é considerado mercado prioritário para o YouTube, que globalmente já reúne mais de 500 mil criadores afiliados. A lógica por trás da expansão está no conceito dos 4S’s (Search, Scrolling, Streaming e Shopping).
Um modelo que vi ser apresentado pelo Google em São Paulo e que sintetiza o comportamento digital atual: buscar, rolar, assistir e comprar. Agora, o YouTube adiciona o último elo que faltava, transformando vídeos e lives em pontos de conversão. O movimento ocorre em um mercado em plena expansão. De acordo com a EXAME e relatório Brazil Social Commerce Market Intelligence and Future Forecast, o setor deve movimentar US$ 4,16 bi em 2025, crescendo em média 16,1% YoY, e chegar a US$ 6,92 bi até 2030. Entre 2021 e 2024, o crescimento foi ainda mais acelerado, com taxa composta de 23,1% ao ano. O impacto potencial é expressivo. Em 2024, o YouTube movimentou R$ 4,94 bilhões no PIB brasileiro.
A expectativa é que esse número cresça com a diversificação das fontes de receita, em especial o e-commerce. Esse movimento conecta criadores e plataformas a uma nova fronteira de monetização: comissão direta sobre vendas geradas, criando um ecossistema onde marcas e influenciadores dividem o valor da audiência. O contexto global reforça a relevância da iniciativa. Em minha visita à China, trouxe alguns dados que ilustram a escala: o país já soma 1,23 bilhão de usuários de internet, dos quais 833 milhões utilizam live streaming e 628 milhões consomem e-commerce. Lá, o live commerce é tão consolidado que virou hábito cultural. O TikTok Live, por exemplo, mostra o poder desse modelo: usuários são 1,6x mais propensos a assistir transmissões para descobrir produtos, 1,7x mais propensos a comprar em lives de marcas e 1,5x mais propensos a usar esse formato para aprender sobre empresas que já conhecem. Para o Brasil, onde mais da metade da população é usuária ativa de redes sociais, a chegada do YouTube Shopping amplia a competição com TikTok e Instagram, mas também cria novas oportunidades para marcas locais, que podem transformar criadores em parceiros de venda com escala inédita.
A nova funcionalidade, trata-se de uma mudança estrutural no varejo digital. Os vídeos deixam de ser apenas mídia e passam a ocupar um papel central como canal de vendas. No maior mercado de vídeo online da América Latina, essa convergência entre entretenimento, influência e comércio vai definir as estratégia das marcas e a forma como o consumidor brasileiro descobre, considera e compra.
Comprometimento do orçamento com débitos no país é quase o triplo da média de nações desenvolvidas
Maeli Prado  /  jornal Folha de São Paulo
As famílias brasileiras comprometem quase 10% da renda apenas com o pagamento de juros, em um sintoma da baixa qualidade do endividamento do brasileiro, composto em sua maior parte por obrigações de curto prazo e taxas elevadas.
Em maio último, mostram dados do Banco Central, esse peso alcançou 9,86%, o maior da série histórica iniciada em 2005 e pouco acima do patamar atingido em 2023, quando houve o lançamento do programa Desenrola, criado para estimular a renegociação de débitos.
Atualmente, o equivalente a 27,79% da renda das famílias é direcionado ao pagamento de amortização de dívidas mais os juros —ou seja, as taxas representam mais de um terço do total.
Esse percentual é quase o triplo da média de 17 países desenvolvidos, cujos dados de dívidas das famílias em relação à renda são disponibilizados pelo BIS (Banco de Compensações Internacionais). Nos Estados Unidos, por exemplo, as famílias destinam o equivalente a 8% do orçamento ao pagamento de dívidas, e no Japão, o peso é de 7,8%Famílias brasileiras já comprometem quase 10% da renda só com pagamento de juros – Gabriel Cabral/Folhapress
“No mundo todo existe comprometimento de renda com dívidas. A diferença é que no Brasil a maior parte é com débitos relacionados a cartão de crédito ou empréstimo pessoal, que possuem taxas maiores”, afirma Rafael Schiozer, professor titular de finanças da FGV-EAESP.
Números do BC ajudam a explicar essa diferença. O comprometimento da renda das famílias brasileiras especificamente com o crédito imobiliário, que possui os menores juros entre as diferentes modalidades de empréstimos e é acessível a poucos brasileiros, é de apenas 2,13%.
