Diante do cenário desafiador vivenciado pelo segmento da moda, o Sebrae e a Lojas Renner se uniram para apoiar micro e pequenas empresas que fazem parte da cadeia produtiva da varejista. A nova parceria vai proporcionar, de maneira gratuita, um conjunto de consultorias para gerenciamento de crise e gestão financeira em 220 pequenos negócios de seis estados brasileiros (Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais).
As consultorias serão oferecidas ao longo de dois meses, customizadas para a realidade de cada empresa, no formato online, para atender às recomendações de distanciamento social devido ao coronavírus. Serão seis encontros virtuais, totalizando 12 horas de atendimento, divididos em três temáticas: gestão financeira; linhas de crédito disponíveis no mercado; e dispositivos do governo e outras ações para o enfrentamento da pandemia.
De acordo com o diretor técnico do Sebrae, Bruno Quick, com o serviço individualizado, os empresários terão condições de avaliar rapidamente qual caminho seguir na gestão dos negócios, a partir da realidade e nível de preparação de cada um diante da crise. “A finalidade é um atendimento que leve clareza para esse empresário na tomada de decisão porque ele não pode esperar muito para redirecionar o seu negócio. Mais do que nunca, ele precisa de um atendimento pontual, rápido e efetivo para a gestão e sobrevivência da empresa”, explica.
Em recente pesquisa realizada pelo Sebrae que avaliou os impactos da Covid-19 nos pequenos negócios, os empresários do segmento da moda afirmaram ter enfrentado queda brusca no faturamento.
Para o diretor de produto da Lojas Renner, Henry Costa, a capacitação ajudará os pequenos empresários a se adequarem a este novo momento, permitindo que eles utilizem os recursos disponíveis da forma mais adequada. “Este projeto se soma a outras iniciativas que a Renner vem adotando para apoiar sua cadeia de fornecedores, dentro da nossa atuação de responsabilidade social e corporativa. Estamos trabalhando de maneira colaborativa com nossos parceiros, buscando soluções conjuntas que preservem a força do setor”, afirma.
Parte das empresas beneficiadas pelas consultorias também receberá da Renner um subsídio financeiro, com o objetivo de auxiliar na manutenção dos empregos e na reestruturação do negócio, podendo impactar positivamente mais de 2 mil pessoas. O investimento total da varejista é de R$ 1,5 milhão.
A relação entre o Sebrae e a Lojas Renner existe desde 2017, quando uniram esforços para apoiar a cadeia têxtil por meio do Programa Nacional de Encadeamento Produtivo. Desde então, mais de 200 micro e pequenas empresas passaram por um processo de qualificação empresarial com duração de 12 a 18 meses, recebendo capacitação em temas estratégicos para a gestão do negócio. O programa apresentou resultados gerais de aumento de produtividade de 23% e de competitividade de 55%, e se prepara para mais um ciclo de atividades no segundo semestre de 2020.
Mecânica
O trabalho está sendo efetuado com as seguintes etapas: no primeiro momento, o Sebrae e a Renner fizeram uma pré-seleção dos empresários que apresentavam um conjunto específico de critérios, como ser um pequeno negócio, um número considerável de empregados, a localização das regiões estratégicas para a Renner e com cobertura pela rede de consultores Sebrae. O contato está sendo feito pelos gestores do Sebrae nos estados comunicando que a consultoria está disponível. As instituições irão também formar lista de interessados e havendo vagas remanescentes esses empresários poderão ser atendidos.

fonte: portal Sebrae   25/05/2020

Segundo Fecomércio PR, os únicos setores com crescimento nas vendas foram farmácias, supermercados e, em menor proporção, combustíveis

Em março, início do isolamento social no Paraná, os únicos setores do varejo que tiveram crescimento nas vendas foram farmácias, supermercados e, em menor proporção, combustíveis. Os demais, como era esperado, tiveram perdas no faturamento. De acordo com dados da Pesquisa Conjuntural da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio PR), a atividade comercial paranaense teve redução média de 9,01% no primeiro mês da pandemia.

SUPERMERCADO E FARMÁCIA
Os registros dos primeiros casos de Covid-19 no Paraná provocaram uma corrida às farmácias e supermercados, que tiveram aumento de 21,46% e 16,33%, respectivamente, na comparação com o mês de fevereiro. Garantir o tanque cheio foi outra preocupação dos paranaenses, que levou a uma elevação de 2,47% no movimento dos postos de combustíveis.

NÃO ESSENCIAIS
Os setores que apresentaram as maiores perdas em março em relação a fevereiro foram os que comercializam bens considerados não essenciais, tais como vestuário (-43,20%), calçados (-38,92%), livrarias e papelarias (-34,70%), lojas de departamentos (-33,91%) e concessionárias de veículos (-33,15%). Isso demonstra que o reflexo inicial dos paranaenses diante da pandemia foi cortar despesas desnecessárias. O fechamento obrigatório de muitas lojas também limitou os negócios, uma vez que nem todas as empresas comercializavam seus produtos por plataformas digitais e muitas tiveram que se adaptar e migrar para novos canais de vendas.
Da mesma forma, na comparação com março do ano passado, apenas os supermercados (12,04%) e as farmácias (9,71%) apresentaram crescimento e a média geral das perdas no comércio do Estado ficou em 11,27%.No acumulado de janeiro a março o varejo estadual teve queda de 3,07%, sendo que os únicos setores que não amargaram prejuízos foram farmácias (6,86%), supermercados (6,60%) e combustíveis (2,45%).

