Paulo Brenha  / Varejo & B2B | CX | Sales Enablement 20 de janeiro de 2025

A inflação continua a ser um desafio significativo para o mercado brasileiro, moldando diretamente o comportamento do consumidor e exigindo adaptações rápidas das empresas.

A inflação no Brasil segue como um dos principais desafios para o mercado e para os consumidores. Dados recentes do IBGE (2024) mostram que o IPCA acumulou alta de 4,6% nos últimos 12 meses, com impacto significativo nos setores de alimentação, combustíveis e serviços.

Enquanto isso, uma pesquisa da NielsenIQ (2024) revela que 72% dos consumidores brasileiros reduziram gastos com produtos não essenciais, e 58% migraram para marcas próprias e promoções.

Essa realidade impõe desafios e oportunidades que exigem estratégias sólidas e adaptáveis.

Mudanças no Comportamento do Consumidor

Busca por Preços Competitivos

Consumidores estão cada vez mais atentos às promoções e utilizam plataformas como Zoom e Buscapé para comparar preços antes de realizar suas compras.

Redução do Ticket Médio

Há uma clara tendência de substituição de produtos premium por opções mais acessíveis, mesmo entre consumidores fiéis a grandes marcas.

Planejamento e Controle de Gastos

O consumo por impulso deu lugar a listas de compras planejadas e estratégias de consumo mais conscientes.

Magazine Luiza Durante o período mais crítico da inflação em 2023, o Magazine Luiza investiu em descontos progressivos e campanhas focadas no crédito facilitado. Como resultado, observou-se um aumento de 8,5% na frequência de compras dos clientes cadastrados no MagaluPay.

Desafios para as Empresas

  • Pressão sobre as margens de lucro: O aumento dos custos de produção dificulta o repasse integral para o consumidor final.
  • Fidelização de Clientes: A lealdade se torna volátil quando o preço se torna o principal critério de decisão.
  • Gestão de Estoque: O planejamento de demanda se torna mais complexo diante das incertezas econômicas.

Estratégias Sólidas para Enfrentar a Inflação

  1. Inteligência de Preços Dinâmica

Empresas como o Carrefour têm utilizado algoritmos para ajustar preços em tempo real, garantindo competitividade sem comprometer as margens.

  1. Fortalecimento de Marcas Próprias

O Grupo Pão de Açúcar tem investido fortemente no desenvolvimento de marcas próprias, oferecendo produtos de qualidade com preços mais acessíveis.

  1. Experiência do Cliente (CX)

De acordo com o relatório da Gartner (2024), empresas que oferecem uma experiência excepcional ao cliente têm 3 vezes mais chances de fidelizar consumidores durante períodos de crise econômica.

  1. Digitalização e Automação

Ferramentas de autoatendimento e plataformas digitais robustas têm se mostrado fundamentais para reduzir custos e aumentar a eficiência operacional.

“Liderar em tempos de crise é equilibrar resultados imediatos com uma visão clara de longo prazo.”

Insights para o Futuro

  • O comportamento do consumidor continuará evoluindo com foco em valor e experiência.
  • Empresas que investirem em inovação, dados e experiência do cliente estarão mais preparadas para enfrentar crises.
  • A agilidade na adaptação das estratégias será um diferencial competitivo.

A inflação não é apenas um desafio econômico, mas um teste de resiliência e estratégia. Empresas que souberem equilibrar preço, experiência do cliente e inovação terão maiores chances de atravessar períodos de incerteza com sucesso.

Referências Bibliográficas:

#Estratégia #Varejo #Liderança #Inflação #PauloBrenha

 de Caio Camargo / 10 de janeiro de 2025 / Mercado & Consumo

Nos primórdios do e-commerce, o conceito era simples: um shopping virtual, organizado e funcional, onde o consumidor, motivado pela conveniência, encontrava produtos com poucos cliques. Essa abordagem, no entanto, perdeu força. Hoje, o varejo online enfrenta um novo paradigma, impulsionado pela Inteligência Artificial (IA). Mais do que uma tendência tecnológica, a IA se tornou o divisor de águas para quem busca competitividade no mercado.

O papel da IA no varejo não diz respeito apenas à sofisticação, mas sim à estratégia. Em um ambiente cada vez mais saturado, a assertividade na comunicação com o consumidor deixou de ser uma vantagem e se tornou uma necessidade. A IA oferece às marcas a capacidade de “garimpar” consumidores, encontrando-os onde quer que estejam – seja nas redes sociais, em plataformas de retail media, durante uma conversa com um chatbot ou até mesmo dentro das lojas físicas.

Essa assertividade não é trivial. A jornada do consumidor se tornou fragmentada e dispersa, transformando cada interação em um espaço estreito e altamente disputado. Nesse cenário, a IA emerge como a solução para interpretar comportamentos, prever desejos e moldar experiências que não apenas atendam, mas superem as expectativas. Dados recentes divulgados pela Salesforce apontam um crescimento de 42% no uso de chatbots durante a temporada de compras de fim de ano de 2024. Esses assistentes, agora mais inteligentes e contextuais, vão além de resolver problemas: eles também criam oportunidades de venda.