Ou seja, o restante, ou 25,66% do comprometimento da renda das famílias brasileiras, roda a juros mais altos.
Estêvão Kopschitz, economista do Grupo de Conjuntura do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), aponta que grande parte das dívidas brasileiras é formada por operações de crédito de curto prazo, que são exatamente as que possuem taxas maiores.
“Em países desenvolvidos, o endividamento das famílias é bastante voltado para pagar crédito habitacional, que tem a garantia do próprio imóvel e que não possui um peso tão grande na despesa mensal porque os juros são baixos”, afirma.
SINAL AMARELO
Os dados do BC mostram que o peso do pagamento de juros sobre o orçamento familiar teve um pico em 2023 e caiu em 2024, mas voltou a crescer do final do ano passado para cá. Essa piora no cenário tem a ver com dois fatores: uma combinação perigosa de juros mais altos e mais crédito.
Em junho, último dado disponibilizado pelo BC, a taxa média anual do crédito pessoal estava em 58,3%, o maior nível desde maio de 2023. Ao mesmo tempo, nos últimos dois anos o saldo de crédito com recursos livres (que exclui os empréstimos imobiliários) saltou 23,4%.
Fábio Pina, assessor econômico da FecomercioSP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo), aponta que o crédito cresceu impulsionado pelo emprego e renda mais robustos dos últimos anos.
“O que explica o crescimento do peso dos juros é o fato de que tenho emprego e renda aumentando, o que na percepção do setor financeiro reduz um pouco o risco e eleva o crédito. Isso aconteceu apesar de as taxas de juros terem aumentado”, diz.
Na avaliação dele, o Brasil vive um momento de “sinal amarelo” em relação ao endividamento. Após recuar de um pico alcançado em 2023, o calote de mais de 90 dias das pessoas físicas voltou a se elevar para 6,3%, segundo o último dado do Banco Central.
O assessor econômico da FecomercioSP é autor de um estudo que mostra que os gastos com juros dos lares brasileiros cresceram 20,5% em 2024 na comparação com o período anterior. Mas, no mesmo período, a massa de renda anual das famílias avançou apenas 3,2%.
O aumento na educação financeira é apontada pelos especialistas como necessária para ajudar a reduzir o endividamento ruim, mas não é considerada uma bala de prata.
“O Brasil precisa de mais educação financeira. Já melhorou muito, existe uma iniciativa do Banco Central, por exemplo, de educação financeira nas escolas. Mas é necessário também um comportamento individual das pessoas, de se conscientizarem de que tomar crédito de curto prazo é mais caro”, afirma Kopschitz , do Ipea
Para Schiozer, é necessário um consumo mais cuidadoso. “Evitar o superendividamento é, em essência, ter um consumo compatível com a renda. Sou um pouco cético em relação à educação financeira como bala de prata, acho que muitas pessoas têm consciência de que estão gastando mais do que ganham. Então na verdade o que é mais necessário é uma mudança de hábitos.”
Ele cita um estudo do Banco Central que mostra que o incentivo ao crédito consignado (com desconto em folha de pagamentos) pode ter um impacto negativo no consumo de longo prazo. “Depois de dois, três anos, as pessoas tiveram uma redução de consumo muito maior do que a alta logo que tomaram crédito. É um exemplo da consequência de longo prazo do superendividamento.”
Quase metade dos varejistas projeta piora da economia, maior percentual desde 2020
O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) recuou 5,0% em setembro, na comparação com agosto, e atingiu 97,2 pontos – abaixo da linha dos 100 pontos que separa otimismo de pessimismo. É a primeira vez desde maio de 2021 que o indicador retorna a esse patamar, sinalizando um ambiente de cautela semelhante ao observado nos primeiros meses da pandemia de Covid-19.
Segundo levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), todos os componentes do índice apresentaram retração, com destaque para as expectativas dos empresários, que caíram 7,0% em relação ao mês anterior. Os investimentos também recuaram, ainda que em menor intensidade (-2,6%).