ANÁLISE REGIONAL
Dentre as seis regiões pesquisadas pela Fecomércio PR, somente o varejo de Ponta Grossa teve crescimento de 1,82% nas vendas em março na comparação com fevereiro. Em sentido oposto, a região Oeste foi a que mais sofreu no início da pandemia, com retração de 24,87% no faturamento do comércio. Em Maringá as perdas foram de 12,20%; no Sudoeste de 9,64%; em Londrina, o varejo pereceu 8,77%, e em Curitiba e Região Metropolitana a redução foi de 3,41%.

MARÇO DE 2019
Na comparação com março do ano passado, em todas as regiões os resultados foram negativos. Novamente a região Oeste teve a maior baixa nas vendas, com -24,54%, seguida por Maringá (-21,01%), Sudoeste (-16,55%), Londrina (-11,63%), Ponta Grossa (-7,58%) e Curitiba e RM (-4,80%).
Já no acumulado do ano (janeiro a março), apenas Curitiba e Região Metropolitana manteve o volume de vendas positivo, com pequena alta de 0,59%, ainda como consequência do bom desempenho que vinha apresentando até então. Nas demais regiões, os comerciantes tiveram perdas: Ponta Grossa (-4,32%), Londrina (-4,82%), Sudoeste (-5,86%), Região Oeste (-7,43%) e Maringá (-10,19%).

fonte: blog prof. Aroldo,  27 maio , 2020

Empresas envolvidas em questões sociais, como é o caso do Magazine Luiza, são mais elogiadas pelas pessoas.
O Magazine Luiza (MGLU3) é a empresa com a melhor imagem durante a crise, revelou um estudo da ESPM Rio sobre as mudanças de comportamento e consumo em tempos de isolamento social.
A pesquisa, realizada entre 28 de abril e 1º de maio com 300 participantes, mostrou que as restrições de locomoção geraram um nível de consciência maior.
“O comportamento do consumidor está mais racional, alterando suas percepções sobre marcas, pessoas, sentimentos”, afirmou Karine Karam, pesquisadora do think tank cRio ESPM.
Empresas envolvidas em questões sociais, como é o caso do Magazine Luiza, são mais elogiadas pelas pessoas. Logo no começo da pandemia de coronavírus, a varejista anunciou medidas para reduzir os impactos causados pela covid-19, preocupando-se com a segurança de funcionários e clientes e a saúde dos negócios.
A Madero, por outro lado, é a empresa mais criticada pelos consumidores. O levantamento relembrou o vídeo do fundador, Júnior Dursk, no qual ele afirmava que a economia não poderia parar, mesmo que mortes ocorressem.
Produtos mais consumidos
A demanda por material para escritório e artigos de limpeza se destaca durante o período de isolamento, reflexo da adoção do home office. 44% dos entrevistados, inclusive, estão trabalhando em casa por decisão da empresa. Há ainda 83% que irão aderir ao regime de trabalho remoto com mais frequência após o isolamento.
Compras online foram realizadas pelo menos uma vez por 45% dos entrevistados, dos quais 70% compraram produtos para melhorar o conforto da casa, com destaque para máquinas de lavar louça e itens relacionados ao trabalho ou ao estudo.
A pesquisa também mostrou que sete em cada dez entrevistados estão preocupados com a qualidade dos produtos de limpeza.
fonte: Por Diana Cheng 27/05/2020 – 9:00 Money Times

com 2,5 mil lojas abertas no País, executivo vê retomada lenta da economia após crise do coronavírus; ele participou da série ‘Economia na Quarentena’, do ‘Estadão’

O setor de cosméticos, em tempos de crise, é visto geralmente como um privilegiado porque é beneficiado pelo que os economistas chamam de “efeito batom”. Como o custo dos produtos é relativamente baixo, mesmo em cenários de retração, os cosméticos acabam tendo um bom desempenho. Não é o que está ocorrendo durante a pandemia de coronavírus, segundo o presidente do Grupo Boticário, Artur Grynbaum. “Nessa crise o efeito batom não apareceu, porque o convívio social ficou prejudicado”, disse o executivo, que participou da série de entrevistas ao vivo Economia na Quarentena, do Estadão.

