O IBGE divulgou hoje que 1,7 milhão de brasileiros tiveram, em 2024, o trabalho por aplicativos como principal fonte de renda. A renda é maior que a média, mas a jornada de trabalho também. Veja o perfil desses trabalhadores.
Plataformas digitais empregaram 1,7 milhão de trabalhadores em 2024, com renda acima da média e carga horária maior, diz o IBGE. Esses profissionais tiveram renda média de R$ 2.996 no ano passado — acima da registrada no setor privado —, mas trabalharam cerca de 5,5 horas a mais por semana.

👉 São ao menos quatro tipos de aplicativos utilizados:

  • 53,1% (878 mil pessoas) usavam aplicativos de transporte particular de passageiros (exceto táxi);
  • 29,3% (485 mil) atuavam com aplicativos de entrega de comida e produtos;
  • 17,8% (294 mil) usavam plataformas de serviços gerais ou profissionais;
  • 13,8% (228 mil) trabalhavam com aplicativos voltados para taxistas.

🛵 Perfil dos trabalhadores por app:

  • Gênero: homens predominam, com 83,9% do total, enquanto as mulheres representam apenas 16,1%.
  • Idade: quase metade (47,3%) têm entre 25 e 39 anos.
  • Escolaridade: a maioria possui nível intermediário – 59,3% têm ensino médio completo ou superior incompleto.
  • Raça: 45,1% se declaram brancos, 12,7% pretos e 41,1% pardos.
  • Brasil terá sete feriados que caem numa segunda ou sexta

23.set.2025

 

Júlia Galvão / São Paulo

O ano de 2026 terá o maior número de feriados em dia úteis dos últimos dez anos, somando nove datas ao todo. Apesar da quantidade, os feriados serão relativamente curtos, já que a maioria cairá em segundas e sextas-feiras. Ainda assim, haverá chances de emendas mais longas, como no caso de Tiradentes, que será celebrado numa terça-feira de abril, e de Corpus Christi, ponto facultativo que ocorrerá numa quinta-feira de junho.

Também será possível contar com dias extras em razão de feriados estaduais e municipais, além dos pontos facultativos, como as vésperas de Natal Ano-Novo e o dia de Corpus Christi.

Carnaval, uma das datas comemorativas mais aguardadas do ano, por exemplo, é considerado feriado em todo o estado do Rio de Janeiro, mas não na maior parte do país.

Especialistas afirmam que quem não atua em funções consideradas essenciais pelo MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) tem direito a folga em todos os feriados nacionais. Caso seja convocado a trabalhar, deve ter compensação em descanso ou receber o dobro da remuneração por hora trabalhada.

Queima de fogos para comemorar o Ano-Novo na praia de Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro – Eduardo Anizelli – 1º.jan.2025/Folhapress

CONFIRA O CALENDÁRIO DE FERIADOS NACIONAIS EM 2026

Janeiro

  • 1º de janeiro (quinta-feira): confraternização universal – feriado nacional

Fevereiro

  • 16 e 17 de fevereiro (segunda e terça-feira): Carnaval – ponto facultativo
  • 18 de fevereiro (quarta-feira): Quarta-feira de Cinzas – ponto facultativo válido até as 14h

Abril

  • 3 de abril (sexta-feira): Sexta-feira Santa – feriado nacional
  • 5 de abril (domingo): Domingo de Páscoa
  • 21 de abril (terça-feira): Tiradentes – feriado nacional

Maio

  • 1º de maio (sexta-feira): Dia do Trabalho – feriado nacional

Junho

  • 4 de junho (quinta-feira): Corpus Christi – ponto facultativo

Setembro

  • 7 de setembro (segunda-feira): Independência do Brasil – feriado nacional
  • 8 setembro / feriado em Curitiba

Outubro

  • 12 de outubro (segunda-feira): Nossa Senhora Aparecida – feriado nacional

Novembro

  • 2 de novembro (segunda-feira): Finados – feriado nacional
  • 15 de novembro (domingo): Proclamação da República – feriado nacional
  • 20 de novembro (sexta-feira): Dia de Zumbi e da Consciência Negra – feriado nacional

