Confira a íntegra no Mediador ou aqui em nosso site no título CCT.

Já pagou a Taxa Assistencial de 2025? 6% sobre a folha bruta de maio de 2025.

Solicite guias no setor de cobranças ou faça contato e negocie o pagamento.

 e-mail: sindishopping@gmail.com

Fones: (41) 9607-5194 e (41) 9827-6352

Confira a autenticidade no endereço: http://www3.mte.gov.br/sistemas/mediador/.

Acesse o arquivo do Mediador através do seguinte link: https://sindishopping.com.br/wp-content/uploads/2025/08/CCT-2025-2027-Registrada.pdf

C.C.T. 2025/2027 / Sindishopping (Lojistas) x Sintrashopping (Trabalhadores)

NÚMERO DE REGISTRO NO MTE:       PR002422/2025
DATA DE REGISTRO NO MTE:         20/08/2025
NÚMERO DA SOLICITAÇÃO:   MR050261/2025
NÚMERO DO PROCESSO:      47979.219782/2025-21
DATA DO PROTOCOLO:       19/08/2025

A pergunta foi sobre a taxação das chamadas “blusinhas” vindas da Ásia, um tema que mexe com a competitividade no varejo brasileiro.

Neste trecho do #NoVarejoPodcast, Fábio Adegas Faccio, CEO da Lojas Renner S.A., explicou que chegamos a um cenário em que, em média, as varejistas nacionais pagavam entre 80% e 136% de impostos sobre as peças (média de 89%), enquanto produtos que chegavam ao Brasil via plataformas internacionais entravam com imposto zero e ainda recebiam subsídios de exportação nos países de origem.

Após a mudança na legislação, a tributação das plataformas asiáticas passou a ser 44,6%, contra os 89% em médias pagos pelas varejistas nacionais.

📌 Um debate que vai além da moda e envolve concorrência justa, arrecadação e proteção da indústria nacional e isonomia tributária.

▶️ Dá o play nesse corte e assista o episódio completo aqui: [trecho do corte abaixo] e o link do episódio nos comentários.

Você também pode ouvir nas principais plataformas de áudio.

vídeo:

Fonte: https://www.linkedin.com/posts/thiagomfurbino_novarejopodcast-novarejopodcast-taxaaexaeto-ugcPost-7361380330722811905-skz2?utm_source=share&utm_medium=member_ios&rcm=ACoAACiTrOMBrfZdpVB4nYHfVTs3GB6EwFpE4TU

Entidade participou de Fórum da Receita Federal, em Brasília, com foco na primeira fase da reforma sobre consumo

De 4 a 8 de agosto, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) participou, em Brasília, do Fórum de Diálogo da Regulamentação da Reforma Tributária, organizado pela Receita Federal.

Representada pelo consultor tributário Gilberto Alvarenga, a entidade integrou painéis dedicados à primeira fase da reforma, que trata da tributação sobre o consumo.

Durante os debates, a CNC apresentou sugestões para que a implementação da reforma seja mais eficiente e favorável ao desenvolvimento econômico do País.

Propostas

Entre as propostas, destacam-se ajustes na relação entre o Simples Nacional, o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS); a criação de um documento fiscal eletrônico unificado; a concessão de créditos para projetos voltados à baixa emissão de carbono; a redução de alíquotas para medicamentos essenciais; a compensação de benefícios fiscais extintos; e mais garantias na análise de créditos tributários.

Para a CNC, as proposições visam reduzir a complexidade, estimular a competitividade e garantir segurança jurídica para empresas e empreendedores.

 de Luiz Alberto Marinho   / 14 de agosto de 2025  / M&C

 

“Os anos 80 serão lembrados na história do marketing como uma década de transição para um novo território. Neste novo mundo, você saberá o nome e o endereço de cada usuário final do seu produto, independentemente de onde ou como a compra for feita. Sua comunicação estará diretamente vinculada à vendas mensuráveis. Você buscará, individualmente, usuários de marcas concorrentes e os atrairá para o seu negócio com uma gama deslumbrante de serviços de valor agregado.”

A afirmação acima é dos autores Stan Rapp e Tom Collins, no revolucionário livro MaxiMarketing, publicado em 1987. Por uma série de fatores, que envolvem tecnologia, economia e cultura, faz pouco tempo que ela começou a se tornar realidade em grandes empresas. Estamos falando de um atraso de quase quatro décadas.

No mundo dos shopping centers, porém, apesar de o clichê “dados são o novo petróleo” ser amplamente conhecido, dá para afirmar, sem medo de errar, que nem todo mundo comprou ainda a tese de Rapp e Collins. Embora algumas poucas empresas mais estruturadas invistam pesado no marketing orientado por dados, a maioria ainda engatinha nessa jornada, ou discute a validade desse caminho.

