Defende volta no Pronampe e Peac – Vacinação precisa ser prioridade – Crescimento de 3% é “medíocre” -Produção cairá em março e abril

O economista-chefe da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Renato da Fonseca, foi entrevistado na 6ª feira (30.abr.2021) por vídeo conferência Divulgação/CNI

O economista-chefe da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Renato da Fonseca, 58 anos, disse que o governo foi “relutante” sobre os impactos da 2ª onda de covid e atrasou os estímulos em 2021.

De acordo com Fonseca, o Ministério da Economia e o Congresso precisam entrar em acordo para ajudar as empresas aumentarem o capital de giro. Citou o adiamento do pagamento de tributos e a volta de programas de acesso ao crédito, como o Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte) e o Peac (Programa Emergencial de Acesso a Crédito).

Essas medidas foram adotadas em 2020, início da pandemia. Mas foram interrompidas em 2021.

Fonseca foi o entrevistado do Poder Entrevista. A gravação foi feita por videoconferência na 6ª feira (30.abr.2021). Assista (31min14seg):

“Não tem o que reinventar. [As medidas] Precisam ser reeditados. Se isso não for feito, teremos dificuldade de retomada: as empresas vão começar a quebrar, haverá mais dificuldades de conseguir insumos, além de desmontar as cadeias produtivas“, disse o economista.

Segundo Fonseca, a indústria perdeu espaço no PIB (Produto Interno Bruto) e é preciso adotar medidas para aumentar a competitividade do setor. Entre elas, a reforma tributária. É defensor de um imposto sobre valor agregado único para todos os setores da economia.

O economista-chefe da CNI defende que o aumento da produtividade na indústria é essencial para que o país volte a crescer de forma sustentável nos próximos anos.

A CNI estima que o PIB do setor avance 3% em 2021 o que, segundo ele, é “medíocre“. O país tombou 4,1% no ano passado, sendo que a indústria tombou 3,5%.

Em fevereiro, a produção industrial recuou depois de 9 altas consecutivas. Na próxima 4ª feira (5.mai.2021), o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) vai divulgar os dados de março. Fonseca que deverá ser um resultado ruim. O mês teve agravamento da pandemia de covid-19 e mais restrição ao fluxo de pessoas.

“Estamos entrando novamente numa crise agora. Provavelmente o resultado de março [que sairá na próxima 4ª feira, 5 de maio] vai ser ruim, assim como de abril”, disse. “Deve ter uma queda que a economia vai sentir, mas a expectativa é que volte a crescer de maneira até mais fácil neste ano do que no anterior”, concluiu.

Leia trechos da entrevista:

reabertura – “A gente espera uma recuperação em maio. Podemos até retomar rápido, mas a indústria tem um problema sério de competitividade e crescimento“;
melhor do que em 2020 – “As medidas de isolamento social neste ano foram menos intensas e rigorosas do que o ano passado. […] Houve um cuidado maior e um receio de agravar a situação econômica por parte dos governadores e prefeitos“;
vacinação – “Seria ótimo se nós tivéssemos comprado vacinas na frente. Foi o que os países fizeram, sem saber se teria sucesso ou não. É um risco, mas pensado para minimizar o tempo de vacinação“;
normalização da economia – “A gente acredita que será até o final do 2º semestre, principalmente indústria e comércio”;
reforma tributária – “Se a gente não consegue aprovar agora, acaba ficando para depois das eleições. É essencial a gente repor essa discussão“;
agricultura não é suficiente – “O PIB cresceu 0,3% [ao ano na última década]. A agricultura cresceu 3%, é um setor importantíssimo pro Brasil que gera retorno nas exportações. Mas é preciso que a indústria cresça também pelo maior poder de distribuição de demanda“;
alta da Selic em março – “Não era o momento adequado, porque a demanda já iria cair com as medidas de restrições à mobilidade social. Poderia ter esperado um pouco mais“.

Fonte: https://www.poder360.com.br/economia/governo-demora-a-retomar-estimulos-as-empresas-em-2021-diz-economista-da-cni/

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