Dezembro

  • 24 de dezembro (quinta-feira): Véspera de Natal –
  • 25 de dezembro (sexta-feira): Natal – feriado nacional
  • 31 de dezembro (quinta-feira): Véspera do Ano-Novo de 2027 –
O grupo sueco H&M acaba de anunciar lucro operacional 40% maior que no mesmo período do ano passado. As ações subiram 10% na Bolsa de Estocolmo logo após o anúncio. E isso aconteceu no mesmo trimestre em que 135 lojas foram fechadas. Menos lojas, mais valor. O varejo está entendendo que crescer não é abrir mais portas, mas abrir novos sentidos — e isso exige estratégia. Enquanto reduz operações em mercados maduros, a H&M aposta em expansões em novos mercados, como o Brasil (que já conta com 2 inaugurações recentes em SP). Mesmo antes de ampliar sua presença física, a marca já conquistou espaço simbólico por aqui. Um estudo da Imagem Corporativa, publicado pela Veja, mostrou que a H&M teve seu pico de visibilidade em agosto, mês da inauguração, superando marcas tradicionais do setor. O dado reforça um ponto essencial: o físico e o digital precisam caminhar juntos. A performance de marca hoje nasce da coerência entre presença, propósito e percepção.
Renato Fregnani – Retail Design Estratégico | Experiência de Marca & Arquitetura Comercial | Curadoria | Conteúdo | Palestrante | Founder @FREG DESIGN | Presidente @Retail Design Institute Brasil
O 2º trimestre de 2025 marcou os melhores resultados recentes das varejistas de moda listadas em bolsa. O inverno mais prolongado e rigoroso dos últimos anos foi um catalisador para as vendas e margens, em contraste com 2024, quando o clima mais ameno e as enchentes no Rio Grande do Sul comprometeram operações e desempenho de várias empresas com forte presença na região. Além do efeito climático, o setor mostra-se cada vez mais maduro no uso de dados e na maioria dos casos das empresas abaixo, já avançam em projetos de inteligência artificial. Mas há um alerta importante: investir em IA exige responsabilidade e disciplina, avaliar o ROI é fundamental para separar hype de resultados reais. Outro fator decisivo foi o crédito e a digitalização. O braço financeiro vem assumindo cada vez mais o papel de fidelização, recorrência e aumento de ticket médio, impulsionado pela redução do MDR nas empresas que operam cartões próprios. A diferença é clara: na Renner, o ticket médio geral foi de R$ 226,9, mas saltou para R$ 318,8 nas compras com cartão Renner. Já na Riachuelo, o ticket médio foi de R$ 208, contra R$ 257 nas compras com cartão Riachuelo. Além disso, a omnicanalidade na maioria das empresas fortaleceu. A Renner, já alcança 15% de penetração digital no GMV, e a penetração na C&A foi de 5,9%(+30,8% yoy) mostrando que a integração entre físico e online é uma das principais alavancas de crescimento para o setor. 🔎 Destaques do trimestre: Lojas Renner S.A. manteve a liderança do setor, entregando um lucro líquido de R$ 404 milhões, alta de 28,4%, sobre uma receita de R$ 4,1 bilhões. Azzas 2154 registrou um salto expressivo de 81,7%, alcançando R$ 284 milhões de lucro líquido, reflexo das primeiras sinergias do processo de integração. Riachuelo foi a que mais cresceu proporcionalmente, com avanço de 151,2%, chegando a R$ 143 milhões. C&A Brasil também surpreendeu, com alta de 138,9% e se consolidando como o terceiro maior lucro entre as listadas, com R$ 200 milhões. GRUPO SBF (Centauro e Fisia- Nike Brasil ) somou R$ 87 mi, alta de 19,1%. Lojas Marisa, do CEO Edson Garcia voltou a lucrar, embora com resultado modesto (R$ 2,1 mi). VESTE S/A, registrou R$ 17 milhões de lucro líquido no trimestre. TRACK&FIELD alcançou R$ 41 milhões de lucro líquido, alta de 35,9% e Grupo Grazziotin,registrou R$ 40 milhões de lucro líquido, avanço de 55,3%. Apesar da melhora, o cenário macro ainda pesa: a taxa Selic elevada continua a frear investimentos e o avanço das bets preocupa todo o varejo, pressionando consumo e competição pela renda das famílias. A partir da próxima semana, a análise consolidada do 1º semestre de 2025. Já o 3º tri deve mostrar um ritmo bem abaixo do 2º tri, sinalizando um esfriamento no setor. Setembro, em especial, trouxe grandes desafios para diversas redes, o que deve se refletir nos resultados e reforçar a volatilidade do varejo em 2025.
Thiago de Melo Furbino é um Influencer Founder TL.MF. | No Varejo Podcast | Diretor da Abiacom | LinkedIn Top Voice | MBA

Alerta importante sobre a saúde financeira das empresas brasileiras 🚨

O cenário atual é preocupante: o número de CNPJs negativados atingiu um patamar recorde, com 7,7 milhões de empresas inadimplentes, segundo dados da Serasa. E o mais alarmante — cada empresa negativada possui, em média, 7 dívidas.