Pensei nisso ao ler o relatório sobre programas de relacionamento produzido pela associação que reúne os shoppings brasileiros. O levantamento revela que somente 26% dos centros comerciais do País possuem um desses programas e que 54% deles foram implementados nos últimos quatro anos.

Com base nas conversas que temos tido com clientes e prospects, podemos garantir que uma parte importante dos shoppings que avaliam adotar a iniciativa não tem clareza sobre um ponto fundamental: qual é o motivo para investir em um programa de relacionamento.

O estudo da associação de shoppings elenca os maiores desafios para o sucesso de um programa como esse, na visão do setor. São eles são: obter participação e engajamento de lojistas; obter participação e engajamento dos clientes; e fazer caber o investimento no fundo de promoção do shopping.

Humildemente, gostaria de sugerir outros três desafios que deveriam ser considerados por quem já começou ou pretende começar essa caminhada. Vamos lá?

Convicção estratégica

Por que implantar um programa de relacionamento? Essa pergunta tem uma resposta clara na mente de todos os envolvidos, em especial da direção e dos empreendedores?

O Multi, programa da Multiplan, tem um objetivo claro: coletar informações relevantes sobre o perfil e o comportamento de compra dos frequentadores de seus shoppings, para estimular as vendas dos lojistas e, com isso, elevar os resultados da companhia.

No esforço para capturar dados, uma das soluções foi incorporar ao programa todas as pessoas que haviam feito o download do aplicativo da Multiplan. Para isso foi criada uma nova categoria para abrigar todos os que baixaram o app, ampliando brutalmente a base de clientes.

Para manter essa base ativa, a Multiplan fez outro movimento ousado: criou o ‘free flow’, que permite que clientes motorizados entrem e saiam do estacionamento, pagando a tarifa automaticamente pelo aplicativo. Isso alterou a rotina das pessoas que faziam isso por meio das tags de empresas como Sem Parar e Conect Car. Nesse caso, a convicção estratégica de que valia a pena criar alguma fricção em troca do enriquecimento da base fez toda a diferença.

Definir e alinhar objetivos claros para o programa em toda a estrutura precisa ser o primeiro passo – e não é nada fácil.

Ampliar a base de clientes e capturar dados

Muitos programas de relacionamento em shoppings brasileiros foram criados para identificar e reconhecer aquele pequeno grupo de clientes que produz a maior parte dos resultados. Em outras palavras, eles baseiam sua estratégia no princípio de Pareto.

Para quem não está ligando o nome à pessoa, a teoria criada pelo economista italiano Vilfredo Pareto (1848-1923), estima que, em geral, 20% dos esforços produzem 80% dos resultados. Comparativamente, cerca de 20% dos clientes de um shopping responderiam por 80% dos resultados.

 

Um programa baseado em Pareto, no fim do dia, corre o risco de falar com poucas pessoas e beneficiar um conjunto de lojas nas quais os consumidores mais endinheirados e frequentes concentram suas compras.

Um exemplo interessante de evolução do conceito de Pareto aconteceu com o Iguatemi One. Quando o programa incorporou um módulo promocional, chamado Iguatemi Collections, quadruplicou a quantidade de engajamento de participantes, além de incrementar tremendamente o GMV identificado. No mundo atual, a  quantidade faz a diferença.

Pilotar um programa para poucos usuários pode ficar caro e nem sempre produzir resultados relevantes para a última linha. Ao mesmo tempo, vai ficando cada vez mais claro que o principal ativo de um shopping é a relação que ele é capaz de estabelecer com sua ampla base de clientes. Afinal, mall e lojas vazios, sem pessoas, valem pouco, não é mesmo?

Criar uma cultura de dados

Não são poucas as informações que os shoppings acumulam, mas não são dados estruturados ou facilmente utilizáveis. Parecem mais um bando de dados do que um banco de dados. Certa vez, uma cliente fez uma piada terrivelmente verdadeira: “não temos um data lake, temos um data swamp”. A comparação entre um lago de águas cristalinas e um pântano foi engraçada e, ao mesmo tempo, desalentadora.

Uma geração inteira de profissionais de shopping centers, em especial na área de marketing, ainda se apoia excessivamente em estratégias massivas, como promoções, eventos e campanhas publicitárias, mesmo que parte delas tenha migrado para o universo online. O letramento para interpretação e uso de dados ainda é incipiente.

O desafio persiste mesmo nas empresas que coletam, analisam e disponibilizam informações de maneira eficiente. Ouvimos há pouco tempo de um cliente um comentário desanimado: “nós temos uma infinidade de dados estruturados, mas o time não usa”.