“A confiança é um termômetro essencial da atividade econômica e reflete diretamente o humor das famílias. Quando o consumidor se retrai, o empresário também posterga investimentos e contratações, o que compromete a geração de empregos. Para reverter esse quadro, é fundamental criar condições que fortaleçam o poder de compra e estimulem o consumo responsável, devolvendo dinamismo ao comércio e à economia do País”, afirmou o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros.
Segmentos mais afetados
Na comparação com setembro de 2024, a queda foi ainda mais intensa: -10,3%, a maior desde dezembro do ano passado. O principal fator foi a percepção negativa sobre as condições atuais da economia, que recuaram 21,7% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Outro dado que chama a atenção é que 46% dos varejistas apontaram expectativa de piora da economia em setembro — o maior percentual desde julho de 2020 (49,2%). Apesar disso, os que projetam melhora ainda permanecem como maioria, mas o equilíbrio do indicador reforça o ambiente de incerteza.
O setor de bens duráveis, como eletrodomésticos, móveis, material de construção e veículos, apresentou retração de 13,7% em setembro, na comparação anual. Já entre os bens não duráveis, supermercados, farmácias e lojas de cosméticos lideraram o pessimismo, com queda de 10,2% na percepção atual e de 8,5% nas expectativas, registrando o menor indicador entre os segmentos (113,4 pontos).
Para o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, o quadro reflete a combinação de juros ainda elevados e consumidores mais cautelosos. “A taxa Selic em patamar alto desestimula os investimentos, ao mesmo tempo que o enfraquecimento do mercado de trabalho e a redução da intenção de consumo das famílias freiam o comércio. Não por acaso, a intenção de contratação de funcionários foi o subitem com maior queda em setembro”, explicou.
O Icec é um indicador antecedente importante para medir as tendências do setor. O desempenho atual indica que o varejo deve atravessar os próximos meses com maior cautela, impactado pelo enfraquecimento do consumo e pelo adiamento de decisões de investimento por parte dos empresários.
Confirmando as projeções da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira, 17/09, manter a Selic em 15% ao ano. A entidade já antecipava a estabilidade da taxa básica de juros até o fim do ano, apesar da preocupação com os impactos dos juros altos sobre a atividade econômica.
A avaliação do Copom leva em conta a trajetória recente da inflação. O IPCA de agosto apresentou variação negativa de 0,11%, com a inflação de alimentos registrando queda há três meses, o que contribuiu para o arrefecimento do índice acumulado em 12 meses. Por outro lado, os serviços continuam pressionando, reflexo de um mercado de trabalho aquecido, com desemprego em 5,6% no trimestre encerrado em julho, a menor taxa da série histórica.
As expectativas para o IPCA em 2025 seguem em queda: a mediana do Boletim Focus recuou de 4,95% para 4,83% nas últimas quatro semanas. Já a projeção para o PIB passou de 2,21% para 2,16%. Esses números indicam que a inflação deve encerrar o ano abaixo do esperado anteriormente, embora ainda haja divergência entre agentes do mercado e o Banco Central.
“O Brasil precisa de um ambiente de negócios mais favorável, que incentive o consumo e o investimento. Juros persistentemente altos dificultam o crescimento e travam a geração de empregos”, afirma o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros.
Para o economista-chefe da entidade, Fabio Bentes, a Selic elevada ajuda a controlar a inflação, mas já cobra um preço alto sobre a economia real. “Os indicadores de atividade mostram retração em setores como comércio e indústria. A manutenção da Selic em 15% prolonga essa pressão sobre o crescimento”, avalia.
 
São 3 polos bem definidos e com performances bem distintas no atual setor de moda no Brasil.
Num dos polos está o setor de luxo, representado por marcas globais ou locais com performance muito positiva, pois parcela expressiva de seus clientes é a que mais tem se beneficiado das remunerações de aplicações financeiras. E que compra por aqui, além de trazer das cada vez mais frequentes viagens ao exterior.
Vale lembrar que, com vendas de R$ 21 bilhões anuais, o segmento de moda, vestuário e itens pessoais é um dos dois maiores no mercado total de luxo no Brasil, estimado em R$ 98 bilhões de acordo com recente estudo divulgada pela Bain & Company.
O outro polo é formado pelas mais expressivas redes nacionais ou internacionais operando no País, como Renner, Riachuelo, Marisa, Pernambucanas e C&A, que têm absoluta dependência do crédito para desenvolver negócios. Na Renner, perto de 38% do resultado têm origem nas operações financeiras, incluindo crédito. Na Riachuelo, são 32%.
