Você certamente conhece a Polishop, aquela loja de produtos inovadores, que se propõe a facilitar a sua vida. Fundada em 1999 e gerida até hoje pelo empresário João Appolinário, a empresa se tornou um dos principais players do varejo baseada em uma eficiente estrutura de vendas de mais de mil produtos por meio de call center, e-commerce e 278 lojas físicas por todo o Brasil. O resultado é um incrível faturamento em torno de R$ 1,5 bilhão por ano. Appolinário também é conhecido pelo público, uma vez que aceitou o desafio de ser um dos “tubarões” (empresários investidores) do reality show Shark Tank Brasil – Negociando com Tubarões, exibido no Canal Sony e reprisado na TV Bandeirantes. No início do conturbado momento da economia gerado pelo COVID-19, Appolinário nos recebeu na sede da empresa, em São Paulo, para nos contar sua interessante trajetória e visão dos negócios, além de nos brindar com uma previsão otimista dos caminhos do empreendedorismo pós-pandemia.

A Polishop é um case de sucesso do varejo, que completou 20 anos. O que mudou nos últimos cinco anos?

A Polishop trabalha com inovação. Antecipa tendências de consumo. Muitas vezes criamos categorias, como a da fritadeira Airfryer, isto porque sempre fomos focados não só nos produtos, mas nos seus benefícios. Produto tem preço, benefício tem valor. Trabalhamos com um tripé: saúde,

beleza e tempo. As pessoas estão cada vez mais sem tempo e se preocupando com a saúde do seu corpo e o seu visual. Todos os produtos que comercializamos trazem um ou mais benefícios nesse sentido. Há cinco anos era muito mais difícil vender uma Airfryer ou um steamear (vaporizador) do que é hoje. Outra característica é que os produtos se encaixam muito no desejo pessoal. Quem não gostaria de ter, ao menos, um dos produtos que vendemos?

Todas as lojas da Polishop são próprias?

Sim. São 278 lojas no Brasil todo, sempre em shopping centers. Toda vez que abrimos uma loja, ela vende bem logo de cara, o que é bem diferente de uma loja de varejo normal, porque os clientes podem experimentar os produtos. Eu quero que elas sejam um parque de diversões. Pode correr, deitar, brincar, fazer massagem, comer, se divertir… A loja de experimentação é o varejo do futuro. E já nascemos com este perfil

A Polishop sempre apostou muito em mídia. De anúncio na TV até chegar hoje com estúdios e canal próprios. Como foi essa evolução?

Começamos em 1999 vendendo pela televisão. Mas desde 2003 montamos nosso canal próprio. Há muitos anos temos mais de 100 horas diárias de televisão compradas de terceiros, fora nosso canal que funciona 24 horas por dia. Continuamos com essa mesma exposição em mídia na televisão. O que mudou foi que entramos na mídia digital. Fazemos uma medição do retorno de venda canal por canal. Isso é comum no digital, mas na TV só nós fazemos. Em cada programa, colocamos um número de telefone diferente. Quando o cliente liga na central, eu sei exatamente de onde ele é e de que mídia ele foi estimulado. Assim eu posso saber direitinho qual é o retorno do capital que estou investindo naquela mídia.

Vocês têm uma revista também?

Sim. Tiramos 1 milhão e 300 mil exemplares de cada edição a cada 40 dias. Distribuímos de três formas. A primeira parte vai de brinde na caixa de cada produto que vendemos. A segunda segue via Correios para um mailing do meu banco de dados e a terceira é distribuída nas nossas lojas físicas. Cada reparte dessas revistas tem números de telefone diferentes. Assim eu sei também exatamente de onde o consumidor viu aquela oferta.

Atualmente, qual é o canal que vende mais?

As lojas físicas são responsáveis por 65% das minhas vendas. É uma questão cultural. Por isso aposto no omnichannel, ou seja, todos os meus canais são integrados, um ajudando ao outro a vender melhor. Na Polishop também é possível comprar pelo site ou por telefone e buscar o produto em uma loja ou recebê-lo em menos de duas horas em casa. É diferente do multicanal, onde os canais de vendas são totalmente independentes.

Você também mantém uma fábrica em Manaus. O que você produz por lá?
A fábrica na Zona Franca foi uma oportunidade e uma necessidade. A Genesis produzia a nossa linha de home fitness e acabamos a comprando. Hoje ela quase não dá conta dos nossos pedidos, mas no futuro ela pode até fornecer para outros clientes.

E as imitações que chegam de mercados paralelos?

Nós sofremos muito com as cópias. A Airfryer é um exemplo. Hoje temos só 20% deste mercado que nós mesmos criamos. O resto é tudo cópia. Elas certamente não têm a mesma qualidade do produto original, desenvolvido e patenteado pela Philips.