Para Grynbaum, a retomada será lenta – e as dificulades irão muito além dos três ou quatro meses inicialmente previstos. “A volta é bastante lenta. Nos primeiros dias, tem um certo consumo represado. Fora isso, o movimento é lento”, afirmou o presidente do grupo de cosméticos. “Está bastante turvo o cenário, está difícil entender a dimensão da crise. A crise não é só de saúde, é econômica e aqui no Brasil ainda tem o componente político. Isso dificulta números mais assertivos de retomada.”
Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista:
Qual será o plano de construção de retomada do Boticário pós-pandemia?
O plano já está em marcha. Hoje, temos em nosso portfólio de 4 mil lojas, sendo que cerca de 2,5 mil já abertas em diversas regiões do País. Obviamente, são em cidades menores. Mas estamos orquestrando com nossos franqueados e distribuidores para retomarmos de maneira segura. Para isso, temos de ter as nossas fábricas em funcionamento e nossa distribuição. Os nossos escritórios estão em home office.
O setor de cosméticos é de experimentação. Vocês estão revendo alguns desses processos?
Estamos revisitando tudo. É muito importante a segurança dos consumidores que iremos voltar a receber. Eles precisam ter segurança para entrar em nossos ambientes. Teremos padrões de distanciamento dentro e fora das lojas. Retiramos todos os testes, foram colocados todos atrás do caixa. A consultora pegará uma fita ou um produto de forma altamente higienizada. Na maquiagem, estamos colocando instrumentos digitais no ponto de venda para que se possa fazer maquiagem virtual. Tem todo um treinamento para que não se abra mão da experiência. Nosso setor passa por cheiro, por toque e sensorial.
O grupo Boticário tem a maior rede de franqueados do País. Há algum tipo de auxílio pensado para eles?
Estamos agindo nesse momento de crise do mesmo jeito que nos últimos 43 anos de história. Muito focados na questão do consumidor, trabalhando lado a lado na nossa rede para entender suas reais necessidades. Os nossos parceiros de negócios, estamos trabalhando de maneira conjunta. Num primeiro momento, na questão de ordem financeira. Fizemos prorrogações dos títulos de março e abril para que eles tivessem mais tempo para que eles olhassem suas operações e times, além de contratos de locação. Fizemos um longo parcelamento de produtos. Temos um longo relacionamento com os franqueados, sendo que muitos estão na segunda geração de administradores.
Os setores vão se recuperar de forma desigual. Como o setor de cosméticos deve se comportar?
Num primeiro momento da pandemia, as pessoas se voltaram para as necessidades essenciais. A busca foi para álcool em gel, sabonetes. Na sequência, itens de uso rotineiro, como xampus e desodorantes – coisas que as pessoas continuaram a consumir. Nesse período, surgiu a figura do faça você mesmo. Com salões de beleza fechados, as pessoas não querem abrir mão de ter o cabelo hidratado. Então, elas estão buscando alguns produtos para fazer as aplicações em casa. Tem uma terceira questão, que é a da indulgência. Ou seja, a pessoa querer se cuidar. Então, os produtos de cosméticos e de perfumaria, por ter um baixo valor econômico, com um alto impacto de bem-estar entre as pessoas, vamos ver nos próximos tempos. Mesmo em maquiagem teve uma melhora, embora não tenha voltado aos níveis pré-crise.
Como está o movimento das lojas?
A volta é bastante lenta. Nos primeiros dias, tem um certo consumo represado. Fora isso, o movimento é lento. As lojas de shoppings ainda estão com movimento bastante baixo, assim como as das regiões centrais da cidade. Nas lojas de bairro e de hipermercados, o movimento está melhor. As pessoas associam a questão os cosméticos como um setor resiliente à crise. As pessoas associam ao ‘efeito batom’. Só que, nesta crise, o efeito batom não apareceu porque o convívio social está prejudicado. Esperamos que retorne na sequência.
O cenário econômico está muito difícil de prever? A crise política no Brasil, com a saída de vários ministros, agrava essa situação?
Está bastante turvo o cenário, está difícil entender a dimensão da crise. A crise não é só de saúde, é econômica e aqui no Brasil ainda tem o componente político. Isso dificulta números mais assertivos de retomada. A gente entende que não vai ser uma questão de três ou quatro meses. Vai demorar para voltar ao ponto em que estávamos em março de 2020. É um ledo engano pensar que vai ser rápido. Obviamente quanto mais volatilidade, mais fica difícil de prever. Temos nossas curvas de demanda, e temos de estar preparados para acelerações ou recuos. Mas está turvo, porque hoje estamos dependendo de humores. E precisamos olhar para fundamentos para tomar melhores decisões.
A empresa lançou mão de medidas do governo de suspensão de contratos ou corte de salários por causa da pandemia?
Estamos tentando o máximo possível preservar os empregos. Então lançamos mão da MP 936 e colocamos contratos em suspensão. Depois desse período, a gente espera ter uma visão melhor para termos mais condições de tomar decisões lá na frente. Mas estamos até contratando para algumas posições específicas.
E que tipo de profissionais a empresa está trazendo agora?
Não só para o nosso caso, mas para o mercado inteiro a tecnologia avançou muito. Eu tenho ouvido das empresas cinco anos em dois meses. Estávamos embarcados em transformação digital e fomos jogados, com a crise, em um movimento de esquecer os testes para partir para a escala. Nosso franqueado trabalha com e-commerce, vendas por WhatsApp, chat e outras tecnologias.
O Grupo Boticário segue apenas os decretos de Estados e municípios na hora de reabrir lojas? Ou acompanha os casos por conta própria?
Estamos fazendo um acompanhamento próprio e próximo. Estamos tendo cuidado na reabertura das lojas. O pilar essencial é a segurança das pessoas. Temos acompanhando os decretos municipais e estaduais, mas fazemos um acompanhamento separado por município: número de casos, mortes e leitos disponíveis, entre outros indicadores. E, em posse disso, vamos conversar com nossos franqueados para entender a situação de cada região. Já teve casos em que foi determinada a reabertura e nós não realizamos, por entendermos que não existia um ambiente seguro. Em Belém do Pará, nós fechamos as lojas em 22 de março. A autoridade pública só determinou o fechamento em 25 de abril, entrando oficialmente em vigor no dia 4 de maio. E nesse período todo nós já estávamos fechados, pois já víamos a possibilidade de crescimento de casos. Temos tido esse costume em várias praças. Precisamos de indicadores para tomar as nossas decisões.
Fica alguma lição para as empresas dessa crise sem precedentes?
Acho que a grande lição vem da colaboração. E também a questão de romper barreiras imaginárias. A própria questão do home office, o receio que havia de fazer. E aconteceu que fomos obrigados a fechar os escritórios e dois dias depois estávamos todos em casa. E as coisas funcionam. Nos adaptamos e fomos bem. E agora temos de planejar o retorno para inserir essa realidade. São mudanças importantes que estavam sendo semeadas, a busca por modelos de solução de problemas – e agora ele está aí. Tem sido um chacoalho bastante grande. Temos de olhar para frente para reproduzirmos esse bom comportamento no futuro.