Na maior parte das vezes, as equipes não usam porque não sabem, não têm hábito ou não são estimuladas a fazê-lo. Algumas redes e shoppings independentes têm reforçado o time com profissionais capazes de trabalhar orientados por dados. Porém, é preciso admitir, são ainda poucos os que capturam e usam dados corretamente em campanhas personalizadas e na geração de novas receitas.

Um exemplo incrível, que merece ser estudado em profundidade, é o da Helloo, unidade de retail media da Allos. Além de utilizar as informações de seu programa de benefícios para estimular vendas dos lojistas, como a Multiplan, a Allos vai além e trabalha na construção de uma plataforma que conecta compradores e vendedores, por meio de dados. Nessa estratégia, o papel da Helloo é fundamental, por viabilizar ações de ativação de marcas anunciantes nos shoppings. É a cultura de dados gerando resultados. Não é à toa que a participação de mídia no NOI (receita operacional líquida) da Allos é crescente.

Novas tecnologias surgem para aperfeiçoar a captura e ampliar a geração de dados, como soluções que permitem ao cliente pontuar em programas de relacionamento automaticamente, sem necessidade de escaneamento de notas, além de possibilitar a visualização do comportamento de compra dos consumidores fora do shopping.

No entanto, se não houver equipes, dentro da companhia ou fora dela, para explorar esse mundo de novas oportunidades, a multiplicação de dados pode se tornar um pesadelo. E tudo isso começa, claro, por uma mudança no modelo mental. De cima para baixo.

Concluindo: programas de relacionamento são fundamentais para enriquecer a base de dados dos clientes e pavimentar a evolução do modelo de negócio dos shopping centers.

Como disse certa vez Howard Schultz, da Starbucks, os benefícios que oferecemos são uma maneira de convencer as pessoas a confiarem em nós o suficiente para que forneçam informações relevantes sobre suas transações. Porém, se não soubermos o que fazer com tudo isso, todo esforço e investimento será em vão.

Luiz Alberto Marinho é sócio-diretor da Gouvêa Malls.
*Este texto reproduz a opinião do autor e não reflete necessariamente o posicionamento da Mercado&Consumo.

Site CNC –

Nenhum dos componentes do índice analisados no mês apresentou alta frente a julho

Pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostrou menor disposição dos brasileiros de realizar compras em agosto, em comparação com julho. O levantamento Intenção de Consumo das Famílias (ICF), realizado mensalmente, registrou queda de 0,3%, interrompendo três meses consecutivos de alta. O resultado foi influenciado pela piora na percepção sobre o mercado de trabalho e o crédito no País.

Em relação ao mês anterior, nenhum dos componentes analisados na pontuação de 102,9, já considerando o ajuste sazonal, apresentou variação positiva. Ainda assim, o índice se manteve na zona de otimismo, demarcada pelo nível de 100 pontos. Na comparação com agosto de 2024, a maioria dos itens também apresentou queda, com destaque negativo para “momento para duráveis”, que caiu 6,9%, e “renda atual”, com queda de 3%.

No mesmo período, os componentes “perspectiva profissional”, “acesso ao crédito” e “nível de consumo atual” registraram alta de 3,1%, 1,4% e 1,1%, respectivamente. Apesar disso, apenas 32,6% dos consumidores demonstraram perceber facilidade para obter crédito, o menor percentual desde abril de 2020.

“O consumo das famílias continua sendo um termômetro essencial da economia brasileira. Quando a confiança oscila, o comércio sente imediatamente os reflexos, o que reforça a importância de políticas que fortaleçam a renda e o emprego. Garantir previsibilidade e estabilidade é decisivo para todo o ciclo econômico”, enfatiza o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros.

Recorte por renda e gênero

A pesquisa também mostrou maior cautela entre famílias de renda mais alta. Enquanto aqueles com rendimento de até 10 salários mínimos apresentaram variações mínimas no ICF (-0,2% no mês e -0,1% no ano), os lares com renda superior registraram quedas de 0,7% e 2,4%, considerando os mesmos períodos.

Na análise por gênero, os homens tiveram retração ligeiramente maior que as mulheres (-0,7% contra -0,5%). No entanto, o público masculino está à frente das mulheres no indicador “acesso ao crédito”: 1,8% ante 1,2% delas. Já a “perspectiva profissional” apresentou alta de 3,4% entre as mulheres, contra 2,7% entre os homens.

“A combinação de maior cautela entre famílias de renda superior e melhora relativa da perspectiva de emprego entre a parcela feminina da sociedade mostra que o consumo segue heterogêneo. O crédito continua sendo um fator limitador, diante do crescimento da inadimplência, mas a expectativa positiva sobre o mercado de trabalho ajuda a sustentar algum dinamismo no curto prazo”, avalia o economista da CNC João Marcelo Costa.