Esse polo mostra vigor renovado a ponto de estimular a vinda de novos players, como a H&M, que acaba de inaugurar sua primeira loja no País, no Shopping Iguatemi, em São Paulo, buscando um posicionamento distinto daquele que a marca transmite em suas operações globais. A próxima loja abre em 4 de setembro no Shopping Anália Franco; outras serão abertas no Shopping Morumbi e, em seguida, no Parque D. Pedro, em Campinas.
A H&M se junta à Zara, Mango e outras. Nesse grupo, escala, crédito e ativação promocional de vendas no ambiente físico e digital são fatores críticos.
O terceiro polo é formado pelos operadores focados no conceito de valor.
Esse grupo pode ser subdividido em três subgrupos. O primeiro são os operadores formais atuando no plano físico e digital. O segundo grupo envolve o grupo dos informais, com expressiva e crescente participação. O último subgrupo envolve os players globais de e-commerce, como Shein, e os marketplaces que operam em zona própria.
Nesse grupo dos players digitais globais, o risco de medidas populistas de redução da tributação cria cenário de inegável e inaceitável inequidade competitiva.
O luxo tem público certo e distante do mundo real
Segundo a pesquisa desenvolvida pela Bain & Company para o jornal Valor e a Vogue divulgada na semana passada, o mercado de luxo no Brasil tem mostrado surpreendente desempenho tendo crescido 26% entre 2022 e 2024.
Dentre as razões para esse crescimento, está a concentração de renda e, especialmente, a expansão de tudo que envolve o setor financeiro.
O segmento luxo de moda e artigos pessoais, ao lado de imóveis, compõe os setores com maior participação. Ambos totalizam, somados, R$ 42 bilhões de vendas estimadas para este ano.
Segundo o mesmo estudo, os que participam desse grupo de menos de 1% da população brasileira representam aqueles que consomem a moda de luxo comprando no País, mas também comprando no exterior, nas viagens cada vez mais frequentes, que são valores não computados no estudo.
Nesse grupo, estão Louis Vuitton, Hermès, Chanel, Burberry, Prada, Dior, Hugo Boss, Bulgari e Balenciaga, atuando diretamente com operações próprias ou distribuidores e licenciados.
O crédito é o vetor diferenciador na moda massificada
As mais relevantes marcas e redes do segmento de moda massificada são diretamente dependentes do crédito no desenvolvimento dos seus negócios.
A Riachuelo tem mais de 30 milhões de cartões de crédito com sua marca. E a Renner, estimados 12 milhões.
Quem pode, desenvolve alternativas de produtos e atividades financeiras para potencializar o relacionamento, a fidelidade e a frequência de visitas às lojas e aos sites de vendas.
O setor tem experimentado recuperação positiva em relação ao passado recente, quando sofreu com a concorrência desigual dos sites globais que atuavam por aqui. Esses sites foram beneficiados por uma estrutura tributária que taxava mais as empresas que produziam e distribuíam no Brasil em relação às que traziam de fora e entregavam direto aos consumidores.
A recuperação recente tem sido também baseada na evolução dos projetos e propostas que incorporam inovações e evolução, como a recente loja conceito da C&A no Center Norte, que sinaliza ser protótipo de uma nova geração combinando design, arquitetura, tecnologia, digital e Inteligência Artificial (IA).
Apesar dos significativos avanços em produto, conceitos, loja e digital, esse polo tem profunda dependência do crédito para evoluir e se manter relevante.
No conjunto das maiores redes, a participação do crédito em operações próprias ou combinadas com operadores financeiros representa, na média, em torno de 35% a 50% das vendas, dependendo da rede. Além disso, parcela dessa venda é parcelada em valores sem juros, prática difundida no Brasil e que tem sido copiada também, mais recentemente, no exterior.
Ainda há espaço para outros players globais que ainda não chegaram, como Primark, Next, mais marcas do grupo Inditex (além de Zara) e Uniqlo, sendo que esta poderá em breve estar por aqui.
Moda de valor é o mais complexo setor
A expressiva participação da informalidade no setor de moda orientada para valor torna o setor o mais desafiador.