fonte:Fernando Scheller e Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo
26 de maio de 2020 | 16h40

Equipamento já foi vendido a academias e salões de beleza. Setor mira na descontaminação para retomar atividades
Depois do álcool em gel, das máscaras, óculos de segurança e luvas, outro “acessório” tende a ganhar força Brasil afora. Em Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro, um fabricante de purificador de ar e uma empresa de balões infláveis se uniram para produzir túneis de descontaminação.
O objetivo da criação é mitigar a proliferação do coronavírus e ajudar o comércio na adaptação do processo de abertura da economia, ainda sem data para ocorrer.
Embora tenha sido criada há apenas um mês, o empreendedor Guilherme Costa, diretor comercial da Astech, fabricante do purificador de ar, diz que já foram vendidos cem túneis para salões de beleza, academias e restaurantes para o Brasil inteiro.
— Temos capacidade para produzir oito produtos por dia. Nosso objetivo é elevar a nossa capacidade para doze equipamentos diários. Agora, estamos desenvolvendo uma cabine de descontaminação, que ocupa metade do espaço de dois metros do túnel.
Segundo ele, o túnel utiliza ozônio em pequenas proporções (entre 0,02 e 0,08 partícula por milhão) que elimina vírus e bactérias presentes na pele e na roupa após uma exposição de dois minutos. Iniciativas semelhantes já são adotadas na Europa e Ásia.
Por usar ozônio, Costa diz que não é necessário autorização da Anvisa.
— Eu tive a ideia de fazer essa solução após ver que as pessoas estavam confundindo túnel de descontaminação com túnel de desinfecção, que usa produtos químicos e precisa de autorização da Anvisa e é usado em hospitais, por exemplo. É importante que as pessoas saibam a diferença. Muito empresário me liga sem saber que existem esses dois produtos — afirma Costa.
De olho na proteção, o comércio vem apostando na iniciativa para proteger seus clientes assim que a abertura for possível. O salão Care Ipanema, na Zona Sul do Rio, já instalou em sua entrada o túnel de descontaminação do produtor da região Serrana do Rio.
Segundo Ivani Werneck, dona do salão, a solução vai proteger seus funcionários e clientes. Além disso, ela lembra que o produto é ecologicamente correto, uma vez que não há emissão de gases poluentes.
— Esse é mais um item que vamos usar para a proteção. É preciso apostar em tudo para aumentar a prevenção. Quero estar pronta quando tudo voltar ao seu ritmo normal — disse ela, listando itens já obrigatórios na nova rotina como álcool em gel e máscaras.
A empresária que comanda o salão de 450 metros quadrados reclama da falta de sintonia entre o governo federal e municipal:
— Confesso que ficamos perdidos. Abrir como quer o presidente Jair Bolsonaro ou seguir a determinação do governo local. É muito confuso. Estamos à deriva.

fonte: Bruno Rosa 22/05/2020 – exame

Mesmo sendo de um dos setores mais afetados pela crise do coronavírus, a Riachuelo entendeu que poderia ajudar seus funcionários e mudou o foco de sua produção: saem as peças de roupas, entram as máscaras de proteção individual, que segundo o CEO da empresa, Oswaldo Nunes, estão ajudando pequenos produtores do sertão do Rio Grande do Norte a manter sua renda e fazer girar a economia da região.
“Os itens saem de nossas oficinas de corte para serem levados a pequenas oficinas que integram nossa cadeia produtiva, e que por meio destas máscaras estão conseguindo manter o sustento de suas famílias. Isso vem de encontro a nosso propósito de transformar vidas através da moda.”

A rede de pequenas oficinas faz parte do projeto PróSertão, que atua na região do Seridó (RN) e que até agora já doou mais de 957 mil máscaras de proteção, 28 mil jalecos hospitalares, mais de 12 mil aventais para pacientes, 9 mil propés, 15 mil toucas e 17.500 toalhas e mantas.
“A Riachuelo está ciente do seu papel na sociedade e se movimentou para ajudar a população no momento da pandemia. Fomos a primeira empresa do setor a doar peças de EPI para profissionais da linha de frente.”

fonte: Da CNN, em São Paulo 21 de Maio de 2020 às 23:20

Os shoppings centers de Curitiba garantem que estão prontos para reabrir a qualquer momento. Após uma paralisação inédita na história de 60 dias, ocasionada pela Covid-19, uma série de medidas foram adotadas e serão colocadas em prática assim que o Poder Público liberar o funcionamento.

A expectativa é que tudo volte a funcionar na próxima segunda-feira (25) e de forma gradual, com a adoção, por exemplo, de apenas um turno de funcionários, medição de temperatura corporal na entrada e reforço na higienização. Os shoppings seguem um “Protocolo de Operação após Reabertura dos Shoppings“, elaborado pela Associação Brasileira de Shoppings Centers (Abrasce).

Para a superintendente do ParkShoppingBarigüi, Jacqueline Lemos Vieira, a intenção é fazer com que os clientes sintam que circular dentro de um shopping vai significar estar em um ambiente seguro em relação ao coronavírus.

“Estamos prontos. Já adotamos todas as medidas o protocolo da Abrasce* e da Multiplan com medidas como o distanciamento das pessoas, limpeza triplicada, eliminação de lounges, contador de pessoas nos carros e dentro do shopping, medição de temperatura corporal na entrada, uso de máscaras, alguns banheiros fechados, além de uma série de medidas. Tenho certeza que o shopping será um ambiente em que todos vão querer estar porque irão confiar que estarão num ambiente seguro e controlado”, diz Lemos.