Sobre o ICF

Realizada mensalmente pela CNC, a pesquisa Intenção de Consumo das Famílias (ICF) capta a percepção de 18 mil consumidores em todo o País e funciona como um indicador que antecipa o potencial de vendas no comércio.

André D’Angelo
07/07/2025 /  amanha

Três semanas atrás, um bancário publicou uma carta aberta a seus empregadores no LinkedIn. Nela, relatava acúmulo de atividades, pressão para atingimento de metas “irreais” e ambiente tóxico. O desabafo teve mais de três mil likes e 400 comentários até o momento em que eu o consultava para este texto.

A repercussão ficou restrita ao post – e, possivelmente, ao futuro (duvidoso) de seu autor no cargo. Mas, a tomar como referência o que alguns estudos têm apontado, se o pior acontecer ao linkediner indignado — demissão por justa causa e nome no index corporativo da cidade onde reside, dificultando a recolocação —, sua vida não ficará material ou animicamente pior. Ao contrário: pode até melhorar.

Hoje, quase 40% dos brasileiros em idade economicamente ativa está na informalidade. E, entre motoristas e entregadores de apps, as ocupações mais visíveis, vigora uma relativa satisfação com a própria atividade, dada a autonomia de dias e horários, a possibilidade de estender ou encurtar a jornada quando necessário, a ausência de patrão e à obtenção de rendimentos superiores aos que perceberiam com carteira assinada.

“As pessoas hoje se referem à CLT com chacota, porque desejam flexibilidade”, disse uma podcaster ao presidente Lula poucos dias antes de pesquisa mostrar que “trabalhar por conta própria é melhor que ter emprego para 59% dos brasileiros” (Folha de S. Paulo, 20/06/25).

A informalização enfraquece o sentido de pertencimento e torna praticamente inexistente o vínculo pessoal no ambiente de trabalho. Impede a chamada consciência de classe e sua decorrência natural, a mobilização coletiva, pilar histórico das esquerdas. Do lado individual, priva o trabalhador de direitos como férias, 13º, Fundo de Garantia e, em alguns casos, seguro e contribuição previdenciária.

No entanto, tem lá seus ganhos individuais. Sabe-se que empresas podem facilmente se tornar ambientes hostis e ansiogênicos — e o desabafo do bancário está aí para provar. A sensação de não ter a quem prestar contas, a não ser a si mesmo, pode funcionar como atenuante para jornadas de mais de 44 horas semanais, como é frequente entre RPAs e MEIs.

A informalidade tem um quê de autoexploração, como gostam de acusar seus críticos? Depende de como se enxerga. “(…) a ideia de que todo mundo precisa ter um emprego só surgiu com a Revolução Industrial”, e, nos Estados Unidos, tornou-se especialmente acentuada durante a Grande Depressão. Naquele período, “[o]s trabalhadores foram instruídos a considerar o emprego, e não o tempo livre, como o seu direito de cidadãos” (trecho do livro Dinheiro e vida: mude sua relação com o dinheiro e obtenha independência financeira, de Joe Dominguez e Vicki Robin, página 287).

Menos romântico e mais sintonizado com a realidade brasileira, o sociólogo Renato Meirelles lembra que “o tempo é o que vale dinheiro” e “pode ser rentabilizado para sustentar a família”. E, às vezes, ser autônomo é a melhor forma de empregá-lo.

Comprometimento do orçamento com débitos no país é quase o triplo da média de nações desenvolvidas

24.ago.2025 – fsp /   Maeli Prado / São Paulo

As famílias brasileiras comprometem quase 10% da renda apenas com o pagamento de juros, em um sintoma da baixa qualidade do endividamento do brasileiro, composto em sua maior parte por obrigações de curto prazo e taxas elevadas.

Em maio último, mostram dados do Banco Central, esse peso alcançou 9,86%, o maior da série histórica iniciada em 2005 e pouco acima do patamar atingido em 2023, quando houve o lançamento do programa Desenrola, criado para estimular a renegociação de débitos.

Atualmente, o equivalente a 27,79% da renda das famílias é direcionado ao pagamento de amortização de dívidas mais os juros —ou seja, as taxas representam mais de um terço do total.

Esse percentual é quase o triplo da média de 17 países desenvolvidos, cujos dados de dívidas das famílias em relação à renda são disponibilizados pelo BIS (Banco de Compensações Internacionais). Nos Estados Unidos, por exemplo, as famílias destinam o equivalente a 8% do orçamento ao pagamento de dívidas, e no Japão, o peso é de 7,8%.