A parcela formal do setor de moda orientada pelo valor inclui as marcas e redes que combinam inovação constante em produto, comunicação e marketing nos pontos físicos e digitais, com operações de crédito mais limitadas. E obrigam constante e permanente atenção às relações com os consumidores para enfrentar a pressão da informalidade e a tendência à infidelidade por conta do foco no preço.
Os formais que operam nesse vetor do valor têm o maior desafio. Um fator positivo em sua expansão é o modelo de negócios de franquias e licenciamento, que, de certa forma, ajuda a reduzir as distorções enfrentadas pela informalidade.
A concorrência é a mais agressiva e multidirecional, pois envolve pequenos e médios operando na informalidade tributária e trabalhista e também os operadores globais de e-commerce, que chegam diretamente no consumidor final com inegável competência logística e operacional.
Há, ainda, toda a perspectiva da reforma tributária em implantação, que deverá ter impacto relevante nesse segmento, acumulada com o risco adicional de retorno do consentimento para menores taxas de impostos considerado por parcelas populistas do governo.
Ousar no mercado externo
Alguém com muita propriedade já disse o Brasil não é para amadores. E o setor de moda mostra o quão real pode ser a frase.
Um pouco menos no luxo, mas muito forte no massificado ou no valor.
O setor de moda no Brasil é particularmente desafiador por tudo que envolve operar num mercado volátil e com constante necessidade de renovação em cenário em que tudo pode mudar em menos de 20 minutos. E muda.
Algumas consagradas e atuantes marcas globais descobriram o quão complexo é o mercado brasileiro da moda, pois estiveram por aqui e saíram, como foi o caso de Gap, Forever 21, Topshop, Longchamp, Ralph Lauren e outras.
De outro lado, quem consegue diferenciar, inovar, jogar o jogo da moda, integrar crédito e serviços financeiros, desenvolver novos conceitos de lojas integradas com e-commerce e digital e manter-se próximo e relevante para o consumidor tem também reais perspectivas de expansão no mercado externo. Como já tem sido ensaiado por alguns grupos e com resultados positivos, como Renner, Farm, Osklen, Reserva, Animale e outras.
A polarização particular da moda é um especial teste de competência, visão e capacidade de constante inovação.
Vale refletir.
 
Marcos Gouvêa de Souza é fundador e diretor-geral da Gouvêa Ecosystem e publisher da plataforma Mercado&Consumo.
*Este texto reproduz a opinião do autor e não reflete necessariamente o posicionamento da Mercado&Consumo.
Confederação alerta para os impactos da defasagem no teto de enquadramento e defende correção conforme a inflação acumulada
A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) participou, nesta terça-feira (30), de audiência pública promovida pela Comissão de Indústria, Comércio e Serviços da Câmara dos Deputados sobre a atualização da tabela do Simples Nacional. O debate foi solicitado pelos deputados Any Ortiz (Cidadania-RS) e Luiz Fernando Vampiro (MDB-SC).
Representando a CNC, o economista da Gerência Executiva de Análise, Desenvolvimento Econômico e Estatístico (Geade), Guilherme Silva Cardoso, destacou que a defasagem do Simples Nacional prejudica micro e pequenas empresas, responsáveis por grande parte da geração de empregos e negócios no País.
Criado pela Lei Complementar (LC) nº 123/06, o Simples Nacional unifica tributos federais, estaduais e municipais em uma única guia de pagamento e busca reduzir a burocracia para micro e pequenas empresas. No entanto, a tabela de enquadramento não é atualizada desde 2018.
Segundo Guilherme, a inflação acumulada no período gera perda real para os empresários: “Se olharmos os dados do IBGE desde a última atualização, temos 54% de inflação acumulada. Isso mostra uma perda do limite real do Simples Nacional. Hoje, o teto de R$ 4,8 milhões equivaleria a R$ 7,4 milhões, se fosse corrigido. Quanto mais demora para essa atualização, maior é a perda de receita real das empresas”.
O economista alertou, ainda, para os riscos da não atualização, como desincentivo ao crescimento, informalidade, práticas de fraude e até o fechamento de empresas. Ele também destacou o impacto positivo do regime simplificado para a criação e manutenção de negócios.