Mais impressionante é o papel da IA em transformar o varejo de um modelo passivo para uma abordagem proativa. Se antes o e-commerce aguardava clientes; agora, com o auxílio da IA, ele os busca ativamente.  Esse movimento contribuiu para o aumento de quase 4% nas vendas online no período de festas nos Estados Unidos, atingindo 282 bilhões de dólares, de acordo com dados reportados pela Reuters. Globalmente, as vendas influenciadas por IA subiram de US$ 199 bilhões em 2023 para US$ 229 bilhões em 2024.

Com a NRF 2025 se aproximando, em Nova York, a expectativa é de que a IA seja novamente um dos temas centrais do evento, o que reforça sua importância. Mais do que uma tendência, a Inteligência Artificial se consolida como o caminho certo para as marcas que buscam inovar e se destacar em um cenário competitivo. A presença de soluções cada vez mais avançadas de personalização, automação e engajamento demonstram que o uso da IA é uma certeza irreversível, não apenas no e-commerce, mas em todo o ecossistema varejista.

No entanto, a evolução não vem sem desafios. O aumento das devoluções, que alcançou recorde de 28% no último período de festas – um salto em relação aos 20% registrados em 2023 – destaca a necessidade de ajustar a jornada de compra. Cada devolução é uma oportunidade perdida de entender melhor o cliente e aprimorar as interações. Para os varejistas, o equilíbrio entre escala e precisão será o campo de batalha nos próximos anos.

Ainda assim, a mensagem é clara: varejo hoje não é mais apenas sobre vender. É sobre se conectar, engajar e permanecer relevante. E a IA, quando bem utilizada, é a chave para isso. Ela não apenas aumenta a competitividade, mas redefine o papel das marcas em um mundo em que o cliente exige mais do que produtos – ele exige experiências.
*Este texto reproduz a opinião do autor e não reflete necessariamente o posicionamento da Mercado&Consumo.

Caio Camargo é especialista em inovação no varejo, com mais de 26 anos de experiência. Atua como conselheiro voluntário da ACSP (Associação Comercial de São Paulo) e Business Advisor, é palestrante e autor do bestseller “Arroz, Feijão & Varejo”.

 

foi o tema que reuniu Paulo Correa, CEO da C&A Brasil e Leonardo Coelho, CEO da americanas s.a., no terceiro painel do Retail Summit e que foi conduzido por Ricardo Guinâncio.

Eles conversaram sobre hashtag#desafios e hashtag#transformações enfrentados por grandes marcas em cenários adversos e compartilharam suas visões sobre o futuro do varejo.

Destaques:

A Força da hashtag#Liderança em Momentos de Crise:
• Leonardo Coelho relatou como assumiu a liderança da Americanas em meio a um dos momentos mais críticos da história da empresa, após a descoberta de fraudes financeiras que abalaram sua credibilidade e estrutura. Ele destacou a importância de adotar uma abordagem sistemática para lidar com os desafios:

• Investigação e transparência para restaurar a confiança.

• Reestruturação financeira, transformando uma dívida significativa em uma estrutura equilibrada.

• Foco operacional, priorizando eficiência e reconquista de clientes.
Segundo Coelho, a reconstrução da cultura organizacional e a resiliência da equipe foram pilares fundamentais para superar a crise.

hashtag#Transformação Sustentável na C&A:

• Paulo Correa compartilhou o case de sucesso da C&A, que alcançou 13 trimestres consecutivos de crescimento de margem bruta e um aumento expressivo na receita, mesmo em cenários macroeconômicos desafiadores. Ele atribuiu esse desempenho a três pilares estratégicos:

• Aprimoramento do sortimento de produtos, utilizando tecnologia para melhorar a assertividade.

• Inovação na experiência de loja, criando jornadas mais rápidas, relevantes e personalizadas.

• Fortalecimento do relacionamento com os consumidores, intensificando a comunicação e criando conexões emocionais mais profundas.

Correa também enfatizou que o sucesso sustentável exige uma constante reinvenção para evitar que as conquistas se tornem problemas futuros.

hashtag#Visão para o Futuro do Varejo Brasileiro:
Ambos os líderes concordaram que 2025 será desafiador, marcado por fatores como altas taxas de juros, inflação e um cenário global incerto. No entanto, enxergam oportunidades para empresas resilientes e ágeis:

• No caso da Americanas, a crise proporcionou lições valiosas e uma oportunidade de redefinir seu papel como referência no varejo brasileiro.

• Na C&A, a continuidade dos investimentos em inovação e eficiência operacional será essencial para manter o crescimento sustentável.

hashtag#Cultura Organizacional como Diferencial Competitivo:

• Ricardo Guinâncio destacou que empresas que enfrentam hashtag#crises severas precisam priorizar uma cultura corporativa sólida, que alinhe os valores organizacionais às ações de seus líderes e colaboradores e que os desafios são superados com resiliência e foco nos clientes.

Além dos insights, foi uma grande satisfação conhecer pessoalmente Leonardo Coelho, que está conduzindo tão bem o processo de recuperação dessa empresa que significa tanto para mim!

de Redação

 16 de janeiro de 2025

A pandemia do Coronavírus foi um marco na recente história do mundo e acabou transformando vários setores da sociedade. No varejo, vimos um boom no digital e uma mudança no comportamento do consumidor. Mas o tempo passou e o isolamento das pessoas está se transformando em união e colaboração.