A inadimplência está crescendo rapidamente, especialmente entre micro e pequenas empresas, segundo o Banco Central. Isso representa uma ameaça direta à sustentabilidade financeira, podendo comprometer operações, empregos e investimentos.

Se você é empreendedor ou gestor, este é o momento de agir com inteligência!

O 2T25, a Azzas 2154, empresa liderada  @Birman e Roberto Jatahy, mostra que a sinergia Grupo Arezzo e Soma, pegou tração, acelerou crescimento e deixou todos os ruídos de lado. Resultado consolidado – Receita bruta (continuadas): R$ 3,6 bi, +20,1% vs. 2T24. – EBITDA recorrente (pós IFRS-16): R$ 535,6 mi, +9,0% vs. 2T24; margem 18,5% (+80 bps). – Lucro líquido recorrente: R$ 283,7 mi, +81,7% vs. 2T24 – Lucro líquido contábil: R$ 537,7 mi, +408,2% vs. 2T24. Por negócio: Feminino: receita bruta de R$ 1,4 Bilhão +11,5% vs. 2T24. FARM Rio: SSS +22% nas lojas próprias no Brasil; Farm Rio cresceu +35,3% em BRL (+25% em USD) no internacional. Animale: SSS +16%, apoiada por ajustes estratégicos e início de renovação do parque de lojas. Lançamento da Farm Etc (≈ 900 SKUs, ticket médio ~R$ 270). E-commerce da BU +14,5%. Masculino: receita bruta das marcas continuadas +11,5%. Oficina com SSS acima de 20%; lojas próprias +13,5%. Sell-in (multimarcas + franquias) +31,3% (franquias +24,8%, multimarcas +34,9%). E-commerce com -8,5% vs. 2T24 por ajuste de descontos e mídia (foco em rentabilidade e venda full price nas lojas). Cia. Hering: BU +7,3% vs. 2T24; lojas próprias +24,2% (megalojas), Franquias -7,8%,consequência de ações deliberadas para reduzir estoque , gerando lacunas de cobertura.; E-commerce com +15,9% vs. 2T24 Avanço do Hub de Malharia em Blumenau, com foco em velocidade de lançamentos e giro e o Projeto de Otimização da Indústria Calçados e Bolsas: +0,7% na receita bruta de marcas continuadas; sell-in -1,5% (franquias -3%). Arezzo&Co e Anacapri cresceram; Vans e Schutz pressionaram. Plano de transformação em curso (com foco em gestão difereciada para franquias, para melhorar o ciclo e o giro de produto) O tri entregou crescimento de receita, margem EBITDA maior e lucro recorrente forte, enquanto as BUs mais ligadas a moda feminina sustentaram o ritmo com SSS saudáveis (FARM Rio  e ANIMALE) Em masculino, Oficina foi o destaque com SSS acima de 20%; na Hering( agilidade no lançamento, foco em cobertura e qualidade, são destaques), lojas próprias aceleraram; e em Shoes & Bags, o plano de transformação está em andamento diante de um cenário mais desafiador. A Azzas 2154 combina curadoria com disciplina de capital e governança, avança no que o mercado procurava ver desde a fusão: margens mais sólidas, crescimento consistente e clareza na execução. A alavancagem, entre as mais elevadas do setor, limita a flexibilidade operacional e amplia a sensibilidade a variáveis macroeconômicas, custo de capital e volatilidade de caixa. Reduzir esse indicador deve ser prioridade estratégica para destravar capacidade de investimento e proteger margens. O foco disciplinado em projetos de maior retorno, uso avançado de dados e inteligência artificial, aliado a uma gestão ativa de capital, cria as bases para acelerar produtividade e sustentar vantagem competitiva no médio prazo.