O dono das lojas Visorama, Dionisio Wosniaki, está otimista e acredita na reabertura das lojas na segunda-feira. Ele diz que deu férias coletivas, depois suspendeu contratos de acordo com as regras do governo, mas não demitiu ninguém.

“Temos a preocupação com a vida, mas também temos a preocupação que não haja um caos social com demissão em massa. Não há dúvidas que o shopping será um local ainda mais seguro que a rua porque nas ruas, ninguém tem uma liberdade maior de falar se houver alguma aglomeração, mas dentro do shopping tudo será controlado, com fiscalização. A reabertura é uma necessidade para toda a sociedade”, diz o lojista.

A superintendente na Shopping Mueller, Daniela Baruch, garante que todas as práticas para garantir a segurança de clientes, lojistas e funcionários foram adotadas.

“Estamos preparados para abrir. Temos 200 operações que estão paradas há mais de dois meses com uma série de encargos como folha de pagamento, manutenção, tendo que bancar tudo com faturamento zero, com exceção de algumas lojas de alimentação que oferecem delivery. Todos irão se sentir seguros com as medidas tomadas”, afirma Baruch

Entre as medidas tomadas estão a adoção de apenas um dos turnos de funcionários com horário de funcionamento reduzido, distanciamento de mesas nas praças de alimentação, redução do número de entradas, entre outras medidas com recomendações fundamentais para um ambiente seguro, baseadas em referências internacionais e no Comitê de Operações da Abrasce.

“Desde o início da crise, a Abrasce tem se posicionado e atuado em conjunto com autoridades e representantes de diferentes grupos empreendedores para discutir medidas preventivas e cuidados com a saúde e higiene de clientes e colaboradores, assim como melhores práticas relacionadas às operações dos empreendimentos. Com este material pretendemos contribuir para a higienização correta dos ambientes e a retomada segura e organizada das operações”, garante Glauco Humai, presidente da Abrasce.

Saúde está analisando
O secretário estadual da Saúde, Beto Preto, analisou em entrevista à Banda B o pedido da Associação Comercial do Paraná (ACP) para reabertura dos shoppings. Ao radialista Geovane Barreiro, na tarde desta quinta-feira (21), ele afirmou que a pasta tem analisado todos os pedidos de retomada de serviços não essenciais, mas admitiu que o momento é “muito difícil”.

“Estamos trabalhando nisso há muito tempo e temos a obrigação de analisar tudo que chega até a gente. Estamos analisando também outras demandas, como é o caso dos treinos de times de futebol, o trabalho em frigoríficos e a retomada de igrejas. Tudo o que pudermos agilizar a liberação, com devidas restrições, vamos fazer para possibilitar a retomada de um pouco do cotidiano normal. É um momento muito difícil para fazer isso agora, porque estamos vendo o aumento do número de casos, mas de maneira restrita é possível voltar a trabalhar pelo menos em uma margem pequena”, disse.

De acordo com boletim divulgado pela Secretaria Estadual da Saúde, o Paraná registrou 194 novos casos da Covid-19 em 24 horas. É o terceiro dia seguido que o alto número chama a atenção do Governo do Paraná. Na terça-feira (19) foram 120 novos casos. Já na quarta, 136.

Beto Preto, porém, acredita que é possível retomada de trabalho pelo menos em uma margem pequena. “O que não pode haver é aglomeração de pessoas, o que não pode haver é a falta de respeito com higiene. Se for possível, vamos opinar pela reabertura, mas eu insisto, se houver aumento abrupto do número de pessoas infectadas, podemos voltar atrás em algum momento”, disse.

Veja o que deve mudar na reabertura dos shoppings, segundo o protocolo dos shoppings, elaborado pela Abrasce:

fonte:  Banda B, Por Denise Mello e Rafael Torquato em 22 de Maio, 2020 as 11h53.

O ministro Paulo Guedes em reunião do Conselho de Governo: plano da equipe econômica para retomada da economia no pós-coronavírus é essencialmente igual ao projeto de antes da pandemia
A crise causada pela pandemia do coronavírus atingiu em cheio os mais diversos setores da economia e derrubou as projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano: a expectativa do governo é de uma queda de 4,70%, a maior desde 1901. O número pode ficar ainda pior, pois os casos de Covid-19 continuam aumentando e as medidas de isolamento social ficam cada vez mais duras. Mas, mesmo em meio a esse cenário desolador, é preciso pensar em uma estratégia de recuperação da economia para tornar a inevitável recessão a mais curta possível.

O Ministério da Economia acredita que a partir de agosto já será possível dar início ao plano de retomada, caso não seja necessário prorrogar as medidas de isolamento social. Mas não se trata de nenhum programa novo: a equipe econômica quer retomar a agenda pró-mercado, que inclui reformas estruturantes, novos marcos legais, privatizações, concessões e medidas de desburocratização e acesso ao crédito (veja lista completa ao fim desta matéria).

A pasta também afirma que será preciso pensar em programas permanentes para redução do desemprego e da pobreza, que vão aumentar no pós-pandemia. As soluções para essas questões, contudo, ainda então em fase de elaboração pelo governo, enquanto a agenda pró-mercado já está em grande parte em tramitação no Congresso.

Ainda assim, mesmo com a agenda pró-mercado sendo implementada junto às medidas para combate ao desemprego e à pobreza, o processo de recuperação será um pouco longo. A previsão é que ele comece no segundo semestre e se estenda por todo o ano de 2021.

Essa é a estimativa da Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Economia. Nas contas da secretaria, a recomposição do PIB nos valores pré-crise do coronavírus, ou seja, para o mesmo patamar de dezembro de 2019 acontecerá somente em 2022.