Esse foi um dos pontos abordados por Cassandra Napoli, futurista e head de Marketing e Eventos Internos da WGSN, em sua palestra na NRF 2025. “Os consumidores enfrentam uma epidemia de solidão, uma crise de bondade e um desejo de se libertarem da responsabilidade emocional”, afirmou a executiva.

A previsão de Napoli para os próximos anos do varejo analisou os fatores globais que moldarão os consumidores e o cenário empresarial nos próximos anos em cinco pilares: sociedade, tecnologia, ambiente, política, indústria e criatividade.

Até 2027, o foco da sociedade e das empresas passará do isolamento para a interconectividade e o reconhecimento de que as necessidades individuais são inseparáveis das coletivas. Para Napoli, existe atualmente um desejo crescente de conexões autênticas entre humanos.

“Sessenta e seis por cento dos ‘Zalphas’ (pré-adolescentes de 9 a 14 anos) em 2024, nos EUA e no Reino Unido, revelaram que passar tempo com os amigos é seu único objetivo real na vida”, afirmou a executiva da WGSN.

Ouvindo essa demanda crescente, as empresas criarão projetos para comunidades que vão além do indivíduo, com espaços que permitam que pessoas de todas as idades e origens se reúnam e construam suas conexões.

Tecnologia a serviço do consumidor

Para Napoli, a tecnologia será uma das curas para essa tal “epidemia de solidão”. Mas as marcas terão de compreender o seu impacto e, ao mesmo tempo, equilibrar a sabedoria humana com a velocidade da inovação.

“A revolução da Inteligência Artificial já chegou. Em vez de combatê-la, precisamos entrar harmonia com ela. Curiosamente, 82% dos consumidores expressam o desejo de aprender mais sobre IA, de certa forma sustentando esta crescente demanda por transparência e educação em torno do seu desenvolvimento”, revelou Napoli.

 

A executiva afirmou que ao priorizar a segurança e a satisfação do consumidor, as marcas podem garantir que a IA “trabalhe conosco, e não contra nós, criando um equilíbrio que seja contínuo e significativo”.

Consumidores “raivosos”?

Outro ponto abordado na palestra da WGSN foi o fato de as marcas terem de estar prontas para lidar com o aumento da raiva nos consumidores nos próximos anos, muito por conta das divisões geopolíticas e sociais.

“Também será crucial apoiar e cultivar a gentileza tanto no local de trabalho quanto no cenário do consumidor. Nos EUA, mais de mil pessoas foram entrevistadas e 51% disseram que preferem fazer uma refeição com os sogros do que ligar para o suporte ao cliente. Um terço revelou que quando ligam para o suporte ao cliente, gritam com eles e 21% relataram xingá-los. Então, estamos começando a ver essencialmente um consumidor raivoso”, revelou Napoli.

Para melhorar esse cenário, será necessário investir na formação de apoio ao cliente para ajudar os funcionários a lidar com essa raiva e a responder perguntas de forma verdadeira, eficiente e rápida.

E olhando o copo meio cheio, à medida que os desafios e os fatores de stress globais aumentam, há uma oportunidade para as marcas abraçarem o jogo. “Até 2027, o conceito de jogo evoluirá para um pilar estratégico de bem-estar. As empresas devem adotar a brincadeira como uma mentalidade para criar mudanças. Para prosperar, os produtos e as experiências devem promover a diversão sem seriedade”, finalizou a futurista.

Tudo sobre a NRF na M&C

A NRF Retail’s Big Show é uma das feiras mais importantes de varejo e de consumo do mundo. É realizada há mais de 100 anos em Nova York, nos Estados Unidos, sempre no mês de janeiro. Tradicionalmente, a NRF Retail’s Big Show leva aos Estados Unidos milhares de executivos todos os anos, e o Brasil é o segundo país, fora os próprios EUA, com mais participantes.

A NRF 2025 aconteceu entre os dias 12 e 14 de janeiro, e teve cobertura completa da Mercado&Consumo, in loco, pelo portal, pelas redes sociais e pelos canais de vídeo e áudio da plataforma. A equipe da M&C viajou a bordo da delegação da Gouvêa Experience.

Com informações de National Retail Federation

Por Rose Amantéa / Brasília / 15/01/2025  gaz povo

O anúncio da revogação da instrução normativa que ampliava o monitoramento sobre transferências via Pix, nesta quarta-feira (15), festejada nas redes sociais e pela oposição ao governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), não vai impedir o aumento e aprimoramento da fiscalização por parte da Receita Federal (RFB).

 

A medida, que passou a vigorar em janeiro, previa que instituições de pagamento, como operadoras de cartão e carteiras digitais, enviassem dados à Receita quando valores ultrapassassem R$ 5 mil para pessoas físicas e R$ 15 mil para empresas. Até então, apenas os bancos tradicionais apresentavam informações sobre transações, sobre o montante global movimentado ou o saldo, em cada mês, por tipo de operação financeira.