 

Famílias brasileiras já comprometem quase 10% da renda só com pagamento de juros – Gabriel Cabral/Folhapress

“No mundo todo existe comprometimento de renda com dívidas. A diferença é que no Brasil a maior parte é com débitos relacionados a cartão de crédito ou empréstimo pessoal, que possuem taxas maiores”, afirma Rafael Schiozer, professor titular de finanças da FGV-EAESP.

Números do BC ajudam a explicar essa diferença. O comprometimento da renda das famílias brasileiras especificamente com o crédito imobiliário, que possui os menores juros entre as diferentes modalidades de empréstimos e é acessível a poucos brasileiros, é de apenas 2,13%.

Ou seja, o restante, ou 25,66% do comprometimento da renda das famílias brasileiras, roda a juros mais altos.

Estêvão Kopschitz, economista do Grupo de Conjuntura do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), aponta que grande parte das dívidas brasileiras é formada por operações de crédito de curto prazo, que são exatamente as que possuem taxas maiores.

“Em países desenvolvidos, o endividamento das famílias é bastante voltado para pagar crédito habitacional, que tem a garantia do próprio imóvel e que não possui um peso tão grande na despesa mensal porque os juros são baixos”, afirma.

SINAL AMARELO

Os dados do BC mostram que o peso do pagamento de juros sobre o orçamento familiar teve um pico em 2023 e caiu em 2024, mas voltou a crescer do final do ano passado para cá. Essa piora no cenário tem a ver com dois fatores: uma combinação perigosa de juros mais altos e mais crédito.

Em junho, último dado disponibilizado pelo BC, a taxa média anual do crédito pessoal estava em 58,3%, o maior nível desde maio de 2023. Ao mesmo tempo, nos últimos dois anos o saldo de crédito com recursos livres (que exclui os empréstimos imobiliários) saltou 23,4%.

Fábio Pina, assessor econômico da FecomercioSP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo), aponta que o crédito cresceu impulsionado pelo emprego e renda mais robustos dos últimos anos.

“O que explica o crescimento do peso dos juros é o fato de que tenho emprego e renda aumentando, o que na percepção do setor financeiro reduz um pouco o risco e eleva o crédito. Isso aconteceu apesar de as taxas de juros terem aumentado”, diz.

Na avaliação dele, o Brasil vive um momento de “sinal amarelo” em relação ao endividamento. Após recuar de um pico alcançado em 2023, o calote de mais de 90 dias das pessoas físicas voltou a se elevar para 6,3%, segundo o último dado do Banco Central.

O assessor econômico da FecomercioSP é autor de um estudo que mostra que os gastos com juros dos lares brasileiros cresceram 20,5% em 2024 na comparação com o período anterior. Mas, no mesmo período, a massa de renda anual das famílias avançou apenas 3,2%.

O aumento na educação financeira é apontada pelos especialistas como necessária para ajudar a reduzir o endividamento ruim, mas não é considerada uma bala de prata.

“O Brasil precisa de mais educação financeira. Já melhorou muito, existe uma iniciativa do Banco Central, por exemplo, de educação financeira nas escolas. Mas é necessário também um comportamento individual das pessoas, de se conscientizarem de que tomar crédito de curto prazo é mais caro”, afirma Kopschitz , do Ipea.

 

Para Schiozer, é necessário um consumo mais cuidadoso. “Evitar o superendividamento é, em essência, ter um consumo compatível com a renda. Sou um pouco cético em relação à educação financeira como bala de prata, acho que muitas pessoas têm consciência de que estão gastando mais do que ganham. Então na verdade o que é mais necessário é uma mudança de hábitos.”

Ele cita um estudo do Banco Central que mostra que o incentivo ao crédito consignado (com desconto em folha de pagamentos) pode ter um impacto negativo no consumo de longo prazo. “Depois de dois, três anos, as pessoas tiveram uma redução de consumo muito maior do que a alta logo que tomaram crédito. É um exemplo da consequência de longo prazo do superendividamento.”

de Marcos Gouvêa de Souza / 25 de agosto de 2025

São 3 polos bem definidos e com performances bem distintas no atual setor de moda no Brasil.

Num dos polos está o setor de luxo, representado por marcas globais ou locais com performance muito positiva, pois parcela expressiva de seus clientes é a que mais tem se beneficiado das remunerações de aplicações financeiras. E que compra por aqui, além de trazer das cada vez mais frequentes viagens ao exterior.

Vale lembrar que, com vendas de R$ 21 bilhões anuais, o segmento de moda, vestuário e itens pessoais é um dos dois maiores no mercado total de luxo no Brasil, estimado em R$ 98 bilhões de acordo com recente estudo divulgada pela Bain & Company.