Reformas voltarão à pauta no segundo semestre
Para os técnicos da pasta, não há outro caminho senão a agenda pró-mercado. Eles explicam que o ministério teve que virar a chave nesse momento de pandemia para desenhar medidas de socorro às empresas e aos trabalhadores, mas que logo depois o governo voltará com a agenda ancorada, principalmente, nas reformas.

“A prioridade [do Ministério da Economia] agora é tomar medidas para a pandemia, mas as reformas, que são a nossa chave para o país crescer de forma sustentável, voltam com força total logo depois que a pandemia passar”, afirmou o número dois da pasta, o secretário-executivo Marcelo Guaranys, em uma entrevista coletiva. “Elas [as reformas estruturantes] não foram largadas, nem esquecidas. Elas estão suspensas para a gente retornar logo depois”, completou.

“Ou nós vamos fazer as reformas pró-mercado que o nosso país precisa, ou não vamos continuar sendo um país de renda média. Se nós queremos ir pro caminho da prosperidade, existe o custo a ser pago. É o custo das reformas”, afirmou, também em coletiva, o secretário de Política Econômica do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida.

A SPE afirma que a situação do país no pós-pandemia será bastante desafiadora, pois as contas públicas estarão ainda mais deficitárias, a relação dívida/PIB se aproximará de 90%, o desemprego subirá, a produção e a renda cairão, as empresas ficarão mais endividadas e o número de estabelecimentos comerciais que vão ir à falência aumentará.

“Nesse sentido, a agenda de reformas que visa a consolidação fiscal, a manutenção do teto de gastos, e o aumento da produtividade da economia serão ainda mais urgentes para evitar que essa crise transitória tenha efeitos permanentes sobre a economia”, diz a SPE.

O secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, defendeu ainda acelerar as privatizações e as concessões em 2021 para ajudar o país a sair da crise. “Precisaremos fazer todo o esforço para aumentar o investimento, e esse investimento tem que ser pelo capital privado. Não podemos mais atrasar essa agenda.”

A retomada pelo investimento privado, contudo, não é unanimidade dentro do governo. O ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, e a ala militar vislumbram um plano de retomada baseado em obras públicas de infraestrutura. Eles até chegaram a anunciar o programa, que foi batizado de Pró-Brasil e não teve o aval do Ministério da Economia.

“A retomada não é repetir os erros de governos passados, que justamente tentando essa saída através só de obras públicas cavaram um enorme buraco e quebraram o Brasil. Não vamos caminhar cavando mais fundo para ver se saímos do buraco. Ninguém consegue sair do buraco cavando mais fundo no próprio buraco”, disse Guedes a jornalistas.

“Levantar o PIB apenas com investimentos públicos é querer se levantar pelo suspensório ou pelo cinto. Não dá”, relembrou o ministro em outra ocasião. “O setor privado será o motor do crescimento. O setor público fez isso nos últimos 30 anos e o final está sendo melancólico”, cravou.

Coube ao presidente Jair Bolsonaro jogar água na fogueira e dizer que quem manda na economia é o ministro Paulo Guedes – em quase todos os casos. “O Paulo Guedes é dono de 99% da pauta”, disse o presidente.

A Secretaria de Política Econômica também ressalta que será necessário pensar em políticas públicas sem atrelá-las ao aumento de despesa. “A precária situação fiscal demandará melhora nas políticas públicas sem o aumento da despesa pública, preservar o teto de gastos é fundamental para garantir a retomada econômica.”

O que dizem os economistas sobre o plano do governo
O professor e doutor em Economia pela Universidade de Brasília (UnB) Roberto Ellery vê como correta a estratégia do governo de retomar a agenda pró-mercado após o controle do coronavírus.

Ele diz que o objetivo do Ministério da Economia é mudar a lógica – que perdurou por anos – de que o investimento público é quem puxa o crescimento. “A leitura da área militar [do governo] é uma volta do PAC [Plano de Aceleração do Crescimento], dos planos nacionais de desenvolvimento, do governo financiando e coordenando os esforços de recuperação. Eu acho que seria um erro”, afirma o professor, especialista em finanças públicas.

Ellery afirma que a retomada tem que ser em cima de investimento privado, mas, para isso, é preciso atualizar as normas e regulações para convencer o setor privado a investir no país. Ele cita como exemplo remodelar a lei de licitações, os marcos legais dos diversos setores da economia e as licenças exigidas para construção de empreendimentos.

Para o economista Cláudio Considera, pesquisador associado do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV) e ex-titular da antiga Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae), a agenda traçada pelo Ministério da Economia não será suficiente.

“A gente vinha com essa agenda antes e os dados mostram que a economia vinha andando de lado. O PIB vinha crescendo abaixo do esperado. Neste ano, mesmo antes da crise, dados do monitor do PIB da FGV mostravam que íamos continuar crescendo 0,8% a 1%. O PIB agora [com o coronavírus] vai levar um tombo”, disse à Gazeta do Povo.

Em março – quando houve “meio mês” de distanciamento social –, o Indicador de Atividade Econômica da FGV caiu 5,6% em relação a fevereiro. No primeiro trimestre do ano, a queda foi de 1,4% em relação aos últimos três meses de 2019. “Em abril, maio e junho também não teremos desempenho bom”, avalia o pesquisador.

Considera diz que as privatizações e concessões de ativos à iniciativa privada demoram para sair e trazer resultado, apesar de serem duas pautas que podem ser tocadas em paralelo, junto com a aprovação de novos marcos legais. Ele só alerta que o governo precisa ficar atento ao fazer as privatizações, pois o preço dos ativos tende a estar baixo.