 

Para tributaristas ouvidos pela Gazeta do Povo, a instrução da Receita tentava apenas acrescentar uma camada a mais de fiscalização ao aparato que já existe. Mas o movimento da Receita de intensificar o combate à sonegação é permanente.

 

“O propósito do Fisco é pegar todos que estão irregulares, a Receita já tem instrumentos para isso e faz parte do jogo”, diz a tributarista Maria Carolina Gontijo. “Costumo dizer que declarar é a cada ano mais difícil. Este ano será mais fácil do que em 2026 e assim por diante.”

 

 

Tatiana Migiyama, professora especialista em Gestão Tributária da Fundação Instituto de Pesquisa Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), reforça que a RFB tem diversos convênios estabelecidos com órgãos reguladores, entre eles o Banco Central, além de estados e municípios para o repasse de informações financeiras.

 

“Inegável que a norma da RFB facilitaria o trabalho da fiscalização. Mas já existe um grande big brother fiscal em vigor, e este aparato deve se intensificar”, diz ela.

 

Revogação pode trazer “falsa tranquilidade”

 

Segundo a professora da Fipecafi, a revogação deve trazer um alívio para algumas pessoas, mas é preciso continuar atento à necessidade de formalização. “É possível sim que parte da sociedade, que ainda trabalha na informalidade, como autônomos e freelancers, e que ainda não informam devidamente ao fisco a receita e ganhos obtidos com seus negócios, fiquem mais tranquilos”, diz.

 

“Porém, com os convênios de informações, a Receita ainda poderá questionar. Por isso a recomendação é sempre informar e tributar devidamente a renda e ganho auferido por meio de carne leão, para não cair na malha fina.”

 

Luciano Burti, do CBLM Advogados admite limitações do Fisco, mas reforça a recomendação. “Já existe meios de fiscalização para monitorar os contribuintes ainda que não tão direto como o caso do PIX”, diz . “Em nenhuma hipótese é recomendável a omissão de receita ou sonegação.”

 

Gontijo, por outro lado, destaca que a revogação pode criar uma “ilusão de tranquilidade” para informais e pequenos empreendedores. “O governo resolveu revogar a norma por uma opção para preservar de capital político diante de tanta repercussão”, afirma.

 

“Mas a gente continua com os mesmos controles bancários, ou seja, vai mudar pouquíssima coisa. Não quer dizer que a fiscalização vai ser afrouxada. As pessoas podem ter essa falsa sensação ‘se o governo revogou, agora não está fiscalizando’. Não caiam nessa.”

 

Repercussão negativa inviabilizou medida

A decisão de revogar a norma foi tomada após a repercussão negativa da medida sair do controle. Desde a divulgação da norma pela Receita, o assunto se intensificou nas redes sociais. Memes e vídeos produzidos com ajuda de inteligência artificial viralizaram. Um vídeo do deputado Nikolas Ferreira teve 200 milhões de visualizações, 20 vezes mais que um de Lula, desmentindo a taxação.

 

Na tarde desta quarta-feira, o presidente chamou ministros às pressas ao Palácio do Planalto e determinou a suspensão da medida. O entendimento foi que, se não houvesse recuo, a oposição continuaria criando um clima de desconfiança sobre o Pix. Por isso foi anunciada também a edição de uma medida provisória para assegurar que as transferências realizadas pela ferramenta não possam ser tributadas.

 

 

“A medida provisória reforça os princípios tanto da não oneração, da gratuidade do uso do Pix, quanto de todas as cláusulas de sigilo bancário em torno do Pix, que foram dois objetos de exploração por parte dessas pessoas que estão, na nossa opinião, cometendo um crime – porque, quando você desacredita um instrumento público, você está cometendo um crime”, declarou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, após a reunião no Palácio do Planalto.

 

Na mesma ocasião, o secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, atribuiu a revogação às “fake news” de que as transferências via Pix seriam taxadas. “As pessoas distorceram um ato da Receita do Brasil”, disse. “Então decidimos revogar esse ato.”

 

Barreirinhas afirmou também que o órgão, juntamente com a Advocacia Geral da União e a Polícia Federal, irá investigar e responsabilizar as pessoas que disseminaram fake news e fizeram o uso do nome e do símbolo da Receita para dar golpe.

 

O problema não foi apenas desinformação

Para Migiyama, no entanto, as críticas não foram apenas fruto de desinformação. “A fake news tratada pelo governo residia na tributação do Pix, que realmente não existia”, afirma.

 

“Mas havia sim um facilitador para a RFB autuar e questionar os contribuintes que trabalham “na informalidade” com o envio de informações de transações via pix pelas instituições financeiras. Pois poderia considerar que o contribuinte estivesse omitindo renda tributável.”

 

A RFB justificava que o objetivo da instrução normativa não era atingir os pequenos, mas combater a lavagem de dinheiro e os grandes sonegadores. Também argumentou que não haveria quebra de sigilo, já que as informações das transações não abarcariam a origem e o destinatário.

 

“Mas se sabe que a fiscalização seria para quem estivesse fazendo estas transações em sua conta. Esta pessoa que poderia ser fiscalizada e, possivelmente, questionada sobre omissão de tributação sobre determinado valor, que seria renda tributável, na visão do Fisco”, explica Migiyama.