Thiago de Melo Furbino é um InfluencerFounder TL.MF. | No Varejo Podcast | Diretor da Abiacom | LinkedIn Top Voice | MBA

Luiz Alberto Marinho

Imagine essa situação: um shopping importante anuncia a abertura da primeira loja física da SHEIN no país. Não uma pop-up, como já houve no passado, mas uma loja definitiva. Imediatamente, marcas relevantes começam a deixar o mix do shopping em represália à chegada dos chineses e até funcionários do shopping protestam contra a abertura da loja. Parece absurdo, não é? Pois algo parecido está acontecendo na França. A Shein negociou um espaço de mil metros quadrados na LE BHV MARAIS, uma tradicional loja de departamentos em Paris. A reação de marcas francesas como Odaje, de calçados, Maison Pechavy, de decoração, Talm, de cosméticos, APC, de vestuário e Essential Parfums foi pedir para sair. Outras, como Calvin Klein e Tommy Hilfiger avaliam tomar o mesmo caminho. O argumento dos descontentes é que o modelo de ultra fast fashion da Shein promoveria a moda descartável e não respeitaria normais ambientais e trabalhistas europeias. Detalhe: o plano de Shein é de abrir outras cinco lojas na França, além do espaço no BHV. A confusão está armada. Vamos ver no que vai dar – e a repercussão que isso pode ter no universo do varejo. Essa nota foi baseada na matéria que a jornalista Daniela Fernandes publicou hoje, no jornal Valor Econômico.