O outro polo é formado pelas mais expressivas redes nacionais ou internacionais operando no País, como Renner, Riachuelo, Marisa, Pernambucanas e C&A, que têm absoluta dependência do crédito para desenvolver negócios. Na Renner, perto de 38% do resultado têm origem nas operações financeiras, incluindo crédito. Na Riachuelo, são 32%.

Esse polo mostra vigor renovado a ponto de estimular a vinda de novos players, como a H&M, que acaba de inaugurar sua primeira loja no País, no Shopping Iguatemi, em São Paulo, buscando um posicionamento distinto daquele que a marca transmite em suas operações globais. A próxima loja abre em 4 de setembro no Shopping Anália Franco; outras serão abertas no Shopping Morumbi e, em seguida, no Parque D. Pedro, em Campinas.

A H&M se junta à Zara, Mango e outras. Nesse grupo, escala, crédito e ativação promocional de vendas no ambiente físico e digital são fatores críticos.

O terceiro polo é formado pelos operadores focados no conceito de valor.

Esse grupo pode ser subdividido em três subgrupos. O primeiro são os operadores formais atuando no plano físico e digital. O segundo grupo envolve o grupo dos informais, com expressiva e crescente participação. O último subgrupo envolve os players globais de e-commerce, como Shein, e os marketplaces que operam em zona própria.

Nesse grupo dos players digitais globais, o risco de medidas populistas de redução da tributação cria cenário de inegável e inaceitável inequidade competitiva.

O luxo tem público certo e distante do mundo real

Segundo a pesquisa desenvolvida pela Bain & Company para o jornal Valor e a Vogue divulgada na semana passada, o mercado de luxo no Brasil tem mostrado surpreendente desempenho tendo crescido 26% entre 2022 e 2024.

Dentre as razões para esse crescimento, está a concentração de renda e, especialmente, a expansão de tudo que envolve o setor financeiro.

O segmento luxo de moda e artigos pessoais, ao lado de imóveis, compõe os setores com maior participação. Ambos totalizam, somados, R$ 42 bilhões de vendas estimadas para este ano.

Segundo o mesmo estudo, os que participam desse grupo de menos de 1% da população brasileira representam aqueles que consomem a moda de luxo comprando no País, mas também comprando no exterior, nas viagens cada vez mais frequentes, que são valores não computados no estudo.

Nesse grupo, estão Louis Vuitton, Hermès, Chanel, Burberry, Prada, Dior, Hugo Boss, Bulgari e Balenciaga, atuando diretamente com operações próprias ou distribuidores e licenciados.

O crédito é o vetor diferenciador na moda massificada

As mais relevantes marcas e redes do segmento de moda massificada são diretamente dependentes do crédito no desenvolvimento dos seus negócios.

A Riachuelo tem mais de 30 milhões de cartões de crédito com sua marca. E a Renner, estimados 12 milhões.

Quem pode, desenvolve alternativas de produtos e atividades financeiras para potencializar o relacionamento, a fidelidade e a frequência de visitas às lojas e aos sites de vendas.

O setor tem experimentado recuperação positiva em relação ao passado recente, quando sofreu com a concorrência desigual dos sites globais que atuavam por aqui. Esses sites foram beneficiados por uma estrutura tributária que taxava mais as empresas que produziam e distribuíam no Brasil em relação às que traziam de fora e entregavam direto aos consumidores.

 

A recuperação recente tem sido também baseada na evolução dos projetos e propostas que incorporam inovações e evolução, como a recente loja conceito da C&A no Center Norte, que sinaliza ser protótipo de uma nova geração combinando design, arquitetura, tecnologia, digital e Inteligência Artificial (IA).

Apesar dos significativos avanços em produto, conceitos, loja e digital, esse polo tem profunda dependência do crédito para evoluir e se manter relevante.

No conjunto das maiores redes, a participação do crédito em operações próprias ou combinadas com operadores financeiros representa, na média, em torno de 35% a 50% das vendas, dependendo da rede. Além disso, parcela dessa venda é parcelada em valores sem juros, prática difundida no Brasil e que tem sido copiada também, mais recentemente, no exterior.

Ainda há espaço para outros players globais que ainda não chegaram, como Primark, Next, mais marcas do grupo Inditex (além de Zara) e Uniqlo, sendo que esta poderá em breve estar por aqui.

Moda de valor é o mais complexo setor

A expressiva participação da informalidade no setor de moda orientada para valor torna o setor o mais desafiador.

A parcela formal do setor de moda orientada pelo valor inclui as marcas e redes que combinam inovação constante em produto, comunicação e marketing nos pontos físicos e digitais, com operações de crédito mais limitadas. E obrigam constante e permanente atenção às relações com os consumidores para enfrentar a pressão da informalidade e a tendência à infidelidade por conta do foco no preço.