 

 

Para Gontijo, houve uma reação amplificada pelo entendimento equivocado de que haveria um cruzamento automático dos dados de movimentação do Pix co

Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/economia/big-brother-fiscal-revogacao-de-norma-do-pix-nao-reduzira-fiscalizacao-da-receita/?utm_source=salesforce&utm_medium=emkt&utm_campaign=newsletter-economia&utm_content=economia

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Mariana Sgarioi

Ecoa Neg. Sustentaveis / 20.1.2025

“Eu nem esperava estar viva para ver o que estou vendo”. É o que diz, com brilho nos olhos, a empresária Luiza Trajano, ao se referir às exigências atuais do mercado por mais mulheres nas empresas. Quando ela levantou esta bandeira, há mais de 20 anos, quem poderia imaginar que, hoje, a presença de mulheres nas corporações não só é aceita como também vale muito nas transações de negócios.

Luiza pondera, no entanto, que a luta está longe de acabar. Ela só mudou de lugar. As mulheres já estão inseridas no mercado; o que elas precisam é da tecla que tanto se bate: ocupar os conselhos, a política e os altos cargos. O caminho, para a empresária que é uma referência do sucesso do empreendedorismo feminino no país, passa pela união com os homens. “As mulheres são mais preparadas para uma gestão orgânica e os homens para uma gestão mecânica. Minha proposta é que, neste momento, possamos juntar as forças. As duas são importantes. E as mulheres sabem fazer esta união, elas estão acostumadas historicamente a se unirem para sobreviver”.

A presidente do Conselho de Administração do Magazine Luiza sabe que a estrada é longa. Mas fala com a firmeza de quem tem muito a ensinar – sobretudo para quem deseja saber como percorrer uma jornada ESG com resultados reais.

Responsável pelo salto de crescimento que colocou o Magazine Luiza entre as maiores varejistas do Brasil, sempre apoiada em iniciativas de inclusão e diversidade, a executiva foi a única brasileira listada pela revista Time como uma das 100 mulheres mais influentes do mundo. Foi eleita Personalidade do Ano de 2020 pela Câmara do Comércio Brasil-EUA e, em 2023, nomeada pela ONU para integrar uma iniciativa global para acelerar a igualdade de gênero e aumentar as oportunidades para mulheres. Atualmente, preside o Grupo Mulheres do Brasil, que reúne mais de 110 mil participantes.

Na entrevista a seguir, Luiza Trajano fala sobre mulheres, o vanguardismo do Magalu pela inclusão e, principalmente, pontua que o momento pede menos guerra e mais colaboração entre os gêneros para enfrentar os desafios futuros – que não são poucos.

***

Ecoa: Há mais de 20 anos você defende a igualdade de gênero no mercado de trabalho. Como está a agenda nos dias de hoje?
Luiza Trajano: 
As mulheres já estão no mercado de trabalho e a maioria, inclusive, é arrimo de família. Garantem o sustento da casa com pouco e ainda fazem o dinheiro sobrar. Eu brinco que as mulheres brasileiras das classes C e D são todas ministras da economia. Então agora a luta é outra. A gente precisa mudar de ciclo porque, caso contrário, fica reivindicando as mesmas coisas a vida inteira. Queremos agora que elas tenham mais poder. O trabalho é pular para 50% de presença em altos cargos não apenas de mulheres como também de pessoas negras.

Por que a diversidade sempre foi uma bandeira do Magalu?
A empresa foi fundada por mulheres. Eu sou filha de uma empreendedora que fundou a empresa há 67 anos e deixava os filhos em casa para poder trabalhar. Eu fiz o mesmo. O Frederico (Trajano, CEO do Magalu, e filho de Luiza) é nascido aqui dentro. Todos os homens que passaram por aqui sempre respeitaram muito a liderança feminina e nunca acharam que a mulher não podia estar onde ela quisesse. Até porque a mãe, a tia, a avó, todo mundo foi criado neste ambiente.

Algumas iniciativas do Magalu foram atacadas no início e depois se tornaram uma referência dentro do ESG. Foi o caso do programa de trainees exclusivamente para negros, de 2020. Como você vê isso?
Olha, não tem jeito. Para mudar uma premissa, você leva chumbo mesmo. E eu vivo levando chumbo porque enfrento a mudança. Neste caso do programa de trainees, eu e Frederico nos assustamos com o nível de agressividade que recebemos. Mas não recuamos. Frederico escreveu uma carta muito gentil dizendo que ele não queria mudar o Brasil e sim mudar a empresa dele. E continuamos firmes nisso. Tivemos 21 mil inscritos, recebemos apoio da comunidade. Hoje este programa serve de exemplo até fora do Brasil. E, se você vier ao nosso escritório, vai ver como ele é diverso. Por isso que agora quero dar um salto a mais: aumentar a visibilidade, mostrar o que estes trainees se tornaram.

Você acha que este sucesso pode ser creditado à uma gestão corporativa mais feminina?
Acredito que foram duas forças trabalhando juntas: a masculina e a feminina. Eu tenho uma administração totalmente feminina: para você ter uma ideia, eu nem uso calça comprida. Eu choro, tenho uma intuição aguçada. Muitas vezes, eu dizia: estou intuindo, deixa eu fazer da minha forma. Outras vezes, eu falava: isso não é comigo, é com vocês, é com a força masculina. Quando você usa as forças masculina e feminina de forma positiva, consegue fazer muito mais com menos.