Para Considera, o melhor caminho para o governo é investir em obras públicas para puxar a retomada da economia no curto prazo, já que as pessoas não vão tomar dinheiro para aumentar o consumo. “A demanda que você consegue estimular é a do governo. Não é que o governo vai criar empresas e interferir na economia. Ele vai comprar obras, como saneamento e construção civil. O setor privado fará as obras, contratado pelo setor público”, defende.

O economista-chefe do Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, também defende a retomada por meio de um programa de obras pago pelo Estado e executado pela iniciativa privada. “Qual o melhor gasto do governo numa situação de recessão? É obra, você contrata empresas privadas para fazer uma obra. Essa empresa vai contratar pessoas para trabalhar nessa obra. Essa mesma empresa vai comprar asfalto de fornecedores, cimento. É um programa emergencial que recupera empresas e empregos ao mesmo tempo”, resume.

Gonçalves defende, ainda, a implementação de uma agenda que aumente a produtividade do setor produtivo e que garanta emprego e renda para o futuro. “Por exemplo, incorporação de nova tecnologias no processo de produção, que é investimento em bens de capital mais produtivos. O governo poderia lançar linhas de crédito”, sugere.

O economista Raul Velloso, consultor econômico e ex-secretário de Assuntos Econômicos do extinto Ministério do Planejamento, acredita que é prematuro falar em plano de retomada da economia sem sabermos ao certo o tamanho e a duração da pandemia.

“Temos que entender primeiro as mudanças que vão ocorrer nos próximos dois, três meses. Elas vão ter um impacto muito grande, vão afetar a economia por até um, dois anos”, afirma.

Mas ele diz que será inevitável o governo atacar em três frentes. A primeira é o combate à dívida pública. “Ninguém sabe direito o que vai acontecer no Brasil e no mundo com as dívidas públicas. Elas vão subir muito nesse período. Que tipo de mudança que isso pode se ocasionar no que já estava se fazendo? Como países vão olhar para frente?”, indaga Velloso.

A segunda frente é o passivo atuarial dos regimes previdenciários dos municípios e estados, uma bomba-relógio que já explodiu em muitas regiões do país. Por fim, uma revisão da regra do teto dos gastos (que limita o crescimento da despesa à inflação).

“O teto de gastos, em princípio, voltaria a operar no início do ano que vem e significaria praticamente zerar investimentos públicos. Essa questão tem que ser repensada. Não dá para ter investimento zerado em 2021”, argumenta.

A equipe econômica é totalmente contra mexer no teto de gastos. Para os técnicos, o teto é a âncora fiscal, ou seja, a garantia que o país não vai sair do trilho e voltar a gastar desenfreadamente.

O plano do governo
O projeto do governo para retomada da economia, segundo informações apuradas pela Gazeta do Povo, é similar ao de antes da pandemia. A pasta quer focar as suas ações em três grandes áreas, todas baseadas numa agenda pró-mercado:

Programa de concessões e investimentos privados
Reformas estruturantes
Venda de ativos da União
No Congresso, o governo vai lutar para aprovar uma ampla gama de propostas:

PEC do Pacto Federativo
PEC dos Fundos Públicos
PEC Emergencial
Reforma administrativa
Reforma tributária
Reforma administrativa
Nova Lei do Gás
Autonomia do Banco Central
Privatização da Eletrobras
Nova lei de Recuperação Judicial
Simplificação de Legislação de Câmbio
PL do Governo Digital
Nova lei de Finanças Públicas
Nova lei de Concessões
Plano de Equilíbrio Fiscal (Plano Mansueto, arquivado pelo Senado)
Novo marco legal do setor elétrico
Novo marco legal do saneamento
Novo marco legal das ferrovias
Novo marco legal do petróleo (fim do regime de partilha)
Estão no radar, ainda, medidas de:

Simplificação, desburocratização e desregulamentação, dando continuidade à agenda iniciada pela Lei da Liberdade Econômica
Redução de encargos trabalhistas para estimular as contratações
Abertura da economia
Estímulo ao mercado de crédito
Combate à pobreza
Combate ao desemprego
Retomada e criação de empresas

Fonte: https://www.gazetadopovo.com.br/republica/o-plano-de-retomada-da-economia-na-visao-do-governo-e-o-que-pensam-os-economistas

 