Os formais que operam nesse vetor do valor têm o maior desafio. Um fator positivo em sua expansão é o modelo de negócios de franquias e licenciamento, que, de certa forma, ajuda a reduzir as distorções enfrentadas pela informalidade.

A concorrência é a mais agressiva e multidirecional, pois envolve pequenos e médios operando na informalidade tributária e trabalhista e também os operadores globais de e-commerce, que chegam diretamente no consumidor final com inegável competência logística e operacional.

Há, ainda, toda a perspectiva da reforma tributária em implantação, que deverá ter impacto relevante nesse segmento, acumulada com o risco adicional de retorno do consentimento para menores taxas de impostos considerado por parcelas populistas do governo.

Ousar no mercado externo

Alguém com muita propriedade já disse o Brasil não é para amadores. E o setor de moda mostra o quão real pode ser a frase.

Um pouco menos no luxo, mas muito forte no massificado ou no valor.

O setor de moda no Brasil é particularmente desafiador por tudo que envolve operar num mercado volátil e com constante necessidade de renovação em cenário em que tudo pode mudar em menos de 20 minutos. E muda.

Algumas consagradas e atuantes marcas globais descobriram o quão complexo é o mercado brasileiro da moda, pois estiveram por aqui e saíram, como foi o caso de Gap, Forever 21, Topshop, Longchamp, Ralph Lauren e outras.

De outro lado, quem consegue diferenciar, inovar, jogar o jogo da moda, integrar crédito e serviços financeiros, desenvolver novos conceitos de lojas integradas com e-commerce e digital e manter-se próximo e relevante para o consumidor tem também reais perspectivas de expansão no mercado externo. Como já tem sido ensaiado por alguns grupos e com resultados positivos, como Renner, Farm, Osklen, Reserva, Animale e outras.

A polarização particular da moda é um especial teste de competência, visão e capacidade de constante inovação.

Vale refletir.

Marcos Gouvêa de Souza é fundador e diretor-geral da Gouvêa Ecosystem e publisher da plataforma Mercado&Consumo.
*Este texto reproduz a opinião do autor e não reflete necessariamente o posicionamento da Mercado&Consumo.

Varejo de Moda no 2T25: crescimento robusto e maior eficiência operacional

No 2º tri de 2025, todas as varejistas de departamento de moda, de capital aberto apresentando crescimento de receita e avanço em vendas mesmas lojas (SSS). O cenário foi impulsionado pela maior oferta de crédito, estabilidade da renda, bolsa familia, desemprego em baixa e um inverno mais rigoroso, aliados a uma execução comercial mais eficiente por parte das companhias. A Lojas Renner S.A. manteve a liderança do setor, com ROL de R$ 4,168 bilhões, alta de 18,4% frente ao 2T24. O SSS do varejo cresceu 17,3%, com avanço de 18,6% no vestuário. O desempenho foi sustentado pelo crédito, menos efeitos climáticos, coleções bem recebidas, maior participação de itens vendidos a preço cheio, datas sazonais e um ajuste assertivo de preços, além da Youcom (+21,7%). A Riachuelo reportou resultados sólidos, com receita de R$ 2,635 bilhões (+13,9%) e avanço no varejo de 12,9% em SSS, sendo 15,8% no vestuário. Resultado do crédito, campanhas sazonais, collabs e coleções bem recebidas. Na C&A Brasil, a receita atingiu R$ 2,059 bilhões (+12,4%), com SSS de 15% no varejo e 17% no vestuário. O portfólio mais versátil, a C&a Pay, frio antecipado e campanhas estratégicas reforçaram as vendas, em especial no feminino e na marca esportiva Ace. A Azzas 2154, alcançou receita líquida de R$ 2,901 bilhões (+4,8%), refletindo desempenho misto entre unidades de negócio: Farm cresceu com forte tração digital, Reserva priorizou rentabilidade, enquanto Hering avançou 7,3% apoiada em megastores. Já o Shoes & Bags estável, pressionado por franquias. O GRUPO SBF (Centauro e Fisia, distribuidora Nike) somou R$ 1,818 bilhão (+6,1%). O SSS da Centauro cresceu 10,7%, enquanto a Fisia teve alta mais moderada, de 7,4%. A Lojas Marisa apresentou um salto relevante: receita de R$ 394 milhões (+22,9%) e avanço de 23,3% em SSS, reflexo da ampliação do sortimento, campanhas assertivas e maior uso de cartões próprios, que responderam por 27,3% das vendas. A TRACK&FIELD, destaque do setor: receita líquida de R$ 242 milhões, avanço de 26,1%, com SSS de 21,8%. O desempenho foi puxado pelo crescimento nas lojas próprias, boa aceitação da coleção de inverno e forte performance das unidades reformadas (+46% YoY). A Veste (Dudalina, Le Lis Blanc, Bo.Bô e John John) registrou receita de R$ 323 milhões (+10%), com SSS de 7,3%, reforçando a disciplina comercial e a consolidação do portfólio. Por fim, o Grupo Grazziotin apresentou receita líquida de R$ 213 milhões (+3,4%). A companhia reforça sua resiliência com foco no varejo popular e em operações diversificadas. O 2T25 evidenciou que estas empresas,atravessam um ciclo de crescimento consistente, combinando disciplina operacional, inovação em coleções e ganhos de produtividade. Cada rede tem seguido sua estratégia própria, mas moda relevante, experiência integrada e eficiência de execução se consolidam como os pilares do setor.