Como isso funciona?
Nós, mulheres, estamos muito mais preparadas para uma gestão orgânica como a minha. Já os homens foram formados para uma gestão mais mecânica, mais linear e pragmática. Por muito tempo não tivemos a oportunidade de trabalhar juntos nas lideranças. Minha proposta agora não é repetir o passado. É que nós, mulheres, que temos a capacidade da união, possamos promover esta coalizão, de igual para igual.

Por que as mulheres têm esta capacidade?
As mulheres têm uma força extraordinária. Elas se uniram a vida inteira para se posicionarem e lutarem pelo que acreditam. Acabei de fazer um evento com 700 mulheres que vieram de todo lugar do mundo e do Brasil, desde as mais simples, que são de comunidades, até as mais executivas. Elas têm a força para unir o mundo, para fazer diferente. Acredito muito nessa força, muito mesmo.

Existe uma maré de ataques ao ESG no momento, especialmente vindos dos Estados Unidos, e há quem diga que a estratégia pode estar com os dias contados. O que você acha?
O ESG que conhecemos hoje foi uma herança da época da pandemia, uma fase tão triste que a humanidade passou, em que as empresas tiveram um tempo de reflexão e entenderam que precisavam ser mais cooperativas. Este senso chegou no consumidor final. Ele exige práticas de igualdade e sustentabilidade e não vai mudar de opinião. Eu cito um exemplo muito claro. Se alguém em uma loja nossa tratar mal uma pessoa negra ou qualquer outra pessoa, e isso for filmado, no final do dia todo mundo estará sabendo e perderemos consumidores. Então o que eu quero que vocês entendam é que isso chegou na ponta. E não tem mais volta.

A previsão sucede um ano de bons resultados: o comércio varejista restrito acumulou alta de 5% em 2024 até novembro, enquanto o ampliado registrou crescimento de 4,4%

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) prevê um crescimento de 1,9% para o setor do comércio em 2025, impulsionado pela recuperação consistente do mercado de trabalho e pelos níveis históricos da massa de rendimento das famílias. A previsão sucede um ano de bons resultados: o comércio varejista restrito acumulou alta de 5% em 2024 até novembro, enquanto o ampliado registrou crescimento de 4,4%, segundo a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 9 de janeiro. A CNC projeta um crescimento de 4,7% no varejo ampliado, até o fim de 2024.

Os dados de novembro reforçam a dinâmica mista do setor, com uma leve queda de 0,4% no varejo restrito e 1,8% no ampliado, em comparação com o mês anterior. Mesmo assim, categorias como Equipamentos e Materiais para Escritório, Informática e Comunicação (+3,5%) e Tecidos, Vestuário e Calçados (+1,4%) apresentaram avanços expressivos no mês. “Apesar das pressões da política monetária, o mercado de trabalho e o poder de compra das famílias têm sido os pilares que sustentam o desempenho do comércio. Para 2025, esses fatores continuam favoráveis, o que nos permite projetar crescimento mesmo diante de juros elevados”, analisa João Vitor Gonçalves, economista da CNC. Além do fortalecimento do consumo das famílias, o economista aponta o gasto público em patamar elevado como outro vetor de estabilidade para o setor no próximo ano. “Embora o governo deva reduzir o ritmo de expansão fiscal em 2025, o volume de investimentos ainda será significativo para sustentar a atividade econômica como um todo”, finaliza o economista.

   

O presidente Lula sancionou, em 16 de janeiro de 2025, a primeira lei de regulamentação da reforma tributária, que cria o Imposto sobre Valor Agregado (IVA). Este será dual, ou seja, dividido em dois, composto pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS, federal) e pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS, estadual e municipal), substituindo cinco tributos atuais: IPI, PIS/Cofins, ICMS e ISS. A alíquota padrão do IVA deve ser de 28%, a maior do mundo, segundo a OCDE.

A reforma visa simplificar o sistema tributário brasileiro, considerado caótico e ineficiente, com impostos cumulativos e burocráticos que oneram empresas e consumidores. Com regras unificadas, espera-se reduzir custos empresariais, diminuir litígios e sonegação, além de estimular investimentos e crescimento econômico. Apesar de considerada longe do ideal, a reforma foi apontada como um avanço necessário.

Além do IVA, será criado um imposto seletivo sobre produtos nocivos, como cigarros e bebidas alcoólicas. Outros tributos sobre consumo foram deixados para uma futura etapa de reformas, que deverá incluir a tributação sobre a renda em 2025.

Caso queira ver a matéria na íntegra, acesse o link: Reforma Tributária 2025

Rodrigo Barnabé – Estrategista de Comunicação Empresarial e Relações Públicas • Fundador e Editor-executivo do Pronto Pra Viajar • +25 anos em RP de multinacionais • 14 anos sócio de agências • planejamento estratégico • media training

A polêmica sobre home office versus trabalho presencial continua acirrada e em destaque nas manchetes em 2025. Desde que o meio corporativo foi praticamente forçado a adotar o trabalho remoto, a questão sobre qual modelo é mais eficiente nunca saiu da pauta. A resposta, sabemos, não é simples, pois depende de diversos fatores como cultura organizacional, estilo de liderança, natureza do trabalho, expectativas do mercado, entre outros.