  • Índice de famílias inadimplentes renova recorde e evidencia ciclo de endividamento
A edição de setembro da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), apresenta novo recorde: 13% das famílias brasileiras afirmam não ter condições de pagar suas dívidas. Esse é o maior percentual desde o início da série histórica da pesquisa, iniciada em 2010. A inadimplência também renovou seu recorde e chegou a 30,5% no mês passado, o que aponta um quadro de crescente fragilidade financeira.
“Esses dados, combinados a um menor crescimento da projeção de vendas para o Dia das Crianças, por exemplo, justificam a preocupação da CNC com as famílias inadimplentes e com as altas taxas de juros praticadas ao longo de 2025 no Brasil”, avalia o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros.
Pela primeira vez desde outubro de 2022, o percentual geral de famílias endividadas chega a 79,2%. O cenário é complementado por um elevado comprometimento da renda: 18,8% dos consumidores têm mais da metade dos rendimentos comprometidos com dívidas. Quando observado o tempo de inadimplência, 48,7% das famílias que não pagam suas dívidas já estão nesta situação há mais de 90 dias, destacando o agravamento dos prazos de inadimplência e o efeito dos juros sobre o montante a ser pago.
“Esses fatores corroboram que, mesmo com o lado positivo do endividamento considerado um aquecedor das vendas no comércio, a crescente inadimplência evidencia que o movimento é de frenagem desta dinâmica”, analisa Fabio Bentes, economista-chefe da CNC.
Diferentes faces do endividamento
A análise por faixas de renda revela uma expansão do endividamento principalmente entre famílias com até três saláriosmínimos (eram 81,1% em agosto, com aumento para 82% em setembro). Do outro lado, mesmo com crescimento da inadimplência entre as que somam mais do que dez salários de renda mensal (de 68,7% em agosto para 69,5% em setembro), as famílias com mais recursos financeiros seguem sendo as menos endividadas.
Projeção negativa
Os dados reforçam o alerta para o ciclo de endividamento prolongado diante do contexto de juros elevados e restrição ao crédito. A CNC projeta que o quadro permanecerá crítico até o fim de 2025: famílias mais endividadas (+3,3 pontos percentuais) e mais inadimplentes (+1,7 ponto percentual) em comparação aos números registrados no fim de 2024.
No Jornal do Commercio (AM), a CNC estimou que o varejo brasileiro deve seguir em ponto morto nos últimos meses do ano. A Confederação destaca que o principal motor da recuperação foi o segmento de hipermercados e supermercados, que representa quase metade do varejo restrito.
Quando o Cliente Quer Comprar Sem Ser Abordado Durante anos, o bom atendimento significava proximidade, conversa e simpatia. Mas algo mudou. O cliente moderno aprendeu a gostar do silêncio. Ele quer entrar, explorar, comparar e decidir sozinho. Não quer sentir-se vigiado, nem ser seguido por um “posso ajudar?” a cada passo. As lojas estão descobrindo o poder do atendimento sob demanda — estar disponível sem ser invasivo. É uma revolução comportamental: o consumidor quer autonomia, mas ainda valoriza empatia. 👣 A jornada silenciosa Pesquisas mostram que mais de 60% dos clientes preferem interações digitais dentro da loja antes de falar com alguém. Totens, QR Codes, etiquetas interativas e IA de recomendação estão substituindo o vendedor insistente por um assistente invisível. É o nascimento da loja silenciosa — um ambiente onde a tecnologia dá liberdade e o humano aparece apenas quando faz sentido. Mas atenção: o silêncio não é ausência de atendimento. É respeito ao tempo do cliente. Significa entender o ritmo da decisão e oferecer ajuda no momento certo, não no momento conveniente para a loja. 💬 Do “posso ajudar?” ao “posso melhorar?” O vendedor da loja silenciosa precisa de uma nova habilidade: ler o comportamento não verbal. Saber quando o cliente está perdido, mas não quer admitir. Perceber quando ele está curioso, mas prefere explorar. Empresas como Apple e Sephora já aplicam esse conceito há anos: o vendedor espera o olhar de conexão, e só então se aproxima. É o oposto do varejo tradicional — onde falar era sinal de atenção. Agora, ouvir e observar é o verdadeiro atendimento. 💡 Reflexão final: Atender bem hoje é saber a hora de não interromper.
  • 29/09/2025
Mais da metade das principais ocupações do setor apresenta indícios de falta de trabalhadores, segundo estudo da CNC
A atividade comercial brasileira segue criando empregos em ritmo consistente, mas enfrenta um gargalo na contratação de profissionais para funções específicas. De acordo com levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 57% das principais ocupações do comércio apresentaram indícios de escassez de mão de obra em julho de 2025 – a maior incidência desde 2020.
Entre agosto de 2024 e julho de 2025, o setor abriu 321,5 mil vagas formais, saldo positivo de admissões sobre desligamentos. No entanto, a CNC estima que seria necessária a criação de 110 mil postos adicionais para neutralizar a pressão sobre os salários e equilibrar a relação entre oferta e demanda de trabalhadores.
Para o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, o cenário reforça a importância da qualificação profissional. “O comércio brasileiro está diante de uma transformação profunda. Investir na formação e na atualização dos trabalhadores, como o trabalho que o Senac realiza há 79 anos, por exemplo, é fundamental para que o setor continue crescendo de forma sustentável e garantindo oportunidades em novas áreas de atuação”, destaca o presidente.
Comércio e serviços puxam contratações
Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC/IBGE), a taxa de desemprego recuou para 5,8% no 2º trimestre de 2025, menor nível desde o início da série histórica. O crescimento da ocupação vem sendo impulsionado principalmente pelos serviços (+6,4% em transporte, armazenagem e correio) e pelo comércio (+1,4%).
Apesar disso, empresas do varejo relatam dificuldades crescentes para contratar profissionais em determinadas funções, o que tem levado a aumentos salariais acima da média. Entre julho de 2024 e julho de 2025, 75% das ocupações do comércio registraram avanço do salário de admissão acima dos 5,3% da média do mercado formal.
“O comércio tem se mostrado um dos setores mais dinâmicos na geração de empregos, mas a escassez de profissionais em áreas específicas, como logística e estocagem, evidencia um descompasso entre oferta de mão de obra e as novas demandas do setor. Esse é um desafio estrutural que tende a se acentuar com a expansão do e-commerce”, avalia Fabio Bentes, economista-chefe da CNC.
Vendas online alteram perfil da demanda
O estudo mostra que as mudanças no consumo, intensificadas pela pandemia e pela forte expansão do comércio eletrônico, redesenharam o perfil da força de trabalho no setor. Enquanto funções tradicionais como vendedores, operadores de caixa e atendentes seguem com alta representatividade, os maiores sinais de escassez concentram-se em atividades ligadas à logística e gestão de estoques, como auxiliar de logística (+22,7%), estoquista (+14,6%) e expedidor de mercadorias (+13,1%).
Nos últimos cinco anos, a receita nominal do e-commerce cresceu 311%, contra alta de 55% no comércio como um todo, de acordo com dados do IBGE e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC). Esse descompasso pressiona o mercado de trabalho e exige profissionais mais especializados em áreas que sustentam o varejo digital.
Desafio estrutural
A CNC calcula que, a cada aumento de 1 ponto percentual na ocupação do comércio, o salário médio de admissão tende a cair 0,44 ponto percentual. No entanto, com a atual escassez, a pressão salarial permanece elevada, criando desafios adicionais para empresas que buscam expandir suas operações.
Além de funções administrativas, como assistente de escritório (6,7 mil vagas) e assistente administrativo (5,2 mil vagas), a lista de ocupações críticas inclui armazenistas (4,7 mil vagas), almoxarifes (4,5 mil) e ajudantes de motorista (3,8 mil).