As medidas de isolamento recomendadas pelas autoridades de saúde atingiram a quase totalidade dos pequenos negócios
A ampliação dos impactos econômicos da crise provocada pelo novo coronavírus tem levado um número maior de donos de pequenas empresas a buscar empréstimo para manter o negócio. De acordo com pesquisa realizada pelo Sebrae, com parceria da Fundação Getúlio Vargas, cresceu em 8 pontos percentuais a proporção de empresários que buscou crédito entre 7 de abril e 5 de maio. Entretanto, o mesmo estudo mostra que 86% dos empreendedores que buscaram tiveram o empréstimo negado ou ainda têm seus pedidos em análise. Desde o início das medidas de isolamento no Brasil, apenas 14% daqueles que solicitaram crédito tiveram sucesso.
A pesquisa, realizada entre 30 de abril e 5 de maio, ouviu 10.384 microempreendedores individuais (MEI) e donos de micro e pequenas empresas de todo o país. Essa é a 3ª edição de uma série iniciada pelo Sebrae no mês de março, pouco depois do anúncio dos primeiros casos da doença no país. O levantamento do Sebrae confirma uma tendência já identificada em outras pesquisas do Sebrae, de que os donos de pequenos negócios têm – historicamente – uma cultura de evitar a busca de empréstimo. Mesmo com a queda acentuada no faturamento, 62% não buscaram crédito desde o começo da crise. Dos que buscaram, 88% o fizeram em instituições bancárias. Já entre os que procuraram em fontes alternativas, parentes e amigos (43%) são a fonte de empréstimos mais citada, seguidos de instituições de microcrédito (23%) e negociação de dívidas com fornecedores (16%). Veja o infográfico disponibilizado pelo Sebrae com os principais resultados da pesquisa no final desta reportagem.
Para o presidente do Sebrae, Carlos Melles, esse comportamento pode ter diversas razões, entre elas: as elevadas taxas de juros praticadas pelas instituições financeiras, o excesso de burocracia ou a falta de garantias por parte das pequenas empresas. “Por essa razão, o Sebrae está trabalhando para ampliar o volume de instituições parceiras para a operação do Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas (Fampe). Já contamos com 12 organizações, entre bancos públicos e privados, cooperativas de crédito e agências de fomento. Queremos estender esse apoio a um número maior de empresários”, comenta Melles. Segundo ele, em apenas pouco mais de 10 dias de operação do convênio firmado com a Caixa para a concessão de crédito assistido, com recursos do Fampe, foram realizadas 3.104 operações e concedidos R$ 267,9 milhões em crédito para pequenos negócios.
A pesquisa revelou que as medidas de isolamento recomendadas pelas autoridades de saúde atingiram a quase totalidade dos pequenos negócios. 44% interromperam a operação do negócio, pois dependem do funcionamento presencial. Outros 32% mantêm funcionamento com auxílio de ferramentas digitais e 12% mantêm funcionamento, apesar de não contar com estrutura de tecnologia digital. Apenas 11% conseguiram manter a operação sem alterações, por outras razões, entre segmentos listados como serviços essenciais. Com relação ao faturamento do negócio, a maioria dos donos de pequenas empresas (89%) apontou uma queda na receita mensal. 4% não perceberam alteração de faturamento, apenas 2% conseguiram registrar aumento de receita no período e 5% não quiseram responder. Na média, o faturamento dos pequenos negócios foi 60% menor do que no período pré-crise. Apesar de preocupante, esse resultado é melhor do que o identificado nas duas pesquisas anteriores. Em março, a queda havia sido de 64%. No 2º levantamento, no início de abril, a perda média de receita havia sido ainda maior (69%).
Para tentar superar esse momento, as empresas estão lançando mão de diferentes recursos. Para 29% delas, a alternativa foi passar a realizar vendas online, com o uso das redes sociais. Outros 12% disseram ter começado a gerenciar as contas da empresa por meio de aplicativos e 8% passaram a realizar vendas on-line por aplicativos de entrega.

fonte:REDAÇÃO / REVISTA AMANHA DIGITAL 19/05/2020

Presidente do STF atendeu a pedido da PGFN antes do prazo para empresas recolherem contribuição
• JAMILE RACANICCI
BRASÍLIA

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, suspendeu nesta segunda-feira (18/5) a liminar do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) que restabelecia as alíquotas pagas ao Sistema S pelas empresas. O governo federal reduziu os percentuais à metade por meio da medida provisória 932/2020 para enfrentar a pandemia do coronavírus. A MP também dobra, de 3,5% para 7%, a taxa paga pelas entidades do Sistema S à Receita Federal pelo serviço de arrecadação.
A decisão do TRF1 preocupava os contribuintes, pois havia dúvidas sobre quais empresas seriam afetadas pela liminar e teriam que pagar o valor cheio da contribuição. A desembargadora Ângela Catão havia deferido em 8 de maio um pedido do Sesc e do Senac do Distrito Federal “para suspender os efeitos da Medida Provisória nº 932, de 31 de março de 2020”.

Segundo a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), a decisão da desembargadora se aplicava às empresas no DF. De qualquer forma, Toffoli atendeu à solicitação da PGFN na SS 5381 e suspendeu a liminar antes de 20 de maio, prazo que as empresas têm para recolher a contribuição ao Sistema S.
A suspensão da liminar do TRF1 vale até que a ação ordinária seja julgada nas instâncias inferiores da Justiça. O ministro também determinou que, após a notificação da Advocacia-Geral da União (AGU) e do TRF1, a Procuradoria-Geral da República (PGR) tenha vista do processo.
Ao analisar outras liminares semelhantes, que criavam exceções às MPs emergenciais do governo em benefício de empresas ou setores econômicos, Toffoli anulou as decisões de instâncias inferiores do Judiciário.
Na SS 5374/SP, por exemplo, o ministro suspendeu uma liminar do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) que afastava a exigibilidade de ISS e IPTU do grupo Folha ao argumentar que “não cabe ao Poder Judiciário decidir quem deve ou não pagar impostos, ou mesmo quais políticas públicas devem ser adotadas, substituindo-se aos gestores responsáveis pela condução dos destinos do Estado”.
Na decisão monocrática, Toffoli escreveu que o combate à pandemia exige “medidas coordenadas e voltadas ao bem comum, não se podendo privilegiar determinado segmento da atividade econômica em detrimento de outro”.
O STF deve julgar se é constitucional a redução das alíquotas do Sistema S por meio da MP 932/2020 ao apreciar a ADI 6373, proposta no início de abril pela Confederação Nacional do Transporte (CNT). Na petição inicial, a CNT argumenta que a medida representa um confisco porque reduz pela metade a forma de financiamento do Sistema S e dobra a taxa que as entidades devem pagar à Receita Federal como retribuição pelos serviços de recolhimento e repasse.

fonte: 18/05/2020 14:12 JOTA