O home office mostrou que pode ser um aliado da produtividade individual. Profissionais remotos frequentemente relatam economias de tempo, mais concentração e flexibilidade para equilibrar vida pessoal e profissional. Por outro lado, o distanciamento físico pode enfraquecer os laços interpessoais, reduzir o senso de pertencimento e dificultar as trocas espontâneas que frequentemente impulsionam a criatividade e a inovação.

Já o modelo presencial ainda é visto como uma fortaleza para atividades que dependem da troca criativa de ideias, construção de vínculos sociais e aprendizado por observação. Escritórios físicos oferecem oportunidades para dar e receber feedback imediato e promovem uma sensação de urgência e pertencimento. Contudo, os custos operacionais elevados e o desgaste com deslocamentos continuam sendo desvantagens significativas que já conhecemos de longa data.

O modelo híbrido então surgiu como um possível equilíbrio entre os dois mundos, mas também apresenta seus próprios desafios. Ele exige uma comunicação clara e eficaz para evitar desconexões entre equipes remotas e presenciais. Para funcionar bem, empresas precisam investir bastante em ferramentas colaborativas e desenvolver lideranças preparadas para gerir equipes de maneira inclusiva, garantindo que todos se sintam valorizados.

Eu entendo que a questão central, porém, não está no modelo escolhido, mas na forma como ele é implementado. Empresas que colocam a experiência humana no centro das decisões e líderes que sabem ouvir e adaptar estratégias estão melhor posicionados para vencer essa batalha.

Qual é a sua opinião a respeito?

 Insight: O verdadeiro diferencial não está no local de trabalho, mas na qualidade da comunicação, conexão e colaboração entre as pessoas. Antes de adotar qualquer modelo, é preciso estar consciente de que a cultura da organização está preparada para acolher essa escolha e transformá-la em sucesso.

 

Lilian Gomes • 2º

Analista administrativo e financeiro | Controle de contas a pagar e receber | Tesouraria | Indicadores | Controladoria

 de Luiz Alberto Marinho

 16 de janeiro de 2025

O tema da Inteligência Artificial (IA) atravessou de ponta a ponta a NRF 2025, maior evento do varejo global, que terminou nessa terça-feira, 14, em Nova York. Foi difícil encontrar uma sessão que não tivesse abordado a IA como instrumento para aumentar a eficiência operacional ou elevar a experiência do cliente.

Curiosamente, outro tema que frequentou bastante os palcos do Javits Center foi o da loja física. Mas não estamos falando das lojas tradicionais, que se restringem a expor e vender produtos, conhecidas pela sigla PDV (Ponto de Venda).

A nova loja pode ser definida como Omni PDX, elevada à potência da IA. Calma lá, que eu já explico. O X do PDX significa que ele é um espaço de múltiplas experiências. É Omni porque integra o online com o offline, e é potencializado pela IA. O varejo que não explora todas as oportunidades geradas pelo PDX está perdendo a chance de extrair mais da loja física e maximizar os investimentos.

Tem mais: essas lojas contemporâneas devem ser flexíveis para acompanhar as mudanças constantes no comportamento dos consumidores, e devem atender a demandas que não podem ser supridas apenas por produtos e serviços.

Quer exemplos de funções das novas lojas físicas? Vamos lá.

  1. A loja como local de soluções

Serviços de diferentes tipos ajudam a gerar fluxo, aumentar a recorrência de visita e elevar receitas. Na loja da Foot Locker, em Nova York, uma máquina escaneia os pés do cliente para definir com precisão qual é o calçado mais adequado para ele, do tamanho até o tipo de pisada.

A loja da Casper não foi feita para vender colchões simplesmente, mas para ajudar as pessoas a dormirem melhor. Das cabines de experimentação ao atendimento especializado dos vendedores, tudo é feito para melhorar a vida de quem quer dormir bem.

Casper

Outra vertente desse movimento é a dos serviços. No Whole Foods, a comida preparada tem lugar de destaque, e boa parte dos clientes se alimenta ali mesmo, em uma área com mesas e cadeiras.

Mas nada se compara ao que acontece na FAO Schwarz, loja de brinquedos onde metade do faturamento da unidade no Rockefeller Center vem de serviços. Ali, as crianças podem ser maquiadas e levar o kit de beleza para casa por US$ 65. A estratégia é oferecer serviço para vender – e caro – produto.

  1. A loja como canal de divulgação da marca

A loja ajuda a disseminar o conceito da marca junto aos consumidores e parceiros, apoiando o desenvolvimento dos negócios em todos os canais.

A flagship da Granado no SoHo, em Nova York, além de vender produtos, ajuda a marca a entrar em outras redes. Afinal, é mais fácil apresentar o conceito e convencer os compradores de grandes varejistas quando eles conhecem a loja. Ou seja, o espaço funciona também como um showroom.