Você acredita que o e-commerce, que já estava crescendo, vai se tornar mais poderoso agora, por causa do coronavírus?

Sim. Porém o e-commerce até o corona tinha tomado um caminho errado: o do desconto, da destruição do valor. Eu considero que o grande papel do e-commerce é trazer a facilidade, explicar detalhes, medidas, que a loja não oferece… Atualmente as pessoas querem muito mais informações antes de comprar um produto. Esse deveria ser o papel do e-commerce. Por conta dessa pandemia, o mundo parou. O Brasil parou. Quando voltar ao normal, o varejo nunca mais será o mesmo porque as pessoas não serão as mesmas. Elas estão em casa hoje precisando varrer o chão, limpar o sofá, passar roupa, cozinhar todos os dias… Vão entender que já foi o tempo de usar rodo, pano de chão e balde para limpar a casa. Vão acordar de manhã e se quiserem um suco de frutas vão sacar que não vão mais querer usar aquele espremedor manual. A Polishop oferece equipamentos para facilitar tudo isso. Por isso vejo que teremos um crescimento interessante depois da pandemia.

Mudando de assunto, como é que você foi parar no Shark Tank?

Foram três motivos. Primeiro porque meu pai era empreendedor. Tive a mentoria e o smart money dele. Então foi a chance de passar minha experiência para outras pessoas. Esse programa é um dos de maior qualidade da TV brasileira. Ele leva informação para o empreendedor. São cinco pessoas bem-sucedidas que podem fazer o negócio do empreendedor andar. No Brasil ele é obrigado a se preocupar com uma Lei Trabalhista complicadíssima, Lei Fiscal, tributária, ou seja, um monte de problemas que não deveriam ser seu foco. Então a gente entra para auxiliá-lo a lidar com tudo isso. Empreender é um mix de pessoas, processos e sistema. Isso é a base para sustentar qualquer negócio. O segundo motivo é mudar a percepção das pessoas de que o empresário é um aproveitador, um predador, que está nas colunas policiais. O mau empresário é uma minoria. O empresário gera emprego, paga imposto, faz as coisas acontecerem, ajuda os outros. No programa tenho a oportunidade real de ajudar as pessoas a terem sucesso. Quem não quer ter sucesso?

O terceiro motivo…

É fazer com que as pessoas que têm um bom negócio, uma boa ideia e a veia de empreendedorismo cresçam, ganhem dinheiro e me façam ganhar também. Faz parte do meu DNA fazer bons negócios. Mas se eu entro e vejo que não é sustentável, encerro a minha participação. Atualmente invisto em 14 empresas. Duas não deram certo porque não depende só de mim. Muitas vezes o empresário que recebe nosso investimento acha que o

problema dele está resolvido. Não! Ali é que está começando… O investidor vai querer resultados. O empreendedor vai ter que trabalhar muito mais. Eu investi em pessoas excelentes e outras que não estavam a fim. Faz parte de todo negócio.

Algum desses investimentos exigiu mudança de planos?

Da última temporada ainda tem quatro empresas que estamos na fase final de estudo. Tem vezes que, ao finalizar este estudo, eu avalio novamente se faz sentido entrar no negócio. Sei que vai dar certo, mas o negócio vai ser sempre pequeno. Nós temos poucos minutos no programa para avaliar a situação. Não existe um negócio que você fecha em 10 minutos de perguntas. Por outro lado, a gente está em contato com as últimas tendências do mercado. É um programa muito bacana.

Por falar em tendências, você está otimista com a recuperação da economia no pós-coronavírus?
Sim. Acho que essa situação pode até facilitar. Agora não depende mais de uma vontade política. Será uma necessidade real mudar as coisas. Antes a água estava no peito, agora já chegou no nariz! As reformas têm que ser feitas. Quando Congresso quer, vota rápido. Vai haver também uma mudança na forma dos investimentos. Quem comprou ação de uma empresa, virou sócio dela. Se ela desvaloriza, uma hora vai retomar o fôlego. Não tem problema. Já quem especulou se deu mal. O dinheiro vai voltar para a vida real. Estou muito otimista com a retomada. Temos 220 milhões de consumidores que perderam temporariamente seu poder de compra, mas eles voltarão a comprar porque isso tudo passará. Mas voltarão diferentes. Eles vão ser muito mais clientes Polishop do que clientes de produtos de baixa qualidade e que não trazem benefício para suas vidas. Comprar por comprar vai acabar.

fonte: Por Leonardo Millen, GOWHERE LISFESTYLE E GASTRONOMIA.

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