Contas básicas e alimentação são principais fatores no comprometimento da renda

Redação 20/08/2025 amanha

Em uma situação inesperada, somente um em cada quatro pessoas conseguiriam custear uma despesa de R$ 10 mil

Mais da metade (54%) dos trabalhadores brasileiros com carteira assinada (CLT) ou que atuam como Pessoa Jurídica (PJ) não conseguem chegar até o final do mês com o salário na conta, segundo a nova edição da Pesquisa de Saúde Financeira e Bem-Estar do Trabalhador Brasileiro 2025, realizada pela SalaryFits, empresa da Serasa Experian. Apesar do alto percentual, houve melhora em relação a 2024. No ano passado, esse cenário afetava 62% dos profissionais. Ou seja, o número de trabalhadores que conseguem manter o salário durante todo o mês subiu de 38% para 46% – uma melhora de 8 pontos percentuais em 12 meses.

A melhora existe, mas o aprofundamento da pesquisa exibiu outros aspectos econômicos relevantes sobre o bem-estar dos respondentes que precisam ser considerados. Os dados mostram que apenas 2 em cada 10 entrevistados têm total controle sobre suas vidas financeiras. Dentre aqueles que alegaram ter menos controle há maior presença da Geração Z, da Classe C, dos trabalhadores PJ e daqueles que atuam em empresas menores. Os desafios financeiros impactam, por exemplo, a formação de uma reserva de emergência. Nesse sentido, ainda mais pessoas podem se aproximar do endividamento, pois segundo o levantamento, em uma situação inesperada, somente um em cada quatro pessoas conseguiriam custear uma despesa de R$ 10 mil.

De acordo com Délber Lage, CEO da SalaryFits, empresa da Serasa Experian, parte dos trabalhadores, até mais do que no ano passado, está estável e consegue finalizar o mês com o salário na conta, indicando uma possível reorganização financeira. “No entanto, para a outra metade, a realidade ainda é desafiadora. O custo de vida continua superior à renda para muitos, reforçando a necessidade de ampliar o acesso ao crédito de forma mais adequada à realidade do trabalhador, além de incentivar práticas de planejamento e educação financeira”, descreve Lage.

Dentre os entrevistados que não possuem salário suficiente para chegar ao fim do mês, 49% utilizam fontes de renda extra para fechar as contas e não ficar no vermelho. De acordo com os dados da pesquisa, dentro dessa fatia, a maior parte recorre ao uso de linhas de crédito, como cartão, cheque-especial e empréstimo ou utiliza renda familiar. Também existem aqueles que trabalham dobrado, como freelancer por exemplo. “A busca por renda extra tem sido uma estratégia para evitar o endividamento, especialmente quando o salário não cobre os gastos básicos do mês”, afirma Lage.

Geração Z é a única que investe parte significativa da renda em lazer
O destino da renda extra também varia de forma significativa entre as gerações entrevistadas, revelando padrões distintos de comportamento financeiro. Apesar disso, em comum, todas priorizam o pagamento de contas e despesas fixas — apontadas por 32% da Geração Z e Millennials, e por 30% da Geração X. No entanto, frente aos demais usos, as diferenças ficam evidentes: a Gen Z é a única que direciona parte significativa da renda extra para lazer (13%) e faz uso mais intenso do cartão de crédito (17%). Já os Millennials lideram com a quitação de empréstimos, dívidas (15%) e alimentação (13%). A Geração X, por sua vez, também usa o cartão de crédito (14%) e tem destaque para o pagamento de dívidas (13%).

Foram coletadas 1.029 entrevistas com funcionários de empresas públicas e de empresas privadas nos regimes CLT e/ou PJ. O perfil da amostra se divide entre homens e mulheres (50% cada) e contempla todas as regiões do Brasil. A representatividade etária dos respondentes mostra que eles têm, em média, 41 anos, mas foram contempladas pessoas com idades entre 22 e 60 anos.