Para enfrentar o problema, a CNC defendeu a correção da tabela com base na inflação, como forma de assegurar competitividade e estimular o crescimento.
“A proposta consiste em corrigir o limite de faturamento e os valores de dedução do Simples Nacional com base na inflação acumulada desde o último reajuste, uma medida justa e necessária. Somente depois dessa correção inflacionária será possível discutir mecanismos de transição para as empresas que eventualmente ultrapassem o novo teto, de forma a preservar e fortalecer o regime do Simples como um instrumento de apoio ao empreendedorismo em todas as suas formas”, sugeriu Guilherme.
  • Valor Econômico destaca que grupos varejistas vêm realizando demissões desde o 2º trimestre. Segundo economistas, grupos em situação difícil tiveram a situação mais agravada do que outros que melhoraram eficiência. “Viramos um país viciado em juros altos para financiar o Estado deficitário, e as empresas pagam essa conta”, diz Fabio Bentes, economista-chefe da CNC.
. Em O Globo, reportagem situou que o desemprego está nas mínimas, a renda das famílias bate recorde, a inflação dá sinais de alívio, mas o brasileiro nunca esteve tão endividado, com a maior inadimplência em 10 anos.
A proporção de famílias endividadas atingiu em agosto o maior nível na pesquisa mensal da CNC, iniciada em 2010, com 30, 4% dos entrevistados.
Índice apresentou queda de 3%
Redação  / amanha 
Hiper e supermercados seguem sem crescer pelo quarto mês consecutivo
As vendas do comércio varejista apresentaram queda de 0,3% em julho, na comparação com junho. É o quarto resultado negativo consecutivo do setor, que já acumula 1,1% de perda no período. Já em relação a julho de 2024, o volume de vendas cresceu pela quarta vez seguida, com alta de 1%. No ano, o varejo acumulou crescimento de 1,7%. O acumulado em 12 meses foi de 2,5%. No comércio varejista ampliado, que inclui veículos, motos, partes e peças, material de construção e Atacado de produtos alimentícios, bebidas e fumo, o volume de vendas cresceu 1,3% em julho na comparação com junho.
O gerente da pesquisa, Cristiano Santos, explica que esses quatro meses consecutivos sem crescimento na série com ajuste sazonal indicam uma perda de fôlego no curto prazo. “Desde março, último mês em que houve crescimento, o setor já registra uma queda de 1,1% no patamar de vendas”, avalia. Ele complementa que há uma espécie de fator base nessa queda lenta e contínua, já que março representa o topo da série ajustada sazonalmente.
A pesquisa mostra que houve equilíbrio entre taxas negativas e positivas na passagem de junho para julho nas atividades do varejo. As quedas foram registradas em equipamentos e material para escritório informática e comunicação (-3,1%), tecidos, vestuário e calçados (-2,9%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (-0,6%) e hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-0,3%). já as altas ficaram por conta de móveis e eletrodomésticos (1,5%), livros, jornais, revistas e papelaria (1%), combustíveis e lubrificantes (0,7%) e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (0,6%).
No comércio varejista ampliado, veículos e motos, partes e peças teve alta de 1,8% enquanto Material de construção variou 0,4%. Atacado de produtos alimentícios, bebidas e fumo não possui divulgação nessa comparação por não apresentar número suficiente de meses para ser submetida à modelagem de ajuste sazonal. Apesar desse equilíbrio de resultados positivos e negativos entre as atividades, Santos considera que esse cenário negativo persistente nos últimos quatro meses é distribuído setorialmente. “Em julho, seis das oito atividades do varejo operavam abaixo do nível registrado em março. Nessa leitura, apenas os segmentos de móveis e eletrodomésticos e o setor farmacêutico seguiam acima do patamar de março”, destaca.
O gerente da PMC avalia que, apesar da diminuição da pressão inflacionária com a queda nos preços de alimentos em julho, as vendas de hiper e supermercados seguem sem crescer pelo quarto mês consecutivo. “Já o setor de equipamentos eletrônicos, informática e comunicação apresentou a maior retração na passagem de junho para julho, com dois meses seguidos de queda. Antes disso, o comportamento era de alta volatilidade, com alternância entre crescimento e recuo mês a mês, reflexo das estratégias empresariais diante das variações abruptas do dólar”, explica.