Mais um exemplo: a Louis Vuitton está construindo uma flagship na Rua 57, perto da 5ª Avenida, em NY. Para divulgar a marca, criou um tapume no formato do famoso baú, que é símbolo da marca. Impressiona o número de pessoas que param ali para tirar foto dessa instalação. O endereço vai ficando conhecido bem antes de a loja abrir.

Tapume da Louis Vuitton

Além de divulgar a própria marca, varejistas também estão investindo em retail media, proporcionando exposição de outras marcas junto aos clientes que frequentam a loja.

  1. A loja como hub logístico

A loja como um centro de distribuição avançado, onde as pessoas podem retirar ou devolver produtos comprados online. Isso consolida a convergência entre o físico e o digital.

Para o varejo, usar a loja para entregar produtos comprados online ou receber devoluções pode ser bem lucrativo. No Brasil, quando um item vendido pelo e-commerce é entregue no endereço do comprador a partir do centro de distribuição, o custo é de R$ 100. Se o produto sai do estoque da loja, a operação pode ter o valor reduzido para R$ 40. Mas, caso o cliente aceite buscá-lo na loja, essa despesa pode cair para R$ 15. Economia significativa, não?

Além disso, devemos considerar que a jornada do cliente, cada vez mais, começa no digital. Buscar consumidores no digital para trazê-los para a loja, em um processo de venda ativa, é essencial para os resultados, e tem muita gente boa fazendo isso no Brasil. No grupo Arezzo, cerca de 60% das vendas nas lojas têm origem no digital.

 

  1. A loja como refúgio

Espaço onde as pessoas podem se desconectar dos problemas cotidianos e viver momentos de alegria e despreocupação.

A Starbucks cresceu apostando na ideia de ser um terceiro lugar, onde as pessoas poderiam se encontrar e se afastar por um tempo da realidade. Hoje, a empresa está disposta a trazer esse conceito de volta, porque isso está se mostrando ainda mais relevante, diante das crises permanentes que nos cercam.

Os shoppings mudaram seu posicionamento para se estabelecer como refúgios da vida moderna, compreendendo a força de oferecer lugares de prazer e descompressão.

Esse escapismo também pode acontecer por meio da nostalgia. Afinal, quando o futuro é incerto, se abrigar no passado pode ser alentador. A Rough Trade, loja especializada na venda de discos de vinil, CDs de música e até cassetes, abriu uma filial no coração de Manhattan para explorar esse sentimento.

Outra vertente desse movimento é o fortalecimento dos kidults, expressão criada para definir adultos que cultivam a criança que vive dentro deles. Na Lego, há uma seção de kits de montar voltados para crianças grandes, onde se destaca o cartaz “Adultos são bem-vindos”.

Área para adultos na Lego

Na American Girl, marca de bonecas da Mattel, mulheres crescidas costumam contratar festas com as amigas para celebrar e relembrar os tempos de menina. Nostalgia na veia.

  1. A loja como local de diversão e inclusão

É poderosa a ideia de construir lugares onde os clientes se sentem pertencentes a uma comunidade. Isso ocorre quando, dos demais consumidores à equipe de loja, todos compartilham os mesmos gostos e valores. É um bom antídoto contra a solidão e, de quebra, pode proporcionar bons momentos.

A REI, marca de produtos para a vida ao ar livre, contrata profissionais que usam a marca e gostam da vida outdoor. Os eventos que a REI promove são oportunidades de conexão entre clientes e funcionários, unidos em torno de um mesmo estilo de vida.

Os pet parks em shopping centers no Brasil reúnem pessoas que se integram em torno do amor e cuidado por seus animais de estimação. Valores comuns criam o senso de pertencimento entre esses tutores de pets.

Evento na REI

Para que o Omni PDX funcione bem, é essencial que as equipes de loja estejam engajadas e bem treinadas. E é aí que a coisa complica. A qualidade do atendimento nos Estados Unidos vem caindo drasticamente nos últimos anos. Segundo pesquisa da WD Partners, apresentada durante a NRF, um dos motivos pelos quais consumidores preferem comprar online é o mau atendimento que recebem em muitas lojas físicas.

Não dá para dizer que isso é muito diferente no Brasil, em especial quando lembramos que a maior parte das receitas desses funcionários vem de comissão sobre vendas, o que faz deles vendedores e não equipes necessariamente comprometidas com a satisfação dos clientes.

A IA pode ser uma aliada na dura tarefa de elevar o nível do atendimento. Na C&A, por exemplo, a IA ajuda os vendedores a darem valiosas dicas de moda para os clientes. Na Starbucks, agiliza o atendimento e apoia a recomendação de novas bebidas.

A tecnologia pode potencializar o desempenho das equipes de loja e melhorar significativamente a experiência do cliente. Por isso, o Omni PDX ganha força quando elevado à potência IA.

Isso tudo, claro, fica ainda melhor se, à ajuda luxuosa da IA, somarmos um bocado de emoção, empatia e gentileza. Porque tecnologia é meio, não fim. E, no novo varejo, vai ganhar o jogo quem tiver a melhor conexão com seus clientes.

Luiz Alberto Marinho

Luiz Alberto Marinho é sócio-diretor da Gouvêa Malls, consultoria de negócios ideal para apoiar a nova geração de centros comerciais.